CAMPELO, FLORIMAR

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Nome: CAMPELO, Florimar
Nome Completo: CAMPELO, FLORIMAR

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
CAMPELO, FLORIMAR

CAMPELO, Florimar

*militar; dir.-ger. DPF 1967-1968; comte. IV Ex. 1979-1981.

 

Florimar Campelo nasceu em Viana (MA) no dia 20 de setembro de 1916, filho de Raimundo Marcelino Campelo e de Olívia Rosa Garcia Campelo.

Iniciou a carreira militar na Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, de onde saiu aspirante-a-oficial na arma de artilharia em 11 de janeiro de 1937, tendo alcançado o posto de segundo-tenente em novembro deste último ano. Promovido a primeiro-tenente em setembro de 1939, chegou a capitão em março de 1944. Integrou a Força Expedicionária Brasileira (FEB), que combateu na Itália durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), como comandante da 3ª Bateria do 3º Grupo da 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária.

De volta ao Brasil após o encerramento do conflito, ingressou, em março de 1947, na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, no Rio de Janeiro. Concluído o curso em janeiro de 1950, ascendeu ao posto de major em julho do ano seguinte. Depois de promovido a tenente-coronel em dezembro de 1954, foi chefe de seção do Estado-Maior da 5ª Região Militar (1956- 1960) e comandou a 5ª seção do Estado-Maior do Exército (1960-1961), além de ter sido subcomandante do Colégio Militar de Curitiba (1960-1962).

Promovido a coronel em agosto de 1963, assumiu em novembro a chefia da 16ª Circunscrição do Serviço Militar de Florianópolis, cargo em que permaneceria até junho de 1964. No desempenho da função, participou do movimento político-militar de 31 de março de 1964, que derrubou o presidente João Goulart (1961-1964), atuando em conjunto com o 5º Distrito Naval, então sob o comando do almirante Murilo Vasco do Vale e Silva.

Entre julho de 1964 e março de 1967, chefiou a 2ª seção do I Exército, no Rio de Janeiro, tendo ocupado, em seguida, o cargo de diretor-geral do Departamento de Polícia Federal (DPF), em Brasília, substituindo o coronel Newton Cipriano de Castro Leitão. Permaneceu nesta função até abril de 1968, sendo sucedido pelo coronel José Bretas Cupertino. Neste período, participou de duas viagens oficiais: uma à faixa de Gaza, Israel, em março de 1966, na comitiva do comandante do I Exército, general-de-exército Adalberto Pereira dos Santos, para inspeção ao batalhão Suez; e outra, em 1967, ao Japão, como chefe da delegação do DPF ao congresso da Interpol, em Kioto.

De abril a julho de 1968, atuou como adido à 11ª Região Militar. Em meados do ano seguinte, ingressou no generalato, promovido a general-de-brigada. Entre 1970 e 1971, foi delegado da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra no Paraná. Retornou a Florianópolis em março de 1973, como comandante do grupamento do leste catarinense. Promovido a general-de-divisão em novembro de 1974, foi transferido para Fortaleza no início do ano seguinte, onde comandou a 10ª Região Militar, com jurisdição nos estados do Ceará, Piauí e Maranhão. Em maio de 1976, assumiu, em Brasília, o cargo de subchefe do Estado-Maior do Exército, exercendo a função até dezembro seguinte, quando foi designado vice-chefe.

Em outubro de 1978 chefiou uma delegação do Exército brasileiro em visita oficial ao Chile, onde ressaltou a amizade entre as Forças Armadas dos dois países e entre os governos dos generais Ernesto Geisel (1974-1979) e Augusto Pinochet (1973-1989).

Após retornar ao Brasil, negou a versão de que membros da Vanguarda Popular Revolucionário, grupamento clandestino de esquerda que combatia o regime milittar, tivessem sido torturados para confessar a autoria de um atentado contra o jornal O Estado de S. Paulo ocorrido em abril de 1968.

Promovido a general-de-exército em março de 1979, assumiu, dois meses depois, o comando do IV Exército, em Recife, sucedendo no posto ao general Argus Lima. Na ocasião, sustentou que a política de distensão inaugurada por Geisel, a ser consolidada pelo novo presidente, general João Batista Figueiredo (1979-1985), correspondia à “terceira fase” do movimento político-militar iniciado com a deposição de Goulart. Segundo Florimar Campelo, ela seria o resultado de uma “evolução natural” do processo, que se iniciara com uma fase “drástica” de quebra da legalidade, seguida de uma fase intermediária. A consolidação de um terceiro momento, caracterizado não mais pela ação militar, e sim pela política, seria, então, possível, em virtude da nação já estar suficientemente amadurecida e consciente. Apesar do discurso em favor da abertura, Campelo declarou-se contrário à legalização do Partido Comunista Brasileiro, por seu caráter “antidemocrático”.

Em abril de 1979, ocasião em que o país ainda vivia sob a marca das greves do ABC paulista ocorridas no ano anterior, afirmou que o país vivia momentos de tranqüilidade, já que as greves eram consideradas um instrumento democrático legítimo. Admitiu, no entanto, a intervenção do governo quando o movimento fosse considerado ilegal.

Em abril de 1981, posicionou-se contra a elaboração de uma lei antiterror para combater os vários atentados que vinham ocorrendo no país desde janeiro de 1980. Na época, desconfiava-se que os atos haviam sido praticados por militares insatisfeitos com o processo de reabertura política. Segundo Campelo, a solução para o problema poderia ser a adoção da pena de morte como medida preventiva.

Florimar Campelo passou para a reserva em 27 de julho de 1981, depois de ter completado 12 anos de generalato. Deixou com isso o comando do IV Exército em 31 de agosto seguinte, sendo substituído pelo general-de-exército Ênio Gouveia dos Santos.

Faleceu em Curitiba no dia 28 de junho de 1991.

Era casado com Eugelinda Paiva Campelo, com quem teve quatro filhos.

Ao longo de sua vida militar, publicou artigos sobre a campanha da FEB na Itália e proferiu diversas conferências sobre este e outros temas.

Alan Carneiro/Luís Otávio de Sousa

 

FONTES: Almanaque do Exército (1981); Almanaque da ADESG (1984); CURRIC. BIOG.; Estado de S. Paulo (14/2, 25/4, 16/7 e  22/8/81); Folha de S. Paulo (26/3 e  15/4/81); Globo (26/10/79, 25/4 e  31/8/81); Jornal do Brasil (20/5/76; 1/12/77, 22/1 e  25/10/78; 1/4, 15 e 17/5, 13 e 25/10/79; 28/7/81); Veja (11/4 e 23/5/79; 3/7/91).

 

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