Nicolau Tuma

Ajuda
Busca

Acervos
Tipo
Verbete

Detalhes

Nome: TUMA, Nicolau
Nome Completo: Nicolau Tuma

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:

TUMA, Nicolau 

*dep. fed. SP 1959-1968.

 Nicolau Tuma nasceu em Jundiaí (SP) no dia 19 de janeiro de 1911, filho do libanês José Tuma Zain, pioneiro da publicidade em rádio no Brasil, e de Emília Tuma Zain. Seu primo, Romeu Tuma, foi diretor geral da Polícia Federal entre 1986 e 1992 e eleito senador por São Paulo em outubro de 1994.

Realizou seus primeiros estudos em sua cidade natal, na Escola Paroquial Queiroz Teles e no Grupo Escolar Siqueira de Moraes. Posteriormente, em São Paulo, preparou-se para os exames parcelados do Ginásio do Estado, no Ginásio das Bandeiras, no Instituto de Ciências e Letras e no Liceu Rio Branco. Em 1926, na qualidade de ouvinte, cursou o 1º ano da Faculdade de Medicina de São Paulo, atual Universidade de São Paulo (USP). No ano seguinte, ingressou na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco (USP), onde se graduaria em 1931. Em 1928, cursou o 1º ano do curso de filosofia, anexo ao Colégio São Bento, filiado à Universidade de Louvain, na Bélgica. 

Em 1928 iniciou a carreira jornalística co­mo repórter e redator do Diário Nacional, órgão do Par­tido Democrático (PD) de São Paulo, e de A Época, além de militar na imprensa acadêmica, como redator e diretor de O Acadêmico até 1931 e de O Sete entre os anos de 1928 e 1929. Em 1929 iniciou suas atividades no rádio, vencendo um concurso para locutor da Rádio Educadora Paulista. No ano seguinte advogou no fôro da capital, na qualidade de solicitador, e em 1931 concluiu o curso de direito. Entre os anos de 1931 e 1932 foi advogado da comarca de Rio Claro (SP). Em 10 de julho de 1932 foi chamado para ler na Rádio Record a primeira nota oficial da Revolução Constitucionalista, anunciando a deflagração do movimento na noite anterior. Ao lado dos radialistas César Ladeira e Renato Macedo, formou a tríade que transmitia notícias sobre o movimento, derrotado em outubro de 1932.

Em 1937 tornou-se locutor e diretor da Rádio Cultura, permanecendo aí até 1942. Entre 1943 e 1945, foi diretor da Rede de Emissoras Associadas do Brasil, com sede no Rio de Janeiro, de propriedade de Assis Chateaubriand, além de diretor da Rádio Tamoio, na qual elaborou e transmitiu entrevistas e o noticiário referentes à 2ª Guerra Mundial. Durante o período em que esteve cobrindo o conflito mundial, realizou um furo jornalístico quando, na madrugada de 6 de junho de 1944, narrou para o Brasil o desembarque e a invasão das tropas aliadas no norte da França. Ainda neste último ano, foi fundador e 1º vice-presidente da Associação Brasileira de Rádio. Ao elaborar os estatutos desta entidade, criou o neologismo “radialista”, que desde então passou a qualificar os profissionais da área. Após o fim do Estado Novo (1937-1945), foi diretor comercial da Rádio Bandeirantes e da Rádio Record de São Paulo, funções que exerceria até 1949.

Filiando-se à União Democrática Nacional (UDN) em 1945, foi eleito em janeiro de 1947 vereador na cida­de de São Paulo, tornando-se no ano seguinte membro da Divisão de Circulação e Transpor­te do Instituto de Engenharia de São Paulo. Em 1949 foi escolhido presidente de honra do I Congresso de Trânsito de São Paulo, organizado pelo Instituto de Engenharia de São Paulo. Reelei­to vereador em 1951, em 1953 concluiu os cursos de extensão universitária promovidos pela USP nas cadeiras de di­reito penal e de direito internacional público e tornou-se presidente da Associação dos Profissionais de Imprensa de São Paulo, cargo que exerceria até 1956.

Em maio de 1955 candidatou-se sem su­cesso a vice-prefeito de São Paulo, mas reele­geu-se vereador na legenda da UDN. Na Câmara Municipal presidiu a Comissão de Urbanismo e Obras Pú­blicas e foi vice-presidente das comissões de Justiça e de Serviços de Utilidade Pública, atuando ainda como vice-líder da UDN.  Foi autor de cerca de dois mil projetos no âmbito municipal. Diretor do Serviço de Trânsito de São Paulo de 1956 a 1958, durante o governo de Jânio Quadros, foi iniciativa sua o decreto que instituiu as Semanas Educativas de Trânsito nas escolas primárias, secundárias e profissionais.

No pleito de outubro de 1958 elegeu-se deputado federal por São Paulo na legenda da UDN e, deixando a Câmara Municipal em ja­neiro de 1959, assumiu em fevereiro seguinte seu mandato na Câmara dos Deputados. Um dos primeiros parlamentares a se transferir pa­ra Brasília quando da mudança da capital fe­deral, integrou a comissão de estruturação da UDN na nova capital. No exercício do manda­to foi destacado para acompanhar o problema das telecomunicações. Votou a favor da Emenda Constitucional nº. 4 (2/7/1961), que instituiu o parlamentarismo no país após a re­núncia do presidente Jânio Quadros (25/8/1961) como forma de viabilizar a posse do vice-presidente João Goulart, vetado por setores militares. Já no governo de Goulart (1961-1964), defendeu a Emenda Constitu­cional nº. 5, de novembro de 1961, que am­pliou a participação dos municípios na arrecadação tributária nacional.

Relator do Código Brasileiro de Telecomu­nicações na Câmara dos Deputados em 1962, que criou a Empresa Brasileira de Telecomunicações (Embratel), concorreu a uma cadeira de deputado federal no pleito de outubro desse ano e teve sua can­didatura apoiada pela Aliança Eleitoral pela Família (Alef), cujo programa se comprome­teu a cumprir. Associação civil de âmbito na­cional criada em 1962 em substituição à Liga Eleitoral Católica (LEC), a Alef tinha como objetivo mobilizar o eleitorado católico para apoiar os candidatos comprometidos com os princípios sociais da Igreja. Sua atuação res­tringiu-se às eleições legislativas federais e es­taduais e para o governo de alguns estados rea­lizadas em 7 de outubro de 1962.  Dentre as principais medidas propostas pela Alef, figu­ravam a defesa da propriedade privada e da fa­mília, o combate ao divórcio e a crítica aos extremismos de esquerda e de direita, além de várias sugestões relativas à política econômica e cultural do país. Eleito suplente de deputa­do federal na legenda da coligação formada pela UDN, o Partido Democrata Cristão (PDC) e o Partido Rural Trabalhista (PRT), assumiu uma cadeira na Câmara no início da legislatura, em fevereiro de 1963.

Durante sua atuação parlamentar presidiu as comissões parlamentares de inquérito (CPI) sobre as causas de acidentes na Estrada de Ferro Central do Brasil, apuração de irregularidades na aplicação de verbas federais no Maranhão e apuração das causas do congestionamento do porto de Santos, atuando ainda como relator das CPI’s sobre irregularidades na ocupação de terrenos da Marinha, irregularida­des no mercado paralelo de títulos da Mannes­mann e a destinada a evitar a infiltração de capitais es­trangeiros na imprensa, no rádio e na televi­são. Diretor do Grupo Parlamentar de Amiza­de Franco-Brasileira, integrou também as co­missões de Transporte, Comunicações e Obras Públicas e de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados.

Segundo o Correio Brasiliense, Nicolau Tu­ma trabalhou a favor das reivindicações dos radialistas, artistas e atletas, do incremento do consumo interno do café e da fiscalização da política de transportes. Partidário do interven­cionismo econômico de acordo com a planifi­cação econômica nacional, defendeu uma re­forma agrária cooperativista mantendo o regi­me de propriedade estatuído na Constituição. Sustentou os princípios de autodeterminação e de não-intervenção na política internacional, defendendo ainda o aprimoramento da presta­ção de assistência social e a necessidade da criação de um ministério de trânsito, transpor­tes e comunicações. Foi vice-presidente do diretório municipal da UDN da cidade de São Paulo. 

Após o movimento político-militar de­ 31 de março de 1964, que depôs o presidente João Goulart, com a extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional n.º em outubro de 1965 e a posterior instauração do bi­partidarismo, filiou-se à Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de apoio ao regime militar. Autor do projeto de refor­ma do Código Nacional de Trânsito em 1966, tentou se reeleger nessa legenda no pleito de novembro do mesmo ano, obtendo apenas uma suplência. Ocupou uma vaga no Legislativo federal de fevereiro de 1967 – ano em que partici­pou da conferência da International Air Transport Association (IATA) sobre a aviação supersônica, realizada em Lucerna, na Suíça –, a outubro de 1968, quando deixou definitiva­mente  a  Câmara dos Deputados. Nesta data, tornou-se ministro do Tribunal de Con­tas de São Paulo, ocupando a vice-presidência entre 1973 e 1975 e a presidência desta casa entre novembro de 1979 e novembro de 1980. Durante a década de 1970, foi, por dois anos, superintendente do Instituto Rui Barbosa.

Ao longo de sua trajetória, exerceu ainda a diretoria geral das Emissoras Unidas de São Paulo e da Rádio Difusora de São Paulo, além de ter cooperado para a instalação e a organiza­ção da Rádio Eldorado, no Rio de Janeiro. Atuou também como locutor da Rádio Clube do Brasil e da Rádio Educadora Paulista. Foi considerado um dos pioneiros da televisão brasileira.

Aposentou-se pelo Tribunal de Contas de São Paulo em janeiro de 1981. Em 2000, era representante de Celso Pitta, prefeito de São Paulo desde 1997, no Conselho Municipal de Turismo (Comtur),  atividade que exercia desde 1992.

Diretor social do Lions Clube de São Pau­lo, sócio do Clube do Congresso, em Brasí­lia, e fundador, diretor e conselheiro do Clube Atlético Monte Líbano, integrou ainda a Associação dos Cronis­tas Esportivos de São Paulo, a Sociedade de Amigos da Cidade, a Associação dos Pro­fissionais de Imprensa de São Paulo, que tam­bém presidiu e, como membro titular, a Academia Paulista de Jornalismo.

Casou-se em primeiras núpcias com Julieta Dabus Tuma, com quem teve uma filha e em segundas núpcias com Lúcia de Barros Tuma.


 FONTES: CÂM. DEP. Deputados; CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1963-1967, 1967-1971 e 1971-1975); CAMPOS, Q. Fichário; Estado de São Paulo (5/9/62); INF. BIOG.; Personalidades; SÃO PAULO. Quem; SOC. BRAS. EXPANSÃO COMER­CIAL. Quem; TRIB.  SUP. ELEIT. Dados (4, 6 e 8); VAITSMAN, M. Sangue.

 

 

Para enviar uma colaboração ou guardar este conteúdo em suas pesquisas clique aqui para fazer o login.

CPDOC | FGV • Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil
Praia de Botafogo, 190, Rio de Janeiro - RJ - 22253-900 • Tels. (21) 3799.5676 / 3799.5677
Horário da sala de consulta: de segunda a sexta, de 9h às 16h30
© Copyright Fundação Getulio Vargas 2009. Todos os direitos reservados