FRANCISCO PRESTES MAIA

Ajuda
Busca

Acervos
Tipo
Verbete

Detalhes

Nome: MAIA, Prestes
Nome Completo: FRANCISCO PRESTES MAIA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
MAIA, PRESTES

MAIA, Prestes

*pref. São Paulo 1938-1945 e 1961-1965.

 

Francisco Prestes Maia nasceu em Amparo (SP) no dia 19 de março de 1896, filho de Manuel Azevedo Maia e de Carolina Prestes.

Depois de concluir o curso de humanidades no Ginásio São Bento, ingressou na Escola Politécnica de São Paulo, pela qual se formou engenheiro civil em 1917. No ano seguinte, montou um escritório de negócios imobiliários e, ao mesmo tempo, começou a trabalhar na Secretaria de Viação e Obras Públicas do governo estadual, ingressando na comissão que projetou e construiu obras urbanísticas na capital, como a avenida Independência e a canalização do córrego do Ipiranga.

Foi professor da Escola Politécnica durante dez anos, tendo elaborado planos de urbanização para Recife e as cidades paulistas de Campos do Jordão, Santos e Campinas. Assumiu a chefia da Secretaria de Viação e Obras Públicas da Prefeitura de São Paulo durante a gestão de José Pires do Rio (1926-1930), elaborando um plano de reestruturação da cidade divulgado em 1929 e muito elogiado, inclusive por Alfred Agache e outros urbanistas de renome internacional.

Depois da Revolução de 1930, passou a se dedicar exclusivamente a atividades privadas. O processo de centralização política, então iniciado, foi acelerado a partir do golpe militar que implantou o Estado Novo em 10 de novembro de 1937, retirando completamente a autonomia dos estados e municípios. Em 27 de abril de 1938, voltou à vida pública como prefeito da capital paulista, nomeado pelo interventor federal no estado, Ademar de Barros. Apesar da substituição deste na interventoria em abril de 1941 por Fernando Costa, foi mantido à frente da prefeitura para continuar sua obra de remodelação urbana de São Paulo, que vivia uma fase de intensa industrialização. Nesse período projetou e abriu avenidas; prosseguiu a construção do Estádio Municipal do Pacaembu; construiu a ponte das Bandeiras, a galeria Prestes Maia e grande número de viadutos; planificou e executou parcialmente os dois sistemas básicos de irradiação de tráfego da cidade (avenida Circular e sistema Y), e retificou o curso do rio Tietê, aproveitando 17 km2 de terras de várzea para avenidas marginais e obras públicas.

Prestes Maia permaneceu no cargo até 27 de outubro de 1945, dois dias antes da queda do Estado Novo. Voltou a se afastar da vida pública nos anos seguintes, retornando em 1950 como candidato da União Democrática Nacional (UDN) às eleições para o governo paulista. Enfrentou nesse pleito Lucas Garcez, lançado pelo Partido Social Progressista (PSP) e apoiado pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), e Hugo Borghi, do Partido Trabalhista Nacional (PTN). Ficou em último lugar com 350.732 votos, contra 404.736 dados a Borghi e 472.863 a Garcez, candidato vitorioso.

Nas eleições de 1954 voltou a concorrer ao governo paulista com apoio de um esquema interpartidário articulado pelo próprio governador Garcez, do qual faziam parte a maioria do PTB e os partidos Social Democrático (PSD), Republicano (PR), Democrata Cristão (PDC) e de Representação Popular (PRP). Embora não integrasse o esquema de Garcez, a UDN também se definiu a favor do candidato indicado pelo governador. O PTB lançou oficialmente Vladimir de Toledo Piza, sem chances de vitória, enquanto o PSP indicou Ademar de Barros. O quadro da disputa sucessória foi completado com a indicação de Jânio Quadros pelos partidos Trabalhista Nacional (PTN) e Socialista Brasileiro (PSB). A eleição de 3 de outubro de 1954 foi polarizada pelos dois últimos candidatos, com a vitória final de Jânio (660.264 votos) sobre Ademar (641.960 votos). Prestes Maia foi escolhido por 492.518 eleitores e Toledo Piza por apenas 79.783.

Em 1957, Jânio indicou Prestes Maia para concorrer à prefeitura da capital e seu nome recebeu o apoio da UDN e do PTB. Os demais candidatos eram Ademar de Barros, do PSP, e Oscar Pedroso Horta, do Partido Republicano Trabalhista (PRT). Segundo Ivete Vargas e Conceição da Costa Neves, a candidatura de Prestes Maia não conseguiu empolgar as bases do PTB devido ao seu “colorido udenista”, o que acabou favorecendo o deslocamento de grandes contingentes trabalhistas para a campanha de Ademar. Este saiu vitorioso com 408.766 votos, contra 376.310 dados a Prestes Maia e 11.342 dados a Pedroso Horta.

Novamente candidato à prefeitura em 1961, Prestes Maia foi vitorioso com o apoio do governador Carlos Alberto Carvalho Pinto, que fora seu assessor jurídico entre 1938 e 1945. Emílio Carlos, candidato do PTN, ficou em segundo lugar e Cantídio Sampaio, do PSP, em último. Durante seu mandato, iniciado em 8 de abril de 1962, não pôde reeditar seu desempenho anterior por falta de recursos. Empenhou-se a fundo na normalização das finanças do município, conseguindo aumentar a arrecadação e legar um superávit de cerca de quinhentos milhões de cruzeiros à prefeitura.

Prestes Maia foi mantido em seu cargo depois do movimento político-militar que derrubou o presidente João Goulart em 31 de março de 1964, com apoio do governador paulista Ademar de Barros.

Faleceu na cidade de São Paulo no dia 24 de abril de 1965, sendo substituído por José Vicente Faria Lima.

Membro do Instituto de Engenharia, da Sociedade de Arquitetura de Lisboa e da Sociedade de Arquitetos do Uruguai, escreveu diversos trabalhos sobre urbanismo para a revista Investigações. Publicou também as seguintes obras: Estudo de um plano de avenidas para a cidade de São Paulo (1930), São Paulo, metrópole do século XX (1942), O plano urbanístico da cidade de São Paulo (1945) e Plano regional de Santos (1950).

Jorge Miguel Mayer

 

 

FONTES: ARAÚJO, A. Chefes; CAVALCANTI, T. Comportamento; Diário de Notícias, Rio (10/5/38); Efemérides paulistas; Encic. Mirador; Grande encic. Delta; MELO, L. Dic.; Novo dic. de história; SAMPAIO, R. Ademar.

 

Para enviar uma colaboração ou guardar este conteúdo em suas pesquisas clique aqui para fazer o login.

CPDOC | FGV • Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil
Praia de Botafogo, 190, Rio de Janeiro - RJ - 22253-900 • Tels. (21) 3799.5676 / 3799.5677
Horário da sala de consulta: de segunda a sexta, de 9h às 16h30
© Copyright Fundação Getulio Vargas 2009. Todos os direitos reservados