SENA, RAUL BERNARDO

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Nome: SENA, Raul Bernardo
Nome Completo: SENA, RAUL BERNARDO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
SENA, Raul Bernardo

SENA, Raul Bernardo

*dep. fed. MG 1975-1987.

 

Raul Bernardo Nélson de Sena nasceu em Belo Horizonte no dia 21 de agosto de 1931, filho de Caio Nélson de Sena, professor de direito e deputado estadual em Minas Gerais de 1927 a 1930, e de Amanda Pinheiro Nélson de Sena. Oriundo de uma tradicional família de políticos mineiros em que se destacaram, entre outros, seu avô materno, João Pinheiro, presidente de Minas Gerais em 1890 e de 1906 a 1908; seu avô paterno, Nélson Coelho de Sena, deputado estadual entre 1907 e 1922 e federal de 1921 a 1929; e seu tio, Israel Pinheiro, foi revolucionário de 1930, constituinte de 1946, deputado federal por Minas Gerais entre 1946 e 1956, prefeito de Brasília entre 1960 e 1961  e governador de Minas Gerais entre 1966 e 1971.

Raul Bernardo de Sena realizou os estudos secundários no Instituto Padre Machado e no Colégio Marconi de Belo Horizonte e cursou a Faculdade de Direito da Universidade de Minas Gerais (UMG), atual Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), pela qual bacharelou-se, em 1954, em ciências jurídicas e sociais. Durante o período universitário, foi chefe do Serviço de Selecionamento dos Anais da Assembléia Legislativa do estado e trabalhou nos jornais O Diário e Tribuna de Minas. Em seguida à formatura, ingressou no curso de mestrado da UMG.

Como jornalista, foi diretor do Departamento de Turismo e Divulgação de Brasília entre 1960 e 1961, durante a gestão de seu tio Israel Pinheiro na prefeitura. De volta a seu estado, assumiu, em 1961, o cargo de chefe jurídico da Rede Ferroviária Federal (RFFSA), na qualidade de procurador federal de primeira categoria da Estrada de Ferro Central do Brasil. Em 1966, tornou-se diretor da Imprensa Oficial do estado e secretário particular de Israel Pinheiro, então governador de Minas.

Em novembro de 1966 foi eleito deputado estadual na legenda da Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de apoio ao regime militar instaurado no país em abril de 1964. Assumindo sua cadeira em fevereiro de 1967, licenciou-se em maio  para exercer a função de secretário de Estado do Governo de Minas Gerais, ainda na gestão de Israel Pinheiro. Em 1969 assumiu interinamente a Secretaria de Viação e Obras Públicas e em 1970 retornou à Assembléia Legislativa. Nesse último ano, realizou ainda o curso da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra. Durante o mandato, foi presidente da Comissão de Educação e Cultura e membro das comissões de Serviço Público e de Transportes, Comunicações e Obras Públicas. Deixou a Assembléia ao final da legislatura, em janeiro de 1971. Impedido pela lei de inelegibilidades de candidatar-se a cargo eletivo — por ser parente do governador — voltou para a chefia do serviço jurídico da Rede Ferroviária, onde ficou até 1974. Em novembro, elegeu-se deputado federal.

Assumindo sua cadeira na Câmara em fevereiro de 1975, tornou-se vice-presidente da Comissão de Serviço Público e integrou os conselhos administrativo do Instituto de Previdência dos Congressistas (IPC) e deliberativo da Fundação Mílton Campos para Pesquisas e Estudos Políticos, órgão da Arena criado em setembro daquele ano. Foi ainda suplente das comissões de Constituição e Justiça e de Transportes. Foi reeleito em novembro de 1978. Com a extinção do bipartidarismo em 29 de novembro de 1979 e a conseqüente reformulação partidária, filiou-se ao Partido Democrático Social (PDS), que aglutinou os antigos membros da Arena. Nessa legislatura, tornou-se presidente da Comissão de Transportes e foi suplente da Comissão de Relações Exteriores. Em novembro de 1982, reelegeu-se deputado federal.

Empossado em fevereiro seguinte, em 25 de abril de 1984 ausentou-se da votação da emenda Dante de Oliveira, que restabelecia as eleições diretas para presidente da República já em novembro daquele ano. Constatada a insuficiência de votos para que a emenda fosse submetida à apreciação do Senado, convocou-se, em 15 de janeiro de 1985, o Colégio Eleitoral. Raul Bernardo Sena foi um dos poucos parlamentares mineiros a votar no candidato governista à presidência da República, Paulo Salim Maluf, do PDS. Ele foi derrotado por Tancredo Neves, lançado pela Aliança Democrática, coligação do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) com a dissidência pedessista reunida na Frente Liberal. Tancredo, gravemente doente, morreu em 21 de abril de 1985, sem tomar posse. Substituiu-o no cargo o vice, José Sarney, que já vinha exercendo interinamente a presidência da República desde 15 de março.

Disposto a não mais candidatar-se a cargos eletivos, Raul Bernardo Sena deixou a Câmara dos Deputados em janeiro de 1987, ao final da legislatura. Ainda em 1987, aposentou-se como procurador federal da RFFSA, passando a trabalhar como consultor jurídico adjunto do governo do Distrito Federal, cargo no qual permaneceu até 1989.

Convidado pelo então ministro da Justiça, Oscar Dias Corrêa, desempenhou até 1993 a função de secretário de estudos e acompanhamento legislativo do ministério. Em seguida, foi nomeado consultor jurídico do Ministério das Minas e Energia, exercendo o cargo até 1994, quando o presidente Itamar Franco o nomeou presidente da RFFSA no Rio de Janeiro. Em 1995, retornou a Brasília, onde trabalhou como advogado da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) até 1998.

Consultor jurídico de várias empresas, Raul Bernardo Sena foi ainda diretor do Instituto Histórico Geográfico do Distrito Federal — cabendo-lhe a cadeira do tio Israel Pinheiro —, membro do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais — onde tomou assento na cadeira cujo patrono é o seu avô paterno, Nélson de Sena —, da Academia Marianense de Letras, da Ordem dos Advogados de Minas Gerais, do Instituto dos Advogados do Distrito Federal, das associações Brasileira e Mineira de Imprensa e do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais, além de fundador da Casa de Cultura de Mariana e presidente regional da Associação dos Aposentados da RFFSA do Distrito Federal.

Casou-se com Teresinha Giannetti Nélson de Sena, com quem teve seis filhos.

Publicou A idéia política (1969), O direito público nos tribunais, Organização das empresas, Contribuição à organização do trabalho, Discursos parlamentares, Ação Parlamentar (1985, volume 1) e Ação Parlamentar (1986, volume 2), além de ter proferido diversas conferências e palestras sobre transporte público, de natureza política (interna e externa), social, econômica e financeira.

 

Nara Santana

 

FONTES: ANDRADE, F. Relação; ASSEMB. LEGISL. MG. Dicionário biográfico;  CÂM. DEP. Deputados; CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1975-1979); CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1979-1983); Globo (26/4/84 e 16/1/85); Jornal do Brasil (28/5/80); NÉRI, S. 16; Perfil (1980); Política; Rev.  Arq. Públ Mineiro (12/76); TRIB. SUP. ELEIT. Dados (8).

 

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