Ronaldo Ramos Caiado

Ajuda
Busca

Acervos
Tipo
Verbete

Detalhes

Nome: CAIADO, Ronaldo
Nome Completo: Ronaldo Ramos Caiado

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:

CAIADO, Ronaldo

*cand. pres. Rep. 1989; dep. fed. GO 1991-1995, 1999-2014; sen. GO 2015-           

 


Ronaldo Ramos Caiado nasceu em Anápolis (GO) em 25 de setembro de 1949, filho de Edenval Ramos Caiado e Maria Xavier Caiado. Descendente de uma família tradicional da política goiana, seu avô Antônio Totó Ramos Caiado foi deputado federal (1909-1921), senador e um dos mais temidos coronéis de Goiás, liderando a oligarquia Caiado entre 1910 e 1930, deposta neste último ano pelo governo Getúlio Vargas. Seu tio, Brasil Ramos Caiado, foi presidente do estado de 1925 a 1929 e senador entre este último ano e 1930. Mário de Alencastro Caiado integrou a junta governativa que assumiu o poder em Goiás com a Revolução de 1930, tendo sido ainda constituinte em 1934 e senador de 1935 a 1937. Vários de seus primos foram políticos: Emival Ramos Caiado foi deputado federal de 1955 a 1971 e senador de 1971 a 1974; Elcival Ramos Caiado foi deputado federal de 1975 a 1979; Leonino Di Ramos Caiado foi governador de Goiás de 1971 a 1975; Brasílio Ramos Caiado foi várias vezes deputado federal (1971-1975, 1979 e 1981-1987); Ibsen de Castro foi deputado federal (1983-1987).

Em 1968, Ronaldo Caiado ingressou no curso de medicina da Faculdade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), formando-se em 1974. Nesse ano participou de cursos de atualização, jornadas médicas e semanas de debate nos estados do Rio, Santa Catarina, Bahia, Paraná e Minas Gerais, além de ter estagiado em hospitais do Rio.

Em 1975 participou do VIII Congresso Pan-Americano do Colégio Internacional de Cirurgiões no Rio de Janeiro, do XX Congresso Brasileiro de Ortopedia e Traumatologia e do V Congresso Brasileiro de Cirurgia da Mão; e em 1976, do XVI Congresso Brasileiro de Cirurgia e do I Seminário Brasileiro de Pós-Graduação em Cirurgia, também no Rio.

Transferindo-se para a França, foi assistente estrangeiro da Universidade de Paris em 1977, quando participou do Congresso da Sociedade Francesa de Cirurgia Ortopédica e Traumatologia. Entre 1978 e 1979, lecionou como auxiliar de ensino no Departamento de Ortopedia e Traumatologia da UFRJ. Na época de sua residência médica, de 1978 a 1984, ministrou aulas para alunos daquela universidade, no Hospital Miguel Couto e em cursos de atualização e congressos nos estados do Rio e da Bahia.

Produtor rural, ligou-se à Associação Goiana de Criadores de Zebu, à Sociedade Goiana de Pecuária e Agricultura e à Associação Goiana de Criadores de Nelore. Durante o governo José Sarney, em 1985, os latifundiários se sentiram ameaçados com a possibilidade da reforma agrária anunciada quando um conflito de terras na região do Triângulo Mineiro resultou na primeira desapropriação — a da fazenda Barreiro. Logo em seguida, criou a União Democrática Ruralista (UDR), com vistas a defender os interesses dos proprietários rurais. Tornando-se seu presidente, lançou-se na vida política.

Em fevereiro de 1986, o governo Sarney viria a colocar em prática o Plano Cruzado, projeto de estabilização econômica e de combate à inflação proposto pela equipe econômica do ministro da Fazenda, Dílson Funaro. Na concepção da equipe econômica, o sucesso do plano dependia do cumprimento do congelamento de preços. Contudo, vários produtores rurais não concordavam com os preços das mercadorias estipulados na ocasião. Ademais, denunciando o aumento dos custos da produção e a alta dos juros, provocaram uma crise de abastecimento.

À frente da UDR, Caiado — juntamente com a Organização das Cooperativas Brasileiras e a Sociedade Rural Brasileira (SRB) — organizou um protesto de agricultores, que levou a Brasília, em fevereiro de 1987, aproximadamente 25 mil ruralistas. Na ocasião, foi entregue ao presidente José Sarney um documento no qual exigiam o realinhamento dos preços mínimos e o fim das importações de alimentos.

Depois de uma tentativa frustrada de estabelecer um diálogo com o presidente e o ministro Dílson Funaro, Caiado reivindicou um tratamento mais digno para a agricultura. Em julho seguinte, liderou uma comitiva com cerca de 30 mil pessoas que se dirigiu a Brasília, prometendo apoio a integrantes da Assembléia Nacional Constituinte que se comprometessem com a defesa da propriedade rural. Nesse mesmo mês, elogiou o empresário e deputado federal constituinte Guilherme Afif Domingos, candidato à prefeitura de São Paulo pelo Partido Liberal (PL), considerando-o “a melhor novidade que a política brasileira apresentou nos últimos anos”.

Em setembro, convidado por empresários da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) para ocupar a presidência da União Democrática Urbana (UDU), recusou o convite argumentando não entender de cidade. Dois meses depois, a propósito do grande crescimento da UDR, então com cerca de 230 mil associados, foi definido pelo presidente da Sociedade Rural Brasileira, Flávio Teles Meneses, como o “nosso Lula da direita” e “um fenômeno de massas”. Nessa ocasião, declarou-se traído pelos parlamentares devido à aprovação pela Comissão de Sistematização da Constituinte de proposta que previa a desapropriação pelo governo de grandes propriedades rurais caso não cumprissem função social. Promovendo um leilão de seis mil cabeças de gado, em nome da UDR, observou que aquele evento teria como motivo principal “mostrar os erros que a Constituinte aprovou”.

Em fevereiro de 1988, a ocorrência de enchentes na cidade do Rio teve como resposta de Caiado a organização de um desfile de caminhões da UDR carregados de suprimentos para os flagelados.

Conseguindo a adesão no Congresso de cerca de duzentos parlamentares de diferentes partidos para as causas da UDR, além de contar com o respaldo dos produtores rurais, que chegaram a ocupar a sede do Congresso, comemorou em maio desse ano a aprovação pela Constituinte da proibição de desapropriação de terras produtivas. Essa decisão impedia, na prática, a aprovação da reforma agrária pela Constituinte, ganhando projeção nacional.

Deixando a presidência da UDR em 1989, com o restabelecimento das eleições diretas para presidente da República candidatou-se ao cargo pelo Partido Social Democrático (PSD). “A nossa bandeira não é vermelha” — com esses dizeres, simbolizou o anticomunismo durante sua campanha eleitoral, assumindo uma postura ofensiva em relação aos demais candidatos, principalmente ao do Partido dos Trabalhadores (PT), Luís Inácio Lula da Silva. Em outubro acusou a empreiteira Lubeca de ter dado dinheiro para a campanha de Lula, em troca da aprovação de um projeto pela Prefeitura de São Paulo, sob a administração da petista Luísa Erundina.

Tencionando ser o candidato que representaria os proprietários rurais e trabalhadores do campo, definiu em novembro, como diretrizes de seu governo, caso eleito, a redistribuição de renda a partir de uma política salarial que privilegiasse os trabalhadores de baixa renda. Nesse mesmo mês, quando a fazenda Europa, de propriedade de seus familiares, foi invadida pelos sem-terra, declarou: “Se eu for eleito, vou colocar todos esses bandidos do movimento dos sem-terra na cadeia.”

Ainda em novembro, entrou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com queixa-crime contra o governador de Goiás, Henrique Santillo, do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), seu adversário político, acusando-o de ter comprado votos em Anápolis, seu principal reduto eleitoral, através da distribuição de cestas básicas. Em 15 de novembro, dia do pleito, votou em Nova Crixás (GO), cidade fundada por Leonino Caiado. Convencido de que desmascararia as pesquisas eleitorais que lhe atribuíam 1% das intenções de votos, foi fragorosamente derrotado no primeiro turno, obtendo cerca de 488.872 votos, colocando-se no décimo lugar. No segundo turno apoiou o candidato vitorioso, Fernando Collor, do Partido da Reconstrução Nacional (PRN).

Eleito em outubro de 1990 deputado federal por Goiás na legenda do PSD, foi o deputado mais votado no estado com 98.256 votos. No dia da posse na Câmara, em fevereiro seguinte, foi vaiado e chamado de assassino. Defendendo-se, argumentou que a esquerda tentava responsabilizar a UDR pelos crimes cometidos no campo, que a seu ver nada tinham a ver com aquela entidade. No mês seguinte acusou o PSD, cujo presidente era Luís Paces, de ter vendido o horário do programa de TV da legenda para promoção do ex-governador de São Paulo Orestes Quércia, do PMDB. Considerado uma figura destoante dentro do partido, que seguia uma orientação socialdemocrata, segundo a direção da agremiação, em março foi convidado a se retirar do PSD, já que defendia posições de extrema-direita.

Sem partido e atuando na Comissão de Agricultura e Política Rural, integrou a chamada “bancada ruralista” no Congresso, definindo-a em junho de 1991 como uma “questão de sobrevivência” dos parlamentares ligados à agricultura e que estariam vendo o “campo ser desmontado”. Nesse mesmo mês, os ruralistas derrotaram a proposta do governo de cobrar uma taxa de 3% para a previdência social sobre o lucro bruto dos fazendeiros que teriam funcionários assalariados. Em julho, já filiado ao Partido Democrata Cristão (PDC), foi processado pelo vice-prefeito de São Paulo, Luís Eduardo Greenhalgh, por calúnia e difamação, pelo fato de ter declarado na imprensa que aquele teria envolvimento com drogas. A Procuradoria Geral da República aceitou as reclamações, sugerindo ao Supremo Tribunal Federal (STF) o pedido de suspensão da imunidade de Caiado.

Na sessão da Câmara dos Deputados de 29 de setembro de 1992, foi um dos 38 parlamentares que votaram contra o impeachment do presidente Fernando Collor, embora o tenha feito em segunda chamada, quando o processo já estava decidido. Collor foi acusado de crime de responsabilidade por ligações com um esquema de corrupção liderado pelo ex-tesoureiro de sua campanha presidencial, Paulo César Farias. Afastado da presidência logo após a votação na Câmara, renunciou ao mandato em 29 de dezembro de 1992, pouco antes da conclusão do processo pelo Senado, sendo efetivado na presidência da República o vice Itamar Franco, que já vinha exercendo o cargo interinamente desde a decisão da Câmara.

Em abril de 1993, Caiado filiou-se ao Partido da Frente Liberal (PFL). Ainda em 1993, mudou novamente de agremiação, ingressando no Partido Progressista Reformador (PPR), que resultou da fusão do PDC com o PDS. Em dezembro, seu nome constou entre os três deputados proprietários rurais integrantes da “bancada ruralista” que, em débito com o governo, usaram a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Dívida Agrária para sugerir ao Banco do Brasil novas regras para empréstimos em seu próprio benefício. Em abril do ano seguinte, seu nome apareceu novamente numa lista de proprietários rurais devedores do Banco do Brasil. Juntamente com outros parlamentares da bancada ruralista se negou a votar a medida provisória da Unidade Referencial de Valor (URV), que viabilizaria o plano econômico proposto pelo governo Itamar Franco. Em troca do voto da bancada, pleitearam a mudança no critério de reajuste da dívida rural, com juros menores e prazos maiores. Como líder da bancada ruralista, conseguiu, dois meses depois, uma anistia temporária de parte da dívida do crédito agrícola contraída durante o Plano Collor pelos produtores rurais.

De volta ao PFL, em agosto de 1994 candidatou-se ao governo de Goiás, apoiando, no plano nacional, o candidato do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), Fernando Henrique Cardoso, e propondo-se a dividir o palanque de sua campanha com ele. No pleito, vencido em outubro pelo candidato Maguito Vilela, do PMDB, ficou em terceiro lugar. Nesse mesmo mês, como ex-presidente da UDR, interpretou como temporária a extinção da entidade, assinalando que se fosse preciso mobilizaria a classe ruralista. “Como fiz durante a Constituinte, posso fazê-lo sem nenhum problema.”

Deixou a Câmara dos Deputados em janeiro de 1995, ao término da legislatura.

Em outubro de 1998, concorreu novamente a uma vaga na Câmara dos Deputados na legenda do PFL, obtendo 100.446 votos, a maior votação da legenda e a segunda votação do estado. Assumiu o mandato em fevereiro de 1999. Na nova legislatura seguiu atuando como líder da bancada ruralista no Congresso Nacional e defensor do agronegócio. Nesse sentido, empenhou-se no encaminhamento da proposta de renegociação das dívidas dos produtores rurais junto ao Estado, estimada em 23 bilhões de reais. Foi relator do projeto da Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados que propunha um abatimento entre 40 e 60 % das dívidas dos produtores, além da ampliação do prazo de pagamento do restante da dívida em 20 anos com juros de 3% ao ano, o que estava abaixo das taxas usuais do mercado naquele ano. Tal projeto chegou a contar com o apoio de partidos que faziam oposição ao governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2003), tais como PT, Partido Comunista do Brasil (PC do B), Partido Socialista Brasileiro (PSB) e Partido Democrático Trabalhista (PDT). Como forma de pressionar o governo e sua base aliada no Congresso, organizou um “caminhonaço” em frente ao Congresso Nacional em 17 de agosto de 1999. O governo, por meio do Ministério da Agricultura, apresentou uma contraproposta, não aceita pela bancada ruralista, que a considerou tímida, segundo o próprio Ronaldo Caiado. Quando votado no Congresso, em 15 de setembro de 1999, o projeto apoiado pela bancada ruralista foi derrotado por 228 votos a 205 votos. Nesta legislatura, participou também dos trabalhos legislativos como titular das Comissões de Agricultura e Política Rural e de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado.

Mesmo com a derrota da bancada ruralista, Ronaldo Caiado seguiu tentando a renegociação das dívidas dos produtores rurais. Como resultado, em 27 de junho de 2001, a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2002, incluiu um dispositivo que permitia a renegociação das dívidas agrícolas.

Nas eleições de outubro de 2002, conseguiu reeleger-se pelo PFL para deputado federal por Goiás, obtendo 114.728 votos, sendo o quinto mais votado em seu Estado. Para a presidência da República, apoiou o candidato do PSDB, José Serra, derrotado pelo candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva.

Em seu terceiro mandato como deputado federal Ronaldo Caiado participou como titular das Comissões Permanentes de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural e de Finanças e Tributação. Também atuou, a partir de 2003, como presidente da Frente Parlamentar de Apoio à Agricultura e relator da Comissão Especial de Reforma Política da Câmara dos Deputados.

Desde o início do Governo Lula (2003-2011), Ronaldo Caiado foi um de seus principais opositores. Em julho de 2003 criticou publicamente o Presidente por ter colocado um boné do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST).

Também apresentou na Câmara dos Deputados um relatório que propunha mudanças no sistema eleitoral brasileiro, tais como: o fim da escolha individual de parlamentares nas eleições proporcionais, com a instituição do voto em listas fechadas apresentadas pelos partidos, o financiamento público de campanhas, proibindo outra forma de arrecadação de recursos, e proibição de coligação entre partidos nas eleições proporcionais, com cada partido apresentando sua lista de deputados separadamente. Em 27 de junho de 2007, a Câmara dos Deputados rejeitou os principais pontos da reforma política relatada por Ronaldo Caiado.

Em abril de 2005, após um processo por danos morais movido pelo deputado contra o escritor Fernando Morais, o juiz da 7ª Vara Criminal de Goiânia determinou o recolhimento em todas as livrarias do livro deste autor intitulado Na Toca dos Leões. O livro trazia um depoimento do publicitário Gabriel Zellmeister sobre Ronaldo Caiado onde este afirmava que a solução para os nordestinos do país era adicionar à água potável um remédio que esterilizasse as mulheres. Em junho de 2005, em artigo publicado no jornal Folha de S, Paulo, Ronaldo Caiado negou ter dado tais declarações, salientando, inclusive, que sua esposa era nordestina, de Feira de Santana (BA). Em outubro de 2005, porém, por nova determinação judicial, o livro Na Toca dos Leões foi liberado para a venda nas livrarias do país.

Em junho de 2005, diante da crise que envolveu muitos produtores rurais no país, Ronaldo Caiado criticou a ação do Governo Federal de destinar 44,35 bilhões reais para o Plano Agrícola e Pecuário, por considerá-la insuficiente para a produção agrícola no país. Como presidente da Comissão de Agricultura da Câmara defendeu, em agosto de 2005, no debate sobre a LDO de 2006, a prorrogação do pagamento das dívidas dos produtores rurais.

Nas eleições de outubro de 2006, concorrendo pelo PFL, foi eleito para seu quarto mandato como deputado federal por Goiás, obtendo 152.895 votos, o segundo mais votado em seu Estado. Logo no início da nova legislatura, seu partido, o PFL, alterou, durante a Convenção Nacional de 28 de março de 2007, o nome da sigla para Democratas (DEM). Integrou no exercício do novo mandato, como titular, as Comissões Permanentes de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, Fiscalização Financeira e Controle, e Seguridade Social e Família.

Em fevereiro de 2009, passou à condição de líder do DEM na Câmara dos Deputados, substituindo Antonio Carlos Magalhães Neto (BA). No mês seguinte, em parceria com o deputado Paulo Bornhausen (DEM/SC), foi autor de um projeto de lei (PL), ainda em tramitação na Câmara, que propõe a ampliação do benefício do seguro desemprego para um período de seis a doze meses. Em agosto de 2010 apresentou PL, posteriormente arquivado, dispondo sobre a obrigatoriedade do ensino de noções técnicas, não partidárias, de Ciência Política no ensino médio.

Para o pleito eleitoral de outubro de 2010 Ronaldo Caiado lançou-se mais uma vez candidato à Câmara dos Deputados. Primeira eleição sem a participação direta do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva desde 1989, este pleito foi vencido por sua ex-ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, à frente de uma coligação que reuniu 10 partidos liderados pelo Partido dos Trabalhadores-PT (Partido do Movimento Democrático Brasileiro-PMDB/Partido Democrático Trabalhista-PDT/Partido Socialista Brasileiro-PSB/Partido Comunista do Brasil-PCdoB/Partido Republicano Brasileiro-PRB/Partido da República-PR/Partido Trabalhista Nacional-PTN/Partido Social Cristão-PSC/Partido Trabalhista Cristão-PTC). Após o pleito, a bancada do DEM na Câmara dos Deputados configurou-se como a quarta maior, com 43 deputados eleitos. Caiado reelegeu-se com 167. 591 votos, tendo sido o terceiro candidato a deputado federal mais votado de Goiás.

Em fevereiro de 2011 tomou posse de seu quinto mandato no Congresso Federal, durante o qual mais uma vez atuou como líder do Democratas. Em março de 2013 apresentou à Câmara projeto de lei, ainda em tramitação no Congresso, com a finalidade de monitorar e assegurar o cumprimento de medidas protetivas de urgência que determinem o afastamento físico entre agressor, vítima e testemunhas nos casos de prática de violência doméstica e familiar contra a mulher.

Em junho do mesmo ano, no contexto das discussões sobre o encaminhamento dos royalties do petróleo pelos congressistas, foi autor de uma emenda destinando 75% dos recursos para a educação e 25% para a saúde, em vez de 100% da verba disponível apenas para a educação como previa projeto de lei elaborado no âmbito executivo. Justificando sua emenda, Caiado afirmou então que “a situação da saúde é caótica. Hoje, é a maior rejeição que o governo tem em todas as pesquisas que são feitas.” Aprovada após discussão realizada pelo Congresso, as alterações previstas na emenda foram inseridas na Lei 12.858/2013, sancionada pela presidente Dilma Rousseff em setembro de 2013.

Em julho do ano seguinte, Ronaldo Caiado apresentou projeto de lei, ainda em tramitação no Congresso, que visa alterar o Estatuto da Criança e Adolescente (ECA), com vistas a disciplinar medidas sócioeducativas e ampliar sua aplicação e período máximo de internação, tornando obrigatórias atividades que promovam a reinserção social do infrator, mediante a prática de ações laborais, educacionais e desportivas. Também nesse ano foi autor de um PL, já arquivado, que propunha alteração dos dispositivos do Código Penal de 1940 aumentando as penas para roubos e furtos.

Nas eleições gerais realizadas em outubro de 2014 candidatou-se ao Senado Federal, sendo eleito por Goiás por 1. 283.665 eleitores, com o percentual de 47, 57% dos votos válidos no seu estado. Tomou posse em fevereiro de 2015, com mandato previsto até 31 de janeiro de 2023. Nessa ocasião foi eleito, por unanimidade, líder do Democratas no Senado, onde tornou-se membro titular das seguintes comissões: de Assuntos Econômicos; de Constituição, Justiça e Cidadania; de Serviços de Infraestrutura; de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle; de Agricultura e Reforma Agrária; da Comissão de Reforma Política do Senado Federal e da Comissão Especial para o Aprimoramento do Pacto Legislativo.

Como senador vem mantendo postura crítica ao governo Dilma, característica marcante de sua atuação como deputado. No decorrer de seus primeiros meses de trabalho no Senado, foi autor de projetos de lei que retomam temas que marcaram sua atuação na Câmara. Em abril de 2015 apresentou ao Senado proposta de alteração dos artigos 112 e 121 do Estatuto da Criança e do Adolescente, para obrigar a internação em estabelecimento de ensino profissionalizante de adolescente que tenha cometido infração grave, situação em que a medida socioeducativa poderá durar até cinco anos e ser concluída mesmo após o infrator completar 21 anos. Nesse mesmo mês apresentou projeto de lei que visa alterar artigo do Código Penal de 1940, desta vez com vistas a restringir a concessão de livramento condicional ao condenado maior de 70 anos ou doente, desde que satisfaça as demais condições atualmente previstas na lei. Ambas as proposições estão sendo discutidas pelos senadores.

Ainda em julho de 2015, o ex-presidente da República Luis Inácio Lula da Silva protocolou queixa-crime contra Ronaldo Caiado no Supremo Tribunal Federal, solicitando que o senador respondesse por injúria, calúnia e difamação por supostas acusações feitas nas redes sociais. Segundo o portal G1, em fevereiro anterior, Caiado teria afirmado em sua página do Facebook que "Lula tem postura de bandido" e que "Lula e sua turma foram pegos roubando a Petrobras e agora ameaça com a tropa MST do Stédile e do Rainha para promover a baderna". De acordo com o portal de notícias, o senador teria informado em nota que a publicação de fevereiro foi realizada quando o ex-presidente da República teria afirmado em discurso que "convocaria o 'exército do Stédile', o MST, caso os movimentos contra o governo fossem para as ruas".

Publicou L’opération de cloward dans le traitement de la névralgie cervico-brachiale (1978) e atualmente é dos colunistas do jornal Folha de São Paulo.

Casou-se com Maria das Graças Landim de Carvalho, conhecida como Gracinha Caiado, com quem teve quatro filhos.

 

Verônica Veloso/Denise Paiva/Ana Carolina Ramos/Luciana Pinheiro

 

 

FONTES: CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1991-1995); Estado de S. Paulo (10/04/1990, 11/04/1991, 20/06/1991, 01/04/1993, 01/09/1993, 01/12/1993, 19/12/1993, 22/12/1393, 07/08/1994 e 29/10/94); Folha de S. Paulo (12/11/1989, 14/11/1989, 15/11/1989, 22/11/1989, 24/06/1991, 15/04/1993, 27/04/1994, 17/08/1999, 18/08/1999; 15/09/1999, 16/09/1999; 28/06/2001; 23/08/2002; 03/07/2003; 03/12/2003; 14/04/2005, 06/05/2005, 09/05/2005, 14/05/2005, 03/06/2005, 25/06/2005, 28/06/2005, 21/10/2005, 29/03/2007, 28/06/2007 e 05/02/2009); Globo (20/08/1989, 06/11/1989, 16/11/1989, 02/02/1991, 16/02/1991, 20/02/1991, 21/03/1991, 08/04/1991 e 26/07/1991); Jornal do Brasil (01/05/1991, 27/04/1994, 04/06/1994 e 05/08/1994); NICOLAU, J. M. Dados; TRIB. SUP. ELEIT. Dados (1998); Veja (18/02/1987, 15/07/1987, 22/07/1987, 09/09/1987, 11/11/1987, 18/11/1987, 04/05/1988, 18/05/1988, 16/04/1989, 28/04/1993, 04/05/1994 e 13/07/1994. Portal da Câmara dos Deputados. Disponível em: <http:// www2.camara.gov.br/deputados/>. Acesso em 10/08/2009 e 24/07/2015; Portal G 1. Disponível em: <http://g1.globo.com/index.html>. Acesso em 24/07/2015; Portal Jornal do Brasil. Disponível em: <http://www.jb.com.br/capa>. Acesso em 25/07/2015; Portal pessoal de Ronaldo Caiado. Disponível em: <http://www.ronaldocaiado.com.br>. Acesso em  24/07/2015; Portal Senado Federal. Disponível em: <http://www.senado.gov.br/>. Acesso em 24/07/2015; Portal do TSE. Disponível em: <http://www.tse.jus.br>. Acesso em 25/08/2009. Portal UOL. Disponível em: <http://www.uol.com.br>.Acesso em 24/07/2015;

 

 

Para enviar uma colaboração ou guardar este conteúdo em suas pesquisas clique aqui para fazer o login.

CPDOC | FGV • Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil
Praia de Botafogo, 190, Rio de Janeiro - RJ - 22253-900 • Tels. (21) 3799.5676 / 3799.5677
Horário da sala de consulta: de segunda a sexta, de 9h às 16h30
© Copyright Fundação Getulio Vargas 2009. Todos os direitos reservados