JULIO AFRANIO PEIXOTO

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Nome: PEIXOTO, Afrânio
Nome Completo: JULIO AFRANIO PEIXOTO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
PEIXOTO, AFRÂNIO

PEIXOTO, Afrânio

*dep. fed. BA 1924-1930; reitor UDF 1935.

 

Júlio Afrânio Peixoto nasceu em Lençóis (BA) no dia 17 de dezembro de 1876, filho de Francisco Peixoto e de Virgínia de Morais Peixoto.

Concluiu a Faculdade de Medicina da Bahia em 1897. Em 1902 tornou-se catedrático de medicina pública na Faculdade Livre de Direito de Salvador. Mudou-se em 1903 para o Rio de Janeiro, então Distrito Federal, onde se tornou inspetor sanitário da Saúde Pública e, no ano seguinte, diretor do Hospital Nacional de Alienados. Sempre no Rio de Janeiro, em 1906 tornou-se professor substituto das cadeiras de higiene e medicina legal da Faculdade de Medicina. De 1907 a 1911, dirigiu o Serviço Médico Legal da Polícia.

Em 1910 foi eleito para a Academia Brasileira de Letras na vaga de Euclides da Cunha e passou a ocupar a cadeira nº 7. Mais tarde, em 1923, tornar-se-ia presidente da instituição. Assumiu a direção da Escola Normal em 1915, ano em que também se tornou professor da Faculdade de Direito do Rio de Janeiro. Foi ainda diretor da Instrução Pública do Distrito Federal em 1916. Deputado federal pela Bahia de 1924 a 1930, tornou-se em 1932 professor de história da educação do Instituto do Rio de Janeiro.

Em abril de 1935, ao ser criada a Universidade do Distrito Federal (UDF), foi nomeado reitor. Foi o responsável pela estruturação da UDF e o negociador das missões universitárias francesas que vieram para o Brasil com a finalidade de ajudar na implantação dos cursos da universidade.

A UDF foi criada sob a inspiração de Anísio Teixeira, então diretor do Departamento de Educação do Distrito Federal, com uma proposta inovadora: pretendia encorajar a pesquisa científica, literária e artística e “propagar as aquisições da ciência e das artes, pelo ensino regular de suas escolas e pelos cursos de extensão popular”. Seu objetivo era não apenas produzir profissionais, mas também formar “os quadros intelectuais do país”. Num contexto marcado por importantes confrontos ideológicos entre integralistas, comunistas, socialistas, democratas, conservadores católicos e liberais, e pela disputa de espaço entre esses grupos para expandir suas idéias e controlar o sistema educacional, a UDF logo iria enfrentar dificuldades, tornando-se alvo dos ataques dos movimentos católico e integralista.

A crise na UDF teve início pouco depois de sua fundação, em decorrência da revolta comunista de novembro de 1935. Acusado de envolvimento no levante, em dezembro seguinte Anísio Teixeira foi demitido de suas funções. Foram também demitidos Afrânio Peixoto e vários professores. A universidade conseguiu sobreviver até 1939, mas nesse ano foi extinta e incorporada à Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil.

Afrânio Peixoto foi também membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, professor emérito da Universidade do Brasil em 1942, membro da Academia de Ciências de Lisboa e do Instituto de Medicina Legal de Madri.

Faleceu no Rio de Janeiro em 12 de janeiro de 1947.

Escreveu numerosos trabalhos sobre medicina, direito, história, folclore, educação e literatura, além de romances e crônicas. Suas Obras literárias completas foram publicadas em 1944 em 25 volumes.

A seu respeito Fernando Costa publicou Afrânio Peixoto e sua obra (1920); Agostinho de Campos, Páginas escolhidas de A. Peixoto (1926), e Wilhelm Giese, Afrânio Peixoto, romancista (1932).

 

FONTES: ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS. Anuário (1943); MENESES, R. Dicionário.

 

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