BARROS, JOSE MARIA SIQUEIRA DE

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Nome: BARROS, José Maria Siqueira de
Nome Completo: BARROS, JOSE MARIA SIQUEIRA DE

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
BARROS, José Maria Siqueira de

BARROS, José Maria Siqueira de

* pres. Eletrobrás 1990-1992.

 

José Maria Siqueira de Barros nasceu em Cachoeira Paulista (SP) no dia 2 de agosto de 1937 , filho de José Benedito de Barros e de Ilca Siqueira de Barros.

Iniciou o curso primário em grupo escolar de sua cidade natal, transferindo-se em 1944 para o Colégio São Bento, no Rio de Janeiro. Fez o curso ginasial no Colégio São Joaquim, em Lorena (SP), entre 1948 e 1951, e o colegial no Instituto de Educação Conselheiro Rodrigues Alves, em Guaratinguetá (SP), entre 1952 e 1955.

Em 1958, foi admitido na Escola de Engenharia Mackenzie, em São Paulo, diplomando-se engenheiro civil e elétrico em 1962. Ainda na faculdade, trabalhou na firma Construção e Comércio Obras Ltda., realizando cálculos estruturais e fiscalizando obras.

Ingressou em 1963 na Companhia Hidrelétrica do Rio Pardo (Cherp), empresa pertencente ao governo paulista, absorvida pela Centrais Elétricas de São Paulo (CESP) no fim de 1966, juntamente com outras companhias públicas estaduais congêneres. Participou da construção da usina de Graminha (depois denominada Caconde), passando a integrar o quadro de engenheiros da CESP no momento da constituição dessa empresa, onde ocuparia o cargo de chefe do departamento de custos, medições, contratos e pagamentos.

Em 1975, transferiu-se para a Companhia do Metropolitano de São Paulo, ascendendo à condição de presidente da empresa em março de 1979, por indicação de Paulo Maluf, que iniciava então seu primeiro mandato como governador de São Paulo. Siqueira de Barros exerceu esse cargo durante 18 meses, tendo prestado serviços de consultoria, na mesma época, à diretoria financeira da Itaipu Binacional.

Foi nomeado secretário de Transportes pelo governador Paulo Maluf em agosto de 1980, permanecendo no cargo até março de 1982. Tornou-se então assessor do ministro do Planejamento, Antônio Delfim Neto, ao mesmo tempo em que Maluf, candidato às eleições parlamentares de novembro, preparava sua saída do governo paulista. Atuou como assessor de Delfim Neto até o final do mandato do presidente João Figueiredo em março de 1985. Neste ano, desligou-se do Metrô paulista e constituiu a firma Enbar Assessoria e Participações S. C. Ltda., especializada na prestação de serviços na área de engenharia comercial.

Em março de 1985, voltou à cena pública como presidente da Companhia do Metropolitano do Rio de Janeiro, credenciado pela experiência e confiança conquistada junto a grandes empreiteiras durante sua passagem pela companhia paulista e pela secretaria de Transportes de São Paulo.

Após a posse de Fernando Collor de Melo na presidência da República em março de 1990, foi chamado a presidir a Centrais Elétricas Brasileiras S. A. (Eletrobrás), superando outros nomes de maior prestígio no setor de energia elétrica. Vinculada à Secretaria Nacional de Energia do Ministério da Infra-Estrutura, segundo o novo organograma da administração federal, a Eletrobrás atuava como holding das empresas federais de energia elétrica, exercendo múltiplas funções como agente executivo da política governamental no setor.

Siqueira de Barros assumiu o lugar de Mário Bhering como presidente da Eletrobrás em 1º de junho de 1990, permanecendo à frente da holding ao longo da administração Collor. Sua gestão foi marcada pelo agravamento da crise econômico-financeira das empresas do sistema Eletrobrás e das concessionárias controladas pelos governos estaduais, pelo fracasso da tentativa de mudanças institucionais no setor, articulada pela Secretaria Nacional de Energia, pela redução significativa do quadro de pessoal da holding e pelas denúncias de irregularidades no tratamento da questão das dívidas com empreiteiros e fornecedores de bens e serviços.

A crise financeira do setor de energia elétrica irrompeu com toda a intensidade no segundo semestre de 1990, concomitantemente com o malogro do plano de estabilização econômica do governo Collor. Estabeleceu-se uma cadeia de inadimplência que provocou a quase completa desarticulação financeira do setor. As empresas estaduais acumularam enorme débito correspondente ao não pagamento da energia suprida pelas geradoras federais e pela Itaipu Binacional, que, por sua vez, deixaram de pagar o serviço da dívida junto à Eletrobrás. Sem esses pagamentos, a Eletrobrás também interrompeu o serviço da dívida junto ao Tesouro Nacional. Ao mesmo tempo, firmas de construção, fornecedores de bens de capital e empresas de consultoria tornaram-se credores de vultosas faturas, algumas vencidas desde 1988. Essa situação levou à quase completa paralisação das obras no âmbito da Eletrobrás.

Em outubro de 1990, o presidente Fernando Collor nomeou grupo de trabalho, composto por representantes dos Ministérios da Economia e da Infra-Estrutura e da Secretaria de Assuntos Estratégicos, com o objetivo de proceder ao levantamento do valor da dívida da Eletrobrás com fornecedores de bens e serviços. No fim de novembro, antes de qualquer recomendação do grupo de trabalho, Siqueira de Barros reuniu a diretoria da Eletrobrás para a aprovação de um empréstimo de cerca de 25 milhões de dólares à subsidiária Centrais Elétricas do Norte do Brasil (Eletronorte), destinado ao pagamento de atrasados à construtora Andrade Gutierrez. Segundo denúncia do jornalista Jânio de Freitas, divulgada pela Folha de São Paulo, a ordem para liberação dos recursos teria partido do presidente Collor. Posteriormente, outros jornalistas apontaram um vínculo entre essa operação e o esquema de corrupção montado por Paulo César Farias, conhecido como PC, tesoureiro da campanha eleitoral de Collor, revelando que a Andrade Gutierrez depositara 1,7 milhão de dólares na conta bancária da firma de consultoria de PC, entre junho e setembro de 1990.

O programa de investimentos da Eletrobrás foi diretamente afetado pela inadimplência do setor. Os recursos disponíveis foram basicamente direcionados para a retomada da construção da usina de Xingó, a cargo da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), subsidiária atuante na região Nordeste. Em meio a sucessivas greves que mobilizaram a quase totalidade dos 50 mil trabalhadores do setor elétrico federal, a Eletrobrás e suas subsidiárias lançaram um programa de reforma administrativa, visando à redução de 30% do quadro de pessoal. Além de estimular a saída de empregados mediante o pagamento de indenizações, Siqueira de Barros promoveu centenas de demissões na holding ao longo de sua gestão.

Em 1991, o programa de obras de geração permaneceu paralisado, excetuando Xingó. Em dezembro, numa tentativa de regularizar as relações comerciais entre as concessionárias, o governo promulgou o Decreto n.º 409, estipulando que as parcelas devidas ao suprimento de Itaipu e às empresas federais seriam segregadas na conta de energia ao consumidor final e apropriadas automaticamente pela Eletrobrás. O decreto acabou virando letra morta devido à resistência das concessionárias estaduais de maior porte, atuantes nas regiões Sudeste e Sul, notadamente a CESP.

Embora enfraquecido pelo afastamento do ministro João Santana em abril de 1992, Siqueira de Barros foi mantido no cargo de presidente da Eletrobrás. Em agosto, duas subsidiárias da Eletrobrás ‑ a Light Serviços de Eletricidade e a Espírito Santo Centrais Elétricas (Escelsa) ‑ foram incluídas no Programa Nacional de Desestatização (PND). Em outubro, após a aprovação pela Câmara dos Deputados da abertura do processo de impeachment de Collor (29/9/92) e a sua substituição na presidência pelo vice-presidente Itamar Franco, no dia 2, o engenheiro Eliseu Resende assumiu o lugar de Siqueira de Barros na Eletrobrás.

Ao deixar a presidência da Eletrobrás, Siqueira de Barros voltou à CESP como assessor da presidência, onde permaneceria até 1995, quando se demitiu para dar lugar à administração designada pelo novo governador Mário Covas. Nessa oportunidade aposentou-se, vindo a trabalhar novamente na Enbar Assessoria e Participações, bem como na Public Quadras Esportivas Ltda., esta última também constituída por ele.

Casou-se com Marta Maria Machado de Barros, com quem teve quatro filhos.

 

Paulo Brandi/Sérgio Lamarão

 

FONTES: CURRIC. BIOG.; ELETROBRÁS. Relatório de diret; Folha de São Paulo (30/11 e 4/12/90, 21/3/92); INF. BIOG.; Jornal do Brasil (21/5/91); KRIEGER, G. Todos.

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