FRANCISCO ANTONIO LEIVAS OTERO

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Nome: OTERO, Leivas
Nome Completo: FRANCISCO ANTONIO LEIVAS OTERO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
OTERO, LEIVAS

OTERO, Leivas

*militar; mov. Comunista

 

Francisco Antônio Leivas Otero nasceu em Rio Grande (RS) no dia 4 de maio de 1912, filho de Carlos Alberto de Otero e de Maria José Leivas Otero. Seu irmão Augusto Leivas Otero foi secretário particular do presidente Getúlio Vargas em 1934.

Ingressou na Escola Militar do Realengo no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, e foi declarado em 1934 aspirante-a-oficial da arma de infantaria. Promovido no ano seguinte a segundo-tenente, foi nomeado subcomandante da 7ª Companhia de Fuzileiros do 3º Regimento de Infantaria (3º RI), também no Rio de Janeiro.

Em novembro de 1935, quando o capitão Agildo Barata chegou ao quartel do 3º RI, na Praia Vermelha, para cumprir pena de reclusão, procurou Otero — que chefiava nessa unidade militar uma célula do Partido Comunista Brasileiro, então Partido Comunista do Brasil (PCB), e da Aliança Nacional Libertadora (ANL) — para iniciarem um trabalho conjunto. Essa organização, surgida em março desse ano, vinha promovendo em todo o país um movimento nacionalista contra o imperialismo e o fascismo, congregando representantes de diferentes correntes políticas e das mais diversas classes sociais, desde operários a oficiais graduados das forças armadas. Fora colocado na ilegalidade em julho de 1935 pelo governo de Getúlio Vargas, mas continuou atuando na clandestinidade, principalmente sob a direção dos comunistas, que planejavam desfechar um golpe contra o governo.

O levante comunista de 1935 eclodiu em novembro e teve no 3º RI seu principal foco. Suspeitando da ocorrência de um levante no regimento, seu comandante, coronel José Armando Afonso Ferreira, colocou-o de prontidão no dia 26. Leivas Otero, recebendo ordens de Luís Carlos Prestes, secretário-geral do PCB, sublevou a 7ª Companhia de Fuzileiros na madrugada do dia seguinte, dando início à rebelião. Minutos após a deflagração do movimento, os rebeldes já se haviam apossado dos comandos de todas as companhias, exceto da companhia de metralhadoras leves do 1º e 2º batalhões, cujos comandantes, depois de resistirem por algum tempo, acabaram por se render. A rebelião, no entanto, não teve êxito, sendo sufocada pelas forças do general Eurico Gaspar Dutra, comandante da 1ª Região Militar (1ª RM), sediada no Rio de Janeiro.

Segundo o depoimento do capitão Anacleto Tavares da Silva, Agildo Barata tinha aceitado a proposta de Otero no sentido de pedir uma trégua para negociar com Dutra. Após redigir a mensagem a ser levada ao comandante da 1ª RM, ao dirigir-se com Otero para a cantina do regimento, foram surpreendidos por forças legalistas comandadas pelo coronel Ângelo Mendes de Morais, que prendeu os dois líderes rebeldes.

Em dezembro de 1935, por força do Decreto nº 588, o governo cassou a patente militar de Leivas Otero em virtude de sua participação no levante comunista de novembro. Em maio de 1937 foi condenado pelo Tribunal de Segurança Nacional a oito anos de prisão. Reduzida a seis anos e nove meses, cumpriu sua pena inicialmente a bordo do navio-presídio Pedro I, depois em dependências da Casa de Detenção e da Casa de Correção e finalmente no presídio da ilha de Fernando de Noronha, onde permaneceu durante um ano e meio.

Após o cumprimento integral da pena, passou a viver na clandestinidade e, com a volta da legalidade do PCB, no final de 1945, foi viver em Pernambuco. Em janeiro de 1947, elegeu-se deputado estadual constituinte na legenda comunista, e participou da elaboração da Constituição estadual. Em Recife, conheceu Cândida de Carvalho Maranhão, estudante de medicina e jornalista da Folha do Povo e com ela casou-se em abril do mesmo ano.

Com o advento do governo Eurico Gaspar Dutra (1946-1951), o registro de funcionamento do PCB foi cassado e, em seguida, os parlamentares comunistas perderam seus mandatos. Assim, Leivas Otero voltou à ilegalidade, passando a atuar em vários estados do país, entre os quais São Paulo, Minas Gerais e Paraná. Em 1958, foi chamado a ocupar, juntamente com a mulher, o posto de locutor da Rádio de Moscou e tradutor para a língua portuguesa de textos jornalísticos redigidos em língua russa. Após dois anos de permanência na capital soviética, regressou ao Brasil, estabelecendo-se no Rio de Janeiro.

Após o movimento político-militar de 31 de março de 1964, teve os direitos políticos suspensos em maio de 1966 por força do Ato Institucional nº 2 (AI-2), editado em outubro do ano anterior. Ainda em outubro de 1966, Leivas Otero foi indiciado no inquérito policial-militar (IPM) instaurado para apurar as atividades do PCB, quando foi pedida sua prisão preventiva. Ficou preso durante um ano e meio juntamente com seu cunhado Ivan Ribeiro e o jornalista Mário Alves.

Afastado da militância política no PCB, Leivas Otero regressou ao Rio Grande do Sul ainda na década de 1960, passando a dedicar-se à criação de gado em sua fazenda.

Faleceu em Rio Grande no dia 4 de março de 1998.

Era casado com Cândida de Carvalho Maranhão Otero, com quem teve quatro filhos.

 

FONTES: ARQ. DEP. JORNAL DO BRASIL; BARATA, A. Vida; CARNEIRO, G. História; DULLES, J. Anarquistas; INF. FAM. CÂNDIDA DE CARVALHO MARANHÃO OTERO; INF. FAM. ELIZABETH LEIVAS OTERO; Jornal do Brasil (21/5 e 14/10/66); MIN. GUERRA. Almanaque (1934); PORTO, E. Insurreição; SILVA, H. 1935; SILVA, H. 1937.

 

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