EDNARDO DAVILA MELO

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Nome: MELO, Ednardo Dávila
Nome Completo: EDNARDO DAVILA MELO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
MELO, EDNARDO DÁVILA

MELO, Ednardo Dávila

*militar; rev. 1964; comte. II Ex. 1974-1976.

 

Ednardo Dávila Melo nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, no dia 23 de agosto de 1911.

Ingressou na Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, em março de 1928, sendo declarado aspirante-a-oficial da arma de infantaria em janeiro de 1932. Em agosto do mesmo ano foi promovido a segundo-tenente e, em outubro de 1933, a primeiro-tenente. Aficionado de esportes, em 1936 chegou a participar das seleções mineira, carioca e brasileira de basquete. Foi promovido a capitão em maio de 1937, tendo servido em unidades do Exército sediadas em diferentes regiões do país.

Em 1944, integrou o Regimento Sampaio da Força Expedicionária Brasileira (FEB), que combateu na Itália ao lado das nações aliadas durante a Segunda Guerra Mundial.

Com o término do conflito, em maio de 1945, regressou ao Brasil, sendo promovido a major em setembro de 1947 e, mais tarde, em julho de 1952, a tenente-coronel. Na ocasião, era presidente da República Getúlio Vargas, que exercia seu segundo mandato, não sendo visto com simpatia por parcela considerável da oficialidade militar. Em fevereiro de 1954 foi divulgado um documento assinado por 82 coronéis, entre os quais Ednardo Melo, dirigido à alta hierarquia das forças armadas, protestando contra a exigüidade de recursos destinados ao Exército e contra a proposta governamental de elevação do salário mínimo em 100%, advertindo, além disso, para a ameaça comunista. O documento ficou conhecido como Manifesto dos coronéis e provocou a demissão dos ministros da Guerra, general Ciro do Espírito Santo Cardoso, e do Trabalho, João Goulart.

Em agosto de 1957, Ednardo Melo foi promovido a coronel. De major a coronel, foi instrutor da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO) e da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME). Esteve ainda no comando do 15º Regimento de Infantaria e foi comissionado no Estado-Maior do Exército (EME) em várias funções. Ocupou a chefia do Serviço de Informações e Contra-informações e pertenceu ao estado-maior da 4ª Região Militar (RM), sediada em Juiz de Fora (MG).

Em 31 de março de 1964, quando do movimento político-militar que depôs João Goulart, Ednardo Melo servia na Paraíba. Na ocasião, comandou operações militares e conseguiu a adesão do governador do estado, Pedro Gondim (1961-1965), e das unidades locais do Exército à rebelião.

Foi promovido a general-de-brigada em março de 1965. Neste posto foi comandante da Infantaria Divisionária (ID-2), em Caçapava (SP), durante dois anos e, mais tarde, do Grupamento Unidade-Escola, no Rio de Janeiro, durante um ano. Em 1969 foi designado adido militar junto à embaixada brasileira em Washington, onde chefiou a delegação do Brasil na Junta Interamericana de Defesa (JID). Promovido a general-de-divisão em março de 1969, foi, nesse posto, comandante da 7ª RM, em Recife, durante dois anos. Em seguida, por mais dois anos, foi vice-chefe do Departamento de Engenharia e Comunicações (DEC) do Exército, em Brasília.

Em novembro de 1973, recebeu sua quarta estrela, atingindo o posto de general-de-exército.

No comando do II Exército

Em janeiro de 1974, Ednardo Melo assumiu o comando do II Exército, sediado em São Paulo, sucedendo ao general Humberto de Sousa Melo. Sua atuação à frente do II Exército, como a dos oficiais que o antecederam no posto, foi marcada pela preocupação constante de combate à subversão. Já no discurso de posse, afirmou que suas atenções estariam sempre “voltadas para a segurança, baseada na vigilância ativa, permanente e equilibrada, em íntima relação com as demais autoridades civis e militares”.

Um ano depois de haver tomado posse, no dia 31 de março de 1975, em discurso comemorativo do 11º aniversário do movimento político-militar de 1964, afirmou: “A tônica, hoje em dia, é dizer que o terrorismo já foi dominado, que não há mais subversão, que tudo está em calma e que, em conseqüência, precisamos fazer uma distensão. Eu digo que isso é uma balela, a subversão continua presente.” Na época, tais palavras soaram como primeira demonstração de um descompasso seu em relação ao presidente Ernesto Geisel que, exatamente 30 dias antes, havia afirmado numa mensagem ao Congresso Nacional que “o terrorismo foi dominado e contido”, acentuando os propósitos distensionistas de seu governo.

Em junho do mesmo ano, o general Ednardo rebateu denúncias de torturas em São Paulo, durante palestra que proferiu numa igreja da capital do estado, argumentando que “as forças armadas são basicamente formadas de elementos das classes pobre e média e não somos torturadores, em sã consciência”. “O que existe”, disse, “é que não se pode controlar todo o país e nem todos são santos.”

No mês seguinte, pronunciou uma palestra na Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG), em São Paulo, na abertura de seu 17º Ciclo de Estudos, com a presença, entre outras autoridades, do governador do estado Paulo Egídio Martins (1975-1979). A exposição, como outras tantas, foi centrada no combate à subversão. Afirmando que “o Exército não precisa de lições de democracia de quem quer que seja”, Ednardo Melo ressaltou “a importância do estudo da guerra revolucionária”. Ao final, teceu crítica à imprensa, que considerou “infiltrada de comunistas”.

Um mês depois, em agosto, apareceu morto no Centro de Operações para a Defesa Interna-Departamento de Operações Internas (DOI-CODI) de São Paulo, o tenente da Polícia Militar José Ferreira de Almeida, que havia sido preso dias antes acusado de subversão. A versão oficial foi de que o tenente se suicidara.

Em outubro, o comandante do II Exército, falando de improviso, sublinhou a unidade das forças armadas na luta contra o comunismo. Lembrou, ainda, as vítimas do terrorismo de esquerda, afirmando que “o Exército não é o agressor, mas sim o agredido”.

Nesse mesmo mês, ocorreu a morte do jornalista Vladimir Herzog, fato que teve grande repercussão na opinião pública. Herzog, que havia comparecido espontaneamente ao DOI-CODI para depor sobre as acusações de envolvimento com o proscrito Partido Comunista Brasileiro (PCB), foi encontrado morto em sua cela. De novo, a versão oficial, mais tarde corroborada por inquérito policial-militar (IPM) feito pelo II Exército, foi de que ele se suicidara, com o auxílio de um cinto.

A crise assumiu proporções especialmente graves pelo fato de o jornalista morto estar desempenhando as funções de diretor de telejornalismo da TV Cultura, emissora do governo do estado, por indicação do secretário de Tecnologia e Cultura José Mindlin, aprovada pelo próprio governador Paulo Egídio. O protesto cresceu em São Paulo e a missa de sétimo dia pelo morto transformou-se em manifestação contra os métodos repressivos, com a presença de milhares de pessoas.

Meses após, a imprensa registrou que, depois da morte de Herzog, Geisel, em visita a São Paulo, teria deixado claro ao general Ednardo que não admitiria a ocorrência de outro episódio semelhante.

Assim, quando no dia 17 de janeiro de 1976 o operário Manuel Fiel Filho foi encontrado morto no DOI-CODI, em circunstâncias parecidas, o caso foi visto como uma provocação dos órgãos de segurança à autoridade do presidente da República e à política de distensão que este preconizava. Geisel resolveu, então, demitir sumariamente o general Ednardo do comando do II Exército, sem consultar o superior imediato deste, o ministro do Exército, general Sílvio Frota.

Assim, no dia 20 de janeiro, o general Ariel Paca da Fonseca recebeu o comando em caráter interino das mãos de Ednardo Melo, numa rápida cerimônia realizada no quartel-general (QG) do II Exército. Quatro dias depois, o general Ariel Paca passou o comando ao seu novo titular, o general Dilermando Gomes Monteiro.

Ednardo Melo foi designado para a chefia do Departamento de Ensino e Pesquisa do Exército, em Brasília, mas preferiu não assumir o cargo, tendo solicitado transferência para a reserva, imediatamente concedida.

No dia seguinte à sua demissão, numa longa entrevista coletiva à imprensa, insistiu na tese que já defendera antes, de que na política não existe direita nem esquerda, mas sim democratas e totalitários, e que comunismo e fascismo “são farinha do mesmo saco”. Finalizando, disse: “Infelizmente, vou para a história como um torturador, como um homem de maus sentimentos, em virtude do que houve durante o meu comando no II Exército, em São Paulo”, e, em sua defesa, invocou o testemunho de seus colegas de farda, “que sabem que sou incapaz de qualquer violência”.

Em outubro de 1978, o juiz Márcio José de Morais, da 7ª Vara Federal de São Paulo, proferiu sentença responsabilizando a União pela prisão ilegal, torturas e morte de Vladimir Herzog, numa ação movida pela viúva e os dois filhos do jornalista.

Meses após, em fevereiro de 1980, a imprensa noticiou que o general Ednardo seria ouvido numa ação semelhante, movida pela família do operário Manuel Fiel Filho, cuja morte o IPM do II Exército explicou como tendo sido também suicídio, através de enforcamento com uma meia. Dias depois, entretanto, o juiz responsável decidiu liberar o general Ednardo de prestar depoimento.

Faleceu no Rio de Janeiro no dia 14 de abril de 1984.

Era casado com Áurea Melo, com quem teve três filhos.

 

FONTES: CORRESP. SECRET. GER. EXÉRC.; Estado de S. Paulo (19/7 e 24/10/75); Jornal do Brasil (1/1/74, 27/10 e 20/12/75 e 20/1/76, 15/4/84); Perfil (1974); Veja (28/11/73, 14/3/79 e 25/4/84).

 

 

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