ARTUR ANTUNES COIMBRA

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Nome: ZICO
Nome Completo: ARTUR ANTUNES COIMBRA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
ZICO

ZICO

*sec. nac. Desportos 1990-1991.

 

Artur Antunes Coimbra, que ganhou notoriedade como jogador de futebol com o apelido de Zico, nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, no dia 3 de março de 1953, filho de José Antunes Coimbra e de Matilde Antunes Coimbra. Dois de seus irmãos, conhecidos por Edu e Antunes, também atuaram no futebol profissional.

Desde criança jogou futebol de campo no Clube Juventude, de Quintino, e futsal no River Futebol Clube, em Piedade. Em 1967, aos 14 anos de idade, ingressou nas categorias de base do Clube de Regatas do Flamengo, levado pelo locutor esportivo Celso Garcia. Devido ao corpo franzino, com pouco mais de 40 quilos aos 17 anos, enfrentou dificuldades para se firmar como atacante. Por iniciativa do técnico Joubert, do médico José Paula Chaves e do preparador físico Francalacci, submeteu-se a uma série de exercícios e a uma disciplina alimentar capazes de lhe proporcionar o porte físico necessário para enfrentar os adversários. Estreou no time profissional do Flamengo em partida contra o Vasco da Gama, válida pela Taça Guanabara, no dia 27 de janeiro de 1971. Seu físico ainda mirrado, sua agilidade e seu espírito de luta levaram o locutor esportivo Valdir Amaral a apelidá-lo de “Galinho de Quintino”.

Titular a partir de 1973, conquistou diversos campeonatos pelo Flamengo ao longo da década de 1970. Convocado pelo treinador Cláudio Coutinho em 1978 para disputar sua primeira Copa do Mundo, na Argentina, consagrou-se no início dos anos 1980 como o jogador mais importante da história do Flamengo, após ter conquistado o tricampeonato da Taça Guanabara — 1980, 1981 e 1982; o campeonato estadual de 1981; os campeonatos brasileiros de 1980, 1982 e 1983; a Taça Libertadores da América de 1981 e o campeonato mundial interclubes de 1981. Nesse ano, foi eleito, no Brasil, “o craque do ano”. Disputou a Copa do Mundo de 1982 na Espanha, na equipe dirigida por Telê Santana, sendo considerado uma das principais estrelas do time.

Em 1983, transferiu-se para o futebol italiano, onde atuou por três temporadas na equipe da Udinese. Durante a permanência na Itália, foi acusado pela Justiça daquele país de sonegação de impostos devido a uma transação comercial que envolvia a exploração de sua imagem publicitária por uma empresa suíça, como parte do financiamento da compra de seu passe. Condenado a pagar multa e a oito meses de prisão, recorreu e foi absolvido em segunda instância.

Após esse episódio, deixou a Itália em maio de 1985, contratado pelo Flamengo através de um pool de empresas que garantiu a compra de seu passe. Pouco depois, em agosto daquele ano, foi atingido com violência no joelho esquerdo durante um jogo. Mesmo apresentando uma recuperação considerada extraordinária, jamais se restabeleceu plenamente, haja vista seu desempenho abaixo das expectativas na Copa do Mundo de 1986, no México. Nas quartas-de-finais da competição, perdeu um pênalti decisivo contra a França em jogo no qual a equipe brasileira acabou por ser eliminada da competição.

A partir daquele ano começou a denunciar na imprensa a má administração do futebol brasileiro e a falta de garantias trabalhistas e previdenciárias dos atletas. Por ocasião da mobilização das torcidas organizadas, que pregaram o boicote ao Maracanã devido ao aumento do preço dos ingressos, declarou: “Se não caírem os preços, não jogo.” Os preços foram reduzidos.

No final de 1989 anunciou o encerramento de sua carreira, durante a qual foi sete vezes campeão carioca; quatro vezes campeão brasileiro; uma, campeão sul-americano e mundial de clubes. Aos 36 anos de idade, jogou futebol pela última vez como profissional no Brasil no estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, em 6 de fevereiro de 1990. Em junho, participou de sua quarta Copa do Mundo de Futebol, dessa vez como comentarista esportivo de uma rede de televisão.

Convidado pelo presidente da República, Fernando Collor de Melo, que tomou posse em 15 de março de 1990, assumiu a Secretaria Nacional de Desportos, órgão recém-criado a partir do desmembramento do Ministério da Educação e do Desporto. Seu nome foi indicado por Leopoldo Collor de Melo, irmão do presidente.

Em 22 de abril de 1991, o presidente Collor enviou ao Congresso projeto de lei, que passou a ser denominado “Lei Zico”, cujos pontos principais eram a autorização para que os clubes se organizassem como empresas com fins lucrativos; o prazo máximo de três anos para os contratos com os atletas, podendo ser renovados por igual período; e o direito de os jogadores votarem nas eleições de federações estaduais. Nesse mesmo dia, Zico pediu exoneração, sendo substituído pelo jogador de voleibol Bernard Rajzman.

Transferiu-se, então, para o Japão, onde atuou durante três anos na equipe do Kashima Antlers. Encerrou então definitivamente sua carreira de jogador de futebol, durante a qual, vestindo as camisas do Flamengo, da seleção brasileira, da Udinese e do Kashima Antlers, participou de 1.180 jogos e marcou 826 gols. No Flamengo, foram 731 partidas e 508 gols, o que o que lhe garantiu a posição de maior artilheiro da história do clube. Na seleção brasileira, entre 1976 e 1986, atuou em 88 jogos e fez 69 gols.

Após aposentar-se, continuou vinculado ao clube de Kashima na condição de diretor-técnico. Em sua passagem pelo futebol japonês, conquistou entre outros títulos o de campeão da Copa Suntory em 1993 e o de campeão da Liga Japonesa em 1996. Embora trabalhando no exterior, manteve sua casa na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, tendo atuado ativamente na campanha derrotada para a transformação do bairro em município.

No Rio, deu início aos planos de criar seu próprio clube de futebol. Organizou inicialmente o Centro de Futebol Zico, no bairro do Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste, onde já mantinha uma escolinha de futebol para crianças. Depois fundou o Rio de Janeiro Futebol Clube, mais tarde denominado Clube de Futebol Zico do Rio (CFZ).

Em 1997 passou a dedicar-se prioritariamente à sua empresa, Zico Participações e Empreendimentos Ltda, criada em 1994 para administrar a comercialização de sua imagem e da marca Zico, associada a diversos materiais esportivos, e a produzir vídeos, filmes de longa metragem, além de empreendimentos na área de fast food.

Na Copa do Mundo de 1998, realizada na França, foi diretor-técnico da seleção brasileira, ao lado do técnico Mário Jorge Lobo Zagalo. O Brasil foi o segundo colocado na competição.

No ano seguinte voltou ao Japão, onde era tratado como God of Soccer em reconhecimento a seu papel fundamental na estruturação e popularização do futebol naquele país. Foi técnico do Kashima Antlers e de 2002 a 2006 dirigiu a seleção principal do país, liderando-a na inédita classificação para uma Copa do Mundo. Após a Copa da Alemanha de 2006 foi técnico da equipe do Uzbequistão e do Fenerbahçe, da Turquia, conquistando os respectivos campeonatos nacionais. Em janeiro de 2009 foi contratado como técnico do CSKA de Moscou.

Casou-se com Sandra Coimbra, com quem teve três filhos.

 Sinclair Cechine

 

FONTES:Almanaque Abril .(1992) ; COUTINHO, E. Grandes clubes ; CURRIC. BIOG.; Jornal do Brasil (14/11/99) ; Placar (16/3/90) ; Todas as Copas ; Portal da Enc. Oficial do Flamengo. Disponível em : <http://www.flamengo.com.br/flapedia/zico> ; Portal do Globo Esporte. Disponível em : <http://globoesporte.globo.com.br> ; Veja (14/2/90) ; ZICO conta sua história.   

 

 

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