ATAIDE, MUCIO

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Nome: ATAÍDE, Múcio
Nome Completo: ATAIDE, MUCIO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
PEDRO, Erasmo Martins

ATAÍDE, Múcio

*dep. fed. MG 1963; dep. fed. RO 1983-1987.

 

Múcio Ataíde nasceu em Montes Claros (MG) no dia 25 de agosto de 1936, filho de Hermes Fróis e de Maria Augusta Ataíde Fróis.

Bacharelou-se em ciências jurídicas e sociais pela Faculdade de Direito da Universidade de Minas Gerais. No pleito de outubro de 1962, candidatou-se a uma vaga na Câmara dos Deputados, na legenda da coligação do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), do Partido Social Progressista (PSP) e do Partido Libertador (PL), conseguindo apenas uma suplência. Exerceu o mandato de deputado federal de 3 de abril a 18 de junho de 1963.

Após a vitória do movimento político-militar de 31 de março de 1964, teve o mandato cassado e os direitos políticos suspensos por dez anos, com base no Ato Institucional n.º 1 (9/4/1964), em 14 de abril de 1964. Com a extinção do bipartidarismo em 29 de novembro de 1979, filiou-se ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB).

Transferindo-se para Rondônia, em 1980 adquiriu do comerciante e ex-deputado federal por Rondônia (legislatura 1967-1971) Emanuel Pontes Pinto, a empresa gráfica O Guaporé, responsável pela edição do jornal do mesmo nome, dando em pagamento um apartamento na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, cuja situação foi constatada posteriormente como irregular. Por este motivo, o antigo dono conseguiu readquirir a empresa através de um pedido de reintegração de posse na Justiça, além de ter movido um processo de indenização por perdas e danos contra Ataíde.

No ano seguinte, realizou conferências em Genebra e na cidade do Vaticano, para tratar de problemas relativos ao câncer no Brasil e no mundo. Em 1981, fundou o Instituto Múcio Ataíde de Combate ao Câncer no Brasil, para trabalhar junto com as organizações de combate à doença nas áreas de educação pública e profissional. No ano seguinte, participou do 13º Congresso Internacional do Câncer, em Seattle (EUA).

Em novembro de 1982, elegeu-se à Câmara dos Deputados por Rondônia, na legenda do PMDB. Assumindo o mandato em fevereiro do ano seguinte, participou dos trabalhos legislativos como membro titular da Comissão de Finanças e suplente da Comissão de Economia, Indústria e Comércio.

Em 25 de abril de 1984, votou a favor da emenda Dante de Oliveira, que propunha o restabelecimento das eleições diretas para presidente da República em novembro daquele ano, mas que não obteve o número de votos indispensáveis à sua aprovação – faltaram 22 para que o projeto pudesse ser encaminhado à apreciação pelo Senado Federal. No Colégio Eleitoral, reunido em 15 de janeiro de 1985, Múcio Ataíde votou no candidato oposicionista Tancredo Neves, eleito novo presidente da República pela Aliança Democrática, uma união do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) com a dissidência do PDS abrigada na Frente Liberal. Contudo, Tancredo Neves, por motivos de saúde, não chegou a ser empossado na presidência, vindo a falecer em 21 de abril de 1985. Seu substituto no cargo foi o vice José Sarney, que já vinha exercendo interinamente o mandato desde 15 de março deste ano.

Em maio de 1985, Múcio Ataíde respondeu a inquérito da Polícia Federal sob a acusação de falsificação de quitações do Instituto de Administração Financeira da Previdência e Assistência Social (Iapas) para a empresa de sua propriedade, Desenvolvimento Engenharia Ltda., envolvida também na venda de imóveis que não teriam sido construídos na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

Ainda antes do término do seu mandato transferiu seu título eleitoral para Brasília, no intuito de candidatar-se ao governo do Distrito Federal. Em 1986, suas atividades nas associações de moradores em Brasília foram investigadas pelo governo federal por suspeita de envolvimento em manobras ilícitas relacionadas com o Programa de Distribuição de Leite.

Neste mesmo ano tentou candidatar-se ao Senado pelo Distrito Federal. Entretanto, sua candidatura foi impugnada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), decisão depois ratificada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), acolhendo as acusações feitas pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB) e pelo Partido da Mobilização Nacional (PMN), por abuso do poder econômico, em virtude da sua campanha de distribuição diária de pão e leite para eleitores das cidades-satélites do Distrito Federal. Foi a primeira vez que a Justiça Eleitoral brasileira impugnou uma candidatura por abuso do poder econômico.

Deixou a Câmara dos Deputados, em janeiro de 1987, ao final da legislatura, não tendo se candidatado à reeleição no pleito de novembro do ano anterior. Dessa forma, retornou às suas atividades no ramo imobiliário.

Foi proprietário dos jornais Correio do Brasil e Povo de Brasília, ambos no Distrito Federal, de uma rádio em Formosa (GO) e da TV Goiás.

Casou-se com Stael Maria Ataíde, com quem teve três filhos.

 

Marcelo Costa

 

FONTES: CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1983-1987); Folha de São Paulo (9/1 e 30/5/86); Globo (26/4/84, 16/1/85, 26/9/86); Jornal do Brasil (6/4, 5, 11, 25 e 26/9/86, 31/1/87, 27/4/88, 28/1/97).

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