ZAPPA, ITALO

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Nome: ZAPPA, Italo
Nome Completo: ZAPPA, ITALO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
ZAPPA, ÍTALO

ZAPPA, Ítalo

*diplomata.

 

Ítalo Zappa nasceu em Paola, Itália, no dia 20 de março de 1926, filho de Santo Zappa e Julieta Fuoco Zappa. Tornou-se brasileiro de acordo com o artigo 115, letra “b” da Constituição de 1937.

Bacharelou-se em ciências jurídicas e sociais pela Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro em 1950 e, ao completar o curso de preparação à carreira de diplomata do Instituto Rio Branco, foi nomeado cônsul de terceira classe em outubro de 1952. Na Secretaria de Estado de Relações Exteriores (SERE), então funcionando no palácio Itamarati do Rio de Janeiro, chefiou interinamente, em 1954, a seção de organização. Removido para a Suíça em 1955, ocupou os cargos de vice-cônsul e de cônsul-adjunto em Genebra até 1957. Naquela cidade, participou das XVIII e XIX conferências internacionais de Instrução Pública (1955-1956), da IX Reunião do Grupo de Trabalho das Partes Contratantes do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT, desde 1995 Organização Mundial do Comércio — OMC) para Problemas de Comércio de Produtos de Base (1955) e da XXXIX Sessão da Conferência Internacional do Trabalho (1956).

Em julho de 1956 foi promovido a cônsul de segunda classe por merecimento e removido no ano seguinte para Washington, onde serviu como segundo-secretário na missão junto à Organização dos Estados Americanos (OEA) até ser lotado na embaixada em Buenos Aires (1960). Foi promovido, por merecimento, a primeiro-secretário em setembro de 1961 e transferido novamente para a SERE, onde integrou o grupo de trabalho de estudos de regulamentação e execução da reforma do Ministério das Relações Exteriores (MRE). Foi auxiliar do secretário-geral-adjunto para organismos internacionais e chefe da Divisão de Conferências, Organismos e Assuntos Gerais, ambos em 1962, e auxiliar do secretário-geral de política exterior em 1963. Enviado para servir na embaixada em Montevidéu em 1963, foi chefe-interino do Setor de Promoção Comercial (na época Sepro, depois Secom) até 1964, quando foi removido para o Peru. Nesse mesmo ano, esteve presente à III Reunião do Conselho Interamericano Econômico e Social (CIES), depois Comissão Interamericana de Desenvolvimento Integral (CIDI) em Lima. De volta à SERE, em 1967 assumiu a chefia da Divisão da OEA e, nessa condição, participou da XI Reunião de Consulta dos Ministros das Relações Exteriores dos Estados Membros da OEA e da reunião de chefes de estados americanos, ambas em Punta del Este (Uruguai), e da XI Reunião de Consulta dos Ministros das Relações Exteriores dos Estados Americanos em Washington.

Chegou por merecimento ao posto de ministro de segunda classe em novembro de 1968 e, no ano seguinte, foi chefe de gabinete do ministro das Relações Exteriores José de Magalhães Pinto. Removido para Washington, trabalhou de 1970 a 1973 como ministro-conselheiro na missão junto à OEA, ocupando o cargo de encarregado de negócios em 1970 e 1974. Nesse período, participou da XXVIII Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) (Nova Iorque, 1972), dos I, II e III períodos extraordinários e I e II períodos ordinários de sessões da Assembléia Geral da OEA, das sessões da Comissão Especial criada no III Período Ordinário de Sessões da Assembléia Geral da OEA (1973) e do IV Período Ordinário de Sessões da Assembléia Geral da OEA em Atlanta (1974).

Nomeado chefe do Departamento da África, Ásia e Oceania (DAO) em 1975, voltou à SERE, então funcionando no palácio Itamarati de Brasília, e, em dezembro do mesmo ano, foi promovido por merecimento a ministro de primeira classe. Tornou-se nacionalmente conhecido quando veio à tona que, em viagem secreta à África em dezembro de 1974, entendera-se com os líderes das guerrilhas de Angola, Agostinho Neto, e Moçambique, Samora Machel, preparando o terreno para o reconhecimento diplomático das antigas colônias portuguesas naquele continente e marcando uma nova fase da política brasileira em relação às colônias e ex-colônias portuguesas, até então de apoio ao regime do ditador Antônio de Oliveira Salazar. Assim, durante sua gestão à frente do DAO, o Brasil reconheceu Guiné-Bissau (julho de 1974) e estabeleceu relações diplomáticas com aquele país (dezembro de 1974), inaugurando o ciclo de aproximação brasileira com a África lusófona. No ano seguinte, foram reconhecidos os governos de Cabo Verde e de São Tomé e Príncipe e, adiantando-se a todos os países do mundo, no mesmo dia da independência reconheceu-se o governo de Agostinho Neto em Angola. Primeiro embaixador do Brasil em Moçambique (1977), Zappa ocupou a embaixada em Maputo até 1981.

Findo este período, consultado pelo chanceler Ramiro Saraiva Guerreiro para qual cidade queria ser removido, respondeu-lhe Manágua, capital da Nicarágua. Pouco antes, a Frente Sandinista de Libertação, de orientação esquerdista, havia tomado o poder naquele país, derrubando o ditador Anastácio Somoza. O seu pedido foi recusado, devido às suas freqüentes permanências e contatos com países comunistas, o que lhe valeu o apelido de “embaixador vermelho”. Dez meses depois, no entanto, foi-lhe oferecida e aceita a embaixada em Beijing (Pequim). Durante a sua permanência no cargo, o comércio bilateral entre os dois país registrou sensível expansão, passando de pouco mais de trezentos milhões de dólares para um bilhão de dólares. Avesso à ostentação, vendeu os três automóveis Mercedes-Benz da embaixada e comprou um microônibus, alegando praticidade e economia, além de evitar conflitos entre visitantes que desejavam viajar no carro do embaixador. Contribuiu também para que o então presidente da República, general João Batista Figueiredo (1979-1985), visitasse a China.

Em 1986, foi nomeado o primeiro embaixador brasileiro em Cuba, após 20 anos de relações diplomáticas suspensas, tendo permanecido em Havana até 1990 quando, por ter completado 15 anos como ministro de primeira classe, passou para o quadro especial do MRE. Convidado cinco anos mais tarde para abrir e chefiar a primeira representação diplomática brasileira no Vietnã, instalou então a embaixada em Hanói. O início das conversações com esse país começou por ele próprio quando, alguns anos antes, devolvera ao então Vietnã do Norte os bens da embaixada abandonada do antigo Vietnã do Sul. Em 1996, pediu afastamento do cargo por motivo de saúde. Nessa ocasião, o presidente Fernando Henrique Cardoso redigiu-lhe uma carta de próprio punho, afirmando que o embaixador era um exemplo a ser seguido pela diplomacia brasileira e um “modelo de coragem e dedicação aos interesses nacionais”.

Em entrevista à revista IstoÉ, em 1996, justificou a sua opção por trabalhar em países em desenvolvimento, longe do chamado “circuito Elizabeth Arden” (Londres, Paris, Nova Iorque e Roma), afirmando que “ou se ia para os grandes centros, onde nada é importante, inovador ou decisivo, ou ia para os países onde tudo estava por fazer”.

Ítalo Zappa faleceu no Rio de Janeiro no dia 4 de novembro de 1997, de câncer. Por ocasião de sua morte, o MRE divulgou nota afirmando que o embaixador foi “um dos mais atuantes promotores do estreitamento das relações entre o Brasil e países em desenvolvimento”.

Era casado com Maria Aparecida Camerano Zappa, com quem teve três filhos. Teve uma filha com Maria Elisa Berenguer e união duradoura com Diana Carvalho.

Sílvia Escorel/Romero Brito

 

FONTES: Globo (5/11/97); INF. FAM. REGINA ZAPPA; IstoÉ (12/11/97); Jornal do Brasil (17/6/77 e 10/11/97); MIN. REL. EXT. Anuário (1976, 1983 e 1992); Veja (6/11/85 e 2/7/86).

 

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