ALFREDO JOSE DE CAMPOS MELO

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Nome: CAMPOS, Alfredo
Nome Completo: ALFREDO JOSE DE CAMPOS MELO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
CAMPOS, Alfredo

CAMPOS, Alfredo

* sen. MG 1983-1987; const. MG 1987-1988; sen. MG 1987-1995.

 

Alfredo José de Campos Melo nasceu em Abaeté (MG), no dia 20 de março de 1942, filho do advogado José de Campos Melo e de Alda da Cunha de Campos Melo. Oriundo de família de políticos, seu avô, Edgardo da Cunha Pereira Sobrinho,  foi deputado federal de 1918 a 1920; o tio-avô Simão da Cunha Pereira, foi senador estadual entre 1923 e 1930, deputado constituinte em 1934 e deputado federal de 1935 a 1937; o tio Simão Viana da Cunha Pereira foi  deputado estadual em Minas Gerais entre 1947 e 1955, 1959 e 1963, e deputado federal entre 1963 a 1969.

Concluiu o curso secundário na Escola Técnica de Comércio de Abaeté. Em 1963, ingressou no curso de direito da atual Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), formando-se em 1967.

Filiado à União Democrática Nacional (UDN), foi nomeado, em 1964, oficial-de-gabinete do presidente do Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais (IPSEMG) na gestão do governador José de Magalhães Pinto (1961-1966).

Com a edição do Ato Institucional no 2 (AI-2), em 27 de outubro de 1965, que extinguiu os partidos existentes e instituiu o bipartidarismo, Alfredo Campos filiou-se ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), agremiação que aglutinou a oposição institucional ao regime politico-militar instaurado no país em abril de 1964.

Em 1966, deixou o cargo de oficial-de-gabinete da presidência do IPSEMG e iniciou suas atividades políticas no movimento estudantil mineiro, representando o Centro Acadêmico Afonso Pena de sua faculdade. No mesmo ano tornou-se presidente da Associação dos Servidores do Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais. Em 1967 foi incumbido de representar o diretório central dos estudantes (DCE) da UFMG no conselho universitário até 1968. Presidiu a Federação Mineira dos Servidores Públicos do Brasil no biênio 1968/1969. Em seguida, foi eleito vice-presidente da Confederação dos Servidores Públicos do Brasil, cargo em que permaneceu até 1970.

Indicado por Newton Cardoso, prefeito de Contagem (MG), assumiu, em 1972, a diretoria da Fundação de Ensino de Contagem (FUNEC) e, em 1974, a Fundação Mineira de Educação e Cultura (FUMEC). Entre 1975 e 1978, a convite do presidente nacional do MDB, Ulisses Guimarães, foi procurador nacional do partido junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília.

No pleito de novembro de 1978, Alfredo Campos compôs, como suplente, a chapa vitoriosa da legenda emedebista - encabeçada por Tancredo Neves - que disputou uma cadeira no Senado. Com a extinção do bipartidarismo em novembro de 1979, e a conseqüente reformulação partidária, filiou-se ao Partido Popular (PP), liderado por Tancredo Neves. Em 1981, foi novamente conduzido à presidência da Associação dos Servidores do IPSEMG, mandato que se encerrou no ano seguinte. Em fevereiro de 1982, com a incorporação do PP pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), legenda criada pelos remanescentes do MDB, Alfredo Campos acompanhou a maioria dos correligionários, filiando-se à agremiação oposicionista.

Em março de 1983, tomou posse no Senado na vaga de Tancredo Neves, que fora eleito governador de Minas em novembro do ano anterior. Campos foi membro titular das comissões de Serviço Público Civil, do Distrito Federal e de Redação. Como suplente, atuou nas comissões de Constituição e Justiça e de Municípios.

No Colégio Eleitoral, reunido em 15 de janeiro de 1985, votou em Tancredo Neves para presidente, candidato da Aliança Democrática, coligação oposicionista formada pelo PMDB e por dissidentes do Partido Democrático Social (PDS), agremiação governista. Tancredo derrotou Paulo Maluf, candidato do governo, mas não chegou a tomar posse porque ficou gravemente doente e morreu em 21 de abril. Seu substituto no cargo foi o vice José Sarney, que já vinha exercendo interinamente a presidência da República desde 15 de março.

Alfredo Campos integrou o grupo moderado do PMDB no Senado, conhecido como “monobloco”, que reunia 17 membros e era contrário aos métodos tradicionais de liderança exercidos até então. Com sua participação decisiva, o grupo conseguiu eleger, em fevereiro de 1985, o mato-grossense José Fragelli presidente do Senado, derrotando Humberto Lucena, cuja candidatura tinha a preferência de Tancredo Neves.

Em meados de 1985, julgando desfeito o acordo entre o PMDB e o Partido da Frente Liberal (PFL), que dera origem à Aliança Democrática, Alfredo Campos pediu a substituição dos ministros dos dois partidos que não acatavam as diretrizes partidárias, entre os quais Fernando Lira, titular da Justiça. Fez críticas ao governador de Minas Gerais, Hélio Garcia, que no início da campanha para a prefeitura de Belo Horizonte hesitou entre o candidato do PMDB, Sérgio Ferrara, a quem prometera apoio, e Maurício Campos, lançado pelo PFL.

Ainda em 1985, participou da Conferência Mundial de Desarmamento de Armas Convencionais, promovida pelo Parlamento Mundial. A convite do governo e do Senado dos Estados Unidos, manteve contato com empresários, banqueiros e políticos norte-americanos. No mesmo período, visitou Cuba a convite da Assembléia Nacional cubana e integrou a delegação brasileira à Assembléia Extraordinária do Parlamento Latino-Americano, realizada em Punta Del Este, no Uruguai.

No dia 5 de março de 1986, Alfredo Campos foi conduzido à liderança da bancada do PMDB no Senado, derrotando o paraense Hélio Gueiros, candidato de Humberto Lucena, seu antecessor e tido como favorito. A eleição, apoiada pelo presidente do Senado, José Fragelli, representou mais uma vitória do chamado “monobloco” do PMDB. Investido na função, declarou lealdade ao presidente José Sarney, frisando, contudo, que não significava apoio incondicional, pois discutiria todas as questões políticas com a bancada. Afirmou também ser contrário à escolha de um líder do governo no Congresso por acreditar que não havia justificativa para o cargo criado por Tancredo Neves em 1985 e ocupado pelo senador Fernando Henrique Cardoso até o início de 1986. No dia seguinte à sua eleição, 6 de março, o presidente José Sarney convidou-o a exercer a liderança do governo no Senado. Após consulta à bancada, Alfredo Campos aceitou a indicação. Ao longo de 1986, foi ainda membro titular das comissões de Serviço Público Civil, na qual atuou como presidente, do Distrito Federal e de Redação.

No pleito de novembro de 1986, concorreu a uma cadeira de senador constituinte pela legenda do PMDB mineiro. Com o apoio político e financeiro do governador eleito de Minas Gerais, Newton Cardoso, obteve cerca de 1.500.000 votos. Empossado em fevereiro de 1987, integrou a Comissão de Relações Exteriores do Senado e, durante os trabalhos da Assembléia Nacional Constituinte (NAC), foi titular da Comissão de Sistematização e suplente da Subcomissão de Defesa do Estado, da Sociedade e de sua Segurança, da Comissão da Organização Eleitoral, Partidária e Garantia das Instituições.

Nas principais votações da Assembléia Constituinte, manifestou-se favoravelmente ao rompimento de relações diplomáticas com países com política de discriminação racial, ao turno ininterrupto de seis horas, à unicidade sindical, à soberania nacional, ao voto facultativo aos 16 anos, ao presidencialismo, ao limite de 12% ao ano para os juros reais, à proibição do comércio de sangue, ao mandato de cinco anos para o presidente Sarney e à anistia aos micro e pequenos empresários. Votou contra a pena de morte, o mandado de segurança coletivo, a legalização do aborto, a jornada semanal de 40 horas, a pluralidade sindical, a estatização do sistema financeiro, a criação de um fundo de apoio à reforma agrária, a legalização do jogo do bicho e a desapropriação da propriedade coletiva. Alfredo Campos absteve-se de votar a lei que limitava o direito de propriedade privada. Após a promulgação da nova Carta em 5 de outubro de 1988, passou a exercer apenas o mandato ordinário na Câmara.

Em 1989, deixou o PMDB e filiou-se ao Partido Liberal (PL). Três meses depois, desligou-se do PL, permanecendo sem partido. Em dezembro de 1992, Alfredo Campos, opositor do presidente Itamar Franco em Minas Gerais, liderou movimento no Senado contra a indicação do ex-governador de Brasília e ex-ministro da Cultura, José Aparecido, para a embaixada brasileira em Portugal. Por pouco não obteve êxito: Aparecido recebeu o referendo da Casa por apenas um voto de diferença.

Não candidatou-se à reeleição em outubro de 1994, deixando o Senado no início do ano seguinte, ao final do mandato. De volta ao PMDB, disputou uma cadeira na Assembléia Legislativa mineira na eleição de outubro de 1998, sem sucesso.

Fazendeiro e pecuarista, casou-se com Maria Aparecida de Campos Melo, com quem teve dois filhos.

Publicou Manual do vereador (1984), Manual do dirigente partidário (1985), Eleições 86, o manual do eleitor (1986), O profissional da área odontológica (1986), Eleições municipais 88 (1988), Senador José de Farias Tavares: o homem e sua época (1989) e Eleições 90 (1990).

 

Nara Santana

 

FONTES: ASSEMB. LEGISL. MG. Dicionário Biográfico; ASSEMB. NAC. CONST. Repertório (1987); COELHO, J. & OLIVEIRA, A. Nova; Estado de São Paulo (6/7/85, 20/8/85 e 10/9/85); Folha de São Paulo (5, 6 e 7/3/86 e 19/1/87); Globo (26/4/84, 16/1/85, 7 e 11/3/86 e 6/1/95); Jornal do Brasil (3/3/85 e 6/3/86); Perfil Parlamentar / Isto É (1991); Senado. Dados Biográficos (10); TRIB. REG ELEIT. MG.

 

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