SENA, VIRGILDASIO DE

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Nome: SENA, Virgildásio de
Nome Completo: SENA, VIRGILDASIO DE

Tipo: BIOGRAFICO


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SENA, VIRGILDÁSIO DE

SENA, Virgildásio de

*dep. fed. BA 1983-1991; const. 1987-1988.

Virgildásio de Sena nasceu em Santo Amaro (BA) no dia 3 de novembro de 1923, filho de Virgílio Dinis de Sena e de Adalgisa Almeida de Sena.

Graduado em engenharia pela Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia em 1947, iniciou sua carreira de engenheiro em 1959 como superintendente de Urbanização de Salvador e ocupou, ainda, o cargo de secretário de Viação e Obras Públicas da capital de 1959 a 1961 no governo de Heitor Dias, que também foi deputado federal.

Iniciou suas atividades políticas elegendo-se prefeito de Salvador no pleito de outubro de 1962, na legenda do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Assumindo o mandato em janeiro do ano seguinte, permaneceu no cargo por pouco tempo, pois foi afastado em abril de 1964 em virtude do movimento político-militar de 31 de março desse ano. Ainda neste ano foi processado pelo Superior Tribunal Militar, passou um tempo preso e foi julgado em 1968. Com a decretação do Ato Institucional nº 5 (AI-5), em dezembro de 1968, acabou sendo cassado, o que resultou no afastamento das suas atividades políticas.

Desde então passou a residir no Rio de Janeiro, onde trabalhou como engenheiro em diversas empresas. Beneficiado pela Lei da Anistia, assinada pelo presidente da República general João Batista Figueiredo, em agosto de 1979, permaneceu na capital fluminense até 1982. Nesse ano regressou à Bahia, retomando então a sua carreira política. Em novembro de 1982, elegeu-se deputado federal na legenda do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), iniciando o mandato em fevereiro de 1983. Participou dos trabalhos legislativos como membro titular das comissões de Defesa do Consumidor, do Interior, de Economia, Indústria e Comércio, e da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre mineração; e, como suplente, da Comissão de Minas e Energia.

Em 25 de abril de 1984 votou a favor da emenda Dante de Oliveira que, apresentada na Câmara dos Deputados, propôs o restabelecimento das eleições diretas para presidente da República em novembro daquele ano. Como a emenda não obteve o número de votos indispensáveis à sua aprovação — faltaram 22 para que o projeto pudesse ser encaminhado à apreciação pelo Senado —, no Colégio Eleitoral, reunido em 15 de janeiro de 1985, Virgildásio de Sena votou no candidato oposicionista Tancredo Neves, eleito novo presidente da República pela Aliança Democrática, uma união do PMDB com a dissidência do Partido Democrático Social (PDS) abrigada na Frente Liberal. Contudo, por motivo de doença, Tancredo Neves não chegou a ser empossado na presidência, vindo a falecer em 21 de abril de 1985. Seu substituto no cargo foi o vice José Sarney, que já vinha exercendo interinamente o cargo desde 15 de março desse ano.

Virgildásio de Sena reelegeu-se no pleito de novembro de 1986, agora como deputado federal constituinte, tendo recebido a maioria de seus votos oriundos de suas bases eleitorais na capital e nos municípios de Cruz das Almas, Santa Luz e Santo Amaro (BA). Assumiu novo mandato em 1º de fevereiro de 1987, quando se iniciaram os trabalhos da Assembléia Nacional Constituinte (ANC). Relator da Subcomissão de Princípios Gerais, Intervenção do Estado, Regime da Propriedade do Subsolo e da Atividade Econômica, da Comissão da Ordem Econômica, seu relatório causou polêmica devido à sua feição nacionalista dando prioridade à reforma agrária e à nacionalização do subsolo, o que provocou reações adversas de parlamentares de orientação conservadora. Integrou também os trabalhos constituintes como membro titular da Comissão de Sistematização e suplente da Subcomissão do Sistema Financeiro, da Comissão do Sistema Tributário, Orçamento e Finanças.

Nas votações importantes realizadas na ANC, pronunciou-se contra a pena de morte, a estatização do sistema financeiro, o mandato de cinco anos para o presidente José Sarney e a legalização do jogo do bicho. Votou a favor do rompimento de relações diplomáticas com países com política de discriminação racial, da limitação do direito de propriedade privada, do mandado de segurança coletivo, da proteção ao emprego contra a demissão sem justa causa, do aviso prévio proporcional, da unicidade sindical, da soberania popular, do voto aos 16 anos, do parlamentarismo, da nacionalização do subsolo, do limite de 12% ao ano para os juros reais, da limitação dos encargos da dívida externa, da anistia aos micro e pequenos empresários e da desapropriação da propriedade produtiva. Faltou às votações relativas à remuneração 50% superior para o trabalho extra, ao turno ininterrupto de seis horas e à criação de um fundo de apoio à reforma agrária. Absteve-se de votar na questão do aborto.

Em 1988 filiou-se ao Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), agremiação formada por dissidentes peemedebistas em julho daquele ano. Nesta legenda, candidatou-se à prefeitura de Salvador no pleito de novembro deste ano, não logrando êxito. Após a promulgação da nova Carta Constitucional (5 de outubro de 1988), voltou a participar dos trabalhos legislativos ordinários na Câmara dos Deputados.

Candidatou-se à reeleição no pleito de outubro de 1990, na legenda do PSDB, mas não obteve sucesso. Deixou a Câmara em janeiro do ano seguinte, ao final da legislatura. Abandonando então a carreira política, passou a se dedicar à consultoria de projetos na área de engenharia.

Casou-se com Joselinda Rodrigues de Sena, com quem teve três filhos.

 

 

 

FONTES: ASSEMB. NAC. CONST. Repertório (1987-1988); CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1991-1995); COELHO, J. ; OLIVEIRA, A. Nova; Globo (26/4/84 e 16/1/85); INF. BIOG.

 

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