BUENO, RENATO

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Nome: BUENO, Renato
Nome Completo: BUENO, RENATO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:

BUENO, Renato

*dep. fed. PR 1983-1987.

 

Renato Loures Bueno nasceu em Palmas (PR) no dia 30 de julho de 1925, filho de Anísio Ribas Bueno e de Aurora Alves Bueno. Seus tios maternos Josino e João Alves da Rocha Loures também seguiram a carreira política. O primeiro foi deputado federal pelo Paraná entre 1955 e 1959, e o segundo, magistrado, exerceu o mandato de deputado federal em 1951.

Fez os cursos primário, ginasial e científico em Curitiba, e em 1946 matriculou-se na Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Paraná. Participante ativo da política estudantil, elegeu-se secretário-geral do diretório acadêmico Nilo Cairo, da Faculdade de Medicina, em 1947. Representou essa entidade no XI Congresso Nacional dos Estudantes, realizado na sede da União Nacional dos Estudantes (UNE), no Rio de Janeiro. Em 1949, transferiu-se para a Faculdade de Ciências Médicas do Rio de Janeiro, graduando-se em 1951. No ano seguinte, fez curso de pós-graduação em cirurgia geral no Hospital Carlos Chagas, no Rio de Janeiro.

Mudou-se em 1953 para Londrina (PR), e aí começou a trabalhar como médico na Casa de Saúde e Maternidade Rocha Loures, de propriedade dos seus tios maternos Aníbal e Josino Alves da Rocha Loures. Iniciou a carreira política em 1955 elegendo-se vereador em Londrina na legenda do Partido Republicano (PR), do qual se tornou primeiro-secretário e, posteriormente, líder na Câmara Municipal. Em 1958 elegeu-se deputado estadual na legenda do PR em coligação com a União Democrática Nacional (UDN), assumindo a cadeira na Assembleia Legislativa do Paraná em fevereiro de 1959. No pleito desse ano, disputou a eleição para a prefeitura de Londrina, mas foi derrotado. Reelegeu-se deputado estadual em outubro de 1962 na legenda do Partido Democrata Cristão (PDC). Em 1963 foi eleito secretário da Associação Paranaense de Municípios e tornou-se membro do conselho fiscal da Companhia de Desenvolvimento Econômico do Paraná, órgão que daria origem ao Banco de Desenvolvimento Econômico do Paraná.

Após o movimento político-militar de 31 de março de 1964, com a extinção dos partidos políticos e a posterior instauração do bipartidarismo, filiou-se à Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de sustentação do regime militar. Em 1965 apoiou a candidatura vitoriosa de Paulo Pimentel para o governo do estado, tendo sido líder do governo na Assembleia durante o ano de 1966. No pleito de novembro daquele ano, reelegeu-se deputado estadual, iniciando novo mandato em março de 1967. No final da legislatura, em janeiro de 1971, abandonou a carreira política, transferindo-se para o oeste paranaense, onde passou a clinicar.

Em 1968 foi nomeado por Paulo Pimentel ministro substituto do Tribunal de Contas do Paraná, cargo que mais tarde viria a corresponder ao de auditor. Indicado pelo deputado Arnaldo Busato, então secretário estadual de Saúde, assumiu em 1969 o posro de médico-chefe do 10º Distrito Sanitário de Cascavel, ligado à Secretaria da Saúde e Bem-Estar Social do Paraná, com jurisdição em todo o oeste paranaense, como especialista em ginecologia e obstetrícia, depois de cursos feitos no Rio de Janeiro e em Curitiba.

Em 1971, como médico delegado da Associação Mundial de Prevenção do Câncer Ginecológico, fundou e tornou-se diretor clínico do Centro de Pesquisas Médicas de Cascavel. Em 1975, fez o concurso promovido pelo Departamento Administrativo do Serviço Público (Dasp) em todo território nacional e foi o primeiro a assumir o cargo de médico da cooperativa da Secretaria de Saúde do Paraná. Em 1976 foi nomeado secretário municipal de Saúde e Assistência Social de Cascavel.

De volta à política em 1978, elegeu-se deputado estadual no pleito de novembro. Empossado em fevereiro do ano seguinte, com a extinção do bipartidarismo em novembro de 1979 e a consequente reformulação partidária, filiou-se ao Partido Democrático Social (PDS). Em junho de 1980, fez um pronunciamento na Assembleia Legislativa, lançando o nome do brigadeiro Délio Jardim de Matos, então ministro da Aeronáutica, para a presidência da República, por considerá-lo competente política e administrativamente, um liberal “com profunda visão política”, além de “fiador constante da luta pela abertura política, que se processa em ritmo de aperfeiçoamento”.

Em novembro de 1982, elegeu-se deputado federal na legenda do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). Encerrando seu mandato na Assembleia Legislativa, assumiu sua cadeira na Câmara dos Deputados em fevereiro de 1983. Nessa legislatura foi membro da Comissão de Relação Exteriores e suplente da Comissão de Saúde. Participou da campanha pelas eleições diretas para a presidência da República e, em 25 de abril de 1984, votou a favor da emenda Dante de Oliveira, que propunha o restabelecimento das eleições diretas para presidente da República já em novembro daquele ano. Como a emenda não obteve o número de votos indispensáveis à sua aprovação — faltaram 22 para que o projeto pudesse ser encaminhado à apreciação pelo Senado Federal —, a sucessão foi mais uma vez decidida por via indireta. No Colégio Eleitoral, reunido em 15 de janeiro de 1985, votou no candidato oposicionista Tancredo Neves, da Aliança Democrática, união do PMDB com a dissidência PDS abrigada na Frente Liberal, que derrotou o candidato do regime militar, Paulo Maluf. Contudo, por motivo de doença, Tancredo não chegou a ser empossado na presidência, vindo a falecer em 21 de abril. Seu substituto foi o vice José Sarney, que já vinha exercendo interinamente o cargo desde 15 de março.

Em novembro de 1986, candidatou-se à reeleição na legenda do Partido Democrata Cristão (PDC), mas não foi bem-sucedido. Deixou a Câmara dos Deputados em janeiro do ano seguinte, ao final da legislatura.

Aposentou-se em 1995, ao completar 70 anos de idade, pelo Tribunal de Contas do Paraná. Foi ainda membro da Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia da Associação Médica Brasileira, e médico-chefe da coordenadoria operativa da Secretaria da Saúde e Bem-Estar Social do Paraná.

Faleceu em Curitiba em outubro de 2002.

Casou-se com sua prima Regina Maria da Rocha Loures Bueno, filha de João Alves Rocha Loures, com quem teve seis filhos.

Rita de Paula Soares

 

FONTES: CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1983-1987); INF. BIOG.; Jornal do Brasil (24/6/1980); Paraná (31/10/2002);

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