JOSE AUGUSTO DA SILVA RAMOS

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Nome: AUGUSTO, José (SP)
Nome Completo: JOSE AUGUSTO DA SILVA RAMOS

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:

AUGUSTO, José

*dep. fed. SP 1995-1999.

 

José Augusto da Silva Ramos nasceu em Garanhuns (PE) no dia 15 de dezembro de 1946, filho de Irineu de Sousa Ramos e de Albertina da Silva Ramos.

Iniciou sua militância política aos 13 anos, no movimento secundarista, tendo sido dirigente da entidade municipal dos estudantes de São José do Egito (PE), durante o ano de 1963. Até seu ingresso no curso de medicina, em 1968, permaneceu no movimento estudantil. No ano seguinte, passou a participar do Movimento Popular de Saúde em Jaboatão (PE) e São José do Egito, trabalho a que se dedicaria pelos cinco anos seguintes.

Formado pela Universidade Federal de Pernambuco (Ufpe) em 1973, transferiu-se para São Paulo no ano seguinte e aí iniciou sua pós-graduação em medicina preventiva na Universidade de São Paulo (USP), concluindo-a em 1975. Nesse mesmo ano, tornou-se membro do Sindicato dos Médicos de São Paulo, no qual permaneceria até 1979. Ao longo desse período, entre 1976 e 1978, integrou o corpo médico da Superintendência do Desenvolvimento do Litoral Paulista, no vale da Ribeira, órgão da Secretaria de Saúde do Interior de São Paulo. Em 1978 fez outra pós-graduação na USP, na área de saúde pública, e ingressou na Associação dos Médicos do Estado de São Paulo, atuando nos municípios de São Bernardo do Campo e Diadema, e no Movimento Popular de Saúde da Zona Leste do município de São Paulo. Em 1979, foi nomeado diretor-técnico da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo.

Em 1982, foi coordenador da campanha do deputado estadual Eduardo Jorge, do Partido dos Trabalhadores (PT). Filiado ao PT em 1983, a partir desse ano passou a integrar o Movimento Popular de Saúde de Diadema e da região do ABCD, atividade a que se dedicaria por 11 anos ininterruptos. Por sua atuação na área da saúde pública, ainda em 1983 foi convidado pelo prefeito de Diadema, Gílson Meneses, do PT, para ser o secretário municipal de Saúde. Em 1985, foi indicado para compor o diretório nacional do partido.

Em 1988, deixou a Secretaria de Saúde para disputar a prefeitura de Diadema no pleito de novembro. Eleito, assumiu o cargo em janeiro do ano seguinte, logo se engajando na Frente Nacional de Prefeitos. Membro do diretório estadual do PT de 1990 a 1992, em dezembro desse último ano concluiu seu mandato de prefeito, tendo conseguido eleger seu sucessor, José Filippi Júnior, também do PT. Em 1993 e 1994, integrou o diretório municipal do PT de Diadema, tendo sido eleito seu presidente nesse último ano. Contudo, ainda em 1994, rompeu relações políticas com o prefeito eleito.

Nas eleições de outubro de 1994, candidatou-se na mesma legenda a uma cadeira na Câmara dos Deputados. Eleito com votos provenientes de suas bases eleitorais no município de Diadema e na Grande São Paulo, iniciou seu mandato em fevereiro de 1995. Titular da Comissão de Seguridade Social e Família, nas votações das emendas constitucionais propostas pelo governo Fernando Henrique Cardoso, seguindo a orientação de seu partido, votou contra a abertura da navegação de cabotagem às embarcações estrangeiras; a mudança no conceito de empresa nacional que eliminaria seus privilégios, colocando-a em igualdade de condições com as empresas estrangeiras; a quebra do monopólio estatal das telecomunicações, a prorrogação do Fundo Social de Emergência (FSE), rebatizado de Fundo de Estabilização Fiscal (FEF), que permitia ao governo gastar 20% da arrecadação de impostos sem que essas verbas ficassem obrigatoriamente vinculadas aos setores de saúde e educação, e a quebra do monopólio da Petrobras na exploração de petróleo. Em junho de 1995, também votou contra a criação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) — que substituiu o Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira (IPMF) —, imposto de 0,2% sobre transações bancárias criado como fonte complementar de recursos para a saúde.

Contando com o apoio dos deputados federais petistas da região do ABCD, como Celso Daniel e Jair Meneguelli, além de sindicalistas como Paulo Paim e Luiz Gushiken, disputou e venceu a prévia do PT para a escolha do candidato à prefeitura de Diadema em outubro de 1996. Seu adversário foi o vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABCD, Joel Fonseca, apoiado pelo prefeito José de Filippi. Sua campanha foi marcada por críticas à administração de Filippi, chegando a ocorrer agressões físicas entre os dois grupos políticos. Com o partido dividido, foi derrotado no primeiro turno pelo ex-prefeito Gílson Meneses, agora no Partido Socialista Brasileiro (PSB). Com isso, o PT perdeu prefeitura depois de 14 anos de administração ininterrupta.

Em janeiro/fevereiro de 1997, votou contra a emenda da reeleição do presidente da República, governadores e prefeitos. Ainda em fevereiro, o PT decidiu intervir nos diretórios municipais de Diadema e Santos, onde também o partido fora derrotado, entre outros fatores, devido às lutas internas. A intervenção provocou a destituição dos dirigentes dos diretórios, caso de José Augusto, então presidente do diretório de Diadema. Em abril, sua filiação foi suspensa temporariamente pela comissão de ética do partido com base em uma gravação de vídeo realizada por seus adversários que mostrava, em 15 de dezembro de 1995, o policial militar Otávio Lourenço Gambra, conhecido como Rambo — acusado de assassinato numa operação clandestina de policiais militares na favela Naval em Diadema em março de 1997 — trabalhando como segurança no diretório municipal do PT de Diadema. Em votação realizada em julho de 1997, a comissão de ética do PT aprovou sua expulsão e a suspensão por um ano de José de Filippi. Em setembro seguinte, José Augusto ingressou no Partido Popular Socialista (PPS), e em novembro pronunciou-se contrário à quebra da estabilidade do servidor público, item da reforma administrativa.

No pleito de outubro de 1998, candidatou-se a uma cadeira na Assembleia Legislativa de São Paulo, na legenda do PPS, e foi eleito. Em novembro, ainda como deputado federal, faltou às votações do teto de 1.200 reais para aposentadorias no setor público e do estabelecimento de idade mínima e tempo de contribuição para o setor privado, itens que definiram a reforma da Previdência. Deixou a Câmara em janeiro de 1999, ao final da legislatura, e no mês seguinte assumiu seu mandato de deputado estadual.

Em 2000, candidatou-se mais uma vez à prefeitura de Diadema na legenda do PPS. Disputou o segundo turno, mas não foi bem-sucedido. O primeiro colocado, por pequena diferença de votos, foi seu adversário José Fillipi Júnior, candidato do PT. Em 2002 concorreu a uma cadeira na Assembleia Legislativa de São Paulo na legenda do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), ao qual se filiara anteriormente, e obteve uma suplência. 

Entre 2003 e 2004, durante o governo de Geraldo Alckmin, foi coordenador da Secretaria de Agricultura. Afastou-se da função para disputar mais uma vez a prefeitura de Diadema nas eleições de outubro de 2004 na legenda do PSDB. Novamente enfrentou no segundo turno o petista José Fillipi Júnior, candidato à reeleição e vencedor do pleito com 50,2% dos votos válidos contra os seus 49,8%.

Em 2005 assumiu a subprefeitura de Capela do Socorro, na gestão de José Serra na prefeitura de São Paulo. Exerceu o cargo até 2006. Em outubro, concorreu à reeleição para deputado estadual. Obteve 74.638 votos nominais que lhe asseguraram o retorno à Assembleia Legislativa de São Paulo. Em fevereiro de 2007 tomou assento como deputado estadual e participou como membro efetivo da Comissão de Direitos Humanos, da Comissão de Administração Pública e da Comissão de Saúde e Higiene. Foi suplente da Comissão de Defesa do Meio Ambiente e da Comissão de Redação.

Nas eleições municipais de outubro de 2008 foi, pela terceira vez consecutiva, candidato à prefeitura de Diadema na legenda do PSDB, sem sucesso. Obteve 35% dos votos válidos, mas foi derrotado pelo petista Mário Wilson Pereira Reali, eleito no primeiro turno com 58% dos votos. Em 2009 retomou as atividades na Assembleia Legislativa de São Paulo.

Casou-se com Matilde Cristóvão Gomes de Oliveira, com quem teve cinco filhos.

 

Eurídice Roberti/ Letícia Nunes de Moraes

 

FONTES: Boletim do DIAP (1996); CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1995-1999); Estado de S. Paulo (3/2/97; 8/10/98); Folha de S. Paulo (31/1/95; 14/ e 2/4/96; 3/2 e 5/7/97; 29/9 e 6/11/98; 5/10/04; 5/10/06); Globo (6/7/97); TRIB. SUP. ELEIT. Dados (1998).

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