FERRAZ, OTAVIO MARCONDES

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Nome: FERRAZ, Otávio Marcondes
Nome Completo: FERRAZ, OTAVIO MARCONDES

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
FERRAZ, OTÁVIO MARCONDES

FERRAZ, Otávio Marcondes

*min. Viação 1955.

 

Otávio Marcondes Ferraz nasceu na cidade de São Paulo no dia 23 de novembro de 1896, filho de Otaviano Marcondes Ferraz e de Rosa Marcondes Ferraz.

Estudou na Bélgica, onde concluiu o curso de humanidades e ingressou em 1913 na Escola Politécnica da Universidade de Bruxelas. Com o início da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), transferiu-se para a França, terminando seu curso no Instituto de Engenharia Eletrotécnica de Grenoble, em 1918. Nesse período foi assistente do professor Louis Barbilion, e trabalhou a seguir em Nancy, também na França.

De volta ao Brasil, tornou-se professor da cadeira de engenharia eletrotécnica no Instituto Itajubá, em Minas Gerais. Em 1922, passou a exercer as funções de engenheiro-chefe do departamento técnico da Central Elétrica de Rio Claro (SP), tendo projetado e construído a linha de transmissão e a subestação dessa adutora. Nesse mesmo ano, ingressou num consórcio da empresa Forjas e Aciarias Longnoy, como organizador e dirigente do setor de engenharia. Trabalhou posteriormente na Light and Power Co., desligando-se dessa companhia em 1928 para fundar o primeiro escritório de consultoria e planejamento técnico do país, o Escritório OMF Ltda., em São Paulo. A partir de 1930, tornou-se o engenheiro responsável pelas obras na região do vale do rio Paraíba da São Paulo Tramway Light and Power Co. Em 1934, integrou a comissão criada pelo governo de São Paulo para o estudo da organização e dos contratos de fornecimento de energia elétrica no estado. Dedicou-se à atividade privada até março de 1948, quando foi nomeado diretor-técnico da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco, tendo iniciado, em 1949, as obras de construção da usina de Paulo Afonso no rio São Francisco.

Em abril de 1955, durante o governo do presidente João Café Filho, foi nomeado ministro da Viação e Obras Públicas, em substituição a Rodrigo Otávio Jordão Ramos. Sua nomeação foi fruto de um acordo político entre o presidente e o governador de São Paulo, Jânio Quadros, segundo o qual Jânio desistiria de sua candidatura à presidência da República nas eleições de 3 de outubro de 1955, dando seu apoio aos candidatos Juarez Távora, para a presidência, e Bento Munhoz da Rocha, para a vice-presidência, em troca da entrega das pastas da Viação e da Fazenda e da presidência do Banco do Brasil a paulistas indicados por ele.

A vitória de Juscelino Kubitschek, candidato lançado pela coligação do Partido Social Democrático (PSD) com o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), desencadeou uma grave crise política no país. No dia 8 de novembro, Café Filho licenciou-se da presidência da República, por problemas de saúde, e transmitiu o cargo a Carlos Luz, presidente da Câmara dos Deputados. Marcondes Ferraz e os demais ministros e auxiliares imediatos de Café Filho foram, contudo, mantidos em suas funções. Em 11 de novembro, um movimento militar, liderado pelo general Henrique Teixeira Lott, ministro da Guerra demissionário, visando, segundo seus promotores, a barrar uma conspiração em preparo no governo e assegurar a posse de Kubitschek, afastou do poder o presidente Carlos Luz. No mesmo dia, em companhia de vários ministros e correligionários, entre os quais Marcondes Ferraz, o brigadeiro Eduardo Gomes e Carlos Lacerda, Carlos Luz embarcou no cruzador Tamandaré, rumo a Santos (SP), onde esperava o apoio do governador Jânio Quadros. Na tarde de 11 de novembro, o Congresso Nacional votou seu impedimento e empossou na chefia da nação o vice-presidente do Senado Federal, Nereu Ramos. Fracassada a tentativa de obter a adesão do governo de São Paulo, o Tamandaré retornou ao Rio na manhã do dia 13. No dia 14 Marcondes Ferraz foi afastado do Ministério da Viação, sendo substituído por Lucas Lopes.

Mais tarde retornou à vida pública, reassumindo suas funções na Companhia Hidro Elétrica do São Francisco, onde permaneceu até março de 1960. Em 1962, já no governo João Goulart, recebeu do ministro das Minas e Energia, Gabriel Passos, a incumbência de estudar o planejamento e a construção da futura usina hidrelétrica do salto de Sete Quedas, no rio Paraná, e elaborou um projeto prevendo a localização da usina exclusivamente em território brasileiro.

Em 1964, após a vitória do movimento político-militar de 31 de março, que depôs o presidente João Goulart, foi nomeado pelo chefe do governo, o marechal Humberto de Alencar Castelo Branco, para a presidência da Eletrobrás. Assumindo o cargo, continuou a desenvolver seu projeto para a usina de Sete Quedas, posteriormente abandonado pelo governo. Com a extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional nº 2 (27/10/1965) e a posterior instauração do bipartidarismo, filiou-se à Aliança Renovadora Nacional (Arena), de orientação governista. Permaneceu à frente da Eletrobrás até o final do governo Castelo Branco, em março de 1967, retornando em seguida à atividade privada.

Em maio de 1976, em depoimento à Comissão de Minas e Energia do Senado Federal, manifestou-se contrário ao acordo binacional Brasil-Paraguai, firmado em abril de 1973 para a construção da usina hidrelétrica de Itaipu, no rio Paraná, em trecho situado na fronteira entre os dois países. Criticou o comando administrativo duplo, as diferenças de ciclagem entre os dois países e a possibilidade de atritos na área internacional, já que a Argentina também tinha parte de seu território banhado pelo rio Paraná. Tendo-se tornado um dos adversários mais ferrenhos da construção desta usina dentro dos moldes adotados pelo governo, incompatibilizou-se com seu partido, a Arena — cuja maioria defendia a posição oficial —, dele se desligando em agosto de 1976.

Integrou as delegações brasileiras presentes à Conferência Mundial de Energia em Paris (1951) e Viena (1956), à Reunião do Economic and Social Council (Ecosoc), da Organização das Nações Unidas (ONU), em Genebra (1956), e à Conferência Internacional das Grandes Redes, em Paris (1956, 1958 e 1960). Exercendo intensa atividade empresarial, participou da direção de numerosos empreendimentos no setor privado — na Rhodia Indústrias Químicas e Têxteis S.A., na Oxigênio do Brasil S.A. e no Grupo Sul América, entre outros.

Tornou-se membro e chegou a presidir a Société des Ingénieurs Civils de France (seção do Brasil). Membro efetivo da American Society of Civil Engineers, do conselho diretor do Clube de Engenharia do Rio de Janeiro, do conselho deliberativo da diretoria da Associação Comercial de São Paulo, foi ainda presidente do Comitê Eletrotécnico Internacional (Seção do Brasil), vice-presidente da Fundação Liceu Pasteur e membro do Conselho Administrativo da Rhodia S.A.

Faleceu na cidade de São Paulo no dia 8 de fevereiro de 1990.

Era casado com Marieta Castelo Branco Marcondes Ferraz.

Sobre a sua atuação foi publicado Octavio Marcondes Ferraz, um pioneiro da engenharia nacional, depoimento dado ao Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (Cpdoc) e ao Centro de Memória da Eletricidade no Brasil (1993).

O arquivo de Otávio Marcondes Ferraz encontra-se depositado no Cpdoc da Fundação Getulio Vargas.

 

FONTES: ARQ. CASTELO BRANCO; CAFÉ FILHO, J. Sindicato; COSTA, M. Cronologia; Encic. Mirador; Eletrobrás; Estado de S. Paulo (10 e 15/2/90); MIN. GUERRA. Subsídios; SOARES, E. Instituições.

 

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