PEREIRA, MAURO CESAR RODRIGUES

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Nome: PEREIRA, Mauro César Rodrigues
Nome Completo: PEREIRA, MAURO CESAR RODRIGUES

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
PEREIRA, MAURO CÉSAR RODRIGUES

PEREIRA, Mauro César Rodrigues

*comte. V DN 1990; comte. I DN 1992; min. Mar. 1995-1998.

 

Mauro César Rodrigues Pereira nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, no dia 22 de outubro de 1935, filho de Antônio César Rodrigues Pereira e de Leonor Cardoso Rodrigues Pereira.

Ingressou no Colégio Militar do Rio de Janeiro em 1947, cursando lá o então ginasial até 1950. Em abril de 1951, matriculou-se no Colégio Naval, iniciando sua carreira como praça de aluno. Em março de 1953, passou a aspirante, tendo sido declarado guarda-marinha do Corpo da Armada em dezembro de 1955. No ano seguinte, realizou uma viagem de extensão no navio-escola Duque de Caxias, sendo promovido a segundo-tenente em dezembro.

Em 1957, foi oficial convidado do navio-escola ARA Bahia Thetis, além de ter sido designado ajudante de divisão do cruzador ligeiro Tamandaré, do qual, de 1958 a 1960, foi novamente ajudante e também encarregado de divisão. Em janeiro de 1959, foi promovido a primeiro-tenente. Em 1960, fez o curso de oficial de serviço de Centro de Informações de Combate, no Centro de Adestramento Almirante Marques de Leão (CAAML). Em janeiro de 1961, alcançou o posto de capitão-tenente, e nesse mesmo ano, fez o curso de aperfeiçoamento de eletrônica para oficiais, no Centro de Instrução Almirante Wandenkolk (CIAW).

Em 1962, fez o curso de tática antissubmarino para comandantes e imediatos no CAAML. Nesse mesmo ano, foi designado chefe do departamento de operações do contratorpedeiro Araguari. Em 1963, foi dispensado da chefia e fez o curso de técnica de ensino no CIAW. Desse ano até 1965, foi encarregado de divisão do Departamento de Navios e Aeronaves da Diretoria de Eletrônica da Marinha.

Em 1965, chefiou o Departamento de Instalações Terrestres, integrou a Comissão Naval Brasileira em Washington e foi oficial de gabinete do Estado-Maior da Armada. No fim do mesmo ano, foi promovido a capitão de corveta. No ano seguinte, fez um curso intensivo de administração de empresas, oferecido pela Fundação Getulio Vargas. De 1967 a 1968, foi designado encarregado do grupo de eletrônica do navio aeródromo ligeiro Minas Gerais. De 1969 a 1971, graduou-se e pós-graduou-se no curso de ciência em engenharia elétrica, oferecido pela Escola Naval de Pós-Graduação de Monterey, na Califórnia, Estados Unidos. Em novembro de 1970, foi promovido a capitão de fragata.

Em 1972, fez o curso básico de comando e, no ano seguinte, o de comando e Estado-Maior, ambos na Escola de Guerra Naval. Em 1974, foi designado coordenador técnico da Diretoria de Comunicações e Eletrônica da Marinha, cargo que exerceu até 1975. De maio desse ano até setembro de 1978, dirigiu o Centro de Análises de Sistemas Navais. Em abril de 1977, passou ao posto de capitão de mar e guerra.

De dezembro de 1978 a janeiro de 1981, integrou a Comissão Naval Brasileira na Europa, responsável pela ligação com a Marinha britânica. De março de 1981 a abril de 1983, foi comandante da fragata Independência. Em 1983, foi designado para a Secretaria-Geral do Conselho de Segurança Nacional, cargo que exerceu até o ano seguinte. Em março de 1984, foi promovido a contra-almirante.

Em 1984, foi nomeado comandante do CIAW, tendo exercido a função até 1986. Entre 1986 e 1987, presidiu a Comissão Naval em São Paulo; e de 1987 a 1988 comandou a Força de Fragatas. Em julho desse ano passou ao posto de vice-almirante. Ainda a partir de 1988, até 1990, comandou a Diretoria de Armamento e Comunicações da Marinha.

Comandante do V Distrito Naval (DN), sediado em Florianópolis, entre 1990 e 1992, nesse último ano passou a exercer o comando do I DN, sediado no Rio de Janeiro. Ainda em 1992, em novembro, foi promovido a almirante de esquadra, e no mês seguinte foi designado secretário-geral da Marinha. Dois anos depois, em dezembro de 1994, passou a chefiar também o Estado-Maior da Armada, acumulando as duas funções.

Em janeiro de 1995, tendo sido já desligado das atribuições anteriores, foi nomeado pelo recém-empossado presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, ministro da Marinha, em substituição ao almirante Ivan Serpa. Durante sua gestão, manifestou-se favorável à quebra do monopólio de exploração do petróleo, exercido pela Petrobras, assunto exaustivamente debatido na época, em face das reformas constitucionais em andamento. Quanto à retomada da polêmica em torno dos desaparecidos políticos do regime militar (1964-1985), foi a favor do reconhecimento do óbito para as famílias dos envolvidos, mas rejeitou a punição de culpados e/ou pagamento de indenizações. Segundo o ministro, “quem entrou na luta sabia que iria se machucar (...). E depois que se machucou vai lutar pela indenização?”

Ocupou a pasta da Marinha durante todo o primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso (1995-1998), tendo sido substituído pelo almirante Sérgio Chagasteles.

Com a reeleição do presidente da República, foi constituído o Ministério da Defesa, em substituição aos existentes anteriormente e representavam as três armas — Aeronáutica, Marinha e Exército — e ao EMFA. Essa proposta já havia sido estudada por governos anteriores, mas mesmo não sendo nova a ideia, ao longo de 1998, causou polêmica entre militares, parlamentares e o Executivo, por causa da redistribuição de poderes que determinaria. A criação da nova pasta atingiria as três forças militares, que perderiam posição e prestígio na esfera política, já que os ministérios militares tornar-se-iam secretarias subordinadas ao Ministério da Defesa (com exceção do EMFA que seria extinto definitivamente). Subordinados a um civil, os militares perderiam o canal direto com o presidente da República, constitucionalmente o comandante supremo das forças armadas.

O próprio Mauro César Pereira, quando era ministro, disse mais de uma vez que era contra a criação da nova pasta. Atenuando o conteúdo de suas declarações, na solenidade de transmissão dos cargos aos novos integrantes do governo, em janeiro de 1999, ele quebrou o protocolo e afirmou: “Continuaremos sempre presentes, com dedicação e lealdade, a prestar a nossa assessoria ao nosso chefe imediato”.

A pasta da Defesa começou a ser efetivamente criada no dia 1º de janeiro de 1999, quando o ex-governador e ex-senador pelo Espírito Santo, Élcio Álvares, do Partido da Frente Liberal (PFL), foi nomeado ministro extraordinário, com a missão de implantar o ministério. Os três ministros militares — almirante Sérgio Chagasteles (Marinha), o general Gleuber Vieirano (Exército) e o brigadeiro Paulo Brauer (Aeronáutica) — seriam mantidos à frente das futuras secretarias. No dia 10 de junho, foi oficialmente criado o Ministério da Defesa.

A partir de dezembro de 2004, Mauro César Pereira integrou o conselho acadêmico do Núcleo de Estudos Estratégicos da Universidade Federal Fluminense (Nest-UFF).

Casou-se com Alice Marta Chaves Rodrigues Pereira, com quem teve duas filhas.

Publicou alguns trabalhos, entre os quais Hybrid sonar simulation (1971, tese de pós-graduação), além de artigos em revistas especializadas em estratégia e defesa nacional.

André Dantas

FONTES: CURRIC. BIOG.; Estado de S. Paulo (7/5 e 18/8/95); Folha de S. Paulo (2/1 e 17/8/95, 1 e 5/1, 21 e 28/3/99); Globo (1/5, 17 e 18/8/95); INF. MIN. DEF.; Jornal do Brasil (18/8/95); Observatório da Imprensa. Internet (30/11/04).

 

 

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