JOSE CAETANO DE FARIA

Ajuda
Busca

Acervos
Tipo
Verbete

Detalhes

Nome: FARIA, Caetano de
Nome Completo: JOSE CAETANO DE FARIA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
FARIA, CAETANO DE

FARIA, Caetano de

*militar; ch. EME 1910-1914; min. Guerra 1914-1918; min. STM 1919-1934.

 

José Caetano de Faria nasceu no Rio de Janeiro, então capital do Império, no dia 21 de março de 1855.

Segundo sua fé de ofício, sentou praça na Escola Militar da Praia Vermelha em janeiro de 1868. Em 1871, seguiu para o Paraguai integrando as tropas de ocupação que, após o término da Guerra do Paraguai (1866-1870), permaneceram naquele país até 1874. Ao retornar, foi promovido a alferes em 1875, em 1878 a tenente, em 1884 a capitão e em 1891 a major. Ainda em 1891, assumiu o comando do 1º Regimento de Cavalaria, no Rio de Janeiro, já então Distrito Federal. Em seguida, comandou o Regimento Policial do Distrito Federal de 1892 a 1896, tendo sido promovido a tenente-coronel em 1894. Em 1902 foi promovido a coronel, e em 1905 a general-de-brigada.

Eleito presidente do Clube Militar em 1908, em 1910 foi promovido a general-de-divisão e, com a ascensão do marechal Hermes da Fonseca à presidência da República, foi nomeado chefe do Estado-Maior do Exército (EME), cargo em que permaneceu até 1914. Ainda em 1910, foi reeleito presidente do Clube Militar para o biênio 1910-1912. Data dessa época a intensificação de seus contatos com o grupo de jovens oficiais que, tendo cumprido estágio no Exército alemão entre 1906 e 1912, haviam retornado ao Brasil dispostos a promover uma campanha de modernização do Exército brasileiro. Em 1913, surgiu a revista Defesa Nacional, publicada por membros desse grupo, conhecido como “jovens turcos” numa alusão ao movimento ativo no processo de modernização da Turquia naquela época. Já no segundo número da revista, o general Caetano de Faria iniciou sua colaboração assinando a coluna intitulada “Atualidade militar”. Nela, apresentava propostas de remodelação e aperfeiçoamento do Exército que em quase tudo concordavam com as teses defendidas pelos “jovens turcos”, principalmente a instituição do serviço militar obrigatório, a redistribuição das tropas pelo território nacional, o reaparelhamento do Exército e a reforma do orçamento do Ministério da Guerra.

Quando Venceslau Brás assumiu a presidência da República, em 1914, o general Caetano de Faria foi nomeado para o Ministério da Guerra. Assumindo a pasta com o apoio dos “jovens turcos”, especialmente do grupo responsável pela revista Defesa Nacional, escolheu um dos membros de sua redação, o tenente Estêvão Leitão de Carvalho, para oficial-de-gabinete. Sua gestão iria promover muitas das reformas pretendidas, principalmente a mudança do sistema de serviço militar.

Já em 1908, havia sido promulgada a Lei nº 1.860, que instituía o alistamento militar obrigatório e os sorteios militares, com a finalidade de trazer para o Exército elementos de todas as classes sociais, pois até então prestavam serviço militar em suas fileiras apenas os jovens egressos das classes menos favorecidas. Os mais ricos cumpriam o serviço militar na Guarda Nacional, organização criada em 1831 para substituir as milícias locais e que na época se encontrava em franca decadência como corporação militar. Entretanto, a Lei nº 1.860 nunca havia sido cumprida.

Após dedicar o primeiro ano de sua permanência como titular da pasta da Guerra à remodelação do Exército, redistribuindo as grandes unidades pelo território nacional e cuidando da renovação do equipamento, Caetano de Faria voltou-se para a questão do serviço militar. Para a organização do serviço de recrutamento, era importante a promoção de uma campanha que criasse um clima favorável junto à opinião pública. Essa campanha foi iniciada pelo poeta Olavo Bilac ainda em 1915, indo resultar na criação da Liga de Defesa Nacional em 1917.

O primeiro sorteio dos cidadãos alistados para o serviço militar ocorreu em 1916, ano em que Caetano de Faria foi promovido ao posto de marechal. Concorreu para o sucesso da implantação do novo sistema o rompimento de relações com o Império alemão e a perspectiva de entrada do Brasil na Primeira Guerra Mundial, o que atraiu grande número de jovens para a preparação militar. Em 1918, como conseqüência dessas mudanças, foi extinta a Guarda Nacional.

Além desse programa de reformas, na gestão de Caetano de Faria foi criado o campo de manobras de Gericinó, e o 1º Distrito de Artilharia da Costa. Foram dados ainda os primeiros passos para a criação da Aviação Militar e do Serviço Geográfico Militar.

Caetano de Faria deixou o Ministério da Guerra com o fim do governo de Venceslau Brás, em novembro de 1918, e em junho do ano seguinte foi nomeado ministro do Superior Tribunal Militar (STM). Em dezembro de 1920, foi eleito presidente do tribunal, permanecendo no cargo até dezembro de 1922. Vice-presidente no biênio 1923-1924, retornou à presidência em 1925-1926, sendo novamente eleito vice-presidente para o biênio 1927-1928.

Com a renúncia do presidente do STM, ministro Feliciano Mendes de Morais, em junho de 1927, assumiu novamente a presidência do tribunal e nela permaneceu até 1934, tendo sido reeleito em 1928, 1931 e 1932. No dia 17 de julho de 1934, em decorrência dos limites impostos pela nova Constituição à idade dos juízes em exercício, passou o cargo de presidente do STM a seu substituto legal, o almirante Pedro de Frontin. No dia 28 do mesmo mês, foi aposentado compulsoriamente.

Além de suas atividades militares, entre as quais se contou o comando da Coudelaria Nacional de Saicã (RS), presidiu a Comissão do Cavalo Nacional Puro-Sangue.

O marechal Caetano de Faria faleceu no Rio de Janeiro em 16 de agosto de 1936. Em sua homenagem, o Regimento de Cavalaria da Polícia Militar do então Distrito Federal passou a chamar-se Regimento Caetano de Faria.

Robert Pechman

 

 

FONTES: BIJOS, G. Clube; CONSULT. MAGALHÃES, B.; CORRESP. SUP. TRIB. MILITAR; Grande encic. Delta; GUILLOBEL, R. Memórias; Jornal do Comércio, Rio (17/8/36); LAGO, L. Conselheiros; LAGO, L. Generais; MIN. GUERRA. Almanaque; NOGUEIRA, F. Supremo.

 

Para enviar uma colaboração ou guardar este conteúdo em suas pesquisas clique aqui para fazer o login.

CPDOC | FGV • Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil
Praia de Botafogo, 190, Rio de Janeiro - RJ - 22253-900 • Tels. (21) 3799.5676 / 3799.5677
Horário da sala de consulta: de segunda a sexta, de 9h às 16h30
© Copyright Fundação Getulio Vargas 2009. Todos os direitos reservados