Eleonora Menicucci de Oliveira

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Nome: MENICUCCI, Eleonora
Nome Completo: Eleonora Menicucci de Oliveira

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:

MENICUCCI, Eleonora
*min.-ch. Secr. Políticas para as Mulheres, 2012-


Eleonora Menicucci de Oliveira nasceu em Lavras (MG) no dia 21 de agosto de 1944. A segunda da família de seis filhos: cinco mulheres (uma morreu ainda pequena) e um homem, sendo este o mais novo. Foi educada basicamente por sua mãe a partir dos 11 anos, devido ao falecimento do seu pai aos 44 anos. 
Em sua cidade natal cursou a Escola Normal, formando-se professora primária em 1963. Mudou-se então para Belo Horizonte, onde passou a trabalhar em colégio particular, lecionando para o primeiro e segundo graus. No ano seguinte, ao ser aprovada no concurso público para o magistério da primeira a oitava séries, passou a lecionar nas turmas de quinta a oitava séries em uma escola situada na favela do Morro do Papagaio na capital mineira. 
Ainda em 1964 iniciou sua militância política ao ingressar no Partido Comunista Brasileiro (PCB). Nesse mesmo ano foi aprovada no vestibular para a Faculdade de Pedagogia. Antes mesmo que o curso se iniciasse,solicitou transferência e, acabou optando por participar de novo vestibular, tendo ingressado no curso de Ciências Sociais na na Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), logo após o movimento político-militar que tirou o presidente João Goulart
No ano seguinte, então por decisão do partido, participou novamente do vestibular e voltou a ser aprovada, nesta oportunidade para a Escola Paulista de Medicina (atualmente integrante da Universidade Federal de São Paulo - Unifesp). Simultaneamente, cursou quatro anos da Faculdade de Ciências Sociais em Belo Horizonte. Suas intensas atividades partidárias e participação nos movimentos pós-1964 dificultaram a sua frequência regular nos cursos, que seriam retomados posteriormente para conclusão.
No período universitário, participou ativamente do movimento estudantil. Tornando-se dissidente do PCB, seguiu para a luta armada, passando a militar na Política Operária (Polop) e depois no Partido Operário Comunista (POC). A organização política revolucionária (Polop) foi formada em fevereiro de 1961, por elementos vindos da Liga Socialista, uma organização influenciada pela teórica marxista alemã Rosa Luxemburgo, por ex-militantes trotskistas e por ex-militantes comunistas. Constituída essencialmente de intelectuais e estudantes e possuindo bases, sobretudo em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, tinha por objetivo criar condições para o surgimento de um partido revolucionário da classe operária. O projeto de reagrupar outras forças fracassou e, com a saída da dissidência secundarista do Rio, a Polop e a dissidência leninista formariam o Partido Operário Comunista (POC) em 1968.
O endurecimento do regime militar no final de 1968, com a edição do Ato Institucional nº 5 (AI-5) no dia 13 de dezembro, fez com que os dois se transferissem para a região do ABC paulista, usando para tanto nomes e documentos falsos. Pouco tempo depois do casamento, receberam a notícia da primeira gravidez e decidiram que todas as suas ações de 1969 passariam a ser em São Paulo. No dia 27 de setembro de 1969, Eleonora foi levada para uma maternidade em São Paulo, onde nasceu sua primeira filha, Maria. Já no ano seguinte engravidou novamente e decidiu abortar, cumprindo uma decisão conjunta com a organização na qual militava.
Integrante da direção do POC, Eleonora vinha sendo procurada em São Paulo, pela Operação Bandeirante (Oban), centro de informações e investigações montado pelo Exército do Brasil, que em 1969 coordenava e integrava as ações dos órgãos de combate às organizações armadas de esquerda durante o regime militar e se transformaria no Destacamento de Operações de Informações (DOI) do Centro de Operações de Defesa Interna (CODI). Ciente da notícia, a direção do partido decidiu pela sua saída imediata do país.
Em maio de 1971 viajou para o Chile com a filha, deixando o marido em São Paulo. No mês seguinte, no entanto, decidiu retornar a São Paulo com o grupo do POC, por entender que precisava fazer a luta armada no seu país. No dia 11 de julho seguinte, com 24 anos, foi presa na casa dos tios do seu marido, no bairro dos Jardins, em São Paulo, levando consigo a sua filha de um ano e 10 meses de idade, para a sede do DOI-CODI, localizada na Rua Tutoia, 921, na capital paulista, local para onde eram levados todos os presos políticos da época. O DOI-CODI tornou-se um dos órgãos criados pelo regime militar brasileiro (1964-1985) para prender e torturar os seus opositores. A prisão foi efetivada sob a acusação de agitadora, guerrilheira e inimiga do seu próprio país, por pertencer ao POC e ser militante da Polop. Na manhã do mesmo dia, seu marido também foi preso na cidade de Uberaba (MG), durante o funeral de sua mãe. 
No DOI-CODI, permaneceu presa durante 72 dias, tendo sofrido todas as formas de tortura. Segundo seu depoimento no evento “Corpo, Sexualidade e Gênero”, promovido pela Universidade Estadual de Cárceres (MT), em 14 de outubro de 2004, quando retornava das seções de tortura recebia aplicações de injeção de reanimação. Diante das dores, precisou fazer uso de cadeira de rodas e muletas, e realizou tratamento, à época, no Hospital das Clínicas de São Paulo, que então se encontrava sob intervenção. Na ocasião, médicos diagnosticaram a necessidade de uma cirurgia para tratamento de uma hérnia de disco, mas a realização da cirurgia foi impedida por outro médico, que havia sido seu companheiro de cela, e contestou a existência da doença e, por conseguinte, a necessidade de realização do procedimento cirúrgico.
Condenada a 12 anos de prisão em primeira instância pela Auditoria Militar de São Paulo, Eleonora Menicucci cumpriu três anos e oito meses de detenção no Presídio Tiradentes, na cidade de São Paulo.  O recurso impetrado por sua advogada junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) garantiu que sua liberdade fosse homologada no dia 12 de outubro de 1974. O país já vivia então o primeiro ano do governo do general Ernesto Geisel (1974-1979), que se caracterizaria de um lado pelo projeto de abertura lenta e gradual do Regime Militar, e de outro pelo acirramento da repressão frente aos movimentos e partidos de esquerda.
O retorno à liberdade significou também a retomada das atividades acadêmicas em Belo Horizonte. Decidida a não mais continuar o curso de Medicina, optou pelo de Sociologia na UFMG, concluindo-o em 1974. Nesse momento, a militância feminista e a pesquisa sobre as condições de vida das mulheres ganharam proeminência em sua trajetória acadêmica e política.
Prosseguindo seus estudos, ingressou em 1975 no curso de pós-graduação “Especialização em Metodologia da Pesquisa Científica”, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). A partir de maio do mesmo ano, deu continuidade à sua participação no movimento feminista, incentivada pela leitura do livro A dialética do Sexo, da escritora Sulamita Firestone, que considerou ser o marco do feminismo na sua vida. A partir da sua participação nos grupos de reflexão e incentivada pelas leituras das publicações dos autores feministas e esquerdistas, passou a radicalizar e militar o seu feminismo no sentido de discussão e priorização da própria vida, deixando de militar nas organizações de esquerda para se dedicar ao feminismo nos grupos de reflexão.
Integrada nas atividades feministas, participou nos trabalhos de desdobramento dos grupos de reflexão em novos grupos para a criação do jornal Pensando a mulher, de Belo Horizonte, objetivando sua publicação e divulgação no final de 1975. No ano seguinte participou na articulação do feminismo no nível nacional, via Belo Horizonte, através da publicação do jornal S.O.S. Mulher, fazendo ponte com o jornal S.O.S. Mulher de São Paulo.
Com exceção de Valinhos (SP), quando as questões sobre a sexualidade foram as mais discutidas, participou dos encontros feministas realizados nas cidades e nas capitais brasileiras para estabelecimento de vínculos, divulgação das atividades dos grupos feministas e discussão de temas afins. 
Em Belo Horizonte trabalhou para o governo estadual por ajuda, contratada como técnica em um órgão da Superintendência de Planejamento Urbano. Recebia ajuda de custo desta autarquia por não poder ser regulamentada, em função do seu processo de anistia não haver sido concluído.
Foi indicada para desenvolver seu trabalho na Diocese de João Pessoa, junto ao arcebispo dom José Maria Pires. Com esta referência, em 1978 mudou-se para a capital paraibana, onde iniciou seu trabalho com as mulheres rurais de Alagamar, do movimento de trabalhadoras rurais, no Centro de Direitos Humanos da Arquidiocese da Paraíba. Nesse mesmo ano ingressou no serviço público, na carreira de professora, atuando na Universidade Federal da Paraíba como colaboradora 80, ou seja, embora servidora pública do magistério concursada desde 1978, ainda aguardava seu enquadramento funcional, que só viria em 1982, após a greve nacional dos professores.
Pouco tempo depois retomou as atividades do grupo de reflexão feminista com algumas mulheres em João Pessoa, sendo a maioria de fora da capital. As atividades do grupo deram origem ao primeiro grupo feminista da capital paraibana. Com o nome de Maria Mulher, escolhido por ser uma personagem conhecida das histórias em quadrinho, o grupo se fortaleceu através da produção de publicações sobre as questões femininas e a violência contra a mulher.
Com o fim do bipartidarismo em novembro de 1979, filiou-se, no ano seguinte, ao recém-criado Partido dos Trabalhadores (PT), do qual se tornaria membro, em 1983, da 1ª Secretaria Nacional de Mulheres do partido.
Nas décadas de 1980 e 1990 foi Assessora Especial da Comissão Nacional de Mulheres da Central Única dos Trabalhadores (CUT). A repercussão da sua participação no movimento das mulheres, incentivando o crescimento da militância feminista paraibana, e a participação na Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior (ANDES) criaram insatisfações entre os grupos contrários, que provocaram incêndio na sua residência, em 1981, durante a primeira greve nacional de professores. 
O resultado das negociações da greve nacional dos professores, realizada em 1982, foi favorável a todos os servidores do magistério incorporados como professor colaborador, que passaram para o quadro permanente das universidades nas quais os professores estivessem lotados. 
Nas décadas de 1980 e 1990 participou como assessora especial da Comissão Nacional de Mulheres da CUT, fundada em 28 de agosto de 1983, na cidade de São Bernardo do Campo (SP), durante o 1º Congresso Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat).
Articulada com o feminismo, em 1984 Eleonora Menicucci transferiu-se para São Paulo, ingressando a seguir no doutorado em Ciência Política da Universidade de São Paulo (USP). Ao longo do curso realizou pesquisas sobre os Direitos Reprodutivos e Direitos Sexuais. Defendida a tese em dezembro de 1990, Menicucci transferiu-se para a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). No mesmo ano criou a Rede Nacional Feminista de Saúde.
Na Escola Paulista de Medicina, que já integrava a Unifesp, diante da inexistência de um departamento de medicina preventiva, deu início a um trabalho no Departamento de Enfermagem com a perspectiva de contribuir para a melhoria da qualidade de assistência às mulheres. Com este objetivo, juntou-se a um grupo de mulheres feministas na criação do “Núcleo de Estudo em Saúde da Mulher e Relações de Gênero”. 
Em março de 1991, durante o Encontro Nacional de Núcleos de Estudos sobre a Mulher e Gênero, promovido pelo Núcleo de Estudos da Mulher da Universidade de São Paulo (USP), integrou o grupo de mulheres feministas que criou a Revista de Estudos Feministas (Redefem). 
Em 1996, recebeu o título de Professora de Livre Docência em Saúde Coletiva, pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo. Dois anos depois tornou-se cofundadora e coordenadora da Casa de Saúde da Mulher Domingos Delascio da Unifesp, para atendimento de mulheres vítimas de violência sexual.
No período de 2002 a 2004 dedicou-se às atividades da relatoria para os Direitos à Saúde Sexual e Reprodutiva da Plataforma Dhesca Brasil. Essa plataforma surgiu como um capítulo da Plataforma Interamericana de Direitos Humanos, Democracia e Desenvolvimento (PIDHDD), que se articula desde os anos 1990 para promover a troca de experiências e a soma de esforços na luta em defesa dos direitos humanos. Em 2004 assumiu a coordenação do diretório de pesquisa de Saúde e Relações de Gênero no CNPq, atividade que teve impacto na construção e aprofundamento do conhecimento da saúde.
Participou da Rede Nacional Feminista de Saúde e Direitos Reprodutivos, da qual é uma das fundadoras, e até novembro de 2004 foi relatora das Nações Unidas, dos Direitos Humanos à Saúde no Brasil, indicada pela Rede. A Rede Nacional Feminista de Saúde, Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos, fundada em 1991, é uma articulação política nacional do movimento de mulheres, feminista e antirracismo. Para o Relatório Brasileiro sobre Direitos Humanos, Econômicos, Sociais e Culturais, relativo ao ano de 2003, foram definidos dois grandes eixos estruturadores dos casos paradigmáticos de violência: a saúde da mulher e a saúde no trabalho. Na saúde da mulher foram visitados municípios do interior de Pernambuco que apresentaram alto índice de morte materna e a questão do aborto.
Aprovada em concurso público, em 2006 assumiu o cargo de professora titular do Departamento de Medicina Preventiva, com dedicação exclusiva na Unifesp, ligada à disciplina de Ciências Humanas em Saúde. Nessa mesma data, demitiu-se do cargo que ocupava como professora associada na instituição. Em 2009 assumiu o cargo de Vice-Pró-Reitora de Extensão da Unifesp, durante a gestão do Reitor Walter Albertoni. Em 9 de fevereiro de 2012 solicitou afastamento da função para assumir o cargo de ministra-chefe da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República, a convite da presidenta Dilma Rousseff, em substituição a Iriny Lopes, que havia deixado o cargo para concorrer à Prefeitura de Vitória, no pleito de 2012. Este novo cargo levou-a a solicitar, na mesma data, a suspensão da bolsa de pesquisadora 1B do CNPq.
Foi casada e teve dois filhos.
Publicou A Mulher, a Sexualidade e o Trabalho (1999) e colaborou com diversas outras publicações.

Regina Vives


FONTES:
http://www.spm.gov.br/ministro (acessado em 12/08/2014)
http://lattes.cnpq.br/4159353159721979 (acessado em 13/08/2014)
http://blog.planalto.gov.br/decisao-do-stf-sobre-lei-maria-da-penha-fortalece-a-luta-das-mulheres-e-elimina-controversias-diz-presidenta-dilma/ (acessado em 14/08/2014)
http://www.novae.inf.br/site/modules.php?name=Conteudo&pid=1882 (acessado em 18/08/2014)
http://www.spm.gov.br/noticias/documentos-1/perfil-eleonora-menicucci (acessado em 18/08/2014)
http://jornalggn.com.br/blog/luisnassif/entrevista-historica-com-eleonora-menecucci(acessado em 18/08/2014)
http://www.freibetto.org/index.php/perfil (acessado em 07/9/2014)
http://www.freibetto.org (acessado em 07/9/2014)
http://www.andes.org.br/imprensa/migracao/historia.html (acessado em 09/09/2014).
http://www.jornaliaras.ufpa.br/index.php?option=com_content&view=article&id=110%3Aopiniao-lourdes-bandeira&catid=8%3Aedicao-6-setembro--outubro&Itemid=13 (acessado em 10/09/2014)
http://www.ideiapublica.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=1354%3Adilma-da-posse-a-nova-ministra-da-secretaria-de-politicas-para-as-mulheres&catid=8%3Abrasil&Itemid=1 (acessado em 10/09/2014)
http://www.elsa.org.br/outras_14022012.html (acessado em 11/09/2014)
http://epoca.globo.com/tempo/noticia/2014/03/beleonora-menicuccib-violencia-contra-mulher-nao-tem-classe-social.html(acessado em 17/09/2014)
http://www.cut.org.br/conteudo/historico/(acessado em 17/09/2014)
http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/POLITICA/428369-PARTICIPACAO-FEMININA-CRESCEU-NAS-ELEICOES-MUNICIPAIS-DESTE-ANO.html (acessado em 17/09/2014)
http://www.redesaude.org.br/home/institucional.php (acessado em 23/09/2014)




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