Carlos Eduardo Moreira Ferreira

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Nome: FERREIRA, Carlos Eduardo Moreira
Nome Completo: Carlos Eduardo Moreira Ferreira

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:

FERREIRA, Carlos Eduardo Moreira

*pres. FIESP 1992-1998; dep. fed. SP 1999-2003; pres. CNI 1999-2001 e 2002.

 

Carlos Eduardo Moreira Ferreira nasceu na cidade de São Paulo no dia 9 de março de 1939, filho de Luís Fortunato Moreira Ferreira e de Odira Pereira Leite Moreira Ferreira.

Fez o curso primário no Externato Assis Pacheco, o ginasial e o colegial no Colégio São Luís, bacharelando-se em ciências jurídicas e sociais pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP).

Em 1957 iniciou sua vida profissional na Secretaria de Agricultura de São Paulo como funcionário do setor de processamento da despesa do departamento da produção vegetal. Entre 1958 e 1960 foi assistente de administração e exerceu as funções de secretário da consultoria jurídica desse mesmo departamento. Durante os anos de 1961 e 1962 foi suplente do conselho fiscal da Companhia Agrícola Industrial e Comercial (CAIC), na gestão do governador Carlos Alberto Carvalho Pinto. A partir de 1962 passou a trabalhar no escritório de advocacia de seus tios Esdras Pacheco Moreira Ferreira e Eduardo Moreira Ferreira. Pelo casamento, uniu-se à família Alcântara Machado, proprietária da Companhia Paulista de Energia Elétrica (CPEE), empresa privada que chegou a deter o monopólio da distribuição de energia elétrica em 18 municípios do interior paulista. Em fevereiro de 1963 tornou-se advogado da CPEE e também da Companhia de Força e Luz da Casa Branca. Em junho de 1966 foi escolhido diretor-superintendente das duas empresas.

Diretor do Sindicato da Indústria da Energia Hidrelétrica do Estado de São Paulo de 1968 a 1971, em 1969 deixou o escritório dos tios e, em março, foi eleito diretor-presidente da CPEE. Durante o ano de 1971 tornou-se diretor da Associação Paulista de Empresas de Serviços Públicos de Energia Elétrica e assumiu a vice-presidência do Sindicato da Indústria da Energia Hidrelétrica, cargo que exerceu até 1974, quando passou a tesoureiro do mesmo sindicato, até 1977. De 1974 a 1976 foi também diretor-tesoureiro da Associação Brasileira de Concessionárias de Energia Elétrica. Em 1977 tornou-se membro do conselho de administração da Companhia Energética de São Paulo (CESP) e assumiu a presidência da Associação Brasileira de Concessionárias de Energia Elétrica, cargo que exerceria até 1983. No período 1978-1980 foi presidente do Sindicato da Indústria da Energia Elétrica do Estado de São Paulo.

Em 1980 compôs a chapa encabeçada por Luís Eulálio Bueno Vidigal Filho, que concorria à presidência da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo/Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP/CIESP). Com a eleição de Vidigal, tornou-se segundo-secretário da FIESP e terceiro-vice-presidente do CIESP no período 1980-1983. Dirigiu também o departamento jurídico da FIESP/CIESP e participou, como membro nato, das comissões para assuntos de meio ambiente, uso do solo e energia da FIESP/CIESP.

Em 1983, compondo chapa com Mário Amato, foi eleito primeiro-vice-presidente da FIESP/CIESP no período 1983-1986. Acumulou a vice-presidência com as funções de delegado efetivo da FIESP no conselho de representantes da Confederação Nacional da Indústria (CNI), membro do conselho fiscal das Centrais Elétricas Brasileiras S.A. (Eletrobrás), representando a CNI, e diretor do departamento de energia da FIESP/CIESP. Em 1987 foi representante da comissão especial de estudos sobre o sistema sindical representativo da indústria da CNI. No ano seguinte tornou-se representante da comissão de elaboração do regulamento dos órgãos de descentralização administrativa da FIESP/CIESP, função na qual permaneceu até 1989.

Com a reeleição de Amato para a presidência da entidade em 1989, voltou a exercer a vice-presidência no período 1989-1992. Destacou-se ainda como membro do grupo de trabalho para a elaboração do Plano de Ação do Sistema CNI para os anos 1990. Em 1991 deixou o cargo de diretor-presidente da CPEE, que foi extinto em decorrência de alterações estatutárias.

 

Na presidência da FIESP/CIESP

 

Em 1992 disputou a presidência da FIESP/CIESP com o candidato das oposições, o fabricante de brinquedos Emerson Kapaz. Durante a campanha, procurou se diferenciar do adversário definindo-se como um empresário assumido, que não admitia ambiguidades, fazendo uma clara alusão à conduta de Kapaz. Era de conhecimento público que Kapaz havia votado no candidato do Partido dos Trabalhadores (PT), Luís Inácio Lula da Silva, no segundo turno da eleição presidencial em dezembro de 1989, e, ainda, que comparecera a uma manifestação de trabalhadores em frente à Brastemp, ao lado de Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, para protestar contra as demissões na empresa. Definiu-se também como alguém que conhecia a realidade prática do empresariado, ao contrário do candidato da oposição, que, na sua opinião, se preocupava muito com as altas esferas governamentais e pouco sabia das necessidades do empresariado do interior, por exemplo. Já seus adversários o acusavam de ser um “burocrata cinzento” e de não ter uma política industrial definida. Kapaz era apoiado pela ala mais irrequieta do empresariado paulista, que se identificava como “moderna e liberalizante” e na qual figuravam os empresários Paulo Francini (Coldex Frigor S.A.), Cláudio Bardella (Bardella S.A. Indústrias Mecânicas) e Eugênio Staub (Gradiente). Moreira Ferreira, por sua vez, contava com o apoio do establishment industrial, representado por Antônio Ermírio de Morais (Votorantim), José Mindlin (Metal Leve) e Mário Amato (na época, presidente da FIESP).

O sistema eleitoral da FIESP era baseado no voto por sindicato, enquanto o do CIESP baseava-se no voto direto das empresas filiadas. Dessa forma, o sistema da FIESP atribuía pesos iguais ao voto de um pequeno sindicato, como o de chapéus, e ao de um poderoso sindicato capaz de reunir uma massa considerável de empresas a ele associadas. O resultado das eleições, realizadas em agosto de 1992, foi favorável a Moreira Ferreira. Na FIESP, recebeu votos de 95 dos 119 sindicatos que compareceram às urnas, enquanto Kapaz recebeu de apenas 24. No CIESP, sua vitória foi muito mais apertada: obteve 1.731 votos, somente 140 a mais do que Kapaz. Como os representantes de 2.447 empresas deixaram de votar, o quórum exigido para a eleição não foi alcançado, o que abria caminho para o segundo turno. No entanto, Emerson Kapaz preferiu evitar uma nova disputa, porque percebeu que, com Moreira já eleito para a FIESP, as chances de o empresariado escolher um nome diferente para o CIESP eram praticamente nulas. Outro dado importante dessas eleições diz respeito ao fato de ter sido aquela a segunda vez, nos 61 anos de existência da entidade, em que não houve chapa única.

Como presidente da FIESP/CIESP, Moreira Ferreira tornou-se, automaticamente, diretor regional do Serviço Social da Indústria (Sesi-SP) e presidente do conselho regional do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-SP), além de diretor do Instituto Roberto Simonsen, órgão da FIESP/CIESP encarregado de promoções culturais.

Seu mandato (1992-1995) foi marcado pelo impeachment do presidente da República, Fernando Collor de Melo, pela escalada inflacionária e a instabilidade da política econômica (durante o governo Itamar Franco houve quatro ministros da Fazenda). No plebiscito realizado em 1993 sobre forma e sistema de governo, defendeu, como presidente da FIESP, o parlamentarismo. No que se refere à reforma constitucional, insistiu nas propostas orientadas para a desregulamentação da economia e para a reforma e desoneração tributárias. Criticou a Constituição de 1988, defendendo a quebra dos monopólios estatais e da reserva de mercado e o incremento do Programa Nacional de Desestatização.

A partir de 1994, quando o ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso lançou o plano de estabilização econômica conhecido como Plano Real, e foi eleito presidente da República, Moreira Ferreira apoiou a política econômica vigente, chamando a atenção para alguns pontos que, no seu entender, podiam desestimular a produção industrial: a abertura do mercado brasileiro, que deveria ser gradual para não ameaçar com o sucateamento de parte do parque industrial do país, o risco de uma sobrevalorização do real em relação ao dólar e a preocupação com a alta dos juros.

Ainda em setembro de 1994, reprovou a greve dos metalúrgicos de São Paulo, considerando-a “inoportuna, inadequada e apressada”. No seu entender, a greve era eleitoreira, a reivindicação de abono salarial sem a possibilidade de repasse para os preços era irreal e a insistência naquele ponto inviabilizava o diálogo. Entretanto, esta não foi a posição da Associação Nacional de Fabricantes de Veículos e Autopeças (Anfavea), que tendeu a aceitar o abono sem repasse para os preços.

No plano interno, empreendeu reforma nos estatutos da FIESP, que determinou o voto em nome das categorias econômicas, cada uma com um sindicato a representá-la na eleição. Quanto ao CIESP, deu às empresas controladoras, do tipo holding, o direito de se associarem à entidade. A partir de 1994, em conjunto com o Sesi e Senai e a Fundação Roberto Marinho, lançou um ambicioso programa de educação a distância, o Telecurso 2000, transmitindo em rede de televisão e vídeo os cursos de primeiro e segundo graus, além de outro profissionalizante, para cerca de 30 milhões de brasileiros fora do sistema escolar.

Em agosto de 1995 concorreu à reeleição em chapa única, obtendo nas urnas da FIESP 105 dos 114 votos depositados, enquanto nas urnas do CIESP foram contabilizados 2.501 votos a seu favor, 31 em branco e oito nulos. Tais resultados lhe conferiram a permanência na liderança da FIESP/CIESP por mais um triênio. Ao tomar posse em outubro, fez um apelo ao Congresso para aprovar reformas estruturais propostas pelo governo Fernando Henrique Cardoso que resultassem na “transferência da carga tributária para a ponta do consumo, na eliminação dos impostos em cascata”, no estímulo às exportações “como geradoras de emprego” e na implementação de mecanismos que permitissem a vigilância das importações e o “combate das práticas desleais e do dumping”. Destacou a importância da educação, dando prosseguimento aos investimentos no Sesi-SP, no programa de formação profissional desenvolvido pelo Senai e na consolidação do projeto Telecurso 2000. Expressou ainda a disposição de recuperar a imagem do empresariado, desgastada por “generalizações impróprias e iníquas”, através de um programa de comunicação social com vistas a consolidar na mídia, própria e externa, uma imagem favorável.

Também a partir de outubro, participou, juntamente com outros líderes empresariais, de uma série de contatos com políticos em Brasília. Na oportunidade, apresentou ao Congresso um manifesto da FIESP que defendia as reformas administrativa e previdenciária como condição para que se realizasse o ajuste fiscal. O manifesto alertava que só com o ajuste fiscal seria possível conter a inflação, recuperar a estabilidade econômica e, então, garantir a continuidade do programa reformador do governo. Em novembro entregou ao ministro do Planejamento, José Serra, um documento contendo 12 sugestões para a reativação do setor industrial, entre as quais a desregulamentação das operações de financiamento de bens de consumo duráveis, a agilização das exportações, a flexibilização do mercado de trabalho e a redução dos depósitos compulsórios. Reivindicava ainda a criação de linhas de crédito especiais para facilitar fusões e incorporações de empresas nos moldes do que já era feito para o setor financeiro.

Em abril de 1996, juntamente com o presidente da CNI, Fernando Bezerra, encontrou-se com as lideranças das duas maiores centrais sindicais do país, Luís Antônio Medeiros, da Central Geral dos Trabalhadores (CGT), e Vicente Paulo da Silva (o Vicentinho), da Central Única dos Trabalhadores (CUT), com vistas à elaboração de uma proposta conjunta de política industrial. Na ocasião, foi aventada a possibilidade de uma paralisação de trabalhadores e empresários que Moreira Ferreira considerou ser “uma pressão legítima”. Outros dois encontros previram como temas de discussão questões como juros, câmbio, tarifas de importação e incentivos às micro e pequenas empresas, redução de encargos sociais sobre a folha de pagamento dos empresários da indústria e, último item acrescentado a pedido de Vicentinho, combate ao desemprego.

Em setembro de 1997, filiou-se ao Partido da Frente Liberal (PFL). Em outubro de 1998, transferiu a presidência da FIESP/CIESP a Horácio Piva Lafer, eleito dois meses antes com seu apoio, e disputou uma vaga na Câmara dos Deputados na legenda do PFL. Eleito, assumiu o mandato em fevereiro de 1999. Em 3 agosto desse ano, assumiu também a presidência da CNI. Em 16 de novembro, foi eleito diretor da Empresa Elétrica Bragantina S/A, mas se licenciou do cargo por estar exercendo mandato legislativo na Câmara dos Deputados. Em 17 de setembro de 2001 deixou a presidência da CNI e lançou sua candidatura à reeleição para a Câmara.

Em 2002, reassumiu a presidência da CNI no período de 5 de junho a 8 de outubro, em substituição ao senador Fernando Bezerra , do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), que se licenciou para disputar o governo do Rio Grande do Norte. Sua posse na CNI só se tornou possível porque desistiu de concorrer à reeleição para deputado federal e optou por voltar a se dedicar às atividades na iniciativa privada. Em janeiro de 2003, ao final do mandato, deixou a Câmara dos Deputados.

Teve quatro filhos do primeiro casamento. Foi casado em segundas núpcias com Julieta Lehmann.

 

Libânia Xavier/Elizabeth Dezouzart

 

FONTES: CURRIC. BIOG.; Estado de S. Paulo (22/4/96); Folha de S. Paulo (1 e 13/9/94, 28/11/95 e 24/4/96 ); Jornal do Brasil (6/10/95 e 26/4/96); Notícias — FIESP/Cesi/Sesi/Senai/IRS (14 e 28/8 e 16/10/95); SENAI. Linha direta. (Disponível em: http://64.233.163.132/search?q=cache:TmUrBvth9CsJ:www.senai.br/sb/sb59/linha_direta59.htm+Moreira+Ferreira%2BCNI&cd=4&hl=pt-BR&ct=clnk; acessado em: Veja (29/7 e 5/8/92).

 

 

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