Cid Ferreira Gomes

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Nome: GOMES, Cid
Nome Completo: Cid Ferreira Gomes

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
Mucio Sá DOSSIÊ

GOMES, Cid

*gov. CE 2007-2015; min. Educ. 2015

                                                                                                                             

               

Cid Ferreira Gomes nasceu em Sobral, no dia 27 de abril de 1963, filho de José Euclides Ferreira Gomes Junior e de Maria José Santos Ferreira Gomes. Sua família atua amplamente no âmbito da política desde os primeiros anos da República, quando seu bisavô José Euclides Ferreira Gomes se tornou prefeito de Sobral, cargo mais tarde ocupado por seu avô e por seu pai. Seu irmão Ciro Gomes foi governador do Ceará (1991-1994), ministro da Fazenda (1994) durante o governo Itamar Franco, candidatou-se à Presidência da República nas eleições de 1998 e 2002, assumiu o Ministério da Integração Nacional (2003-2006) durante o governo Lula e foi deputado federal pelo Ceará (2007-2011). Ivo Gomes, outro de seus irmãos, exerceu o cargo de deputado estadual cearense por diversos mandatos.

Engenheiro civil, Cid Gomes formou-se pela Universidade Federal do Ceará (UFC), onde iniciou trajetória política atuando como presidente do Centro Acadêmico do curso de engenharia. Entre 1989 e 1990, antes de assumir seu primeiro cargo eletivo, foi coordenador político regional de seu estado a convite do então governador cearense Tasso Jereissati (1987-1991).

Nas eleições de outubro de 1990 concorreu na legenda do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB)  ao cargo de deputado estadual, sendo eleito com  21.895 votos. Tomou posse na Assembléia Legislativa do Ceará (ALCE) em 1991, ano em que se tornou líder do PSDB na Casa. No decorrer de seu mandato como legislador estadual atuou ainda como primeiro-secretário da Mesa Diretora. No pleito eleitoral de 1994 foi novamente candidato a deputado estadual, sendo reeleito por 45.570 eleitores que lhe garantiram a terceira melhor votação do Ceará para o cargo. Tomou posse do seu segundo mandato na ALCE em 1995, ano em que foi escolhido para assumir a presidência da Casa Legislativa cearense.

Em outubro de 1996 candidatou-se à prefeitura do município de Sobral e foi eleito em primeiro turno, com 41.605 votos, correspondentes a mais de 64% do eleitorado. Em 1997 deixou o cargo de deputado estadual para assumir como prefeito sobralense. Nas eleições municipais realizadas em 2000 candidatou-se à reeleição pelo Partido Popular Socialista (PPS), sendo eleito, novamente no primeiro turno, por 48.322 eleitores. No ano seguinte tomou posse do segundo mandato como prefeito de Sobral, permanecendo no cargo até de 2004. Durante sua gestão frente à prefeitura, Cid Gomes criou o exitoso “Programa Alfabetização na Idade Certa” (PAID), que, anos depois, viria a ser utilizado como modelo para a criação, pelo governo federal, de um “Pacto Nacional de Alfabetização na Idade Certa” (PNAID), a fim de assegurar que todas as crianças fossem alfabetizadas até os oito anos de idade, ao final do 3º ano do ensino fundamental.

No decorrer do ano de 2005, quando se tornou filiado ao Partido Socialista Brasileiro (PSB), transferiu-se para Washington, nos Estados Unidos, onde assumiu a função de consultor do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). No ano seguinte, já de volta ao Brasil, candidatou-se ao governo do estado do Ceará e foi eleito no primeiro turno, com 2.411.457 votos, correspondentes a 62,38% dos votos válidos. Nesta eleição, atuou ainda como um dos coordenadores da campanha vitoriosa de  Luís Inácio Lula da Silva, reeleito Presidente da República no segundo turno das eleições de outubro daquele ano, após derrotar o candidato tucano Geraldo Alckmin com quase 61% dos votos válidos.

Em inícios de 2007 tomou posse como governador do estado do Ceará. Durante sua primeira gestão frente ao governo estadual empreendeu projetos para inclusão digital e pela diminuição da violência no estado, além de medidas que visavam construção de siderúrgica e de refinaria de petróleo no território cearense.

Nas eleições gerais realizadas em outubro de 2010 candidatou-se pelo PSB à reeleição e logrou êxito, tendo sido reeleito ainda no primeiro turno por 2. 436. 940 eleitores, que lhe garantiram 62, 31% do total de votos válidos, contra 775. 852 votos conquistados por Marcos Cals, do PSDB, segundo colocado com 19, 83% da preferência do eleitorado.

Na ocasião da cerimônia de posse de seu segundo mandato, realizada em janeiro de 2011, afirmou que no decorrer de seu governo manteria o esforço de integrar crescimento econômico e inclusão social, melhoraria a rede de saúde pública cearense com vistas a torná-la a melhor do país, ampliaria o número de centros de educação infantil e escolas de ensino médio e criaria uma Divisão de Combate ao Narcotráfico e um órgão gestor das políticas públicas sobre drogas. Nos anos que se seguiram, constatou-se o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) cearense, em algumas ocasiões com taxas mais altas do que o PIB nacional.

Sua gestão também foi marcada por ações que suscitaram controvérsias. Em setembro de 2011, durante uma greve dos professores da rede pública estadual do Ceará, teria dito que “quem entra em atividade pública deve entrar por amor, não por dinheiro”, causando polêmica entre a categoria docente, repercutida com destaque pelos órgãos de imprensa. Discussões sobre gastos públicos também foram sublinhadas pela mídia durante o segundo mandato de Gomes. Em agosto de 2012, seu nome foi objeto de críticas, uma vez que o tenor Plácido Domingo teria recebido cerca de R$ 3 milhões, pagos com dinheiro público, para realizar um show de inauguração de um centro de turismo e negócios em Fortaleza, construído sob investimento do governo estadual.

Em fevereiro seguinte, segundo o jornal Estado de São Paulo, o Ministério Público Federal do Ceará ingressou com recurso para que a justiça federal julgasse a ação movida contra o governador cearense em decorrência do pagamento, pelo governo estadual, do cachê de R$ 650 mil para que a cantora Ivete Sangalo fizesse um show durante a cerimônia de abertura de um hospital em Sobral. Ainda em fevereiro, o Hospital Regional Norte, que teria custado R$ 227 milhões com verba financiada pelo estado cearense e pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), esteve novamente presente nas manchetes dos jornais que noticiaram o desabamento de sua fachada após ventos e chuvas antes mesmo que o prédio entrasse em funcionamento. Tal incidente tornou-se alvo de investigações do Ministério Público do Ceará.   

Nos últimos dias de dezembro de 2014 Cid Gomes, filiado meses antes ao Partido Republicano da Ordem Social (PROS), foi indicado pela presidente da República recém-reeleita Dilma Rousseff para assumir a pasta da Educação. Em janeiro de 2015, terminado seu mandato de governador, Cid Gomes tomou posse como Ministro da Educação, enfatizando que priorizaria a valorização dos professores e a ampliação da oferta de vagas em creches e no ensino integral, além da reforma do ensino médio,  metas traçadas pela presidente Dilma que, na ocasião da posse de seu segundo mandato, anunciou o slogan “Brasil, Pátria Educadora” como lema de seu novo governo.

Ao assumir a pasta, uma de suas primeiras medidas foi o anúncio de um aumento de cerca de 13% do piso salarial dos professores, o que corresponderia a vencimentos de R$ 1.917,78 mensais.  Ainda em janeiro, ao discutir a concessão do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) para alunos dos cursos universitários, afirmou “não defender quantidade, mas qualidade”, apontando a necessidade de avaliações rigorosas tanto de alunos como de instituições de ensino participantes do fundo de financiamento.

No mês de Fevereiro, durante visita à Universidade Federal do Pará, questionado sobre problemas na relação do Congresso com o Poder Executivo, declarou que aquela Casa “tem lá uns 400, 300 deputados que quanto pior melhor para eles, que querem que o governo esteja frágil porque é a forma deles achacarem mais, tomarem mais, tirarem mais dele e aprovarem suas emendas impositivas”. Tal resposta repercutiu a ponto de ser convocado pela Câmara para dar explicações, e, na ocasião, alegou respeitar o Legislativo, mas discordar da postura caracterizada por ele como oportunista, de deputados que compõem a base aliada ao governo, mas adotariam posicionamentos oposicionistas. Além disso, criticou incisivamente o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha, do PMDB, e, em seguida, deixou o Congresso antes do término da sessão legislativa, tendo se dirigido ao Palácio do Planalto e solicitado a demissão do cargo de ministro à presidente Dilma Rousseff. Foi sucedido interinamente pelo secretário-executivo da pasta, Claudio Luiz Costa, e, posteriormente por Renato Janine Ribeiro.

Em Agosto do mesmo ano, junto com o irmão Ciro e políticos ligados a ambos, fechou acordo de migração do PROS para o Partido Democrático Trabalhista (PDT).

Casou-se com Maria Célia Habib Moura Ferreira Gomes, com quem teve três filhos.

 

Luciana Pinheiro

 

FONTES: Portal da Assembléia Legislativa do Ceará. Disponível em: http://www.al.ce.gov.br/.  Acesso em 26/08/2015; Portal da Câmara dos Deputados. Disponível em http://www2.camara.gov.br/.Acesso em 04/05/2009; Portal do jornal O Estado de S. Paulo. Disponível em: <http://politica.estadao.com.br/>. Acesso em 27/08/2015; Portal do jornal Folha de São Paulo. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/poder>. Acesso em 27/05/2015; Portal do Governo do Estado do  Ceará. Disponível em: <http://www.ceara.gov.br/>. Acesso em 04/05/2009;   Portal do jornal O Globo. Disponível em: <http://oglobo.globo.com/brasil/>. Acesso em 27/08/2015; Portal Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa. Disponível em: http://pacto.mec.gov.br/index.php Acesso em 26/08/2015; Portal do Partido Socialista Brasileiro – CE. Disponível em: <http://www.psbceara.org.br/>. Acesso em 04/05/2009;  Portal G1 de Notícias Disponível em: <http://www.g1.globo.com/>. Acesso em 26/08/2015; Portal do Tribunal Regional Eleitoral do Ceará. Disponível em: http://www.tre-ce.gov.br/ Acesso em 04/05/2009; Portal do Tribunal Superior Eleitoral. Disponível em: <http://www.tse.jus.br/>. Acesso em 10/09/2015.

 

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