FREDERICO MINDELO CARNEIRO MONTEIRO

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Nome: MINDELO, Frederico
Nome Completo: FREDERICO MINDELO CARNEIRO MONTEIRO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
MINDELO, FREDERICO

MINDELO, Frederico

*militar; rev. 1922.

 

Frederico Mindelo Carneiro Monteiro nasceu em Itabaiana (PB) no dia 26 de maio de 1904, filho de Heráclito Cavalcanti Carneiro Monteiro e de Luísa Mindelo Carneiro Monteiro. Seu pai foi desembargador no estado da Paraíba e tornou-se conhecido por liderar, na política regional, a oposição ao governo do presidente Epitácio Pessoa (1919-1922).

Fez os estudos primários entre 1910 e 1914 e os secundários no Liceu Paraibano, de 1915 a 1920, na capital do estado. Em março de 1922 ingressou como cadete da arma de cavalaria na Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, mas pouco depois foi expulso por ter participado da revolta de 5 de julho desse ano, que iniciou o ciclo de levantes tenentistas da década de 1920. Nesse acontecimento, integrou um pelotão de alunos sob o comando do primeiro-tenente Odílio Denis.

Em 1929, quando trabalhava no Banco do Brasil, em Vitória, fez o exame vestibular para o curso de ciências jurídicas e sociais da Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, matriculando-se no primeiro ano. Anistiado em dezembro de 1930, após a vitória do movimento revolucionário que em 3 de novembro conduziu Getúlio Vargas ao poder, regressou ao Exército como segundo-tenente, sendo no mesmo dia comissionado pelo decreto de anistia no posto de primeiro-tenente. Em 1931 concluiu na Escola Militar Provisória o curso iniciado na Escola Militar do Realengo.

Entre julho e outubro de 1932, combateu a Revolução Constitucionalista de São Paulo, integrando o destacamento do general Manuel Rabelo, que atacou os paulistas pelo nordeste do estado, nos limites de Minas Gerais. Em março de 1933 foi efetivado no posto de primeiro-tenente. Promovido a capitão em outubro de 1934, foi transferido para Recife, onde cursou até o quarto ano de direito.

Designado sub-comandante do 29º Batalhão de Caçadores (29º BC), sediado na Vila Militar de Socorro, próxima à capital pernambucana, opôs-se ao levante deflagrado em 24 de novembro de 1935 em seu próprio batalhão. O episódio foi encerrado na noite de 25, com a chegada do 22º BC, de João Pessoa, e do 20º BC, de Maceió, fiéis ao governo federal. A sublevação, promovida pela Aliança Nacional Libertadora (ANL) e o Partido Comunista Brasileiro, então Partido Comunista do Brasil (PCB), fora antecedida por uma rebelião no dia 23, em Natal, e viria a se estender ao Rio de Janeiro, no dia 27, com o levante do 3º Regimento de Infantaria, na Praia Vermelha.

Depois desse acontecimento, Frederico Mindelo foi convidado pelo governador Carlos de Lima Cavalcanti para chefiar a Secretaria de Segurança Pública de Pernambuco, onde permaneceu de 1936 a 1937. Após o golpe do Estado Novo (10/11/1937), retornou ao Rio de Janeiro. No início de 1938, como não era permitida a transferência de matrícula, conseguiu permissão para cursar o quinto ano e fazer as provas finais na Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ainda em maio de 1938, como comandante da Companhia de Guardas da Escola de Aviação Militar, combateu o levante integralista, que, deflagrado naquele mês no Rio, visava à deposição de Vargas. Em janeiro de 1939 bacharelou-se afinal pela Faculdade de Direito de Recife.

Em 1940 fez o curso da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais do Exército. Entre 1940 e 1941 foi subcomandante do 26º BC, sediado em Belém, e, nesse último ano, ingressou no curso da Escola de Estado-Maior, concluindo-o em 1943. Em seguida, serviu na 7ª Divisão de Infantaria, em Recife.

Promovido a major em junho de 1944, exerceu o cargo de diretor da Divisão de Ordem Política e Social da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, na gestão de Coriolano de Góis. De 1945 a 1948, foi adjunto do adido militar junto à embaixada do Brasil em Washington, assessor da Junta Americana de Defesa e assessor da Comissão Militar Mista Brasil-Estados Unidos.

Em junho de 1951 recebeu a patente de tenente-coronel e em dezembro de 1954 concluiu o Curso de Comando e Estado-Maior na Escola Superior de Guerra (ESG). Promovido, em março de 1955, a coronel, foi designado para o comando do 11º Regimento de Infantaria, em São João del Rei (MG), função que exerceu até o início de 1956.

Nomeado presidente da Comissão Federal de Abastecimentos e Preços em março de 1956, ocupou esse cargo até 1959, sendo nomeado em seguida para a diretoria comercial da Companhia Siderúrgica Nacional, onde permaneceu até o início do governo Jânio Quadros, em janeiro de 1961. Nesse ano, foi designado comandante do 19º BC, em Salvador, retornando em 1962, já no governo de João Goulart, ao Rio de Janeiro, classificado para servir no Estado-Maior das Forças Armadas.

Em fevereiro de 1964 viajou ao Nordeste, onde constatou, segundo declarações suas, a grave situação lá existente, provocada pela ação das ligas camponesas, lideradas pelo deputado Francisco Julião, com o apoio do “governo paracomunista de Miguel Arrais”. Em março, manifestou-se favoravelmente ao movimento político-militar que, no dia 31, depôs o presidente João Goulart, embora sem dele ter participado diretamente.

Em julho desse ano foi promovido a general-de-brigada, ocasião em que, tendo atingido o limite de idade, passou para a reserva, com a patente de general-de-divisão.

Em 1974 fez o curso de atualização da ESG e em 1975 foi eleito diretor da Associação Comercial do Rio de Janeiro e admitido como assessor especial da direção da Companhia de Materiais Sulfurosos — Cimento Montes Claros.

Faleceu no Rio de Janeiro no dia 24 de novembro de 1996.

Era casado com Mercedes Nicolussi Mindelo Carneiro Monteiro, com quem teve quatro filhos.

Publicou Vendo, ouvindo, narrando (1952) e Depoimentos biográficos (1978). Traduziu para o português a obra La conception de la victoire chez les grands genereaux, de Claude Dervieu.

 

FONTES: CURRIC. BIOG.; Movimento de 5.

 

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