CABANAS, JOAO

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Nome: CABANAS, João
Nome Completo: CABANAS, JOAO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:

CABANAS, João

*militar; rev. 1924; rev. 1930; dep. fed. SP 1953-1954.

 

João Cabanas nasceu na cidade de São Paulo no dia 29 de junho de 1895, filho dos imigrantes espanhóis Artur Cabanas e Balbina Cabanas.

Iniciou os estudos no Ginásio Pernambucano, em Recife, e, de volta a São Paulo, cursou a Faculdade de Direito e também a Escola de Oficiais da Força Pública.

Já tenente, mas — conforme declarou em entrevista ao Jornal da Tarde — decepcionado com a concorrência e os apadrinhamentos da vida militar, aguardava a apreciação de seu pedido de demissão do Exército quando eclodiu o movimento armado de 1924 contra o governo do presidente Artur Bernardes. O movimento, uma das mais importantes lutas tenentistas da década de 1920, irrompeu no dia 5 de julho em Sergipe, no Amazonas e em São Paulo, onde os rebeldes, comandados por Isidoro Dias Lopes, ocuparam a capital por três semanas. Cabanas participou ativamente dessa ocupação. Sua missão na madrugada de 5 de julho foi tomar e controlar a Estação da Luz, ponto de passagem obrigatório das tropas federais. Em apenas quatro dias, ele e sua guarnição de apenas 15 homens venceram os adversários nessa estação e ocuparam o palácio do governo do estado. Ainda durante o conflito de 1924 comandou a “Coluna da Morte”, que prolongou a luta no interior do estado, sem contudo ter ido juntar-se à Coluna Prestes, como fizeram os grupos que haviam participado do movimento de 1924 em São Paulo e no Rio Grande do Sul.

Nessa época começaram a surgir as lendas em torno do tenente Cabanas, um personagem que, na década de 1920, inflamou a imaginação popular: dizia-se que as balas atravessavam seu corpo sem fazer-lhe qualquer mal; que saltava, de um telhado a outro, distâncias superiores às possibilidades humanas; ou que, certa vez, no sul de Mato Grosso, São Jorge enviou-lhe seu cavalo branco para que rompesse o cerco dos inimigos. Ainda em 1924, sua cabeça foi posta a prêmio pelo governo por quinhentos contos, o que o levou a exilar-se no ano seguinte. Após a Revolução de 1930, da qual, após retornar ao Brasil, participou juntamente com outros tenentes paulistas, foi enviado pelo presidente Getúlio Vargas à Europa em comissão de estudos de economia política. De volta ao Brasil em 1933, realizou no ano seguinte, ao lado de alguns amigos, como Agildo Barata, Nemo Canabarro Lucas e José Augusto de Medeiros, ações isoladas contra os integralistas que desfilavam uniformizados pelas ruas do Rio de Janeiro.

Em março de 1935, já tenente-coronel, posto em que se reformou, e já na oposição a Vargas, assinou juntamente com Herculino Cascardo, Roberto Sisson, Trifino Correia, Moésia Rolim, Henrique Cordeiro Oest, Abguar Bastos, Francisco Mangabeira, Benjamim Cabello e outros, a ata de fundação da Aliança Nacional Libertadora (ANL), organização política de âmbito nacional que reuniu representantes de diferentes correntes políticas — socialistas, comunistas, católicos e democratas — e de diferentes setores sociais — proletários, intelectuais, profissionais liberais e militares —, todos atraídos por um programa que propunha a luta contra a fascismo, o imperialismo, o latifúndio e a miséria. Com a proscrição da ANL, decretada em 11 de julho, esteve preso em Natal. Em 1937, não apoiou o golpe de Vargas, que implantou o Estado Novo (1937-1945).

Integrou, de 1949 a 1950, o conselho consultivo do Centro de Estudos e Defesa do Petróleo e da Economia Nacional (CEDPEN), associação civil fundada em abril de 1948, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, com o objetivo de promover uma “larga campanha de esclarecimento da opinião pública, através de artigos, conferências, debates, comícios, caravanas e demais meios constitucionais e democráticos, visando a congregação dos brasileiros que pugnavam pela tese nacionalista de exploração das jazidas pelo monopólio estatal”. Ainda em 1950, apoiou a candidatura de Vargas à presidência da República e candidatou-se à Câmara dos Deputados na legenda do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Realizado o pleito em outubro desse ano, Vargas elegeu-se e Cabanas obteve a terceira suplência do seu partido. Exerceu o mandato de abril de 1953 a agosto de 1954 e voltou a disputar um mandato federal em outubro desse ano. Eleito novamente suplente, não chegou a assumir o mandato, não retornando à Câmara dos Deputados.

Faleceu na cidade de São Paulo em janeiro de 1974.

Publicou Os fariseus da revolução (1932) e A Coluna da Morte sob comando do tenente Cabanas (1928).

 

 

FONTES: ARQ. GETÚLIO VARGAS; BARATA, A. Vida; CÂM. DEP. Deputados; CARNEIRO, G. História; CARVALHO, E. Petróleo; CISNEIROS, A. Parlamentares; CONSULT. MAGALHÃES, B.; Encic. Mirador; Estado de S. Paulo (29/1/74); FAUSTO, B. Revolução; FIGUEIREDO, E. Contribuição; Jornal da Tarde (2/7/73); LIMA, L. Coluna; SILVA, H. 1935; TAVARES, J. Radicalização; TRIB. SUP. ELEIT. Dados (2 e 3).

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