SILO FURTADO SOARES DE MEIRELES

Ajuda
Busca

Acervos
Tipo
Verbete

Detalhes

Nome: MEIRELES, Silo
Nome Completo: SILO FURTADO SOARES DE MEIRELES

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
MEIRELES, SILO

MEIRELES, Silo

*militar; rev. 1922; rev. 1935.

 

Silo Furtado Soares de Meireles nasceu em Ribeirão (PE) no dia 23 de outubro de 1900, filho de Francisco Ribeiro Soares de Meireles e de Rosa Furtado Soares de Meireles. Seu pai, engenheiro, construiu ferrovias e usinas açucareiras em Pernambuco, tendo exercido ainda o mandato de senador estadual. Sua bisavó materna, Maria Tomásia do Livramento Xerez Linhares, ficou conhecida na história do Ceará como a Libertadora, por seu papel na abolição da escravatura naquele estado. Entre os dez irmãos de Silo Meireles, figuram Ilvo Meireles, médico, integrante do Partido Comunista Brasileiro, então Partido Comunista do Brasil (PCB), e participante da revolta de 1935; Rosa Meireles, igualmente membro do PCB e casada com Carlos da Costa Leite, militar e membro da Aliança Nacional Libertadora (ANL); e José Meireles, piloto da marinha mercante falecido em 1942 durante o torpedeamento do Aníbal Benévolo por um submarino alemão.

Fez os primeiros estudos em sua cidade natal, completando-os no Ginásio do Recife, onde cursou também os preparatórios. Com a morte do pai em 1918, vítima da epidemia de gripe espanhola, transferiu-se para o Rio de Janeiro, então Distrito Federal, onde sentou praça no Exército em fevereiro de 1919, ingressando na Escola Militar do Realengo. Declarado aspirante-a-oficial da arma de infantaria em janeiro de 1922, foi designado para o 9º Regimento de Infantaria (RI), em Rio Grande (RS). Promovido a segundo-tenente em abril desse mesmo ano, retornou ao Rio de Janeiro em junho a fim de especializar-se no uso de armas automáticas com a Missão Militar Francesa.

No mês seguinte participou, na Escola Militar do Realengo, da Revolta de 5 de Julho de 1922, movimento que iniciou o ciclo de revoltas tenentistas da década de 1920. O levante irrompeu no Rio e em Mato Grosso em protesto contra a eleição de Artur Bernardes à presidência da República e contra as punições impostas pelo governo Epitácio Pessoa aos militares, com o fechamento do Clube Militar e a prisão do marechal Hermes da Fonseca. A revolta foi debelada no mesmo dia, tendo envolvido, na capital federal, o forte de Copacabana, a Escola Militar e efetivos da Vila Militar e, em Mato Grosso, o contingente do Exército local. Silo Meireles foi preso e esteve recolhido a inúmeras unidades militares, a navios-presídios, à ilha Grande, no litoral fluminense, e à ilha de Trindade, no Espírito Santo, como ocorreu a muitos dos rebeldes tenentistas. Apesar de haver sido sentenciado a uma pena de um ano e quatro meses, só foi libertado por meio de um habeas-corpus em janeiro de 1927.

Estabelecendo-se em Recife, colaborou no Diário da Manhã, dos irmãos Lima Cavalcanti, principal órgão da oposição no estado. Em junho daquele mesmo ano regressou ao Rio de Janeiro, onde participou das articulações entre “tenentes” e civis contrários ao regime, que desembocariam na Revolução de 1930. Nesse período, escreveu em O Globo, Correio da Manhã, A Manhã e A Esquerda.

Em meados de 1930 seguiu para a Argentina ao encontro do ex-capitão Luís Carlos Prestes, um dos líderes do movimento tenentista e que se mantinha exilado nesse país. Juntamente com Prestes que recusara a chefia militar da revolução para não se associar às facções oligárquicas que comandavam o movimento participou da fundação da Liga de Ação Revolucionária (LAR), que se propunha realizar a revolução agrária e antiimperialista. Apesar do alheamento de Prestes e de seu círculo, a revolução tornou-se vitoriosa em outubro de 1930 com a deposição de Washington Luís e a ascensão de Getúlio Vargas ao poder no mês seguinte. Como todos os rebeldes da década de 1920, Silo Meireles foi anistiado ainda em novembro de 1930 e promovido a primeiro-tenente.

No entanto, recusou a anistia e preferiu permanecer no exterior, acompanhando Prestes na crítica à Revolução de 1930, resultado de uma aliança que consideravam inaceitável entre os “tenentes” e políticos comprometidos com o regime anterior. Em Montevidéu, durante uma reunião com Prestes, Emídio Miranda e Aristides Lobo, Silo Meireles concordou com a dissolução da LAR diante da falta de condições naquele momento para realizar a revolução que pregavam. Seguiu então para a União Soviética, ainda acompanhando Prestes, a quem permaneceu ligado naquele país. Como conseqüência natural de seu posicionamento, ingressou no PCB.

Em 1935 regressaram ambos ao Brasil clandestinamente. Silo, já então membro do comitê central do PCB, atuou na estruturação da ANL, organização política fundada em março daquele ano. A ANL constituiu uma frente ampla em que se reuniram representantes de diferentes correntes políticas — socialistas, comunistas, católicos e democratas — e de diferentes setores sociais — proletários, intelectuais, profissionais liberais e militares —, todos atraídos por um programa que se propunha lutar contra o fascismo, o imperialismo, o latifúndio e a miséria. Seu presidente de honra era Luís Carlos Prestes.

Silo Meireles foi incumbido de organizar camponeses na região do São Francisco, onde se instalou em maio. Em julho, a ANL foi declarada ilegal e, a partir de então, preponderou em seu interior a influência da ala majoritária do PCB, que desejava a via insurrecional imediata. Silo ocupou-se assim da organização do levante no Nordeste. A revolta foi deflagrada no dia 23 de novembro de 1935 em Natal, onde os rebeldes tomaram o poder provisoriamente. Diante da aparente vitória, José Caetano Machado, um dos responsáveis pelo movimento na região, resolveu promover a sublevação também em Pernambuco, apesar das ponderações de Silo Meireles no sentido de esperar instruções do comando revolucionário, instalado no Rio de Janeiro. No dia 24, uma vanguarda sublevada do 29º Batalhão de Caçadores (29º BC), sediado na Vila Militar, no bairro de Socorro, marchou em direção ao centro de Recife. Ao chegar ao largo da Paz, ponto de acesso à capital pernambucana, tendo sob seu controle todo o percurso feito e já acrescida de civis armados, essa vanguarda entrou em combate com uma força legalista e manteve o controle da posição, enquanto se revoltavam focos isolados em Recife e Olinda. Entretanto, com o deslocamento do 22º BC, de João Pessoa, e do 20º BC, de Maceió, o levante foi contido no dia 25. Alguns rebeldes foram presos nas estradas do sertão, entre eles, Silo Meireles. Os que se encontravam no largo da Paz se retiraram para Socorro, onde muitos depuseram as armas e quase todos os chefes do movimento foram presos. No dia 27, enquanto os rebeldes se rendiam em Natal, outra tentativa insurrecional foi debelada pelas forças do governo no 3º RI e na Escola de Aviação Militar do Rio de Janeiro.

Preso, Silo Meireles teve cassada sua patente militar em abril de 1936 por decreto presidencial. Fugiu da prisão posteriormente, sendo outra vez capturado em outubro do ano seguinte, no Rio Grande do Sul, juntamente com outro rebelde de 1935, André Trifino Correia. Ambos haviam conseguido guarida no estado, então governado por José Antônio Flores da Cunha, que movia oposição a Vargas e que seria pouco depois deposto e exilado. No mês seguinte, com a decretação do Estado Novo, foi instituído um regime ditatorial que duraria até 1945.

Silo Meireles permaneceu preso até 1941, quando obteve livramento condicional. Em maio de 1943 passou a trabalhar na Coordenação da Mobilização Econômica, organismo destinado a articular a economia em função do período de guerra, dirigido por João Alberto Lins de Barros, seu amigo desde os tempos do tenentismo. Com a criação da Fundação Brasil Central em outubro daquele ano, ainda sob a direção de João Alberto, transferiu-se para o novo órgão, que visava o desenvolvimento e a colonização do interior do país, indo servir em Caiapônia (GO) em princípios de 1944. Em sua atuação na entidade, teve ocasião de defender os direitos dos indígenas brasileiros.

Passando a trabalhar em Uberlândia (MG), encontrava-se nessa cidade em 1945 quando se iniciou o processo de redemocratização do país. Com a decretação da anistia e a criação de novos partidos, o PCB recuperou sua legalidade e Prestes passou a defender a convocação de uma constituinte, com a permanência de Vargas no poder. Discordando dessa posição, Silo Meireles lançou uma carta-aberta pedindo o apoio das correntes democráticas e socialistas aos líderes civis e militares que lutavam pelo afastamento de Vargas. Rompido com o PCB em função dessas discordâncias, permaneceu na Fundação Brasil Central, passando a servir em 1948 no Rio de Janeiro como secretário do presidente do órgão, general Francisco Borges Fortes de Oliveira.

Em janeiro de 1951 reincorporou-se ao Exército, sendo promovido retroativamente a capitão e a major. Cursou a Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais e, em novembro daquele ano, chegou a tenente-coronel, sendo promovido em julho de 1952 a coronel. Designado para Recife, aí serviu na Ajudância da 7ª Região Militar até 1956, quando, doente, retornou ao Rio de Janeiro, onde faleceu no dia 3 de julho de 1957.

Era casado com Iracema Furtado Soares de Meireles, educadora, autora de um método de alfabetização muito difundido, e diretora de uma escola no Rio de Janeiro, a que deu o nome de Silo Meireles. O casal teve dois filhos.

De sua autoria, foi publicado postumamente Brasil Central: notas e impressões (1960).

 

 

FONTES: DULLES, J. Anarquistas; LEVINE, R. Vargas; MEIRELES, S. Brasil; ROQUE, C. Grande; SILVA, H. 1922; SILVA, H. 1930; SILVA, H. 1935.

 

Para enviar uma colaboração ou guardar este conteúdo em suas pesquisas clique aqui para fazer o login.

CPDOC | FGV • Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil
Praia de Botafogo, 190, Rio de Janeiro - RJ - 22253-900 • Tels. (21) 3799.5676 / 3799.5677
Horário da sala de consulta: de segunda a sexta, de 9h às 16h30
© Copyright Fundação Getulio Vargas 2009. Todos os direitos reservados