HELIO DA COSTA CAMPOS

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Nome: CAMPOS, Hélio
Nome Completo: HELIO DA COSTA CAMPOS

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
CAMPOS, HÉLIO

CAMPOS, Hélio

*militar; gov. RR 1967-1974; dep. fed. RR 1975-1983; sen. RR 1991.

 

Hélio da Costa Campos nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, no dia 10 de março de 1921, filho de Albino da Silva Campos e de Adalgisa da Costa Campos.

Sentou praça em abril de 1943, ingressando na Escola de Aeronáutica. Aspirante em dezembro de 1945, foi promovido a segundo-tenente em agosto de 1948, a primeiro-tenente em abril do ano seguinte, a capitão-aviador em maio de 1952 e a major-aviador em janeiro de 1958. Em sua carreira militar fez os cursos da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais, da Escola de Educação Física do Exército, da Escola de Estado-Maior, e ainda os de tática anti-submersível aérea naval, nos EUA, e de formação de oficiais de aviação da Força Aérea Brasileira (FAB).

Ajudante de ordens do Ministério da Aeronáutica, chefe de operações do Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, e subcomandante da Base Aérea dos Afonsos, de julho de 1961 a janeiro de 1962, comandou o segundo contingente da FAB no Congo Belga, constituído do 1º Grupo de Transporte de Carga. Os aviadores brasileiros foram enviados ao Congo integrando o contingente da Organização das Nações Unidas (ONU) incumbido de pacificar esse país africano, que se encontrava conflagrado por uma guerra civil. Comandou também, em 1965, o Grupo de Transportes da força de intervenção da Organização dos Estados Americanos (OEA) em São Domingos, na República Dominicana. A OEA decidiu enviar nesse ano forças militares à República Dominicana em apoio à intervenção de tropas norte-americanas no país, com o objetivo de impedir que um governo de esquerda se consolidasse no poder.

Depois de passar para a reserva com a patente de coronel-aviador, foi nomeado governador de Roraima, exercendo o cargo a partir de 1967, durante os governos dos presidentes Artur da Costa e Silva (1967-1969) e Emílio Garrastazu Médici (1969-1974). Após transmitir o governo a seu sucessor, Fernando Ramos Pereira, em abril de 1974, ao início do governo de Ernesto Geisel (1974-1979), elegeu-se no pleito de novembro seguinte deputado federal por Roraima na legenda da Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de sustentação ao regime militar instaurado no país em março de 1964. Assumindo o mandato em fevereiro de 1975, durante essa legislatura foi membro efetivo das comissões de Finanças e da Amazônia e suplente da Comissão de Transportes da Câmara dos Deputados. Em novembro de 1977 manifestou-se contrário à legalização do Partido Comunista, que considerava “pernicioso à família e ao Estado”. Reelegeu-se deputado federal na mesma legenda no pleito de novembro de 1978.

Com a extinção do bipartidarismo em 29 de novembro de 1979 e a conseqüente reformulação partidária, filiou-se ao Partido Democrático Social (PDS). Primeiro vice-presidente da Comissão de Segurança Nacional da Câmara dos Deputados, foi ainda suplente da Comissão de Fiscalização Financeira e Tomada de Contas.

No início de 1981, juntamente com o deputado federal de Roraima Júlio Martins, desentendeu-se com o governador do território, Otomar de Sousa Pinto, cuja administração considerava excessivamente centralizada. Segundo a Folha de S. Paulo de 24 de março de 1981, seus atritos com o governador começaram na época da indicação deste para o cargo, provocados por seu desejo de voltar a ocupá-lo.

Além desses aspectos, seus desentendimentos com Otomar Pinto prendiam-se à questão da demarcação das terras indígenas. Vinculado ao grupo de pecuaristas da Associação Comercial de Roraima, Hélio Campos manifestou-se contrário às demarcações promovidas pelo governador a mando da Fundação Nacional do Índio (Funai) e apresentou à Câmara um projeto de lei que proibia a criação de reservas e parques indígenas em área de fronteira. Com isso, pretendia impedir a criação do Parque Ianomâmi, entre o território de Roraima e a Venezuela, que contaria com seis milhões de hectares.

Por trás da atuação de Hélio Campos havia ainda o desejo de transformar Roraima em estado, concorrendo para isso a possibilidade de ser criada uma província mineral em terras habitadas pelos índios Ianomâmi. Para o governador Otomar Pinto, os recursos minerais só deveriam ser explorados após o esgotamento da reserva mineral de Carajás, enquanto houvesse alternativas como a agroindústria e o petróleo. Finalmente, em abril de 1981, firmou-se um acordo entre o governador e os deputados do território, tendo sido alterados o secretariado e a direção de algumas empresas do governo com vistas à descentralização administrativa. Hélio Campos encerrou seu mandato em janeiro de 1983.

Afastado da vida parlamentar, ocupou o cargo de diretor financeiro da Companhia de Desenvolvimento de Roraima (Codesaima) entre 1986 e 1988. Dois anos depois, candidatou-se a senador em outubro de 1990, nas primeiras eleições diretas para senadores e governador de Roraima, que se tornaria estado a partir da posse do governador eleito neste pleito, conforme previa a Constituição federal promulgada em outubro de 1988. Eleito na legenda do Partido da Mobilização Nacional (PMN) com o maior número de votos, assegurando por isso um mandato de oito anos, foi empossado em fevereiro do ano seguinte.

Faleceu em São Paulo, no dia 25 de abril de 1991, tendo exercido o mandato de senador por pouco mais de dois meses. Sua vaga foi ocupada pelo suplente João França.

Era casado com Ilva Beatriz de Oliveira Campos, com quem teve dois filhos.

 

FONTES: CÂM. DEP. Deputados; CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1975-1979 e 1979-1983); Folha de S. Paulo (24/3/81, 27/4/91); Globo (3/4/81); Jornal do Brasil (26/11/77 e 24/3/81); MIN. AER. Almanaque; NÉRI, S. 16; Perfil (1980); SENADO. Repertório (1991-1999); WANDERLEY, N. História; Who’s who in Brazil.

 

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