FERRAZ, WALL

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Nome: FERRAZ, Wall
Nome Completo: FERRAZ, WALL

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
FERRAZ, WALL

FERRAZ, Wall

*dep. fed. PI 1983-1985.

 

Raimundo Wall Ferraz nasceu em Teresina no dia 14 de maio de 1932, filho de Raimundo Leôncio Nogueira Ferraz e de Ana Wall Ferraz.

Bacharelou-se em ciências jurídicas e sociais pela Faculdade de Direito do Piauí. Obteve também o título de bacharel em geografia e história, conferido pela Faculdade Católica de Filosofia do Piauí.

Professor universitário e advogado, iniciou sua vida política filiando-se à União Democrática Nacional (UDN), em cuja legenda foi eleito vereador em Teresina, em duas legislaturas. Foi também o último vice-prefeito eleito da capital piauiense antes do movimento político-militar de 31 de março de 1964 que depôs o presidente João Goulart (1961-1964). Com a extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional nº 2 (27/10/1965) e a posterior instauração do bipartidarismo, Wall Ferraz viria a ingressar na Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de apoio ao governo, mas só tomou essa decisão em março de 1977.

Em 1972, aos Estados Unidos, onde fez estágio na Universidade de San Diego, na Califórnia. Em 1975, freqüentou cursos na Fundação Alemã para o Desenvolvimento Internacional, em Berlim.

De volta ao Brasil, ainda em 1975 foi nomeado prefeito de Teresina pelo então governador Dirceu Arcoverde (1975-1978), seu cunhado, permanecendo no cargo até o final do mandato, em março de 1979. Com o fim do bipartidarismo em novembro desse ano e a conseqüente reorganização partidária, ingressou no Partido Popular (PP). Com a incorporação deste ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) em fevereiro de 1982, filiou-se a essa agremiação.

Em novembro desse ano, elegeu-se deputado federal. Tomando posse na Câmara dos Deputados em fevereiro do ano seguinte, passou a integrar, como titular, a Comissão de Educação e Cultura. No início dessa legislatura, o deputado Dante de Oliveira (PMDB-MT) apresentou um projeto de emenda constitucional restabelecendo eleições diretas para a presidência da República já em 1984. Encampada pelas oposições, essa emenda proporcionou o desencadeamento de uma campanha nacional pelas eleições diretas. Na sessão da Câmara de 25 de abril de 1984, Wall Ferraz votou a favor da emenda Dante de Oliveira, mas ela não foi aprovada: faltaram 22 votos para que pudesse ser enviada para apreciação do Senado.

Com esse resultado, ficou decidido que o sucessor do presidente João Figueiredo (1979-1985) seria eleito de forma indireta. Para concorrer com os candidatos da situação Paulo Maluf e Flávio Marcílio, os partidos de oposição — com exceção do Partido dos Trabalhadores (PT) — liderados pelo PMDB, e os dissidentes do governista Partido Democrático Social (PDS) reunidos na Frente Liberal formaram a Aliança Democrática e lançaram o então governador de Minas Gerais, Tancredo Neves, e o ex-presidente do PDS e então senador pelo Maranhão, José Sarney, candidatos a, respectivamente, presidente e vice-presidente da República. Na reunião do Colégio Eleitoral em 15 de janeiro de 1985, Wall Ferraz votou em Tancredo Neves, que derrotou Paulo Maluf. Porém, a doença de Tancredo na véspera de sua posse fez com que seu vice assumisse a presidência, em caráter interino, no dia 15 de março e acabasse efetivado no cargo no mês seguinte, após a morte do titular.

Com o fim do ciclo de governos militares, foram restabelecidas as eleições diretas para as capitais e municípios considerados áreas de segurança nacional. Diante desse novo quadro político, em julho de 1985 Wall Ferraz foi escolhido, em convenção do PMDB, candidato do partido à prefeitura de Teresina em novembro daquele ano. Em setembro, durante uma visita de campanha à zona rural da capital piauiense, sentiu-se mal e foi hospitalizado. Diagnosticada uma isquemia da coronária, Ferraz foi levado para São Paulo, onde se submeteu a exames no Instituto do Coração. Após ficar uma semana internado, recebeu alta na manhã do dia 23 de setembro. Declarou, na oportunidade, que continuaria sua campanha, porém, faria seu contato com o povo mais através dos meios de comunicação, e afirmou que voltaria seu governo para as causas populares. De volta a Teresina, retomou a campanha e consolidou sua candidatura com o apoio do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), apesar de ter dedicado boa parte do horário de propaganda gratuita na televisão a provar que não era comunista. Durante sua campanha, pregou a necessidade de democratização da administração municipal, integrando conselhos de bairro à prefeitura.

Em novembro foi eleito prefeito de Teresina, derrotando o candidato do Partido da Frente Liberal (PFL), Átila Lira. Em dezembro renunciou ao mandato na Câmara dos Deputados, assumindo em janeiro de 1986 a prefeitura. Reafirmou o desejo de ter sua gestão marcada pela participação popular e de estabelecer boas relações com o governo do estado, então sob a chefia de Hugo Napoleão. Prometeu implantar saneamento básico nos bairros carentes, melhorar os serviços de transportes coletivos com ampliação da frota e criação de novas linhas, ampliar o ensino de primeiro grau, construindo novas escolas, e aplicar recursos maciços na zona rural para produção de alimentos.

Passadas as eleições de novembro de 1986, no dia 25 Wall Ferraz foi operado no Instituto do Coração, em São Paulo, para colocação de uma ponte de safena. Permaneceu na prefeitura de Teresina até o fim do mandato, em janeiro de 1989, quando transferiu o cargo a seu sucessor, Heráclito Fortes. Em outubro do ano seguinte concorreu ao governo do estado apoiado por uma coligação comandada pelo PMDB e de que faziam parte os partidos da Social Democracia Brasileira (PSDB), Democrata Cristão (PDC), da Reconstrução Nacional (PRN), Libertador (PL) e Trabalhista Renovador (PTR), mas perdeu para Antônio de Freitas Neto, candidato da coligação liderada pelo PFL e composta ainda pelo PDS, o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e o Partido Social Cristão (PSC).

Em outubro de 1992 voltou a ser eleito prefeito de Teresina na legenda do PSDB. Assumindo o cargo em janeiro de 1993, em substituição a Heráclito Fortes, exerceu o mandato até março de 1995, quando, em virtude do agravamento do seu estado de saúde, licenciou-se do cargo para fazer uma cirurgia em São Paulo, onde faleceu no dia 22 desse mês. Seu substituto na prefeitura foi o vice Francisco Gerardo da Silva.

Foi ainda assessor de Programação Orçamentária, diretor do Departamento de Assistência aos Municípios, membro do Conselho Estadual de Educação, procurador do estado, subchefe da Casa Civil do governo do estado e secretário de estado de Educação e Cultura.

Era casado com Eugênia Maria Parentes Fortes Ferraz, com quem teve três filhos. Seu cunhado Dirceu Arcoverde, casado com sua irmã Maria José, foi governador do Piauí de 1975 a 1978 e senador em 1979.

Publicou A igreja e a formação do capitalismo e A cidade e o município (tese).

Eduardo Junqueira/Alan Carneiro

 

FONTES: CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1983-1987); Folha de S. Paulo (29/7/85); Globo (26/4/84, 16/1 e 10/11/85, 2/1/86, 24/3/95); Jornal do Brasil (17/9 e 30/10/85); Veja (23/3/77, 2/10, 20/11 e 4/12/85).

 

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