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Nome: AÇÃO
Nome Completo: Ação

Tipo: TEMATICO


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AÇÃO

 

Jornal diário fundado em São Paulo pela Ação Integralista Brasileira (AIB). Foram seus diretores Alfredo Egídio de Sousa Aranha e Miguel Reale.

O primeiro número de Ação, editado a 7 de outubro de 1936, apresentava um editorial de autoria de Miguel Reale intitulado “O destino das máquinas”. Nele era mencionado que as impressoras Marinoni tinham “ritmos precisos” e representavam a “consubstanciação esplêndida do poder da inteligência”, e que essa gráfica já servira a diferentes objetivos: “Agora, nesta mesma oficina, este mesmíssimo prelo vai ensinar outra linguagem, vai falar aos homens uma linguagem nova. Liberal anteontem, comunista ontem, integralista hoje. Que seqüência maravilhosa na história destas máquinas.” E prosseguia: “Este prelo d’ação não será usado para outro fim que não seja o da felicidade, educação e grandeza do Brasil.” Nesta primeira edição do jornal eram ainda homenageados os “heróicos operários integralistas vitimados pelas balas assassinas de comunistas covardemente entocaiados” (largo da Sé, São Paulo, 7 de outubro de 1934), e era anunciado o fechamento da AIB na Bahia, com a observação de que “o enfraquecimento do integralismo representa uma vantagem para os comunistas.”

A linha editorial de Ação era definida e reiterada pelos ideais integralistas consubstanciados na AIB. Assim é que desde o primeiro número do jornal o integralismo era reafirmado como um partido nacional. Nessa mesma primeira edição Plínio Salgado assinava um artigo em que afirmava: “Até há pouco, no jogo das forças políticas, levaram-se em linha de conta três grandes estados: São Paulo, Minas e Rio Grande do Sul. Agora pode-se dizer que apareceu um quarto grande estado, que é o integralismo.” E mais adiante: “O partido nacional ‘constitui apenas um dos aspectos do nosso prodigioso movimento’, pois somos, além disso, uma ‘ação cultural’, uma ‘ação educacional’, uma ‘ação social’.”

Duas eram as preocupações centrais da linha editorial de Ação: a promoção e reafirmação dos ideais integralistas, e o combate ao comunismo (“Quem não for contra o comunismo é comunista”, 10/10/1937). A essas duas preocupações somavam-se o combate ao sionismo e a conseqüente promoção do anti-semitismo.

Coerentemente ao programa de ação integralista, o nacionalismo ocupava lugar de destaque nas páginas do jornal. Em setembro de 1936 (edição do dia 15), Ação publicou uma entrevista de Monteiro Lobato, na qual este afirmava: “A minha única esperança está em vocês integralistas. A verdade sobre a nossa economia está nos livros de Gustavo Barroso.” Na edição de 13 de outubro, o jornal destacava que a multidão de Recife clamava: “Queremos petróleo, mas petróleo do Brasil: não queremos petróleo das mãos dos magnatas estrangeiros, dos trusts, da Standard Oil, dos Royal Dutch.”

Mas a luta nacionalista era também a luta pela unidade nacional, portanto uma luta anti-regionalista. Em outros termos, era a luta pelo fortalecimento do poder central em contraposição ao poder federativo. E nesse contexto, o problema da democracia era totalmente secundário, só sendo abordado segundo os ditames da conveniência. Foi este o caso, por exemplo, da sucessão presidencial em 1937, quando Plínio Salgado pleiteava abertamente a presidência da República: “O integralismo não é ditadura, nem extremismo da direita, como alardeiam os ignorantes ou os de má-fé” (manchete da edição de 8 de dezembro de 1936). Outro exemplo foi o artigo assinado por Miguel Reale, “A democracia e o sigma”, publicado na edição de 7 de maio de 1937, onde se lê: “A democracia sempre foi o nosso ideal. E foi por amor à democracia que repudiamos o liberalismo e o socialismo, que dela se têm servido como mero instrumento, ora para a prepotência das minorias plutocráticas, ora para a exploração demagógica dos sofrimentos populares.”

Depois do golpe do Estado Novo (10/11/1937), amplamente apoiado pela linha editorial do jornal, que então circulava em formato de tablóide, a campanha anticomunista ganhou novo vigor. Em 11 de novembro o jornal informou que a AIB, a partir daquela data, transformava-se apenas num centro de estudos e educação moral, cívica e física. A partir de então, igualmente, a linha editorial de Ação colocou ênfase no noticiário internacional, com destaque para a Guerra Civil Espanhola. Ao mesmo tempo, acentuou-se sua linha anti-semita: “Realizam-se os planos dos protocolos dos sábios de Sião! Os judeus internacionais criam um fundo de 80 milhões de contos para combater os países nacionalistas! A Inglaterra, amiga dos judeus, lucrará com a ação da judiaria” (4/1/1938).

Em 23 de abril de 1938 circulou o último número de Ação (nº 464), com direção de Miguel Reale, secretaria de Paulo Paulista e gerência de José Ribeiro de Barros. No artigo de fundo dessa edição não existe uma explicação para o desaparecimento do jornal, mas uma reafirmação da esperança do ideal semeado: “Esta tribuna vai desaparecer; nós não conversaremos mais com o Brasil através das colunas de Ação; porém, isso não significa que temos desaparecido: há no coração de todos nós uma chama sempre viva acalentando um ideal e o ideal não morre quando uma tribuna desaparece!”

Amélia Cohn

colaboração especial

 

FONTES: Ação; CHASIN, J. Integralismo.

 

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