Geraldo Cândido da Silva

Entrevista

Geraldo Cândido da Silva

Entrevista realizada no contexto do projeto “Arqueologia da reconciliação: formulação, aplicação e recepção de políticas públicas relativas à violação de direitos humanos durante a ditadura militar”, desenvolvido pelo CPDOC em convênio com a Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e parceria com a Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro, entre maio de 2014 e setembro de 2015. O projeto visa, a partir das entrevistas cedidas, a criação de um banco de entrevistas com responsáveis por políticas públicas relativas à violação de direitos humanos durante a ditadura militar.
Forma de Consulta:
Entrevista em texto disponível para download.

Tipo de entrevista: Temática
Entrevistador(es):
Dulce Chaves Pandolfi
Angela Moreira Domingues da Silva
Data: 26/3/2015 a 14/4/2015
Local(ais):
Rio de Janeiro ; RJ ; Brasil

Duração: 6h54min

Dados biográficos do(s) entrevistado(s)

Nome completo: Geraldo Cândido da Silva
Nascimento: 19/2/1940; Pedro Velho; RN; Brasil;

Formação:
Atividade: Fundador do Sindicato dos Metroviários do Rio de Janeiro – SIMERJ (1980); fundador e primeiro presidente da Central Única dos Trabalhadores do Estado do Rio de Janeiro – CUT-RJ (1984); Senador (1995/2003); 1º suplente da senadora Benedita da Silva (1995/1998); membro do Conselho Fiscal do Sindicato dos Metroviários do Rio de Janeiro - SIMERJ (2015).

Equipe


Transcrição: Fernanda de Souza Antunes;

Técnico Gravação: Ninna Carneiro;

Temas

Casamento;
Central Única dos Trabalhadores;
Cinema;
Departamento de Ordem Política e Social - DOPS;
Exército;
Família;
Golpe de 1964;
Greves;
Jornalismo;
Literatura;
Militância política;
Partido Comunista Brasileiro - PCB;
Partido dos Trabalhadores - PT;
Rio de Janeiro (cidade);
Rio Grande do Norte;
São Paulo;
Sindicalismo;
Sindicatos de trabalhadores;
Violência;

Sumário

1º entrevista: 26.03.2015

Arquivo 1: Nascimento em 1940, na cidade de Pedro Velho (RN), no meio rural; residia em um sítio localizado à margem do rio Curimataú; escola na qual estudou; precisou sair da escola na terceira série, para trabalhar com o pai na roça e ajudar a família; situação de muita precariedade e fome no interior do Nordeste; aprendeu a ler cedo; literatura de cordel; cantadores de viola; boi de reis; festas de São João; comemoração do pessoal da UDN quando da morte de Getúlio Vargas em 1954; os trabalhadores e camponeses não comemoravam a morte de Getúlio Vargas em 1954; pai era do Exército na época da Revolta Comunista de 1935; mudança da família para a cidade de Montanhas (RN), distrito de Pedro Velho, quando era adolescente; serviu ao exército com 17 anos e saiu como reservista; mudança para o Rio de Janeiro em pau-de-arara, em viagem que durou por volta de duas semanas, procurando formas de sobrevivência; ficou com o tio, no bairro de Olaria; ausência de água encanada na comunidade; trabalho em uma fábrica de madeira, em Bonsucesso; tirou documentos, além da certidão de nascimento, quando chegou no Rio de Janeiro; contato com o conteúdo do jornal Semanário, por meio de um colega da fábrica; trabalho na fábrica Castrol do Brasil, em Bonsucesso; campanha salarial e o sindicato dos trabalhadores e as empresas não fizeram acordo; greve dos trabalhadores da Castrol; “greve de solidariedade”; foi demitido por participar de piquete; trabalho no setor metalúrgico da fábrica de tinta Ypiranga; começou a estudar à noite, em uma escola em Olaria.

Arquivo 2: Concurso para fazer o ginasial no Colégio Estadual; doação de parte do seu arquivo para a UFRJ; dificuldade de trabalhar de dia e estudar à noite; importância de ter estudado; início da militância no PCB a partir de 1962; contato com o jornal A Voz Operária; passa a distribuir o jornal; impressões sobre João Goulart e Leonel Brizola; participou do Comício da Central do Brasil; leitura das obras de Georges Politzer, Maximo Gorki, Nikolai Ostrovski; impressões sobre Carlos Prestes; leitura de “O cavaleiro da esperança” e de “O Subterrâneo da Liberdade”, de Jorge Amado; acidente de trabalho na Ypiranga; trabalho na fábrica de azulejos Klabin Irmãos e Companhia, em 1966; presenciou a Revolta dos Marinheiros, no Sindicato dos Metalúrgicos, em 1964; admiração política por Karl Marx; dia do golpe de 1964 e reações das pessoas; impressões sobre o PCB; eleições para governador de estado em 1965; integra a Ala Vermelha e participa de uma célula na região da Leopoldina; golpe civil-militar; aumento da repressão ditatorial; quente e emblemático ano de 1968; morte do estudante Edson Luís e passeata dos 100 mil; infiltração dos agentes repressivos nas comunidades por meio de cooptação a trabalhadores; ficou na Klabin entre 1966 e 1973; curso de especialização de mecânico geral no Senai; estratégias de militância, como as pichações; visita à sua família em Pedro Velho, entre 1963 e 1964; estratégias para distribuição de panfletos.

2º entrevista: 07.04.2015

Arquivo 1: Militância na Ala Vermelha; promoção após o curso de especialização no Senai; panfletagem nas fábricas; participação política nas assembleias do sindicato; infiltração de agentes na fábrica; levado para o Dops com mais quatro colegas, liberados no mesmo dia; demissão da Klabin; casamento; nascimento dos filhos; problema do tráfico na favela de Manguinhos, onde morava com a família; trocou o barraco de Manguinhos com um morador do Alemão; dificuldade em arranjar emprego depois da passagem pelo Dops; trabalho na GE, em 1974, de onde foi demitido depois de três meses; trabalho na metalúrgica Fabrimar, de onde foi demitido dois meses e quinze dias depois; trabalho em uma fábrica de óculos, de onde foi demitido quinze dias depois; trabalho na Companhia Nacional de Tecidos Nova América, de onde foi demitido seis meses depois; trabalho como mecânico de manutenção no aeroporto do Galeão; precisou apresentar atestado ideológico no Galeão, que era área de segurança nacional; foi ao Dops, mas não conseguiu o atestado e foi demitido; começou a fazer o jornal Tacape, junto com outros companheiros; panfletagem em estaleiros; um dos companheiros foi preso durante a panfletagem e torturado; a polícia arrombou o apartamento onde elaboravam o jornal Tacape; militância em movimentos de bairro e em associações de moradores no Alemão; existência de comissão de água e comissão de luz; solidariedade entre vizinhos; militância na pastoral operário e na pastoral da favelas, apesar de ser ateu; importância dos padres progressistas na luta contra a ditadura; escolha da filha em ser freira e sua vinculação coma Ordem Terceira de São Francisco; movimento para ocupação de terreno em Ramos, para construção de moradia; movimento bem sucedido para desapropriação do terreno pela Prefeitura; assassinato de um companheiro da associação de moradores por traficantes; projeção de filmes em tela de pano para os moradores da favela.

Arquivo 2: Importância do trabalho da Pastoral para a ligação com os movimentos populares e os movimentos comunitários; assistência aos moradores da favela; aprovado em concurso para trabalhar no metrô, em 1978, onde ficou até se aposentar; continuou militância na Pastoral; fundação da Associação Profissional de Metroviário (APROM/Rio), em 1979; criação da associação pré-sindical; apresentação do projeto de criação do Partido dos Trabalhadores (PT); campanha no metrô durante as greves do ABC; participação da reunião de fundação no Colégio Sion, em São Paulo, em 1980; eleito para integrar o diretório nacional do PT e ajudar a fundar o partido no Rio de Janeiro; fundação do sindicato dos metroviários em 1982; debate sobre criação de uma central sindical, em 1979; realização de plenária sindical nacional, na UFF, em Niterói, no Campos de Gragoatá, em 1979; realização da primeira Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat), em Praia Grande (SP), em 1981; criação da Comissão Nacional pró-CUT; realização do Congresso em São Bernardo (SP), em 1983; interventores nos sindicatos durante a ditadura; defesa do novo sindicalismo; criação da Central Única dos Trabalhadores (CUT); fundação da Associação de Moradores de Ramos (Amar); criação do jornal da Amar; luta pela não desativação do Posto de Assistência de Médica (PAM) do INSS em Ramos; presença do movimento do tráfico nas favelas; proposta de fundação da CUT: novo sindicalismo significando autonomia, combatividade, independência e uma estrutura sindical mais horizontal; grande presença de integrantes do PT na diretoria do sindicato; número alto de integrantes da categoria filiados ao sindicato; greve dos metroviários em 1990, durante o governo de Moreira Franco, quando trabalharam de graça para a população; demissão da diretoria do sindicato por desobediência civil contra a empresa; acusados na Delegacia de polícia e na Delegacia Regional do Trabalho; readmitidos por meio de negociação entre sindicato e Secretário de Transporte; discussão sobre temas de conjuntura nacional no âmbito dos sindicatos; realização de plenárias nacionais e estaduais, com representantes de cada sindicato.

Arquivo 3: Impressões sobre a cobrança do imposto sindical; movimento para acabar com a CUT durante o governo do presidente Fernando Collor de Melo; importância da CUT; criação do Conselho Consultivo Regional (CCR) espalhados pelos estados, quando da criação do PT; muita adesão ao núcleo do PT no Alemão; participação dos militantes do MR-8; militância na FAVERJ, participando da atividade comunitária; participação das atividades pela anistia, na década de 1970; dificuldade de punir torturadores em decorrência da interpretação da Lei de anistia; crítica à Lei de anistia e à impossibilidade de anistiar companheiros políticos que tivessem cometido “crime de sangue”, uma vez que agentes repressivos torturaram e mataram foram anistiados, mesmo tendo cometido “crimes de sangue”; defesa de prisão para torturadores; eleições gerais de 1982; impressões sobre Leonel Brizola; apoio à candidatura de Lysâneas Maciel em 1982; campanha pelas Diretas Já!; vinculado à Tendência Marxista do PT; foi um dos eleitos para dirigir a CUT; governo Sarney, inflação e Plano Cruzado; debate para decidir a qual central sindical internacional a CUT iria se filiar; desligamento da diretoria da CUT e militância pela base; impressões sobre Lula; militância na CUT pela base; candidato a deputado constituinte.

3º entrevista: 14.04.2015

Arquivo 1: Mandato como senador; discussão em torno do seu nome como primeiro suplente de Benedita da Silva, eleita senadora em 1994; após a eleição continuou trabalhando no metrô; não apoiou a chapa formada por Garotinho e Benedita da Silva para governador e vice-governadora do Rio de Janeiro; após Benedita da Silva assumir como vice-governadora, tomou posse como senador; aposentou-se em 1998; impressões sobre o Senado Federal; apresentação de mais de trinta projetos voltados para as minorias; projeto destinado a promover reparação para os afrodescendentes; projeto que propunha a gratuidade para o pagamento de água e luz para os desempregados; integrantes da sua assessoria; interlocução com integrantes de movimentos sociais; produção de livretos sobre como montar uma rádio comunitária, sobre alimentos transgênicos e sobre a Revolta da Chibata; parceiros políticos no Senado; impressões sobre o Eduardo Suplicy; abordagem do tema de um Congresso unicameral; estereótipo em torno do vestuário de um senador; único negro no Congresso naquela Legislatura; participação no Congresso Mundial de Combate ao Racismo e à Discriminação e a Xenofobia; homenagem, durante seu mandato, aos mortos e desaparecidos políticos; participação na CPI do futebol.

Arquivo 2: Homenagem, durante seu mandato, aos mortos e desaparecidos políticos; repercussão nos movimentos sociais; atuação dos “lobistas” no Senado; elaboração do relatório final da CPI do futebol; campanha do Lula para presidente, em 2002; aliança do PT com outros partidos; crítica ao governo Lula; algumas ações sociais do governo Lula importantes; impressões sobre Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados; filiação à Associação Nacional dos Anistiados Políticos, Aposentados e Pensionistas (ANAPAP); criação da Comissão de Anistia; criação da é União de Mobilização Nacional pela Anistia (UMNA); situação dos familiares de mortos e desaparecidos na Guerrilha do Araguaia; processos de anistia e depoimento de ex-presos integrando o arquivo da ANAPAP; Comissão de Reparação do Estado do Rio de Janeiro; articulação de movimento conjunto entre UMNA, ANAPAP, Coletivo RJ Memória, Verdade e Justiça, entre outros, para pressionar o governo do estado pela prorrogação do funcionamento da Comissão de Reparação; composição da Comissão de Reparação; debate sobre reparação pecuniária; projeto de lei para criação da Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro; nomeação para Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro; única pessoa de origem operária indicada para integrar uma comissão da verdade no país; funcionamento da Comissão da Verdade no prédio da OAB.

Arquivo 3: Pouca infraestrutura recebida do estado para o funcionamento da Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro; atividades iniciais da Comissão; investigação nos arquivos da CSN, em Volta Redonda; dificuldade em acessar os arquivos da FeNeMê; concentração dos trabalhos da Comissão investigando o período da ditadura militar; divisão do trabalho no âmbito da Comissão; trabalho dos assessores da Comissão; realização das audiências públicas; comentários sobre o cenário político, cultural e artístico da sua geração; resistência à ditadura; importância de ter lutado contra a ditadura.
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