Partido Solidariedade

Ajuda
Busca

Acervos
Tipo
Verbete

Detalhes

Nome: SOLIDARIEDADE
Nome Completo: Partido Solidariedade

Tipo: TEMATICO


Texto Completo:

SOLIDARIEDADE

Partido político nacional fundado em 2012 por dissidentes do Partido Democrático Trabalhista (PDT), então liderados pelo sindicalista e deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força. A agremiação partidária obteve registro no pelo TSE em 24 de setembro de 2013, inicialmente com a  sigla SDD e o número eleitoral 77. 


FORMAÇÃO E REGISTRO

O Solidariedade nasceu como organização política sindical dissidente de segmentos trabalhistas que antagonizavam com a Central Unica dos Trabalhadores (CUT), e majoritariamente filiados à Força Sindical. 

Desde a sua criação, o partido alinhou-se programaticamente à bandeira trabalhista mais associada a valores tais quais a cooperação e à solidariedade, bem como ao desenvolvimento econômico, humano e sustentável como princípios fundamentais para as relações de trabalho. Definido pelo seu membro fundador, Paulo Pereira da Silva, como um partido de esquerda, teve como lideranças pioneiras partidários egressos de movimentos sociais, da luta sindical e de partidos de centro-esquerda, como o PDT, mas também de mandatários eleitos por partidos mais à direita. Assim como a Força Sindical, no entanto, o partido foi associado a correntes pró-capitalistas e pró-negociação nas relações de trabalho, em oposição a movimentos sindicais que privilegiavam a greve como estratégia, o socialismo como princípio e o Estado como interlocutor.

Não à toa, na conjuntura de sua fundação reafirmou-se como oposição ao governo federal, então exercido e representado pelo Partido dos Trabalhadores (PT), agremiação próxima à CUT. Tal posicionamento, frequentemente vocalizado por Paulinho da Força, pôde ser expressado também sob a forma de um chamado a representantes eleitos que vislumbrassem realizar a migração partidária sem que perdessem os mandatos, movimentação esta que era facultada àqueles que tivessem como destino legendas recém-fundadas. Ainda no âmbito institucional, o Solidariedade contou com a participação do advogado Marcílio Duarte, que viria a assumir o posto de secretário-geral da legenda e ganhou notoriedade pelo histórico de participação na criação e cumprimento dos requisitos legais para obtenção de registro de outros seis partidos.

A obtenção de signatários favoráveis à criação do partido, por sua vez, viria então a ser facilitada pela capilaridade da Força Sindical, que contava com mais de 1500 sindicatos filiados e totalizava cerca de um milhão de trabalhadores associados. O processo de registro do partido, porém, foi contestado pelo Ministério Público Eleitoral e também pelo PDT, que apontaram para indícios de irregularidades na coleta de assinaturas. De acordo com as denúncias, alem de ter contado com informações privilegiadas sobre filiados à organização sindical dos servidores do Poder Legislativo, sugeria-se também que assinaturas teriam sido fraudadas. 

Em 24 de setembro de 2013, a corte do Tribunal Superior Eleitoral avaliou que as assinaturas apresentadas pelo partido eram suficientes e avalizaram, finalmente, o registro do partido. O Solidariedade veio a ser então o trigésimo terceiro partido registrado e em atividade na arena política brasileira, estando apto para a disputa das eleições de 2014. Antes mesmo da realização do pleito, em função das migrações partidárias, o Solidariedade já contava com 24 deputados federais, além de um senador, um vice-governador e mais de 200 prefeitos, os quais somados aos cem vice-prefeitos e cerca de três mil vereadores ilustravam a capilaridade do partido.


ATUAÇÃO POLÍTICA E ELEITORAL


Nas eleições de 2014, que foi o primeiro pleito que disputou após a obtenção do registro, apresentou um total de 473 candidaturas, espalhadas por todos os estados brasileiros. Já nesta estreia, elegeu 15 deputados federais, além de 23 representantes em assembleias legislativas estaduais. No que concerne às eleições presidenciais, o partido integrou a coligação oposicionista Muda Brasil, que teve como candidato o tucano Aécio Neves e contou com o apoio de outros sete partidos além do Solidariedade e do PSDB. A disputa foi decidida em segundo turno, tendo a presidenta Dilma Rousseff, do PT, sido reeleita.

A despeito do resultado eleitoral, que fora contestado pelos oposicionistas, em 2015, a Força Sindical integrou a organização de movimentos e manifestações populares pela queda da presidente. Tais atos contaram com a presença de milhares de pessoas nas ruas, e, como representante também da central sindical e também do  Solidariedade, teve na figura de seu presidente, Paulinho da Força, um entusiasta que buscou engajar também membros dos demais partidos de oposição. Na via institucional, por ocasião da abertura de processo de impeachment por crime de responsabilidade, todos os deputados do partido se posicionaram favoravelmente ao afastamento da então presidenta. 

Em outubro de 2016, o Solidariedade concorreu às suas primeiras eleições municipais. O partido lançou quase 15 mil candidatos, entre os quais 277 postulantes a prefeitos. Elegeu 63 prefeitos, 140 vice-prefeitos e 1.438 vereadores em todo o Brasil.

Nas eleições de 2018, nos âmbitos estaduais o partido elegeu 29 deputados para as assembleias locais e apresentou dois candidatos a governadores, nos estados do Rio Grande do Norte e no Piauí, assim como seis postulantes ao Senado Federal, mas somente uma dessas oito candidaturas logrou êxito: Eduardo Gomes, eleito senador pelo Tocantins. Para a Câmara dos Deputados, por sua vez, o Solidariedade elegeu 13 deputados federais, o que representou um aumento em relação à bancada do partido nos meses que antecederam ao pleito. 

Para a disputa presidencial, o partido chegou a lançar pré-candidatura do ex-ministro Aldo Rebelo, mas em convenção nacional realizada em julho, acabou decidindo, por unanimidade, integrar novamente a  coligação que seria o encabeçada pelo PSDB. A ampla gama de partidos que apoiaram o candidato Geraldo Alckmin, entretanto, não foi suficiente para levar o postulante adiante, de modo que sequer tenha ultrapassado a marca dos 5% dos votos válidos, que renderam apenas a condição de quarto mais votado. O segundo turno do pleito veio a ser disputado por Jair Bolsonaro, do PSL, e Fernando Haddad, do PT. Na ocasião, o Solidariedade optou pela neutralidade e liberou seus dirigentes a apoiarem as candidaturas de preferência, muito embora as organizações filiadas à Força Sindical tenham aderido majoritariamente à campanha petista, que acabou derrotada.


FONTES: Portal Folha de S. Paulo. Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/poder/2015/04/1615781-paulinho-da-forca-pressiona-oposicao-por-campanha-pro-impeachment.shtml>. Acessado em 10/12/2018. Portal G1 de Notícias. Disponível em: <http://g1.globo.com/politica/noticia/2013/09/tse-aprova-criacao-do-solidariedade-32-partido-politico-do-pais.html>. Acessado em 22/02/2017; Portal G1 de Notícias. Disponível em: <http://g1.globo.com/politica/processo-de-impeachment-de-dilma/noticia/2016/04/lideres-orientam-bancadas-em-votacao-na-comissao-do-impeachment.html>. Acesso em 10/12/2018. Portal G1 de Notícias. Disponível em: < https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2018/noticia/2018/07/28/solidariedade-declara-apoio-a-alckmin-como-candidato-a-presidencia-da-republica.ghtml>. Acesso em 10/12/2018. Portal do Solidariedade. Disponível em: <http://www.solidariedade.org.br/>. Acessado em 22/02/2017; Portal do Tribunal Superior Eleitoral. Disponível em: <http://www.tse.jus.br/>. Acesso em 10/12/2018.








Para enviar uma colaboração ou guardar este conteúdo em suas pesquisas clique aqui para fazer o login.

CPDOC | FGV • Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil
Praia de Botafogo, 190, Rio de Janeiro - RJ - 22253-900 • Tels. (21) 3799.5676 / 3799.5677
Horário da sala de consulta: de segunda a sexta, de 9h às 16h30
© Copyright Fundação Getulio Vargas 2009. Todos os direitos reservados