SOUSA, JOAO GONCALVES DE

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Nome: SOUSA, João Gonçalves de
Nome Completo: SOUSA, JOAO GONCALVES DE

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
SOUSA, JOÃO GONÇALVES DE

SOUSA, João Gonçalves de

*superint. Sudene 1964-1966; min. Extraord. Coord. Órgãos Reg. 1966-1967.

 

João Gonçalves de Sousa nasceu em Lavras da Mangabeira (CE) no dia 20 de agosto de 1913, filho de pequenos agricultores.

Cursou o secundário no Ginásio do Crato (CE), transferindo-se depois para o Rio de Janeiro, então Distrito Federal, onde se formou em 1939 engenheiro agrônomo pela Escola Nacional de Agronomia da Universidade Rural do Rio de Janeiro, bacharelando-se no ano seguinte pela Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil. Mestre em sociologia rural pela Universidade de Wisconsin, em Madison, nos Estados Unidos, em 1946, obteve ainda créditos em cursos de sociologia comparada, economia agrícola e problemas demográficos na American University, em Washington, e na Universidade de Maryland.

Assessor técnico do Ministério da Agricultura para problemas de economia rural, integrou o grupo que fez o estudo preliminar dos municípios sob a influência da usina hidrelétrica de Paulo Afonso, como base para a criação da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (CHESF). Por três anos foi secretário executivo da Comissão Nacional de Política Agrária, dirigindo ainda dois seminários internacionais promovidos pela Organização das Nações Unidas (ONU) no Brasil: o Seminário Latino-Americano de Bem-Estar Social, realizado no Rio de Janeiro em 1952, e o Seminário Latino-Americano sobre os Problemas da Terra, reunido em Campinas (SP) em 1953.

Primeiro diretor técnico e presidente do Instituto Nacional de Imigração e Colonização (INIC) e primeiro diretor executivo da Associação Brasileira de Crédito e Assistência Rural (ABCAR), dirigiu o Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da União Pan-Americana e o Programa de Cooperação Técnica da Organização dos Estados Americanos (OEA). Em 1957 defendeu tese para livre-docência em sociologia rural e economia na Universidade Rural do Brasil. Foi chefe do Serviço de Economia e diretor do Departamento de Agricultura do estado da Guanabara após sua criação, em 1960. Representante do Brasil no conselho da Food and Agriculture Organization (FAO), agência filiada ao sistema das Nações Unidas, com sede em Roma, chefiou a delegação brasileira a diversas conferências internacionais, tendo atuado também como delegado permanente do Brasil junto ao Comitê Intergovernamental para as Migrações Européias (CIME).

Com a posse do general Humberto Castelo Branco na presidência da República em 15 de abril de 1964, teve seu nome indicado pelo ministro do Planejamento, Roberto Campos, para a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) em substituição ao superintendente-interventor, general Expedito Sampaio, sendo nomeado em 10 de junho desse ano. A Sudene passava então por uma fase difícil; sua equipe de direção, tendo à frente Celso Furtado, fora afastada do órgão após o movimento político-militar de março de 1964. João Gonçalves de Sousa recompôs os quadros da instituição e conseguiu, junto a Castelo Branco, pôr fim à evasão de técnicos através de decreto presidencial que instituiu a dedicação em tempo integral. Durante sua gestão, a Sudene concluiu o estudo preliminar do terceiro plano diretor para o período 1966-1968, além de criar o Grupo de Racionalização da Agroindústria Açucareira do Nordeste (Geran), buscando melhorar a produtividade da região. A partir de janeiro de 1965 foi conselheiro do Banco Nacional da Habitação (BNH) e em junho de 1966 transmitiu o cargo de superintendente da Sudene a Rubens Vaz da Costa.

 

No ministério

Com o pedido de exoneração do general Osvaldo Cordeiro de Farias do Ministério Extraordinário para a Coordenação dos Organismos Regionais depois Ministério do Interior — por incompatibilidade deste com o general Artur da Costa e Silva, escolhido para a sucessão presidencial, Gonçalves de Sousa, atendendo à solicitação de Castelo Branco, assumiu a pasta em 16 de junho de 1966.

Como ministro, deu especial atenção à região amazônica. Assim, em 1º de setembro foi criada a Operação Amazônica, orientada pela preocupação povoadora e colonizadora, visando à ocupação daquela área. Entre as demais medidas adotadas, destacaram-se a criação da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), que substituiu a Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia (SPVEA), a criação de incentivos fiscais e o Fundo de Investimentos Privados da Amazônia (Fidam). Por último foi implantada a Zona Franca de Manaus, criada nominalmente há muitos anos, mas à qual faltavam condições de existência. Preocupado com as regiões Norte e Nordeste, Gonçalves de Sousa voltou suas atenções também para a região Sul, do que resultou em 1967 a criação da Superintendência do Desenvolvimento da Região Sul (Sudesul). Deixou o cargo em 16 de fevereiro de 1967, passando-o a Cícero de Oliveira Sales, que permaneceu à frente da pasta até o fim do governo de Castelo Branco, um mês depois. Em agosto de 1967 deixou o Conselho do BNH.

Delegado do Brasil à III Assembléia dos Estados-Membros da OEA, em Buenos Aires, presidiu a Associação Latino-Americana de Sociologia Rural e fundou o conselho da Society for Development, em Washington, além de atuar em 1975 como subsecretário de cooperação técnica da OEA. Integrou ainda o International Corps Research Institute for the Semi-Arid Tropics (ICRISAT) e o Extension Advisory Committee, sediado na Índia.

Teve seu nome cogitado nas articulações para a escolha do governador do Ceará para o período 1975-1979. Era apoiado então por César Cals e pelo general Golberi do Couto e Silva, mas o escolhido foi José Adauto Bezerra de Meneses.

Faleceu no Rio de Janeiro no dia 16 de janeiro de 1979.

Era casado com Norma Carvalho Gonçalves de Sousa, com quem teve dois filhos.

Publicou Algumas experiências extracontinentais de reforma agrária (1964) e O Nordeste brasileiro: uma experiência de desenvolvimento regional (1979).

 

 

FONTES: CORRESP. SUDENE; Encic. Mirador; Jornal do Brasil (17/1/79); NÉRI, S. 16; VIANA FILHO, L. Governo.

 

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