FREDERICO CARLOS SOARES CAMPOS

Ajuda
Busca

Acervos
Tipo
Verbete

Detalhes

Nome: CAMPOS, Frederico
Nome Completo: FREDERICO CARLOS SOARES CAMPOS

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
CAMPOS, FREDERICO

CAMPOS, Frederico

*gov. MT 1979-1983.

 

Frederico Carlos Soares Campos nasceu em Cuiabá em 11 de abril de 1927, filho de Manuel Soares Campos e Irene Gomes de Campos. Seu tio materno, Dilermando Gomes Monteiro, foi chefe do Estado-Maior do Exército (1973-1974), chefe de Ensino e Pesquisa do Exército (1976-1978), comandante do II Exército (1976-1978) e ministro do Superior Tribunal Militar (1978-1983).

Transferindo-se para São Paulo e depois para o Rio de Janeiro, formou- se em engenharia civil pela Universidade do Brasil, em 1952. Nesse mesmo ano retornou a Cuiabá, tornando-se proprietário da primeira indústria de cerâmica da cidade.

Em 1953, foi aprovado para o cargo de engenheiro da Prefeitura de Várzea Grande (MT) e foi diretor técnico da Pavimentadora Matogrossense. Deixou esse cargo em 1954 e, no ano seguinte, ocupou a presidência da Construtora Comércio. Em 1956, abandonou essa função e tornou-se professor da Escola Técnica Federal de Mato Grosso, que deixaria em 1970, e engenheiro da Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia (SPVEA), cargo do qual sairia em 1966.

Filiado ao Partido Social Democrático (PSD), com a extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional nº 2 (27/10/1965) e a posterior instauração do bipartidarismo, aderiu à Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de sustentação ao regime militar instaurado em abril de 1964. Em 1966, assumiu o cargo de engenheiro da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), que ocupou até 1967, quando ingressou na vida política ao ser indicado prefeito de Cuiabá. Deixou o cargo em 1969, afastado pelo então governador Pedro Pedrossian.

Transferindo-se para Cubatão (SP), foi engenheiro da prefeitura até 1974. Ainda nesse ano retornou a Cuiabá e tornou-se secretário de Viação e Obras Públicas do governador Garcia Neto (1975-1978). No mesmo ano em que deixou a secretaria, tornou-se engenheiro do Departamento de Estradas de Rodagem.

Em setembro de 1978, foi eleito indiretamente para o governo. Seu nome foi considerado a única opção para a pacificação da Arena matogrossense, que, segundo o Jornal do Brasil, digladiava-se entre o ex-governador Garcia Neto e o deputado federal Benedito Canelas, aliado de Campos. Ambos disputavam uma vaga no Senado.        

Pouco antes da posse, em fevereiro de 1979, defendeu as eleições diretas para prefeitos de capitais, municípios considerados de segurança nacional e governadores. Empossado em 15 de março desse ano, enfrentou uma grave crise econômica decorrente da divisão do estado, aprovada em 1977 e concretizada em janeiro de 1979, em Mato Grosso do Sul, tendo Campo Grande como capital, e Mato Grosso, cuja capital permanecia em Cuiabá. Como as principais riquezas concentravam-se no sul matogrossense, o processo divisório significou uma perda de divisas para Mato Grosso.

Com o fim do bipartidarismo em 29 de novembro desse ano e a consequente reformulação partidária, vinculou-se ao Partido Democrático Social (PDS). Durante a sua gestão, teve de lidar com constantes invasões de grandes propriedades no leste do estado, na região do Araguaia. Em declaração ao jornal O Estado de S. Paulo, responsabilizou o bispo espanhol dom Pedro Casaldáliga, acusando-o de incitar os lavradores. Rotulando-o de comunista, defendeu sua expulsão.

Aumentou a capacidade instalada de energia elétrica, investindo em programas de eletrificação. Voltado para a ampliação da infra-estrutura do estado, dedicou-se a programas de obras públicas que melhorassem a parte viária. Além disso, executou uma política dirigida para a municipalização, com o Programa de Apoio aos Municípios, que dava suporte financeiro aos projetos municipais.

Deixou o governo em março de 1983, tendo apoiado o candidato eleito por pleito direto, em novembro de 1982, Júlio Campos. Nesse mesmo ano, assumiu a gerência de um projeto de desenvolvimento no âmbito da Superintendência do Desenvolvimento da Região Centro-Oeste (Sudeco).

Filiado ao Partido Democrático Trabalhista (PDT), em 1986 deixou a Sudeco e nesse mesmo ano ingressou no Partido Municipalista Brasileiro (PMB). Apesar de Campos já não pertencer mais ao PDT, dias depois de sua saída o deputado federal Gílson de Barros comandou um ato público pedindo sua expulsão.

Em novembro de 1986, concorreu ao cargo de governador na coligação formada pelo PDS, pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e pelo Partido Liberal (PL), não conseguindo eleger-se. Filiou-se ao Partido da Frente Liberal (PFL) e, em novembro de 1988, elegeu-se prefeito de Cuiabá. Exerceu o mandato de janeiro de 1989 a dezembro de 1992. Em seguida, filiou-se ao PTB e passou a dedicar-se à engenharia civil.

No pleito de 1998, conquistou o seu terceiro mandato, elegendo-se novamente prefeito de Cuiabá para o período 1999-2003.

Em outubro de 2006, concorreu ao cargo de deputado estadual na legenda do PTB e não foi eleito. Em março de 2008, prestigiou a solenidade de lançamento de livro e de inauguração da galeria com 22 bustos – incluindo o seu em argila, produto de origem estadual – de ex-governadores na sede da Agência de Fomento de Mato Grosso (MT Fomento). Em fevereiro seguinte, assumiu em Cuiabá o comando da diretoria administrativa e financeira da Companhia de Saneamento da Capital (Sanecap), órgão vinculado à administração pública municipal.

Casou com Ione de Azevedo Campos, com quem teve três filhos.

Foi incluído na publicação: CARVALHO, Carlos Gomes de. Governadores – meio século de vida pública. Cuiabá: MT Fomento, 2008.

 

FONTES: CURRIC. BIOG.; Diário de Cuiabá (6/10/06); Estado de S. Paulo (4/8/81); Folha de S. Paulo (10 e 17/8/86); Globo (12/5/86); Jornal do Brasil (27/4/78, 2/9/78, 16/2/79,11/3/83); NICOLAU, J. Dados; Portal do governo do Mato Grosso. www.secom.mt.gov.br acesso em 20/9/09.

 

Para enviar uma colaboração ou guardar este conteúdo em suas pesquisas clique aqui para fazer o login.

CPDOC | FGV • Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil
Praia de Botafogo, 190, Rio de Janeiro - RJ - 22253-900 • Tels. (21) 3799.5676 / 3799.5677
Horário da sala de consulta: de segunda a sexta, de 9h às 16h30
© Copyright Fundação Getulio Vargas 2009. Todos os direitos reservados