MONTEIRO, DILERMANDO

Ajuda
Busca

Acervos
Tipo
Verbete

Detalhes

Nome: MONTEIRO, Dilermando
Nome Completo: MONTEIRO, DILERMANDO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
MONTEIRO, DILERMANDO

MONTEIRO, Dilermando

*militar; ch. EME 1973-1974; ch. Depto. Ens. e Pesq. Ex. 1974-1976; comte. II Ex. 1976-1978; min. STM 1978-1983.

 

Dilermando Gomes Monteiro nasceu em Cuiabá no dia 23 de julho de 1913, filho de um comerciante de secos e molhados.

Em abril de 1930 ingressou na Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal. Declarado aspirante-a-oficial da arma de infantaria em janeiro de 1934, recebeu a patente de segundo-tenente em agosto seguinte.

Integrava o 2º Regimento de Infantaria (2º RI), na Vila Militar, no Rio, quando eclodiu a revolta de novembro de 1935, deflagrada pelos comunistas em nome da Aliança Nacional Libertadora (ANL). Sob a direção do Partido Comunista Brasileiro, então Partido Comunista do Brasil (PCB), os rebeldes, apoiados por simpatizantes militares, tentaram tomar o poder em Natal, no dia 23, em Recife, no dia 24, e no Rio, no dia 27. Dilermando Gomes Monteiro participou do ataque ao quartel do 3º RI — na Praia Vermelha, no Rio — ocupado pelos insurgentes. O movimento, rapidamente debelado, resultou num considerável número de prisões e de mortes, inaugurando assim um período de repressão política que viria a culminar com o golpe do Estado Novo, desfechado por Getúlio Vargas em novembro de 1937.

Foi promovido a primeiro-tenente em setembro de 1936 e a capitão em dezembro de 1940. Nessa época serviu na 7ª Região Militar (7ª RM), sediada em Recife, como instrutor do curso de alunos sargentos, e como ajudante do 30º Batalhão de Caçadores (30º BC). Dez anos depois, em junho de 1950, foi promovido a major. Tenente-coronel em março de 1954, em agosto de 1960 recebeu a patente de coronel, passando a servir como adjunto da 1ª Seção do Estado-Maior do Exército (EME). Em outubro seguinte, no final do governo do presidente Juscelino Kubitschek (1956-1961), transferiu-se para a nova capital do país, Brasília, onde passou a servir como adjunto do gabinete do ministro da Guerra, marechal Odílio Denis, na divisão de informações do gabinete. Permaneceu no cargo até 1962, já no governo de João Goulart (1961-1964), sendo posteriormente nomeado adido militar da embaixada brasileira em Paris.

Retornando ao Brasil no início de 1964, uniu-se aos setores militares que, insatisfeitos com as diretrizes assumidas pelo governo, articulavam um movimento para a deposição do presidente João Goulart. Esse movimento eclodiu na madrugada do dia 31 de março, entregando provisoriamente a presidência da República ao presidente da Câmara dos Deputados, Pascoal Ranieri Mazzilli, embora as prerrogativas do poder tivessem ficado de fato nas mãos do auto-intitulado Comando Supremo da Revolução, composto pelo general Artur da Costa e Silva, o brigadeiro Francisco de Assis Correia de Melo e o almirante Augusto Rademaker. No dia 2 de abril de 1964, com a situação já praticamente controlada pelas forças insurgentes, Dilermando Monteiro assumiu o comando do 2º RI, substituindo o coronel Antônio Tavares de Sousa, que havia permanecido fiel ao governo Goulart. No dia 15 seguinte, o marechal Humberto Castelo Branco, eleito pelo Congresso Nacional, assumiu a presidência da República.

Em 1966, a convite do novo presidente, deixou o comando do 2º RI para ocupar o cargo de subchefe do Gabinete Militar da Presidência da República, chefiado pelo general Ernesto Geisel. Promovido a general-de-brigada em novembro desse mesmo ano, assumiu em janeiro do ano seguinte o comando da 10ª RM, sediada em Fortaleza, onde serviu até março de 1968. Em fevereiro de 1969 tornou-se assistente de comando da Escola Superior de Guerra (ESG) e em março de 1971 foi promovido a general-de-divisão. Entre maio e dezembro deste último ano dirigiu o curso de comando e estado-maior das forças armadas e o curso superior de guerra da ESG, transferindo-se em janeiro de 1972 para o Rio Grande do Sul, onde comandou durante um ano a 3ª Divisão de Infantaria (3ª DI), sediada em Santa Maria.

Em 1973 foi nomeado subchefe do EME. Em dezembro desse ano assumiu interinamente a chefia do EME, em virtude da saída do general-de-exército Breno Borges Fortes. Em janeiro de 1974, depois de passar a chefia do EME para o general-de-exército Vicente de Paulo Dale Coutinho, foi nomeado subchefe do Departamento Geral de Serviços do Exército. Em março seguinte foi convidado pelo general Ernesto Geisel, eleito em janeiro desse mesmo ano para suceder ao presidente Emílio Médici, para chefiar o Gabinete Militar da Presidência da República. Tendo aceitado o convite, foi em seguida obrigado a recusá-lo, em virtude de uma grave fratura na perna que lhe exigiu vários meses de imobilização. O cargo acabou sendo ocupado pelo general Hugo de Andrade Abreu.

Promovido a general-de-exército em novembro de 1974, em dezembro seguinte foi nomeado pelo presidente Geisel chefe do Departamento de Ensino e Pesquisa do Exército, em substituição ao general Antônio Jorge Correia. Em janeiro de 1976 deixou a chefia desse departamento para substituir o general Ednardo Dávila Melo no comando do II Exército, sediado em São Paulo. A deliberação presidencial de retirar Ednardo Melo do comando do II Exército — tomada em reunião sigilosa da qual participaram, além do próprio Dilermando Monteiro, o ministro do Exército, general Sílvio Frota, o chefe do Gabinete Civil, general Golberi do Couto e Silva, o chefe do Gabinete Militar, general Hugo Abreu, e o chefe do Serviço Nacional de Informações (SNI), general João Batista Figueiredo — significou o desfecho da crise, iniciada em 1974, entre o presidente Geisel e o aparelho repressivo montado a partir de 1968 com o objetivo de combater as organizações de esquerda que na época vinham desenvolvendo movimentos de guerrilha urbana e rural.

Desde a posse de Geisel, em março de 1974, as operações dos órgãos de repressão passaram a ser mais rigorosamente controladas. Contudo, no Centro de Operações para a Defesa Interna-Departamento de Operações Internas (órgão de segurança que ficou conhecido como DOI-CODI) do II Exército, casos de morte de presos políticos continuaram acontecendo. Em agosto de 1975 foi encontrado morto o tenente da Polícia Militar José Ferreira de Almeida e, menos de dois meses depois, o jornalista Vladimir Herzog. Na ocasião, o presidente Geisel visitou São Paulo e, numa conversa com o general Ednardo Dávila Melo no palácio dos Bandeirantes, advertiu que não admitiria a repetição de ocorrências semelhantes, e que, suicídio ou não, era intolerável a morte de presos nas dependências do Exército. Em janeiro de 1976, o presidente Geisel tomou conhecimento da morte do operário Manuel Fiel Filho no DOI-CODI do II Exército, em condições semelhantes às precedentes, resolvendo então destituir o comandante daquela unidade.

A notícia da substituição do general Ednardo por Dilermando Monteiro, não obstante seu caráter eminentemente político, chegou a ser veiculada por fontes militares em São Paulo como uma mudança “normal” ou “prevista”, dado que o comandante do II Exército completava dois anos no cargo e Dilermando já era apontado como seu provável substituto. Entretanto, designado para substituir Dilermando Monteiro na chefia do Departamento de Ensino e Pesquisa do Exército, o general Ednardo Melo recusou o cargo, retirando-se para a reserva. Em maio de 1976 o general Ariel Paca da Fonseca assumiria a chefia desse departamento.

Em meados de 1977, quando começaram as especulações em torno da sucessão do presidente Geisel, Dilermando Monteiro passou a ser cogitado como possível candidato. No dia 30 de julho, contudo, declarou à imprensa a improcedência das notícias a respeito de sua candidatura, frisando que limitava suas atividades à vida militar e que a presidência da República estava fora de suas cogitações. A questão sucessória foi responsável, três meses mais tarde, pela exoneração do ministro do Exército, general Sílvio Frota, que além das permanentes discordâncias com Geisel era apontado pela imprensa como um dos nomes mais cotados à sucessão. Na ocasião da demissão de Frota, que foi substituído pelo general Fernando Belfort Bethlem, Dilermando Monteiro declarou-se surpreso com o acontecimento, tendo afirmado que “ninguém conhecia qualquer problema entre presidente e ministro”. De qualquer modo, não deixou de apoiar a decisão presidencial. Em janeiro de 1978, quando foi tornada pública a indicação do chefe do SNI, general João Batista Figueiredo, para ocupar a presidência da República, voltou a manifestar-se solidário à escolha de Geisel.

À frente do II Exército, visando a tranqüilizar as tensões políticas e militares em São Paulo, adotou uma postura bastante diversa da de seu antecessor, abrindo seu gabinete ao livre trânsito de políticos, líderes sindicais, religiosos e empresários. Durante a primeira greve dos metalúrgicos de São Paulo, ocorrida no início de 1978, chegou a reunir-se com o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bemardo e Diadema, Luís Inácio da Silva, o Lula, com o objetivo de fazer um relatório sobre as reivindicações dos grevistas a ser apresentado ao Alto Comando do Exército. Algumas delas chegou a defender publicamente ainda durante a paralisação. Foram também constantes em sua agenda as visitas do cardeal de São Paulo, dom Paulo Evaristo Arns, principalmente na época em que o representante da Igreja era ostensivamente atacado pelo secretário de Segurança do estado, coronel Erasmo Dias. A partir de seus entendimentos com a Igreja, que protestava contra a manutenção dos órgãos de repressão, os presos passaram a ser eventualmente submetidos a exames médicos antes e depois de interrogatório.

Dilermando Gomes Monteiro deixou o comando do II Exército no dia 7 de setembro de 1978, sendo substituído interinamente pelo general Geraldo Alvarenga Navarro. No dia 11 do mesmo mês tomou posse como ministro do Superior Tribunal Militar (STM), ocupando a vaga aberta com a aposentadoria do general Augusto Fragoso. No STM, continuou se afirmando como um oficial afeito à comunicação com a sociedade, tanto que em 1981, em pleno curso da abertura política, foi o único militar da ativa a comparecer a um conhecido programa de televisão, o Canal livre, dedicado a entrevistas com políticos, artistas e intelectuais.

Foi oficial de relações públicas e adjunto da 2ª Seção do Estado-Maior das Forças Armadas (EMFA), assistente e secretário do chefe do EMFA, adjunto das 1ª e 2ª seções do EME e instrutor da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME). Em junho de 1983 aposentou-se no STM por limite de idade.

Faleceu em Brasília no dia 11 de maio de 1994.

Era casado com Laura Damásio Monteiro, com quem teve cinco filhos.

 

FONTES: ARQ. MIN. EXÉRC.; BASTOS, P. Superior; CORRESP. SECRET. GER. EXÉRC.; Estado de S. Paulo (2 e 28/1/76); Folha de S. Paulo (14/5/94); Globo (13 e 14/5/94); Jornal do Brasil (14/1/66, 20/1/76, 24/11, 7 e 12/12/78 e 14/3/79); MENDONÇA, R. Dic.; Veja (18/5/94).

 

Para enviar uma colaboração ou guardar este conteúdo em suas pesquisas clique aqui para fazer o login.

CPDOC | FGV • Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil
Praia de Botafogo, 190, Rio de Janeiro - RJ - 22253-900 • Tels. (21) 3799.5676 / 3799.5677
Horário da sala de consulta: de segunda a sexta, de 9h às 16h30
© Copyright Fundação Getulio Vargas 2009. Todos os direitos reservados