Aires da Cunha Marques

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Nome: CUNHA, Aires da
Nome Completo: Aires da Cunha Marques

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:

CUNHA, Aires da

*dep. fed. SP 1993; 1995-1999.

Aires da Cunha Marques nasceu na cidade de São Paulo no dia 18 de janeiro de 1937, filho de João da Cunha Marques e de Egilda Rombole Marques.

De 1958 a 1963 cursou medicina na Universidade de São Paulo (USP), onde foi professor de clínica e técnica cirúrgica, de 1964 a 1966, e de fisiologia humana, de 1966 a 1968.

Em 1966 foi sócio-gerente da Serviços Médicos Assistenciais (Serma), em São Paulo, e, dois anos depois, tornou-se professor de pré e pós-operatório da Associação dos Cirurgiões Dentistas do Estado de São Paulo e de fisiologia humana da Faculdade de Ciências Médicas de Santos.

Em 1969 cursou pós-graduação em administração hospitalar na USP e passou a ser supervisor técnico de administração hospitalar da coordenadoria de assistência hospitalar em São Paulo, função que exerceu até 1972. Em 1970 fez curso de pós-graduação em administração de empresas na Fundação Getulio Vargas (FGV-SP) e lecionou administração hospitalar da USP. No ano seguinte cursou pós-graduação em planejamento do setor de saúde por aquela instituição e obteve uma bolsa de estudos para observação dos programas de saúde pública no Peru, na Colômbia e na Venezuela.

Em 1972, assumiu o cargo de diretor clínico e administrativo do Hospital Albert Einstein em São Paulo, onde permaneceu até 1973, quando se tornou presidente da Cooperativa Paulista de Médicos, consultor de assistência médica à indústria e ao comércio do Pronto-Socorro Alvorada e de outros hospitais. Em 1974, trabalhou nas empresas de auditoria Boucinhas & Campos e Coopers & Lybrand como consultor de administração hospitalar dos municípios paulistas, e foi diretor do Hospital de Ensino da Fundação da Região do ABC de São Paulo. No mesmo ano fez o curso de medicina e higiene do trabalho na USP.

Em 1975, com o fim dos trabalhos de consultoria iniciados em 1973 e 1974 e seu desligamento da direção do Hospital de Ensino da Fundação do ABC, retornou ao magistério superior como professor de administração hospitalar do Instituto de Pesquisas Hospitalares de São Paulo e de serviços complementares e diagnóstico e tratamento da Faculdade de Administração Hospitalar (SP). Assumiu também o cargo de diretor do departamento de hospitais gerais e especiais da coordenadoria de assistência hospitalar da Secretaria de Saúde do estado de São Paulo. Em 1976 cursou administração na Escola Superior de Guerra, em Brasília (DF).

No ano seguinte, parou de lecionar administração hospitalar e tornou-se coordenador de cursos do Instituto de Pesquisas Hospitalares de São Paulo; e deixou a direção do departamento de hospitais gerais e especiais, assumindo a gerência de divisão de seguros de saúde, do Banco de Comércio e Indústria de São Paulo (Comind).

Em 1978 cursou administração financeira na FGV, no Rio de Janeiro, deixou o cargo de professor de serviços complementares da Faculdade de Administração Hospitalar (SP) e ingressou na vida pública como diretor administrativo do departamento de mutualismo da Associação Paulista de Medicina, cargo que ocupou até 1979. Deixando o Comind em 1980, assumiu a presidência da Blue Life e da Blue Life Seguradora, empresas do ramo de saúde das quais era proprietário.

Filiou-se, em 1983, ao Partido Democrático Social (PDS), no qual permaneceu até 1988 quando filiou-se ao Partido Liberal (PL). Representando os interesses das empresas de saúde privadas, em 1990 concorreu a uma vaga de deputado federal na legenda do PL, obtendo apenas uma suplência. Aires da Cunha tomou posse em 4 de janeiro de 1993, no lugar de Ricardo Izar, nomeado secretário das Administrações Regionais da Prefeitura de São Paulo no governo de Paulo Maluf (1993-1997), permanecendo até 29 de julho do mesmo ano, quando reassumiu João Melão Neto. Como deputado federal, Aires da Cunha foi titular da Comissão de Seguridade Social e Família e suplente da Comissão de Economia, Indústria e Comércio, da comissão especial de seca no Nordeste e atendimento às populações atingidas e da de Defesa Nacional. Ainda em 1993 deixou a presidência da Blue Life.

Em outubro de 1994, disputou uma cadeira na Câmara dos Deputados, na legenda do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Durante a campanha foi denunciado por usar dinheiro da Blue Life em propaganda eleitoral, sendo alvo de investigação por parte da Corregedoria Eleitoral de São Paulo. Eleito — com votos na maioria provenientes da capital do estado e dos municípios de Rio Claro e Araras —, iniciou seu mandato em fevereiro de 1995. Logo depois filiou-se ao Partido da Frente Liberal (PFL). Foi titular da Comissão de Seguridade Social e da Família e relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre a fabricação de medicamentos.

No Congresso, votou favoravelmente às seguintes propostas encaminhadas pelo governo de Fernando Henrique Cardoso: fim do monopólio dos estados na distribuição de gás canalizado, permissão para que as embarcações estrangeiras operem no transporte de cargas e passageiros entre portos do país, fim do monopólio estatal das comunicações, fim do monopólio da Petrobras na exploração de petróleo. Votou contra o fim das diferenças jurídicas entre empresas estrangeiras e nacionais e contra a prorrogação do Fundo Social de Emergência (FSE), rebatizado de Fundo de Estabilização Fiscal (FEF), que permitia que o governo gastasse 20% da arrecadação de impostos sem que estas verbas ficassem obrigatoriamente vinculadas aos setores de saúde e educação. Aires da Cunha defendeu ainda, na Câmara, a privatização da saúde através de um sistema de cooperativas.

Em junho de 1996 votou contra a criação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) — que substituiu o Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira (IPMF) —, imposto de 0,2% sobre transações bancárias criado como fonte complementar de recursos para a saúde. No final do ano tornou-se relator do Projeto de Lei nº 585, de autoria da deputada federal Marta Suplicy, do Partido dos Trabalhadores (PT) de São Paulo, sobre os direitos básicos dos portadores do vírus da Aids. Deu parecer contrário ao projeto por considerar a proposta “discriminatória, por privilegiar os portadores do HIV e aidéticos, em detrimento de pessoas com outras patologias, como as infectocontagiosas, as infecciosas, deformantes ou mortais.”

Em janeiro/fevereiro de 1997 votou a favor da emenda da reeleição para presidente da República, governadores e prefeitos. Em 12 de agosto licenciou-se da Câmara para ser secretário municipal de Educação de São Paulo na administração de Celso Pitta (1997-), permanecendo na pasta até 19 de março de 1998, quando retomou sua cadeira de deputado federal. Nesse período, foi substituído na Câmara por Marcos Vinícius de Campos. Durante sua curta gestão na secretaria, trocou os delegados de ensino concursados por apadrinhados de vereadores, descartando a tentativa de estabelecimento de critérios técnicos para a ocupação desses cargos.

Em novembro de 1998 faltou às votações do teto de 1.200 reais para aposentadorias no setor público e do estabelecimento de idade mínima e tempo de contribuição para o setor privado, itens que definiram a reforma da Previdência. Não se candidatou nas eleições de outubro de 1998 e deixou a Câmara em janeiro de 1999, ao final da legislatura.

Casou-se com Nancir da Cunha Marques, com quem teve três filhos.

Publicou Planejamento e administração do serviço de radioterapia (1974), Administração para médicos (1981), Palavras de Otimismo (1994) e Ponto de Partida (1996), além de artigos em revistas especializadas.

Marcelo Costa/Nara Santana

 

FONTES: CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertórios (1991-1995, 1995-1999 e suplemento); Estado de S. Paulo (11/8/97); Folha de S. Paulo (27/9/94, 21 e 31/1/95, 14/1/96, 21/8/97, 29/9 e 6/11/98); Globo (11/1/97); Jornal do Brasil (20/7/97).

 


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