FRANCISCO DE SALES VICENTE DE AZEVEDO

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Nome: AZEVEDO, Francisco de
Nome Completo: FRANCISCO DE SALES VICENTE DE AZEVEDO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
AZEVEDO, FRANCISCO DE

AZEVEDO, Francisco de

*rev. 1932; pres. FIESP/CIESP 1951-1952.

 

Francisco de Sales Vicente de Azevedo nasceu na cidade de São Paulo em 8 de outubro de 1890, filho de José Vicente de Azevedo e de Cândida Bueno Lopes Oliveira Azevedo. Seu pai foi agraciado com o título de conde papal.

Depois de realizar seus estudos básicos na Escola Caetano de Campos e no ginásio do mosteiro de São Bento, em sua cidade natal, ingressou, em 1912, na Escola Politécnica de São Paulo, pela qual se formou engenheiro civil em 1914. Nesse mesmo ano, começou a trabalhar na Estrada de Ferro Sorocabana, onde permaneceu até 1919, e foi nomeado professor de cartografia e desenho topográfico da faculdade em que estudara, cargo que ocupou durante 35 anos.

Presidente do Instituto de Engenharia de São Paulo no biênio 1925 -1926, Francisco de Azevedo integrou, em 1928, a primeira diretoria do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (CIESP), presidida por Francisco Matarazzo. Em 1930, a entidade apoiou a candidatura do conservador Júlio Prestes à presidência da República, combatendo o programa oposicionista da Aliança Liberal que, derrotada nas urnas, patrocinou o levante revolucionário deflagrado em outubro desse ano, conduzindo Getúlio Vargas ao poder.

No mês seguinte, a nomeação do capitão João Alberto Lins de Barros, líder tenentista, para a interventoria paulista deu origem a um conflito, crescentemente radicalizado, entre as forças políticas tradicionais do estado e setores tenentistas apoiados pelo governo federal. Segundo Vavi Pacheco Borges, o Instituto de Engenharia foi um dos focos iniciais da campanha pela constitucionalização do país e a devolução da autonomia aos estados, iniciada em 1931. Francisco de Azevedo participou ativamente desse movimento, tornando-se, em maio de 1931, fundador e presidente da primeira comissão executiva da Liga de Defesa Paulista que, congregando majoritariamente profissionais liberais, professores e estudantes universitários, pretendia promover a união das diversas correntes oposicionistas do estado para enfraquecer a interventoria.

Ainda em 1931, tornou-se consultor técnico e diretor do Instituto do Café do Estado de São Paulo e foi eleito para a diretoria da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), permanecendo ininterruptamente na direção das duas entidades do empresariado paulista até 1944.

O conflito entre as forças estaduais e o governo federal ganhou nova qualidade com a formação da Frente Única Paulista em fevereiro de 1932, formalizando a união do Partido Democrático e do Partido Republicano Paulista na luta comum contra a intervenção federal. O acirramento da crise levou à preparação da Revolução Constitucionalista, deflagrada em julho de 1932. A Liga de Defesa Paulista participou intensamente de todas as fases do movimento, formando seus próprios batalhões, desenvolvendo intensa propaganda dos objetivos da revolução e organizando o chamado “alistamento profissional” a partir do seu cadastro de técnicos que simpatizavam com a causa paulista. Coordenou também a campanha de mobilização feminina, destinada a substituir nos bancos, no comércio e na indústria a mão-de-obra masculina deslocada para as frentes de luta.

As ações militares cessaram no dia 2 de outubro, com a assinatura do armistício que selou a derrota dos revolucionários paulistas. No ano seguinte, os remanescentes das forças constitucionalistas obtiveram expressiva vitória nas eleições para a formação da bancada de São Paulo à Assembléia Nacional Constituinte, que se reuniu em novembro de 1933, e em fevereiro de 1934 os antigos membros da Liga de Defesa Paulista, da Federação dos Voluntários, da Ação Nacional Republicana e do Partido Democrático de São Paulo fundaram o Partido Constitucionalista, liderado pelo interventor Armando de Sales Oliveira.

Voltado para as atividades industriais no ramo de cerâmica, Francisco de Azevedo foi fundador e diretor-presidente da fábrica de material sanitário Porcelite e da Azulejos Suzano, reorganizando ainda a Companhia Paulista de Louças Ceramus. Foi membro ativo das entidades empresariais, tornando-se fundador e presidente da Associação Brasileira de Cerâmica e presidente do Sindicato da Indústria de Cerâmica de Louças e Porcelanas de São Paulo. Em 1940, participou da missão econômica brasileira que visitou a América Latina, e dois anos depois integrou a Coordenação de Mobilização Econômica, órgão estatal formado para coordenar o conjunto das atividades produtivas de acordo com as necessidades do esforço bélico desenvolvido pelo Brasil durante a Segunda Guerra Mundial. Em 1943, assumiu as funções de consultor técnico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Eleito presidente da FIESP/CIESP para o biênio 1951-1952, participou da delegação brasileira que, neste último ano, visitou a Suíça, Alemanha, França, Holanda e Inglaterra. Exerceu ainda as seguintes funções: membro do Conselho Estadual de Água e Energia de São Paulo, sócio-fundador e diretor do Instituto de Organização Racional do Trabalho, membro da comissão consultiva da Missão Universitária de Administração e Negócios, presidente da Fundação de Ciências Aplicadas, presidente da Câmara de Comércio Brasil-Venezuela, membro da Comissão do IV Centenário de São Paulo e vice-presidente da Comissão Pró-Mudança da Capital Federal.

Além dessas atividades, ocupou inúmeros cargos na iniciativa privada, entre os quais o de diretor do Banco Comércio e Indústria, presidente da Celite S.A. Comércio e Indústria, da Indústria Paulista de Máquinas (IPGM) S.A. e da Companhia de Seguros Gerais Piratininga. Foi também fundador da Mineração Mateus Leme Limitada.

Faleceu na cidade de São Paulo em 17 de novembro de 1971. Foi casado com Maria Mercedes Lopes de Oliveira Vicente de Azevedo.

Publicou diversos artigos sobre assuntos técnicos e econômicos em jornais e revistas, além de uma monografia intitulada Linhas tubulares entre São Paulo e Santos (1935).

Sônia Dias

 

FONTES: BORGES, V. Getúlio; CONSULT. MAGALHÃES, B.; COUTINHO. A. Brasil (1); Estado de S. Paulo (18/11/71); LEME, M. Ideologia; OLIVEIRA, C. CIESP; Personalidades; SCHLESINGER, H. Encic.; SOC. BRAS. EXPANSÃO COMERCIAL. Quem; Who’s who in Brazil (1969).

 

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