QUEIROS, HENRIQUE DE SOUSA

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Nome: QUEIRÓS, Henrique de Sousa
Nome Completo: QUEIROS, HENRIQUE DE SOUSA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
QUEIRÓS, HENRIQUE DE SOUSA

QUEIRÓS, Henrique de Sousa

*rev. 1930; rev. 1932.

 

Henrique de Sousa Queirós nasceu em São Paulo no dia 2 de abril de 1884, filho do advogado e delegado de polícia Augusto de Sousa Queirós e de Jessi do Amaral de Sousa Queirós. Seus pais pertenciam a famílias tradicionais de grandes proprietários agrícolas.

Realizou seus estudos básicos na Realschule de Frankfurt, Alemanha, ingressando em 1902 na Faculdade de Direito de São Paulo, pela qual se formou em 1906. Entre 1918 e 1924 foi vereador e vice-prefeito da capital paulista, exercendo por diversas vezes, nesse período, a chefia do Executivo municipal. Divergindo da maioria dos membros da Câmara de Vereadores, assumiu posição de destaque na liderança do movimento popular que agitou a capital paulista em torno da reforma do contrato da companhia telefônica da cidade.

Dirigiu o Instituto do Café de São Paulo de 1922 a 1924. Depois, ocupou durante um ano o comando da Guarda Municipal da capital, recém-criada pelo prefeito Firmiano de Morais Pinto. Em 5 de julho de 1924 eclodiu em São Paulo uma revolta liderada pelo general Isidoro Dias Lopes contra o governo federal de Artur Bernardes (1922-1926). Durante as três semanas que a capital do estado passou sob o controle dos rebeldes, antes que estes se retirassem para o interior sob o assédio das tropas legalistas, Sousa Queirós permaneceu ao lado do prefeito, colaborando na manutenção dos serviços essenciais da cidade.

Sempre ligado aos problemas da cafeicultura, foi presidente da Sociedade Rural Brasileira entre 1928 e 1930. Membro do diretório central do Partido Democrático (PD) de São Paulo, foi reconduzido ao posto no VI Congresso do PD, realizado em 11 de janeiro de 1930. Esse partido aglutinava a oposição liberal ao Partido Republicano Paulista (PRP), então dominante na política estadual e nacional. Coerente com a orientação partidária, apoiou a candidatura de Getúlio Vargas à presidência da República nas eleições de março de 1930. A vitória do situacionista Júlio Prestes nesse pleito levou à intensificação dos preparativos para uma revolta, apoiada em São Paulo pelo PD e deflagrada nacionalmente no dia 3 de outubro.

Depois de 21 dias de luta, a revolução foi vitoriosa. Nessa ocasião, o general Hastínfilo de Moura, chefe da 2ª Região Militar, assumiu por poucos dias o governo paulista, organizando um gabinete composto por membros do PD, no qual Sousa Queirós ocupou a Secretaria de Agricultura, Indústria e Comércio.

Após a demissão de Hastínfilo de Moura em 28 de outubro, teve início um conturbado período político-administrativo que ficou conhecido como o “governo dos 40 dias”, ao longo do qual se tornou cada vez mais evidente o conflito entre as elites políticas paulistas e o Governo Provisório da República. O PD esperava que o governo de São Paulo fosse entregue a Francisco Morato, presidente do partido, o que não ocorreu em virtude da oposição das correntes tenentistas lideradas, por Miguel Costa e João Alberto Lins de Barros, chefes militares revolucionários de grande prestígio. Sousa Queirós foi um dos dirigentes do PD que participaram das negociações conduzidas pelo próprio Getúlio Vargas — chefe do Governo Provisório — para a formação do novo governo paulista. Os entendimentos chegaram a bom termo com a reorganização do secretariado estadual, no qual João Alberto passou a ocupar o cargo de delegado militar da revolução no estado e Sousa Queirós foi mantido em seu posto.

Entretanto, a posse de João Alberto na interventoria de São Paulo, ocorrida em 24 de novembro, desagradou ao PD, deflagrando um rápido processo de deterioração das relações que viria a provocar, em 4 de dezembro, a renúncia coletiva dos secretários ligados ao partido, inclusive de Sousa Queirós.

Em 1931, presidiu a segunda Conferência Internacional do Café, realizada em São Paulo. Nesse ano a crise política se acentuou, levando à demissão de João Alberto e a sua substituição na interventoria por Laudo Ferreira de Camargo. Mesmo assim o PD continuou a se bater pela constitucionalização do país e a devolução aos estados do direito de escolherem seus próprios governantes, perpetuando o conflito com o governo federal, que não concordava com essas exigências. Identificados na luta comum pela autonomia estadual, o PD e o PRP, tradicionalmente adversários, uniram-se na Frente Única Paulista (FUP), lançando em 16 de fevereiro de 1932 um manifesto, do qual Sousa Queirós foi um dos signatários.

Criavam-se assim as condições para um confronto mais decisivo entre as forças políticas tradicionais de São Paulo e o governo revolucionário. Em maio de 1932, grandes manifestações populares de hostilidade à presença do ministro da Fazenda, Osvaldo Aranha, evidenciaram o estado de espírito da população, sendo tomadas a partir daí medidas com vistas a um levante. Em 9 de julho foi deflagrada a Revolução Constitucionalista, que contou com o apoio de Sousa Queirós. A luta durou até 2 de outubro de 1932, quando foi assinado o armistício com a derrota das forças paulistas.

Nos anos de 1936 e 1937 Sousa Queirós apoiou a candidatura presidencial do governador de São Paulo, Armando de Sales Oliveira, afinal frustrada pela implantação do Estado Novo em 10 de novembro de 1937.

Dirigiu durante muitos anos uma grande empresa agrícola em São Manuel (SP), e foi membro do Instituto de Economia da Associação Comercial de São Paulo.

Foi casado com Leonor de Sousa Queirós, com quem teve sete filhos.

Faleceu em São Paulo no dia 23 de novembro de 1961.

Publicou, pela imprensa, discursos e artigos sobre a lavoura, especialmente a cafeicultura.

Regina Hipólito

 

 

FONTES: Encic. Mirador; Estado de S. Paulo (24/11/61); FIGUEIREDO, E. Contribuição; JARDIM, R. Aventura; NOGUEIRA FILHO, P. Ideais; Personalidades; SOC. BRAS. EXPANSÃO COMERCIAL. Quem; VAMPRÉ, S. Memórias.

 

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