ANGELO AMAURI STABILE

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Nome: STÁBILE, Amauri
Nome Completo: ANGELO AMAURI STABILE

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
STÁBILE, AMAURI

STÁBILE, Amauri

*min. Agric. 1979-1984.

 

Ângelo Amauri Stábile nasceu em São Paulo no dia 22 de março de 1927, filho de Francisco Stábile e de Francisca Banillo Stábile.

Fez o curso secundário no Colégio Paraisense, em São Sebastião do Paraíso (MG), e o superior na Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade de São Paulo (USP) em 1950. Ingressou no First National City Bank em 1950, afastando-se 18 anos depois, quando ocupava o cargo de gerente. De 1969 a 1970 exerceu as funções de diretor adjunto no Banco da Lavoura de Minas Gerais (1969-1970), presidente do Banco do Estado de Minas Gerais (1970-1971), integrante da diretoria da 1ª Região da Carteira de Crédito Rural do Banco do Estado de São Paulo (1971-1972) e diretor do Banco do Brasil (1972-1974), retornou à diretoria do Banespa (1974-1975), tornando-se diretor superintendente da Sharp Financeira, Crédito, Financiamento e Investimentos, e vice-presidente da Sharp Indústria de Componentes Eletrônicos (1976-1979).

Nomeado para a secretaria geral do Ministério da Agricultura pelo então ministro Antônio Delfim Neto em março de 1979, assumiu a pasta no dia 15 de agosto, a convite do presidente João Batista Figueiredo (1979-1985), quando Delfim substituiu Mário Henrique Simonsen na Secretaria de Planejamento.

No início da gestão propôs ao Congresso a criação do imposto territorial rural progressivo, segundo o princípio básico de que quanto mais a terra fosse fértil e mal-aproveitada, maior seria a taxação; inversamente, quanto melhor fosse o aproveitamento da propriedade, menor a tributação. Na mesma época, junto com o então ministro do Interior, Mário Andreazza, apresentou projeto de lei que previa a criação do Programa Ecológico-Econômico para a Amazônia Brasileira.

Em março de 1980 foi acusado de envolvimento na aquisição pela Sharp de um milhão de hectares de terras da Cooperativa Central Regional Iguaçu do Paraná. Na tribuna da Câmara, o deputado Hélio Duque, do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), denunciou Amauri Stábile e seu filho Ronaldo como integrantes da administração da empresa. Havia também uma questão de soberania nacional: a operação estaria encobrindo a venda de terras para grupos estrangeiros, o que feria a Constituição Federal. De fato, a Sharp mantinha vínculos com a empresa japonesa Sharp Corporation. Em defesa do ministro da Agricultura, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) divulgou nota, argumentando que a Sharp estava sob controle acionário nacional e que Amauri Stábile não fazia mais parte de sua direção.

Logo depois, uma sugestão sua para que a Igreja destinasse os imóveis rurais que possuía a projetos de colonização foi recebida com críticas por parte da Comissão Pastoral da Terra, órgão da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Alvo de ação popular impetrada pelo Centro de Conservação da Natureza em maio de 1982, por ter autorizado ilegalmente a realização de pesquisas minerais na reserva biológica de Trombetas, no Pará, o final de sua passagem pelo ministério foi marcado pelo “escândalo da Capemi” — Caixa de Pecúlios, Pensões e Montepios Beneficente — posta sob intervenção federal em fevereiro de 1983, e cuja falência seria decretada em maio, prejudicando um milhão de mutuários e quatro milhões de dependentes. O caso remontava a junho de 1980, quando uma comissão de licitação do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal apontou a empresa como vencedora da concorrência para o desmatamento e exploração comercial da área que seria inundada pelo lago da usina hidrelétrica de Tucuruí, no Pará. Embora não fosse experiente no ramo madeireiro e tivesse apresentado documentação insuficiente em termos do edital, a Capemi venceu a licitação e recebeu do Banco Nacional de Crédito Cooperativo, subordinado ao ministério da Agricultura, o aval para um empréstimo externo no valor de cem milhões de dólares.

No início de 1983, de um total 67 mil hectares a empresa só havia explorado mil. O empreendimento resultou em desastre econômico pelo não aproveitamento da madeira; desastre ecológico pelo imenso volume de material orgânico alagado; desastre financeiro, com indenizações milionárias pagas ao grupo francês Lazard-Frères e a pessoas ligadas ao chefe do Serviço Nacional de Informações (SNI) em Brasília, general Newton Cruz, entre as quais o jornalista Alexandre von Baungarten, anos mais tarde assassinado no Rio de Janeiro.

Em maio de 1983 a Câmara instituiu uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) no curso da qual travaram debates acalorados o vice-líder do governo, deputado Edson Lobão (PDS-MA), e o deputado Sebastião Curió (PDS-PA). O primeiro declarou que ficara “mais ou menos provado que Stábile não tinha responsabilidade sobre os desvios de recursos que viriam a beneficiar os parentes do general Newton Cruz”, enquanto o segundo obteve o número de votos suficiente para excluir do relatório final da comissão quatro parágrafos que incriminavam o chefe do SNI.

Em março de 1984, antes desse desfecho, Amauri Stábile pediu exoneração do Ministério da Agricultura, passando o cargo para o até então diretor do Banco do Brasil e secretário executivo do Projeto Carajás, Nestor Jost. Em 27 de junho de 1984 a CPI recomendou a instauração de processo criminal contra o ex-ministro, acusando-o de “prevaricação por omissão”. Diante do fato, Stábile declarou ser pobre e estar desempregado. “Se ocorreram irregularidades na minha gestão”, disse ele, “não tomei conhecimento e muito menos me beneficiei”.

De volta ao grupo Sharp, presidiu a SB Internacional, empresa responsável pela captação de financiamentos externos destinados à compra de componentes eletrônicos. Em 1995, gerenciou um projeto em parceria com a Sharp Corporation, para intensificar a atuação da Sharp do Brasil nas áreas financeira, de marketing, comercial e de produção. Em maio tornou-se presidente do conselho de administração do grupo Sharp, permanecendo apenas três meses no cargo. Em 1996 desligou-se dos negócios e acabou fixando residência em Nova Iorque, nos Estados Unidos da América, onde fez pós-graduação em economia. Nessa cidade, constituiu a empresa de consultoria Bras Consult e tornou-se membro diretor da Brazilian-American Chamber of Commerce.

Foi casado com Zuleide Moura Stábile, com quem teve três filhos.

Sinclair Cechine

FONTES: ASSEMB. LEGISL. MG. Dicionário biográfico; Estado de S. Paulo (8/6/84); INF. JOSÉ CARLOS MARÇAL; IstoÉ/Senhor (3/5/95); Jornal do Brasil (16/9/83 e 9/6/84); www.brazilcham.com

 

 

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