MONTEIRO, ISMAR DE GOIS

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Nome: MONTEIRO, Ismar de Góis
Nome Completo: MONTEIRO, ISMAR DE GOIS

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
MONTEIRO, ISMAR DE GÓIS

MONTEIRO, Ismar de Góis

*militar; interv. AL 1941-1945; const. 1946; sen. AL 1946-1955.

 

Ismar de Góis Monteiro nasceu em Maceió no dia 27 de outubro de 1906, filho de Pedro Aureliano Monteiro dos Santos e de Constança Cavalcanti de Góis Monteiro, um de seus irmãos, Pedro Aurélio de Góis Monteiro, foi chefe do estado-maior das forças revolucionárias de 1930, ministro da Guerra entre 1934 e 1935, chefe do Estado-Maior do Exército de 1937 a 1943, novamente ministro da Guerra de 1945 a 1946, senador por Alagoas entre 1947 e 1951, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas de 1951 a 1952 e ministro do Superior Tribunal Militar (STM) de 1952 a 1956. Três outros irmãos seus participaram também da vida política nacional. Silvestre Péricles de Góis Monteiro foi constituinte de 1946, deputado federal de 1946 a 1947, governador de Alagoas de 1947 a 1951, ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) de 1956 a 1959 e senador por Alagoas de 1959 a 1967; Edgar de Góis Monteiro foi interventor federal em Alagoas em 1945 e presidente do Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA), e Manuel César de Góis Monteiro foi diplomata, constituinte de 1934 e senador por Alagoas entre 1935 e 1937.

Ismar de Góis Monteiro cursou o primário em diversos colégios de Maceió e de Niterói, então capital do estado do Rio de Janeiro, e o secundário no Colégio Militar de Barbacena (MG). Ingressou na Escola Militar do Realengo no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, em abril de 1924, saindo aspirante-a-oficial da arma de infantaria em janeiro de 1927.  Foi promovido a segundo-tenente em julho desse mesmo ano, e a primeiro-tenente em julho de 1929.

Por ocasião do movimento revolucionário de outubro de 1930, que afastou o presidente Washington Luís no dia 24 e levou ao poder, em 3 de novembro seguinte, o líder civil do movimento, Getúlio Vargas, Ismar de Góis Monteiro lutou ao lado dos revolucionários. Promovido a capitão em novembro de 1932, fez o curso de aperfeiçoamento na Escola de Armas do Exército entre 1933 e 1935. Em 1936 ingressou na Escola Técnica do Exército, pela qual se formou engenheiro mecânico e eletricista em 1939.

Em janeiro de 1941, já após a instalação do Estado Novo (10/11/1937) foi nomeado interventor federal em Alagoas, assumindo o cargo no mês seguinte em substituição a José Maria Correia das Neves. Em agosto de 1941 foi promovido a major e, em março de 1945, ainda durante sua administração, passou a tenente-coronel. Deixou a chefia do governo alagoano em 3 de novembro de 1945, após deposição de Vargas pelos chefes militares (29/10/1945), sendo substituído por seu irmão Edgar de Góis Monteiro, também interventor federal, nomeado pelo presidente José Linhares.

No pleito de dezembro de 1945 elegeu-se senador por Alagoas à Assembléia Nacional Constituinte, na legenda do Partido Social Democrático (PSD). Assumindo a cadeira no Senado em março de 1946, já no governo do general Eurico Gaspar Dutra, participou dos trabalhos constituintes e, com a promulgação da nova Carta em 18 de setembro de 1946, passou a exercer o mandato ordinário. No final de 1946, juntamente com seu irmão, Silvestre Péricles de Góis Monteiro, agrediu fisicamente nos corredores da Câmara o deputado Edmundo Barreto Pinto, por conta das investidas que vinha fazendo contra o general Góis Monteiro.

Logo após o cancelamento do registro do Partido Comunista Brasileiro (PCB), então Partido Comunista do Brasil em maio de 1947, Ismar Monteiro formulou, juntamente com os senadores Dario Cardoso e Georgino Avelino, uma consulta à Justiça Federal para saber como se preencheriam as vagas deixadas no Congresso pelos parlamentares comunistas cassados, medida efetivada em janeiro de 1948.

Presidente do diretório regional do PSD em Alagoas e membro do diretório nacional do mesmo partido, em maio de 1948 foi eleito vice-presidente da Comissão de Finanças do Senado, cargo para o qual se reelegeria por várias vezes seguidas no decorrer de seu mandato. Na mesma ocasião foi nomeado membro da comissão especial de inquérito para a indústria têxtil.

Ao passar para a reforma em 1950, recebeu a promoção de general-de-brigada. Nesse mesmo ano foi ferido por seu irmão Silvestre Péricles, que governava Alagoas desde 1947, durante um tiroteio travado entre eles. Na ocasião, Ismar Monteiro foi acusado pelo jornal carioca Correio da Manhã de ser responsável pela onda de violência que se desenvolvia no estado, onde na época já tinha sido registrada a ocorrência de aproximadamente 50 assassinatos impunes.

Em dezembro de 1951, o presidente Getúlio Vargas, que havia assumido a chefia da nação em janeiro, enviou ao Congresso um projeto no qual propunha a criação de uma sociedade de economia mista (Petrobras), visando a solucionar o problema do petróleo no país. Em novembro de 1952, a Câmara Federal, após incorporar algumas emendas ao projeto, enviou-o ao Senado. No Senado, o projeto encontrou forte resistência por parte dos parlamentares que defendiam a maior participação do setor privado na exploração do petróleo, liderados pelo senador Oton Mader. Esse grupo procurava, através de novas emendas ao projeto, impedir a criação de uma empresa estatal que mantivesse um controle efetivo sobre o setor petrolífero. Nessa ocasião, Ismar Monteiro, como relator da Comissão de Segurança Nacional, visando a solucionar o impasse, propôs a inclusão no projeto de uma subemenda pela qual o governo, após ouvir o parecer do Conselho Nacional do Petróleo (CNP), poderia contratar, por intermédio da Petrobras, empresas especializadas para trabalhos de pesquisa, perfuração, extração e outros empreendimentos no setor, que seriam realizados mediante pagamento em dinheiro ou espécie. Apesar das severas críticas recebidas na tribuna, sua subemenda, respaldada pelo governo federal na medida em que reforçava a manutenção do controle pelo Estado sobre o setor petrolífero, foi aprovada por 30 votos contra 21. Os estatutos da Petrobras, com base no monopólio estatal, viriam a ser aprovados em outubro de 1953, através da Lei nº 2.004.

Durante o ano de 1953, Ismar Monteiro ocupou a tribuna 196 vezes, apresentando um total de 62 emendas, das quais 52 foram aprovadas, além de emitir 38 pareceres e formular 20 requerimentos. No decorrer de seu mandato preocupou-se principalmente com os problemas referentes à administração pública, tendo sido um dos parlamentares mais combativos nas discussões relacionadas com a organização dos serviços públicos civis. Foi também membro da Comissão das Forças Armadas e presidente da comissão especial sobre jogos de azar. No pleito de outubro de 1954, concorreu novamente ao Senado, sempre na legenda do PSD, não conseguindo, porém, ser reeleito. Em janeiro de 1955 encerrou seu mandato.

No primeiro semestre de 1961 foi vice-presidente da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). No pleito de outubro de 1962 concorreu mais uma vez a uma vaga no Senado por Alagoas, na legenda da coligação do PSD com o Partido Social Trabalhista (PST), mas não se elegeu.

Foi diretor da revista Via-Lucis de Barbacena, superintendente do jornal Diário Popular do Rio de Janeiro e membro do Círculo Técnico Militar, do Clube Militar e do Clube de Engenharia.

Faleceu na cidade do Rio de Janeiro no dia 21 de fevereiro de 1990.

Era casado com Florinda Moreira de Góis Monteiro, com quem teve quatro filhos.

 

FONTES: CAFÉ FILHO, J. Sindicato; CISNEIROS, A. Parlamentares; COHN, G. Petróleo; Diário do Congresso Nacional; GALVÃO, F. Fechamento; Globo (22/2/90); Grande encic. Delta; Jornal do Brasil (1/3/90); MACEDO, N. Aspectos; POPPINO, R. Federal; Rev. Arq. Públ. AL; SENADO. Dados; SENADO. Relação; SILVA, G. Constituinte.

 

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