PAULO MARTINS DE SOUSA RAMOS

Ajuda
Busca

Acervos
Tipo
Verbete

Detalhes

Nome: RAMOS, Paulo (MA)
Nome Completo: PAULO MARTINS DE SOUSA RAMOS

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
RAMOS, PAULO (MA)

RAMOS, Paulo (MA)

*gov. MA 1936-1937; interv. MA 1937-1945; dep. fed. MA 1951-1955.

 

Paulo Martins de Sousa Ramos nasceu em Caxias (MA) no dia 4 de maio de 1896, filho de Raimundo Martins de Sousa Ramos e de Maria Porcina dos Santos Ramos.

Após concluir os primeiros estudos em São Luís, mudou-se para o Rio de Janeiro, então Distrito Federal, onde seu irmão José Martins de Sousa Ramos, que chegaria a desembargador, encarregou-se de sua educação. Estudava no Colégio Anchieta de Nova Friburgo (RJ) quando, por problemas de saúde, voltou a São Luís e concluiu o curso secundário no Liceu Maranhense. Cursou as faculdades de Direito de Recife e de Belém, bacharelando-se por esta última.

Tendo-se tornado, por concurso, funcionário do Ministério da Fazenda, foi trabalhar em Recife e depois no Tesouro Nacional, no Rio de Janeiro. Chegou a exercer as diretorias da Despesa Pública e da Recebedoria do Distrito Federal, tendo também presidido a Comissão de Liquidação da Dívida Flutuante. Nesse período, estreitou relações com Osvaldo Aranha, então ministro da Fazenda, e foi essa ligação que o levou a desempenhar um papel crucial na política maranhense a partir de 1936.

Após a eleição de Aquiles Lisboa para o governo do Maranhão (22/7/1935), eclodiu no estado uma grave crise política desencadeada pela dissolução da coalizão partidária que o apoiara, as Oposições Coligadas do Maranhão — formadas pela União Republicana Maranhense (URM) e o Partido Republicano do Maranhão. Em janeiro de 1936, a mesma Assembléia Legislativa que elegera Lisboa declarou-o “governador deposto” e, ante sua recusa em se exonerar, solicitou em abril a intervenção federal no estado. No dia 14 de junho, o presidente Getúlio Vargas nomeou o major Roberto Carneiro de Mendonça para o cargo de interventor, e procurou promover a conciliação das correntes em choque: após consultar Osvaldo Aranha, indicou a candidatura de Paulo Ramos ao governo maranhense. Em 18 de julho, Ramos foi eleito governador pela Assembléia Legislativa, assumindo o cargo no dia 15 de agosto.

O acordo que permitiu a eleição de Paulo Ramos conduziu também à revisão e à eliminação de dispositivos da Constituição estadual promulgada em outubro do ano anterior. Em 12 de novembro de 1936, foi publicada emenda à Constituição, o que determinou nova distribuição das prefeituras maranhenses; 35 couberam ao partido situacionista, o Partido Social Democrático (PSD) do Maranhão, 13 foram entregues a elementos do Partido Republicano e nove à URM.

Entretanto, ao postular uma autonomia frente às máquinas partidárias maranhenses, Paulo Ramos logo se desentendeu com o pessedista Vitorino Freire, chefe político de prestígio no estado, que pleiteava uma posição de intermediário entre os governos estadual e federal. Paulo Ramos, contudo, obteve do presidente da República a garantia de que Vitorino não interferiria em seu governo, o que de fato aconteceu.

Nos meses de outubro e novembro de 1937, Francisco Negrão de Lima, deputado federal por Minas Gerais, esteve em diversos estados chefiando uma missão governamental, conhecida como Missão Negrão de Lima, com a incumbência de conseguir o apoio dos chefes dos executivos locais para o golpe que viria a implantar o Estado Novo. Segundo Maria Nazaré Pires Chaves — com quem Paulo Ramos se casaria em fevereiro de 1938 e de quem teria seis filhos — já ciente dos planos de Getúlio o governador do Maranhão se antecipou e decretou o fechamento da Assembléia Legislativa pouco antes da visita de Negrão. Logo após o golpe, deflagrado em 10 de novembro de 1937, Paulo Ramos foi nomeado interventor federal no Maranhão (23/11/1937).

Durante sua gestão, foi organizada a Secretaria de Justiça do estado e edificado o Instituto de Educação do Maranhão. Foram também instaladas colônias de psicopatas e de leprosos, foi criado o Centro de Saúde Paulo Ramos e restaurado o Hospital Geral do estado. Através do sistema de fomento agrícola então instituído, foram concedidos créditos aos pequenos produtores, principalmente aos do Sul do estado, dedicados às culturas do arroz e do algodão. Dentre as demais medidas administrativas, destacaram-se as relacionadas com a restauração do crédito público e o saneamento das finanças do estado.

No início de 1945, com a aproximação do fim da Segunda Guerra Mundial e o enfraquecimento do regime ditatorial do Estado Novo, surgiram no cenário político várias candidaturas à sucessão de Vargas. No Maranhão Vitorino Freire, ligado ao general Eurico Gaspar Dutra, candidato de Getúlio à presidência nas eleições marcadas para dezembro, assumiu a liderança junto aos chefes políticos, em oposição a Paulo Ramos. Reconhecendo-se sem forças para enfrentar a campanha oposicionista, Paulo Ramos esteve no Rio, onde, certificando-se do apoio de Getúlio a Dutra, pediu demissão do cargo de interventor. Foi substituído em 23 de março por Clodomir Cardoso. Reintegrando-se às suas funções no Ministério da Fazenda, apoiou a candidatura do brigadeiro Eduardo Gomes, que foi derrotado por Dutra.

Em janeiro de 1946, Paulo Ramos passou a integrar o Conselho Rodoviário Nacional.

Ao se iniciar a movimentação política em torno das eleições de 1950, Paulo Ramos foi procurado por Epitácio Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, que lhe transmitiu o desejo de Vargas de ter com ele uma conversa pessoal. Seguiu então para São Borja (RS), onde o ex-presidente lhe propôs que organizasse o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) no Maranhão, se candidatasse a senador e trabalhasse em prol de sua candidatura à presidência da República. Paulo Ramos aceitou as propostas de Getúlio, preferindo no entanto candidatar-se a deputado federal e não a senador. Retornando ao Maranhão, organizou e fundou a seção maranhense do PTB e foi seu primeiro presidente.

Por outro lado, durante a campanha de 1950 Vitorino Freire rompeu com o novo Partido Social Democrático (PSD), de cunho nacional, e fundou o Partido Social Trabalhista (PST), em cuja legenda concorreu à vice-presidência da República. Contra Vitorino, que desfrutava de grande prestígio no estado, uniram-se as seções maranhenses dos principais partidos — a União Democrática Nacional (UDN), o PSD, o PTB, o Partido Republicano, o Partido Libertador e o Partido Social Progressista — formando as Oposições Coligadas. Com o apoio dessa coalizão, Paulo Ramos elegeu-se deputado federal pelo Maranhão com grande número de votos. Embora Vitorino Freire tenha sido derrotado nas eleições para a vice-presidência, o PST conseguiu eleger o governador do estado, Eugênio de Barros, bem como a maioria dos deputados federais e estaduais.

Tendo assumido o mandato de deputado federal em fevereiro de 1951, Paulo Ramos integrou a Comissão Mista de Reforma Econômico-Financeira do Congresso. No final da legislatura (31/1/1955), afastou-se da vida política por ter discordado da orientação que João Goulart imprimiu ao PTB.

De volta ao Ministério da Fazenda, foi trabalhar na Alfândega. Chefiava o Armazém de Bagagem quando se aposentou compulsoriamente em 1968.

Faleceu no Rio de Janeiro em 16 de fevereiro de 1969. Seu nome foi dado a um município maranhense.

Publicou O valor do babaçu na economia nacional.

Sílvia Pantoja

 

 

FONTES: AUDRÁ, A. Bancada; CÂM. DEP. Deputados; CÂM. DEP. Relação dos dep.; CISNEIROS, A. Parlamentares; Grande encic. Delta; MACEDO, N. Aspectos; PEIXOTO, A. Getúlio; POPPINO, R. Federal; TORRES, J. História de Minas; WAHRLICH, B. Classificação.

 

Para enviar uma colaboração ou guardar este conteúdo em suas pesquisas clique aqui para fazer o login.

CPDOC | FGV • Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil
Praia de Botafogo, 190, Rio de Janeiro - RJ - 22253-900 • Tels. (21) 3799.5676 / 3799.5677
Horário da sala de consulta: de segunda a sexta, de 9h às 16h30
© Copyright Fundação Getulio Vargas 2009. Todos os direitos reservados