CLAUDIO AVILA DA SILVA

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Nome: AVILA, Cláudio
Nome Completo: CLAUDIO AVILA DA SILVA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:

 

ÁVILA, Cláudio

*const. 1987-1988; dep. fed. SC 1987-1991; pres. Eletrobrás 2001-2002

 

Cláudio Ávila da Silva nasceu em Florianópolis no dia 2 de julho de 1953, filho do advogado Renato Ramos da Silva e de Maria Mercedes Ávila da Silva. Seu pai, membro de uma das mais importantes famílias ligadas à política catarinense, foi secretário sem pasta do governo Celso Ramos (1961-1966) e senador por Santa Catarina de 1964 a 1967.

Assumiu seu primeiro cargo público em maio de 1972, como chefe de gabinete da Secretaria de Justiça no governo de Colombo Sales (1971-1975). Em junho de 1974, tornou-se chefe do setor de estatística do Banco do Estado de Santa Catarina (BESC) e aí permaneceu até março do ano seguinte, quando Colombo encerrou sua gestão e passou o governo a Antônio Carlos Konder Reis (1975-1979).

Após três meses na iniciativa privada, como assistente comercial da Usina de Açúcar Tijucas, retornou à administração pública em junho de 1975, no posto de assessor da presidência do Banco de Desenvolvimento do Estado de Santa Catarina, aí permanecendo até o término do mandato do governador, em 15 de março de 1979. Nesse período, formou-se em administração de empresas pela Escola Superior de Administração e Gerência, de Florianópolis.

Superintendente da Fundação de Desenvolvimento do Estado de Santa Catarina de março de 1979 a fevereiro de 1982, em novembro desse ano elegeu-se deputado estadual na legenda do Partido Democrático Social (PDS). Iniciou o mandato em fevereiro de 1983, mas em 12 de abril licenciou-se para assumiu a prefeitura de Florianópolis, nomeado pelo recém-empossado governador Esperidião Amin (1983-1987). Na sucessão do presidente João Batista Figueiredo (1979-1985), aderiu à Frente Liberal, dissidência do PDS que apoiou a candidatura oposicionista de Tancredo Neves. Em virtude de sua posição, em janeiro de 1985 renunciou à prefeitura, transmitindo o cargo ao presidente da Câmara Municipal, Aluísio Piazza, e retornou à Assembleia Legislativa, onde foi titular das comissões de Finanças e de Serviços Públicos. Em novembro do ano seguinte, concorreu a uma vaga de deputado federal constituinte na legenda do Partido da Frente Liberal (PFL), que ajudara a organizar em Santa Catarina. Eleito, assumiu o mandato em 1º de fevereiro de 1987.

Na Constituinte, fez parte da Subcomissão da Educação, Cultura e Esportes, e das comissões da Família, de Ciência e Tecnologia, e da Comunicação. Foi suplente da Subcomissão da Questão Urbana e de Transporte e da Comissão da Ordem Econômica. Apoiou o rompimento de relações diplomáticas com países que praticassem políticas oficiais de discriminação racial; o mandado de segurança coletivo; o turno ininterrupto de seis horas; a anistia aos micro e pequenos empresários, e o voto aos 16 anos. Votou contra a pena de morte; a estabilidade no emprego; a remuneração 50% superior para o trabalho extra; a limitação do direito de propriedade privada; a jornada semanal de 40 horas; o limite de 12% ao ano para os juros reais; o aviso prévio proporcional; a nacionalização do subsolo; a estatização do sistema financeiro; a proibição do comércio de sangue; a limitação dos encargos da dívida externa; a criação de um fundo de apoio à reforma agrária; o mandato de cinco anos para o presidente José Sarney, e a legalização do jogo do bicho.

Logo após a promulgação da nova Carta Constitucional (5/10/1988), licenciou-se para tratar de assuntos particulares, sendo substituído pelo suplente Estener Soratto. De volta à Câmara em janeiro de 1989, exerceu o mandato ordinário até o final da legislatura, em janeiro de 1991, deixando de pleitear reeleição em outubro de 1990.

Entre fevereiro de 1991 e fevereiro de 1993, foi assessor especial do secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), João Clemente Baena Soares, em Washington (EUA). Em março de 1993, nomeado pelo governador de Santa Catarina, Vílson Kleinübing (1991-1995), assumiu a Secretaria de Ciência e Tecnologia, Energia e Meio Ambiente. Deixou a secretaria em junho, para assumir o cargo de diretor-presidente das Centrais Elétricas do Sul do Brasil (Eletrosul), empresa federal controlada pelas Centrais Elétricas Brasileiras (Eletrobrás).

No início de sua administração à frente da Eletrosul, tratou prioritariamente da retomada de projetos paralisados, em especial o aproveitamento hidrelétrico de Itá, no rio Uruguai, firmando contrato com um consórcio de quatro empresas privadas interessadas na implantação e exploração da usina. Homologado em 1995, o contrato com a Itá Energética (Itasa) viabilizou o início das obras civis da hidrelétrica no ano seguinte. A Eletrosul também promoveu licitação para a seleção de parceiros no empreendimento hidrelétrico de Machadinho, no rio Pelotas, assinando contrato de compartilhamento da concessão do aproveitamento com 11 empresas em janeiro de 1997. Entre as obras concluídas pela concessionária federal durante sua gestão, merece destaque a termelétrica de Jorge Lacerda IV, em Santa Catarina.

A Eletrosul foi incluída no Programa Nacional de Desestatização (PND) em maio de 1995 por decreto do presidente Fernando Henrique Cardoso. Em outubro de 1997, a Medida Provisória nº 1.531-11 autorizou o desmembramento da companhia em uma empresa de geração e outra de transmissão com o objetivo de permitir a privatização do segmento de geração. Em dezembro do mesmo ano, os ativos de geração da Eletrosul foram transferidos para uma nova empresa, denominada Centrais Geradoras do Sul do Brasil (Gerasul). À época da cisão, o parque gerador da companhia somava 3.719 MW de capacidade instalada. Com a privatização da Gerasul em setembro de 1998, esse patrimônio passou ao controle da empresa belga Tractebel. Por sua vez, transformada numa empresa exclusivamente de transmissão, a Eletrosul mudou sua razão social para Empresa Transmissora de Energia Elétrica do Sul do Brasil em dezembro de 1998.

Cláudio Ávila permaneceu no comando da Eletrosul até abril de 2001, quando foi designado presidente da Eletrobrás em substituição ao engenheiro Firmino Ferreira Sampaio Neto. Sua posse na presidência da Eletrobrás ocorreu às vésperas do lançamento da campanha de racionalização de consumo de energia elétrica, que foi programada pelo Ministério de Minas e Energia (MME) juntamente com outras ações emergenciais para minorar o quadro de desequilíbrio entre a oferta e a demanda de eletricidade no país, em particular nas regiões Sudeste e Nordeste, onde a situação era bastante crítica em decorrência do atraso de importantes obras de geração e transmissão e dos baixos índices pluviométricos registrados nos primeiros meses do ano. Em maio de 2001, o governo reconheceu a necessidade da implantação de um programa de racionamento, criando a Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica (GCE). Iniciado em junho, o racionamento perduraria até fevereiro do ano seguinte, atingindo grande parte do território nacional.

Cláudio Ávila participou do Comitê de Revitalização do Modelo do Setor Elétrico, criado em junho de 2001 pela GCE. Além da proposição de medidas de aperfeiçoamento do marco regulatório, o comitê foi responsável pela negociação do chamado Acordo Geral do Setor Elétrico, oficializado em dezembro de 2001.

Deixou a presidência da Eletrobrás em março de 2002, sendo substituído interinamente pelo economista Nereu Ramos Neto até a designação do engenheiro Altino Ventura Filho como titular efetivo no mês seguinte. Passou então a atuar no setor privado, assumindo em meados de 2002 o cargo de vice-presidente da empresa catarinense Cerâmica Portobello

Casado com Flávia Neto de Campos da Silva, teve dois filhos.

FONTES: ASSEMB. NAC. CONST. Repertório (1987-1988); CACHAPUZ, P.B. Panorama; CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1991-1995); COELHO, J. ; OLIVEIRA, A. Nova; INF. BIOG.; PIAZZA, W.F. Dicionário; PRESIDENTES.

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