WILSON, CARLOS

Ajuda
Busca

Acervos
Tipo
Verbete

Detalhes

Nome: WILSON, Carlos
Nome Completo: WILSON, CARLOS

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
WILSON, CARLOS

WILSON, Carlos

*dep. fed. PE 1975-1987, 2007-2009; gov. PE 1990-1991; sen. PE 1995-2003.

Carlos Wilson Rocha de Queirós Campos nasceu em Recife (PE) no dia 11 de março de 1950, filho de Wilson de Queirós Campos e de Maria Teresa de Queirós Campos. Seu pai foi senador pelo estado de Pernambuco (1970-1975), cassado em julho de 1975 devido à acusação de envolvimento em corrupção no Banco de Pernambuco, conhecido como “caso Moreno”, e deputado federal (1987-1999).

Iniciou o curso de ciências jurídicas e sociais pelo Centro de Ensino Unificado de Brasília (Ceub). Estudou economia na mesma instituição, mas também não concluiu.

Entre 1972 e 1973 foi assessor da presidência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) e, no biênio seguinte, subchefe do gabinete da presidência.

Elegeu-se deputado federal em novembro de 1974 pela Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de sustentação do regime militar instaurado no país em abril de 1964. Em seu primeiro ano de mandato, foi membro titular da Comissão de Economia, Indústria e Comércio e suplente da Comissão de Finanças. Em setembro de 1978, votou a favor da emenda Acióli Filho, que extinguiu a figura do senador indireto. Na Arena, Carlos Wilson integrou o chamado “Grupo Renovação”, que tentou apressar a democratização do país. No pleito de novembro de 1978, reelegeu-se para a Câmara dos Deputados. Foi membro da Comissão de Trabalho e Legislação Social e das comissões parlamentares de inquérito (CPIs) sobre a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e a defesa do consumidor. Nesta legislatura, declarou-se favorável à legalização do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e defendeu a anistia política: “Se formos discriminar aqueles que erraram, defendendo a ideologia marxista, teríamos de fazer isso também com os que professam o fascismo. O torturador é tão criminoso quanto o assaltante de banco.” Em junho de 1979, ao analisar o projeto que extinguiu o bipartidarismo em novembro do mesmo ano, manifestou apoio ao pluripartidarismo, embora criticasse sua criação “artificial, de cima para baixo, como o MDB e a Arena”.

Contrariando a liderança de seu partido, foi um dos 15 parlamentares da Arena que votaram a favor da emenda Djalma Marinho ao projeto de lei de anistia, visando torná-la ampla, geral e irrestrita. Dentro do quadro de represálias tomadas em seguida pelo governo federal contra seus deputados dissidentes, sua tia, Maria Eunice Campos, que dirigia a Fundação Nacional de Bem-Estar do Menor (Funabem) em Pernambuco, foi exonerada. Ainda nessa legislatura foi membro efetivo das comissões de Trabalho e Legislação Social e do Interior, e suplente das comissões de Finanças, de Agricultura e Política Rural e de Constituição e Justiça.

Com a extinção do bipartidarismo, em novembro de 1979 e a conseqüente reformulação partidária, filiou-se ao Partido Popular (PP). No novo partido, ligou-se a Tancredo Neves. Em setembro de 1981 filiou-se ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), ao qual o PP se fundiu. No PMDB, passou a integrar o círculo restrito dos políticos mais chegados a Ulisses Guimarães, presidente nacional do partido. Entre 1981 e 1982, foi segundo-secretário da mesa da Câmara dos Deputados.

Em novembro de 1982 elegeu-se deputado federal pela terceira vez. Em 25 de abril de 1984 votou a favor da emenda Dante de Oliveira, que propôs o restabelecimento de eleições diretas para a presidência da República em novembro daquele ano. A emenda foi rejeitada — faltaram 22 votos para que pudesse ser encaminhada à apreciação do Senado. No Colégio Eleitoral, reunido em 15 de janeiro de 1985, Carlos Wilson votou no candidato oposicionista Tancredo Neves, eleito presidente pela Aliança Democrática, união do PMDB com a dissidência do Partido Democrático Social (PDS) abrigada na Frente Liberal. Tancredo morreu em 21 de abril de 1985, sem ser empossado. Assumiu o vice José Sarney, que já vinha exercendo interinamente o cargo, desde 15 de março.

Entre 1985 e 1986, Carlos Wilson ocupou a vice-presidência da Câmara. Ainda em 1985, apoiou, junto com Fernando Lira, a candidatura vitoriosa de Jarbas Vasconcelos à prefeitura de Recife, pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB), afastando-se do senador Marcos Freire. Em novembro de 1986 foi eleito vice-governador de Pernambuco, na chapa encabeçada por Miguel Arrais. Durante a campanha, entrou em atrito com Fernando Lira por não ter recebido o apoio que esperava.

 Em março de 1987, durante reunião da Sudene, os governadores dos demais estados do Nordeste selaram um acordo: apoiariam o nome de Carlos Wilson para substituir Ronaldo Costa Couto no Ministério do Interior, pasta que os políticos nordestinos costumam considerar uma espécie de “reserva de mercado” da região. Dois meses depois, contudo, foi escolhido o deputado pernambucano Joaquim Francisco. Depois de ter seu nome cogitado para os ministérios da Previdência Social, da Reforma Agrária, Casa Civil e Interior, sem que qualquer destes convites se concretizasse, Carlos Wilson foi indicado pelo presidente José Sarney, em setembro de 1987, para a superintendência da Sudene, vinculada ao ministro do Interior, João Alves, do Partido da Frente Liberal (PFL). Era um cargo importante, pois administrava recursos equivalentes a 2% do Orçamento da União. Mas o PFL reagiu contra a sua indicação. Em dezembro, Carlos Wilson anunciou sua recusa ao convite.

Com a decisão de Miguel Arrais de candidatar-se a deputado federal e a obrigatoriedade de desincompatibilização do cargo, Carlos Wilson assumiu o governo de Pernambuco em 2 de abril de 1990. Sua primeira vitória foi o fim da greve de professores que já durava 29 dias. Os grevistas não foram atendidos em nenhuma das reivindicações salariais, mas voltaram ao trabalho diante da promessa de algumas medidas, como a criação de uma comissão paritária, com representantes do governo e sindicalistas, para estudar, entre outras questões, a mudança do estatuto do magistério. Em junho de 1990, criou uma loteria instantânea, “a raspadinha estadual”, para arrecadar recursos destinados a obras sociais. Ao final de seu mandato, em 15 de março de 1991, foi substituído pelo governador eleito Joaquim Francisco Cavalcanti.

Secretário nacional de Irrigação entre 1992 e 1993, no governo do presidente Itamar Franco (1992-1994), Carlos Wilson filiou-se ao Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), tornando-se, em 1994, tesoureiro da executiva nacional. No pleito de outubro, elegeu-se senador. No Senado, foi vice-presidente da Comissão de Assuntos Sociais, membro titular da Comissão de Educação e suplente da Comissão de Assuntos Econômicos e da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional.

Nas votações das emendas constitucionais enviadas ao Congresso no primeiro ano do governo de Fernando Henrique Cardoso, votou a favor do fim do monopólio dos governos estaduais na distribuição de gás canalizado; da abertura da navegação de cabotagem às embarcações estrangeiras; da mudança no conceito de empresa nacional que eliminaria seus privilégios, colocando-a em igualdade de condições com as empresas de capital estrangeiro e da quebra do monopólio estatal das telecomunicações. Foi favorável também à prorrogação da vigência do Fundo Social de Emergência (FSE), rebatizado de Fundo de Estabilização Fiscal (FEF), que permitiu ao governo gastar 20% da arrecadação de impostos, sem que esta verba ficasse obrigatoriamente vinculada às áreas de saúde e educação. Ausentou-se na votação que aprovou o fim do monopólio da Petrobras na exploração do petróleo.

Em 1995, presidiu a Comissão Especial de Obras Paralisadas, que investigou o número de obras federais incompletas em cada estado com desperdício do dinheiro público. Em março do ano seguinte, apresentou projeto para extinguir o Instituto de Previdência dos Congressistas (IPC), no âmbito da discussão da reforma da previdência. Integrou a Comissão Mista de Orçamento, da qual se desligou, em julho de 1996, por considerar eleitoreiros os critérios na distribuição de recursos do Orçamento da União, em benefício de prefeituras do PFL e do PSDB. No mesmo mês, assinou requerimento para instalação de uma CPI destinada a investigar a manipulação política e eleitoral do orçamento daquele ano.

Em maio/junho de 1997, votou a favor da emenda constitucional que permitiu a reeleição para presidente da República, governadores e prefeitos. Em outubro, durante a votação da reforma da previdência, foi favorável à aprovação da emenda que estabeleceu a exigência de idade mínima e de tempo de contribuição para as aposentadorias no setor privado. Manteve seu apoio às propostas encaminhadas pelo Executivo quando da votação da reforma da administração pública, manifestando-se favorável à emenda que pôs fim à estabilidade do servidor público, aprovada em março de 1998.

Disputou o governo de Pernambuco, em outubro de 1998, por uma coligação do PSDB com o Partido Popular Socialista (PPS) e outras agremiações de menor expressão, mas não se elegeu. Permaneceu, então, no exercício do seu mandato no Senado até o ano de 2003. Neste período, foi titular da Comissão Especial que atuou nas comemorações do centenário de Juscelino Kubitschek.

No pleito de 2002, Carlos Wilson tentou se reeleger senador pelo estado de Pernambuco, já agora na legenda do Partido Trabalhista brasileior (PTB), mas apesar de obtre expressiva votação, não obteve êxito, sendo superado por Marco Maciel (PFL) e Sérgio Guerra (PSDB).

Em 2003, durante o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2007), foi nomeado presidente da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (INFRAERO), e permaneceu no cargo até 2006. Neste mesmo ano, disputou as eleições de deputado federal pelo estado de Pernambuco, dessa vez na legenda do Partido dos Trabalhadores (PT), e foi eleito com 3,37% dos votos válidos. Tomou posse do cargo em fevereiro de 2007.

  Em março daquele ano, após investigações realizadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU), pela Controladoria Geral da União (CGU) e pelo Ministério Público Federal (MPF), Carlos Wilson tornou-se alvo de uma série de denúncias de irregularidades e corrupção durante sua gestão na INFRAERO e foi acusado de ter sido o responsável pelo atraso no início das obras de ampliação da pista do aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Em maio, após consulta ao Superior Tribunal Federal (STF), foi instalada na Câmara a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Apagão Aéreo, a fim de que se investigasse a crise no sistema aéreo do país. Em junho, Carlos Wilson depôs durante quatro horas na CPI e negou todas as acusações de irregularidades na INFRAERO durante a sua gestão. Em outubro de 2007, às vésperas da votação do relatório final da CPI, que pedia o indiciamento de 23 pessoas, o PT entrou com pedido de vistas para atrasar a votação, a fim de negociar a exclusão de pelo menos 5 nomes da lista dos possíveis indiciados, dentre os quais: Carlos Wilson, apontado no relatório como o chefe do esquema; Eurico Loyo; José Wellington Moura; Marco Antônio Marques de Oliveira e Airton Esteves Soares.  Após adiamento da votação do relatório, em virtude do não comparecimento de três senadores do PMDB, por problemas de atrasos de vôo para Brasília, a CPI do Apagão Aéreo aprovou, em detrimento do relatório final apresentado pelo relator, senador Demóstenes Torres, do Democratas (DEM), o voto em separado do senador João Pedro (PT), que excluiu 9 pessoas da lista de 23, de quem o relator da CPI havia pedido o indiciamento, dentre os quais o deputado federal Carlos Wilson que, desta forma, foi inocentado das acusações.

Durante seu mandato na Câmara dos Deputados, Carlos Wilson foi ainda titular das comissões permanentes de Constituição e Justiça e de Cidadania; de Relações Exteriores e Defesa Nacional; e de Turismo e Desporto.

Faleceu em Recife no dia 11 de abril de 2009, vítima de câncer, sem ter concluído seu mandato na Câmara dos Deputados.

Foi casado com Ana Lúcia Loyo de Queirós Campos, com quem teve três filhos. Casou-se pela segunda vez com Míriam Dias. Separado mais uma vez, casou-se com Maria Helena Brennan.

Juliana Sousa atualização

 

 

FONTES: DIAP. Quem; Diário de Pernambuco (online) 31 out. 2007. Disponível em : <http://www.pernambuco.com/ultimas/noticia.asp?materia=20071031175858&assunto=68&onde=1>. Acesso em : 09 nov. 2009; Folha de S. Paulo (15/7/98); Folha de S.Paulo (online) 25 abr. 2007. Disponível em : <http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult 96u91587.shtml>. Acesso em : 09 nov. 2009; INF. BIOG.; IstoÉ (online) 28 mar. 2009. Disponível em :<http://www.terra.com.br/istoe/1952/brasil/1952_caixapreta_infraero.htm>. Acesso em : 09 nov. 2009; Olho no Congresso/Folha de S. Paulo (31/1/95 e 14/1/96); SENADO. Dados; TRIB. REG. ELEIT. PE. Relação (1998); Veja (online) 23 nov. 2007. Disponível em : <http://veja.abril.com.br/230507/p_060.shtml>. Acesso em : 09 nov. 2009.

 

 

 

 

Para enviar uma colaboração ou guardar este conteúdo em suas pesquisas clique aqui para fazer o login.

CPDOC | FGV • Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil
Praia de Botafogo, 190, Rio de Janeiro - RJ - 22253-900 • Tels. (21) 3799.5676 / 3799.5677
Horário da sala de consulta: de segunda a sexta, de 9h às 16h30
© Copyright Fundação Getulio Vargas 2009. Todos os direitos reservados