CLIDENOR DE FREITAS SANTOS

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Nome: FREITAS, Clidenor de
Nome Completo: CLIDENOR DE FREITAS SANTOS

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
FREITAS, CLIDENOR DE

FREITAS, Clidenor de

*dep. fed. PI 1959-1963.

Clidenor de Freitas Santos nasceu em Miguel Alves (PI) no dia 16 de fevereiro de 1913, filho de Raimundo Rodrigues dos Santos e de Maria de Freitas Santos.

Formou-se pela Faculdade de Medicina de Recife em 1936, especializando-se em psiquiatria. De volta ao seu estado natal, ocupou a cadeira de filosofia no Colégio Estadual do Piauí e foi também diretor do Hospital de Psiquiatria de Teresina, onde implantou métodos renovadores, abolindo as correntes utilizadas no tratamento dos enfermos. Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), colaborou na Campanha das Pirâmides Metálicas promovida pelo jornal Diário da Noite, do Rio de Janeiro, então Distrito Federal, levando — como símbolo do esforço brasileiro de participação no conflito — os doentes sob seus cuidados, em procissão, ao centro de Teresina para depositar numa “pirâmide” os 1.560 quilos de grilhões que antes os prendiam. Idealizou e construiu na capital piauiense o Sanatório Meduna, nome dado em homenagem ao médico húngaro que descobrira novos métodos de tratamento através do medicamento cardiazol.

Ingressou na política por influência de amigos ligados ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e, no pleito de outubro de 1954, concorreu na legenda petebista à prefeitura de Teresina, enfrentando o candidato da União Democrática Nacional (UDN), partido que tradicionalmente vencia as eleições na capital por ampla margem de votos. Nessa oportunidade a UDN venceu, mas por uma diferença de apenas 431 votos.

No pleito de outubro de 1958 elegeu-se deputado federal pelo Piauí na legenda das Oposições Coligadas, que reunia o PTB e a UDN, tendo sido o candidato mais votado em todo o estado, com quase 20 mil votos. Empossado em fevereiro de 1959, foi vice-líder do PTB na Câmara dos Deputados de maio desse ano até o ano seguinte, quando implantou um núcleo de colonização às margens do rio Parnaíba, no Piauí, denominado Santa Rosa. Ali realizou uma experiência de integração entre colonos japoneses e brasileiros, instalados alternadamente na região. Ainda em 1960, participou da campanha do marechal Henrique Lott, lançado candidato à presidência da República pelo PTB e pelo Partido Social Democrático (PSD). Iniciado, em janeiro de 1961, o governo de Jânio Quadros, candidato vitorioso da UDN, apoiou sua política externa, que promoveu o reatamento das relações diplomáticas entre o Brasil e a União Soviética, rompidas desde 1947, com base no respeito à autodeterminação dos povos e no princípio do não-alinhamento. Integrou também a Frente Parlamentar Nacionalista (FPN), formada por deputados do Partido Socialista Brasileiro (PSB), do PTB, do PSD e da UDN com o objetivo de combater a intervenção do capital estrangeiro na economia nacional, especialmente no setor energético, e a remessa de lucros para o exterior.

Partidário da reforma agrária cooperativista, com a entrega pelo Estado de suas terras em comodato aos camponeses, até que estes pudessem obter a propriedade privada, era contrário à manutenção do latifúndio improdutivo e do minifúndio ineficiente. Foi relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre a atuação das Ligas Camponesas no Nordeste, apoiando as iniciativas dos camponeses. Era adepto da intervenção do Estado na economia, do monopólio estatal das riquezas do subsolo e dos serviços públicos, das telecomunicações e dos transportes aeroviário, marítimo e ferroviário. Em declaração prestada ao Correio Brasiliense, apontou a encíclica Mater et magistra como uma prova do interesse da Igreja pela justiça social, acrescentando que considerava o regime democrático representativo, regido pela doutrina socialista-cristã, o ideal para todos os povos.

Durante a legislatura integrou ainda as comissões de Orçamento, de Saúde e de Economia da Câmara dos Deputados. Transferindo-se para o PSD, em outubro de 1962 concorreu à reeleição na legenda das Oposições Coligadas — que, nessa ocasião, reunia a UDN, o PSD e o Partido Democrata Cristão (PDC) — e obteve uma suplência. Concluiu o mandato em janeiro do ano seguinte, não mais retornando à Câmara dos Deputados.

Foi médico sanitarista do Ministério da Saúde e presidente do Instituto de Previdência e Assistência aos Servidores do Estado (IPASE) de março de 1963 a abril de 1964. Em 13 de junho desse ano teve os direitos políticos suspensos por dez anos por força do Ato Institucional nº 1 (9/4/1964), editado pela junta militar que assumiu o governo após a deposição de João Goulart no mês anterior, permitindo punições extralegais aos adversários do novo regime. Desde então não mais voltou a concorrer a qualquer cargo eletivo, passando a se dedicar, exclusivamente, às suas atividades de médico, em particular do Sanatório Meduna, juntamente com os filhos. Foi membro das associações de medicina do Piauí, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo, e ainda da Academia Piauiense de Letras.

Faleceu em Teresina no dia 2 de abril de 2000.

Casado com Araci Dutra de Freitas Santos, teve oito filhos.

Publicou A glória de Saraiva, Carta a meus filhos, Shakespeare, criador de símbolos e As bases psicológicas do nacionalismo.

Alan Carneiro

atualização

 

FONTES: ARQ. DEP. PESQ. JORNAL DO BRASIL; CÂM. DEP. Deputados; CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1946-1967); CÂM. DEP. Relação dos dep.; CÂM. DEP. Relação nominal dos senhores; CAMPOS, Q. Fichário; COUTINHO, A. Brasil; INF. BIOG.; NAPOLEÃO; TRIB. SUP. ELEIT. Dados (4); VAITSMAN, M. Sangue.

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