KURT PRUFER

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Nome: PRÜFER, Kurt
Nome Completo: KURT PRUFER

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
PRÜFER, KURT

PRÜFER, Kurt

*diplomata alemão; emb. Alemanha no Brasil 1939-1942.

 

Kurt Prüfer nasceu em Berlim no dia 26 de julho de 1881.

Em 1905 doutorou-se em filosofia. Nomeado em 1907 intérprete junto ao consulado alemão no Cairo, capital do Egito, voltou a exercer a mesma função nessa cidade entre 1910 e 1913. Em 1914, durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), atuou como elemento de ligação entre o Ministério das Relações Exteriores e o IV Exército turco, aliado da Alemanha no conflito.

Em março de 1917 passou a servir junto à embaixada alemã em Constantinopla (atual Istambul), na Turquia, onde permaneceu até abril de 1919. De volta à Alemanha em fevereiro do ano seguinte, atuou no Ministério das Relações Exteriores, sendo promovido a segundo-secretário em setembro de 1920. Promovido a conselheiro em setembro de 1923, em outubro do ano seguinte foi encarregado da direção do consulado em Davos, na Suíça. Novamente na Alemanha em junho de 1925, exerceu em outubro desse ano a chefia do consulado geral em Tiflis (atual Tblissi), na União Soviética, sendo promovido em junho de 1929 a ministro de segunda classe e removido para Adis-Abeba, na Etiópia. Em abril de 1936 alcançou o posto de ministro de primeira classe.

Em abril de 1939 foi nomeado embaixador para missões especiais e, em junho seguinte, designado embaixador da Alemanha no Brasil, em substituição a Karl Ritter, que fora declarado persona non grata em setembro de 1938. Durante o ano de 1939, o governo brasileiro iniciou negociações com a companhia norte-americana US Steel, com as empresas alemãs Thyssen e Krupp e com algumas empresas suecas interessadas em participar da criação de uma indústria siderúrgica no Brasil. Em junho de 1940, já em pleno desenrolar da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), Prüfer recebeu autorização de seu governo para iniciar negociações de compra de café e algodão do Brasil para depois da guerra. Além disso, ficou também autorizado a oferecer ao Brasil um financiamento destinado à implantação da indústria siderúrgica, pois a Alemanha temia uma antecipação dos EUA no negócio.

De acordo com Afonso Henrique, no dia 21 do mesmo mês, o embaixador alemão participou de uma entrevista particular com o presidente Getúlio Vargas, sem o conhecimento do ministro das Relações Exteriores, Osvaldo Aranha. Nessa entrevista, segundo telegrama enviado por Prüfer a seus superiores, foi proposta pelo presidente uma ativação das relações econômicas entre os dois países. Na ocasião, ainda segundo a fonte citada, Vargas reafirmou a neutralidade brasileira no conflito mundial, prometendo também controlar os excessos cometidos contra cidadãos germânicos no sul do país, os quais atribuiu à campanha de origem externa disseminada por imigrantes judeus.

No dia 27 de junho, seis dias após a entrevista, o governo alemão aprovou a concretização dos negócios com as seguintes instruções: o acordo deveria ser feito diretamente com Vargas e não deveria ser pago em divisa estrangeira, e a Alemanha não assumiria compromissos quanto ao prazo de entrega da empresa. Em contrapartida, o crédito ao Brasil teria seu limite ampliado de 170 para trezentos milhões de marcos e o governo alemão se comprometia a enviar grande quantidade de material bélico, ferroviário e equipamentos para a motorização do Exército. A ofensiva diplomática alemã visava, sobretudo, atrair o Brasil para fora da área de influência norte-americana, que buscava sensibilizar os países do continente através da política do pan-americanismo. Como passo seguinte imediato, a Alemanha pretendia que o Brasil não participasse da Conferência de Havana, em Cuba, realizada ainda em junho de 1940, mas não obteve êxito. Prüfer escreveu a seu governo contando que havia diversas posições conflitantes dentro do governo brasileiro em relação aos planos alemães e que, portanto, não seria possível a Vargas firmar uma posição. A Conferência de Havana acabou por estabelecer que qualquer ataque externo a um país americano seria considerado uma agressão a todos os demais países do continente e, por outro lado, o financiamento da indústria siderúrgica brasileira acabou sendo feito pelos EUA.

Finalmente, em janeiro de 1942, o Brasil rompeu relações diplomáticas com os países do Eixo — Alemanha, Itália e Japão —, e Prüfer foi obrigado a deixar o posto, retornando a seu país. Foi o último embaixador alemão no Brasil até 1951, quando se restabeleceram as relações em nível de embaixada entre os dois países. Transferido para a Suíça em agosto de 1943, Prüfer aposentou-se em 25 de novembro do ano seguinte.

Faleceu no dia 30 de janeiro de 1959.

 

 

FONTES: CORRESP. EMB. REP. FED. ALEMANHA; HENRIQUES, A. Ascensão; SILVA, H. 1939.

 

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