PERES, AURELIO

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Nome: PERES, Aurélio
Nome Completo: PERES, AURELIO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
PERES, AURÉLIO

PERES, Aurélio

*dep. fed. SP 1979-1987.

Aurélio Peres nasceu em Bilac (SP) no dia 31 de julho de 1939, filho de Antônio Peres e de Maria Cáceres.

Em 1957 concluiu seus estudos de primeiro grau em Santa Fé do Sul (SP). Entre 1963 e 1965 fez o secundário no Seminário Arquidiocesano de Ribeirão Preto (SP) e, ainda nesse ano, ingressou no curso de filosofia do Seminário Central Maria Imaculada, em São Paulo, concluindo-o em 1968. Entre 1969 e 1973 realizou cursos de torneiro mecânico, fresador e ferramenteiro no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) em São Paulo.

Em meados da década de 1970 passou a atuar na Pastoral Operária, entidade ligada às comunidades eclesiais de base (CEBs) da Igreja Católica. Por sua militância nessa entidade, em setembro de 1974 foi preso e torturado no Departamento de Operações Internas — Centro de Operações para a Defesa Interna (DOI-CODI) do II Exército, sendo libertado no mês seguinte por intermédio da Arquidiocese de São Paulo. Ainda em 1974 tornou-se coordenador do Movimento do Custo de Vida na capital paulista, cargo que exerceria até 1978.

Em 1976, começou a trabalhar na fábrica de bicicletas Caloi, situada na região de Santo Amaro, na Zona Sul da capital paulista, passando a militar na Oposição Sindical Metalúrgica de São Paulo.

Em novembro de 1978, Peres candidatou-se a deputado federal por São Paulo, na legenda do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição ao regime militar instaurado no país em abril de 1964. Foi o único parlamentar de origem operária eleito e assumiu o mandato em fevereiro. Participou dos trabalhos legislativos como membro titular das comissões de Trabalho e Legislação Social e de Transportes, e suplente das comissões de Agricultura e Política Rural, do Interior e de Defesa do Consumidor. Com o fim do bipartidarismo em novembro de 1979 e a conseqüente reformulação partidária, filiou-se ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), agremiação que sucedeu o MDB.

Em 1980, participou de algumas invasões de terras na Zona Sul da capital paulista, como a que ocorreu na fazenda Itaipu, que pertencia ao Instituto de Administração Financeira da Previdência e Assistência Social (Iapas). No ano seguinte, candidatou-se à presidência do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, sendo derrotado pelo então presidente Joaquim dos Santos Andrade.

Já militando no clandestino Partido Comunista do Brasil (PCdoB), reelegeu-se em novembro de 1982 deputado federal por São Paulo, iniciando novo mandato em março.

Em abril de 1983, Peres foi acusado de ser um dos articuladores — juntamente com outros dirigentes do PCdoB e do Partido dos Trabalhadores (PT) — de uma passeata de desempregados iniciada em Santo Amaro e que se transformou em um grande protesto popular com duração de três dias, ocasionando saques a supermercados e lojas, tanto na região de Santo Amaro quanto na Zona Sul e no centro da capital paulista, e manifestações na frente do palácio Bandeirantes, sede do governo do estado. Segundo a imprensa, como resultado da manifestação, cerca de duzentos estabelecimentos comerciais foram saqueados, 127 pessoas foram feridas e houve uma morte. Como representante parlamentar do PMDB, Peres culpou o governo federal e “o quadro generalizante de fome” pelos incidentes, mas também a “ala trotskista do PT e a direita, que se incorporaram a um movimento espontâneo de revolta para desestabilizar o governo estadual peemedebista de Franco Montoro”. Em julho seguinte, foi acusado, junto com outros parlamentares, de incitar uma invasão de terra em São José dos Campos (SP).

Em 25 de abril de 1984, Peres votou a favor da emenda Dante de Oliveira, que propunha o restabelecimento das eleições diretas para presidente da República em novembro daquele ano. Como a emenda não obteve o número de votos indispensáveis à sua aprovação — faltaram 22 para que o projeto pudesse ser encaminhado à apreciação do Senado — no Colégio Eleitoral, reunido em 15 de janeiro de 1985, Aurélio Peres votou no candidato oposicionista Tancredo Neves, eleito novo presidente da República pela Aliança Democrática, uma união do PMDB com a dissidência do Partido Democrático Social (PDS) abrigada na Frente Liberal. Contudo, por motivo de doença, Tancredo Neves não chegou a ser empossado na presidência, vindo a falecer em 21 de abril de 1985. Seu substituto no cargo foi o vice-presidente José Sarney, que já vinha exercendo a presidência interinamente desde 15 de março desse ano.

Com o retorno à legalidade do PCdoB em julho de 1985, Aurélio Peres filiou-se a essa agremiação. Em maio do ano seguinte, integrou a missão parlamentar que participou da Primeira Assembléia Internacional pela Democracia no Chile, sob forte pressão do regime do general Augusto Pinochet.

Em novembro de 1986 tentou reeleger-se deputado federal mas não foi bem-sucedido. Encerrou o mandato em janeiro de 1987, retornando para sua profissão de metalúrgico na Caloi, onde permaneceu por apenas cinco meses.

Já afastado do PCdoB e da vida pública, em agosto desse ano começou a trabalhar na estatal paulista de energia elétrica Eletropaulo, como fiscal de terras (patrimônio imobiliário), permanecendo nessa empresa até 1995, quando se aposentou.

No dia 11 de setembro de 2009 foi anistiado e indenizado pelo governo brasileiro em função das torturas sofridas durante o regime militar.

Casou-se com Maria da Conceição Peres, com quem teve dois filhos.

Marcelo Costa

FONTES: CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1983-1987); Estado de S. Paulo (20/11/86); Folha de S. Paulo (15/7/83); INF. BIOG.; Jornal do Brasil (21/11 e 23/12/78, 18/10/80, 30/5/81, 8/4/83 e 1/9/85); Portal do Ministério da Justiça – Comissão de Anistia; Veja (13/4/83, 18/7/84 e 28/5/86).

 

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