PUPO NETO, TRAJANO

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Nome: PUPO NETO, Trajano
Nome Completo: PUPO NETO, TRAJANO

Tipo: BIOGRAFICO


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PUPO NETO, TRAJANO

PUPO NETO, Trajano

*pres. UNE 1939-1940.

 

Trajano Pupo Neto nasceu em Botucatu (SP) no dia 31 de agosto de 1915, filho de Gastão Pupo e de Iracema Amaral Pupo. Seu avô materno, Antônio do Amaral Vieira, foi jurista e desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo.

Fez seus estudos secundários no Ginásio Diocesano Nossa Senhora de Lourdes, em sua cidade natal, ingressando posteriormente na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. De 1937 a 1938 foi presidente da Liga Acadêmica de sua escola e em 1939 tornou-se o primeiro presidente do Centro Acadêmico 11 de Agosto. Durante o III Congresso Nacional de Estudantes, em agosto desse ano, foi eleito presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), sucedendo a Valdir Ramos Borges.

Ao iniciar sua gestão enfrentou grandes dificuldades financeiras, já que a UNE deixara de contar com a assistência da Casa do Estudante do Brasil. Apesar disso, promoveu a implantação de entidades nos diversos estados: durante os congressos regionais realizados nesse período, foram criadas a União dos Estudantes da Paraíba, a de Minas Gerais, a do Paraná e a do Rio Grande do Sul. Deu ênfase especial às atividades cívicas, promovendo em novembro de 1939, no cinqüentenário da proclamação da República, sessões comemorativas e um concurso nacional de oratória. Procurou também impulsionar o teatro estudantil mediante a criação de uma comissão especial, em que se destacou o Bacharelou-se ainda em 1939 e colaborou ativamente no recenseamento geral de 1940. Após a deflagração da Segunda Guerra Mundial, a UNE lançou em março de 1940 o documento À mocidade do Brasil e das Américas, conclamando à paz e à neutralidade. Esse manifesto teve grande repercussão inclusive nos Estados Unidos, onde recebeu o apoio da World Student Association, com sede em Nova Iorque. Em julho de 1940, durante o IV Congresso Nacional de Estudantes, Pupo Neto encerrou seu mandato, passando a presidência da UNE a Luís Pinheiro Pais Leme.

Tendo conquistado nesse ano o prêmio James Perkins Scholarship, oferecido pela The First National City Bank Foundation de Nova Iorque, viajou para os Estados Unidos, onde, até 1941, como bolsista da Brown University em Providence, Rhode Island, fez os cursos de economia e finanças e de diplomacia. Realizou ainda naquele país cursos especiais de economia e de administração de empresas, graduando-se mais tarde na Universidade de Michigan.

Ingressou em 1941 no The First National City Bank de Nova Iorque, como subgerente e supervisor de seu departamento jurídico. Posteriormente foi designado para a gerência das filiais desse departamento em São Paulo, Porto Alegre, Salvador e no Rio de Janeiro. Foi secretário-geral da União Cultural Brasil-Estados Unidos de 1942 a 1944, ano em que se tornou diretor-secretário da Vidros Lorning do Brasil. Dirigiu de 1946 a 1947 a Escola de Administração de Negócios da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo e participou do conselho regional do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), de 1947 a 1948. Deixando o departamento jurídico do The First National City Bank em 1953, passou a vice-presidente desse estabelecimento bancário.

Em 1955 foi delegado da Câmara de Comércio de São Paulo à Convenção Anual das Câmaras de Comércio, realizada em Washington. Tomou parte nas Conferências da Associação Interamericana de Advogados, em Dallas, Texas, em 1956, e em Buenos Aires, em 1957. Nesse último ano tornou-se secretário-geral assistente da Associação Interamericana de Advogados, sediada em Washington, e foi convidado pela Escola de Administração de Negócios de Harvard para participar da Conferência Latino-Americana de Desenvolvimento Econômico. Em 1958 foi o único latino-americano convidado a tomar parte no seminário internacional promovido pelo Centro de Estudos Internacionais daquela universidade.

Entre 1958 e 1960 ocupou a vice-presidência do Sindicato dos Bancos de São Paulo e foi diretor da Associação Comercial daquele estado, cujo conselho deliberativo também integrou. Tesoureiro da Associação Interamericana de Advogados de 1959 a 1961, tornou-se em 1960 presidente do Conselho de Curadores da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getulio Vargas (FGV), em São Paulo, e diretor-tesoureiro da seção paulista do Conselho Interamericano de Comércio e Produção.

Em 1963 deixou a presidência do The First National City Bank de Nova Iorque e assumiu a presidência da Anderson Clayton Indústria e Comércio do Brasil. Integrou no ano seguinte a missão brasileira de reescalonamento da dívida externa do Brasil junto ao setor privado dos Estados Unidos e em 1967, como membro da Comissão Consultiva de Política Industrial e Comercial do Ministério da Indústria e Comércio, participou da Missão Econômica Brasileira ao Leste europeu. Em 1971 compareceu ao fórum promovido pela American Management Association, em Nova Iorque, no qual apresentou o trabalho Brasil realizações e promessas, mais tarde convertido em livro.

Ao longo de sua vida, foi ainda presidente do Conselho Empresarial Brasil-Estados Unidos, do grupo executivo do Centro Estadual de Civismo e Cultura e do comitê executivo nacional da campanha de finanças da Associação de Assistência às Crianças Defeituosas e da Fundação Santo Agostinho. Ocupou também a vice-presidência do conselho da Fundação Bienal de São Paulo, foi diretor-vice-presidente do Museu de Arte Moderna de São Paulo e conselheiro da Fundação Maria Cecília Santo Vidigal, da Orquestra Filarmônica de São Paulo e da Associação Comercial do Rio de Janeiro.

Foi ainda membro da diretoria plenária do Centro de Indústrias do Estado de São Paulo, da diretoria do Clube de Seguradores e Banqueiros do Rio de Janeiro, da Sociedade Geográfica Brasileira, do conselho estadual de representação do Projeto Rondon, do juízo arbitral da Bolsa de Mercadorias de São Paulo, da Bolsa de Café e Açúcar de Nova Iorque, dos comitês de Assuntos Econômicos e de Relações Brasil-Estados Unidos, do conselho consultivo da Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação de São Paulo, da diretoria da Associação Nacional de Programação Econômica e Social de São Paulo, do conselho deliberativo da Associação Comercial de São Paulo, da junta de diretores do Sindicato dos Bancos do Estado da Guanabara, do conselho consultivo e do conselho de aplicação do Fiducial — Banco de Investimento do Comércio e Indústria de São Paulo, e do conselho consultivo da Companhia de Seguros Argos Fluminense, da Eletroprojetos e da Mesbla.

Representante no Brasil da Association Internationale pour la Promotion et la Protection des Investissements Privés em Territoires Étrangers, sediada em Genebra, Suíça, foi também membro do Instituto dos advogados de São Paulo, da comissão executiva da Associação Interamericana de Advogados, da The American Society of International Law, ambas em Washington, e da Associação de Direito Comercial das Américas, em Chicago, nos Estados Unidos.

Foi também diretor da Escola de Administração de Empresas da Universidade Católica de São Paulo, membro do Comitê de Arbitragem da Bolsa de Mercadorias de São Paulo, presidente do Automóvel Clube de São Paulo, presidente da Comissão de Finanças do Jóquei Clube de São Paulo, diretor da Associação dos Bancos de Investimento e de Desenvolvimento de São Paulo e do Rio de Janeiro, membro do Conselho Consultivo Internacional da Laferge Coopés, de Paris, vice-presidente do conselho de administração do Banco Noroeste S.A., presidente da Associação dos antigos alunos da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, vice-presidente da Associação Nacional de Programação Econômica e Social, membro do conselho consultivo da Câmara do Comércio e Indústria Franco-Brasileira, em São Paulo, e membro honorário da Câmara Americana de Comércio.

Faleceu em São Paulo no dia 17 de junho de 1991.

Era casado com Sílvia de Magalhães Padilha Pupo Neto, com quem teve três filhas.

Publicou Vida intelectual nos Estados Unidos (1941); Experiência de um advogado brasileiro nos tribunais norte-americanos (1941); Alguns aspectos da organização bancária dos Estados Unidos (1942); Doação de uma terminologia uniforme referente a créditos documentários; O sistema bancário norte-americano; O desenvolvimento do executivo na empresa privada moderna; Brasil-realizações e promessas; A empresa privada e o desenvolvimento nacional; Brasil-realizações e tendências; Brasil-1972 — perfil de uma nação em desenvolvimento; Brasil-1973 vida de um estudante norte-americano.

 

FONTES: CARONE, E. Estado; Estado de S. Paulo (19, 21 e 22/6/91); MELO, L. Dic.; POENER, A. Poder; SOARES, E. Instituições; SOC. BRAS. EXPANSÃO COMERCIAL. Quem; Súmulas; Who’s who in Brazil.

 

 

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