DIARIO NACIONAL

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Nome: DIÁRIO NACIONAL
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DIÁRIO NACIONAL

DIÁRIO NACIONAL

 

Jornal paulista diário lançado no dia 14 de julho de 1927 explicitamente como um “instrumento de ação” do Partido Democrático (PD) de São Paulo. A expressão é de um de seus diretores fundadores, Paulo Nogueira Filho. Os outros dois foram José Adriano Marrey Júnior e Amadeu Amaral.

Como instrumento de ação partidária, o Diá- rio Nacional “bater-se-ia pelas aspirações condensadas no programa do Partido Democrático”, que por sua vez correspondia “a antigas, insistentes, mas dispersas formas de opinião que ele congregou finalmente”. O manifesto de lançamento da Sociedade Anônima Diário Nacional reuniu as seguintes assinaturas: Paulo Duarte, Vicente Rao, Joaquim Sampaio Vidal, Antônio Carlos Couto de Barros, Paulo Nogueira Filho, Amadeu Amaral e José Adriano Marrey Júnior.

 

Atuação

Conforme a linha programática do PD, o Diário Nacional tornou-se crítico das oligarquias dominantes, defendeu o voto secreto (edição de 8/11/1927), tomou posição favorável aos revolucionários de 1924, defendendo a sua anistia (23/11/1927), e divulgou e promoveu os nomes dos candidatos dos partidos às eleições estaduais realizadas em 7 de dezembro de 1927.

No decorrer do ano de 1928, teve grande presença nas páginas do jornal a figura de Luís Carlos Prestes. Segundo Nogueira Filho, o Diário Nacional foi o jornal que apresentou um dos mais detalhados mapas do trajeto da Coluna Prestes. Para os diretores do jornal, o objetivo de tais reportagens era divulgar o ideário de revolução democrático-libertadora, de seus líderes e feitos históricos. Concomitantemente, voltaram à baila denúncias das fraudes ocorridas nas eleições do ano anterior, com o intuito de alertar a população para as eleições municipais de 30 de outubro. Foi ainda durante o segundo semestre desse ano que o jornal denunciou com veemência a ação de fascistas brasileiros, manipulados por seguidores de Mussolini (23/9/1928), o que chegou a provocar manifestações públicas em defesa dos ideais democráticos.

Em 1929 assumiram a chefia da redação Paulo Duarte e Amador Florence Sobrinho; a gerência passou a ser exercida pelo poeta e escritor Sérgio Millet. A partir de então, tornaram-se freqüentes as matérias de Mário de Andrade e Manuel Bandeira. A tiragem do jornal por essa época vinha apresentando um aumento acentuado, o que estava demandando uma ampliação das instalações e a busca de novos recursos financeiros.

Também em 1929 a batalha pela sucessão presidencial já se fazia presente nas páginas do Diário Nacional: “Se vingar a vontade do sr. Washington Luís, teremos mais quatro anos de desvirtuamento do regime, de ausência de representação e de domínio de interesse do grupo na direção do país. Contra isso se oporá com todas as forças o Partido Democrático Nacional” (9/2/1929). Em nível estadual, Júlio Prestes era o alvo: “Infelizmente, São Paulo não pode vangloriar-se de ter um presidente liberal e de idéias largas, assim na política como na administração... Minas e Rio Grande do Sul são mais felizes” (2/1/1929). A veemência do editorial do dia 7 de fevereiro de 1929 era ainda maior: “O Partido Democrático quer a luta em torno da sucessão... Mas, se à atividade da oposição se contrapuserem, como até aqui, o dinheiro público, a parcialidade do governo, a depuração oficial, a falsificação organizada e a violência policial — então terá sido a última experiência. Depois só a revolução.” Em março de 1929 o jornal assim comentou o manifesto de Prestes: “Marchamos todos (democráticos e revolucionários) lealmente para o mesmo fim, e seria insensato que nos dispersássemos em controvérsias estéreis justamente na hora em que devemos unir nossas forças, numa frente única, contra os usurpadores do poder” (19/3/1929).

A contrapartida da campanha sistemática do Diário Nacional contra as oligarquias controladas pelos partidos republicanos, notadamente o paulista (PRP), era a promoção de líderes políticos que postulavam os ideais da Aliança Liberal e eram adeptos dos partidos Democrático (PD) e Libertador. Nessas matérias Luís Carlos Prestes — o comandante militar — e Joaquim Francisco de Assis Brasil — o líder civil — eram figuras freqüentes.

A crise do café, sobretudo a partir de outubro de 1929, fez-se sentir no equilíbrio financeiro do jornal. Para se reequilibrar financeiramente, seus diretores lançaram mão de vários expedientes, que iam desde receber ajuda financeira da Aliança Liberal até promover uma profunda reorganização interna.

A partir de janeiro de 1930 os artigos que traduziam a posição do jornal passaram a ser assinados por Vicente Rao. Por essa época, o manifesto de Prestes, lançado em maio, anunciando sua adesão ao comunismo, provocou um impacto na linha editorial do Diário Nacional, que assumiu posição francamente contrária à oposição política de Prestes. No conjunto de reações incluiu-se o destaque à publicação da resposta de Juarez Távora a Prestes (18/6/1930).

Nos acontecimentos de outubro de 1930, a edição nº 1.004, do dia 5 daquele mês, já anunciava a vitória do movimento revolucionário. A adesão do jornal ao movimento foi total. Mesmo na fase mais crítica da revolução, o jornal teve suspensa sua edição somente por poucos dias, e suas edições de novembro já deram grande espaço para os pronunciamentos dos líderes revolucionários vitoriosos. A adesão à Revolução de 1930 foi de tal monta que as próprias interventorias estaduais foram aceitas. A nomeação de João Alberto Lins de Barros para o cargo de interventor em São Paulo foi plenamente apoiada. Somente em abril de 1931, quando o PD rompeu com João Alberto, foi que o Diário Nacional passou a publicar matérias que qualificavam o interventor como “tão pouco adestrado no ofício de estadista”, que favorecia elementos “de fora” em detrimento “dos filhos de São Paulo e de outros grandes vultos da terra” nos cargos públicos. O jornal chegou mesmo a acusar João Alberto de favorecer a expansão das idéias comunistas em São Paulo (edições dos dias 5 e 6 de abril de 1931).

O rompimento com o governo Vargas, porém, só aconteceria em janeiro de 1932, depois dos episódios que envolveram a sucessão de João Alberto na interventoria paulista. Depois de ver seus candidatos preteridos, o PD, e portanto o Diário Nacional, romperam com o governo. O periódico já reivindicava, em fins de 1931, a autonomia paulista: o povo de São Paulo “reclama, quando menos, o direito de ser ouvido na escolha de seus dirigentes, a faculdade de apontar, através do pensamento das correntes canalizadoras e orientadoras da opinião pública, o nome capaz de fazer vingar a obra regeneradora da revolução, conduzindo os destinos do estado”. E continuava: “Pretensão justa, honesta, simples reflexo da própria dignidade cívica é essa, que bem se coaduna com as promessas feitas a todo o povo brasileiro pelos chefes revolucionários, com as promessas, isto é, de dar ao povo a devida interferência na direção de seus destinos” (14/11/1931).

A atitude político-partidária de oposição e rompimento com o interventor João Alberto, de apoio a Laudo Ferreira de Camargo e de desconfiança com relação ao interventor provisório João Rabelo, não só contribuiu para o desencadeamento de uma campanha por um governo civil e paulista como prenunciou o rompimento do PD (e conseqüentemente da linha editorial do Diário Nacional) com o governo Vargas, o que ocorreu formalmente em 13 de janeiro de 1932.

A partir de então as reivindicações paulistas se fizeram presentes com veemência: “Quinze meses após a revolução, o maior, o mais rico e o mais poderoso dos estados brasileiros continua a ser terra conquistada” (14/1/1932); “O Partido Democrático desfralda sua bandeira de combate ao lado do pavilhão de São Paulo e do Brasil, conclamando as energias de seus conterrâneos e patrícios para uma ação conjunta em defesa da causa comum. Tudo pelo Brasil; tudo pela Constituinte, tudo por São Paulo” (15/1/1932).

A campanha pela autonomia paulista, no bojo da luta pela reconstitucionalização do país e pelo retorno ao estado de direito, acabou por fazer emergir a aliança entre o PD e o PRP, anunciada com destaque, na edição de 16 de fevereiro de 1932. A campanha favorável à Frente Única Paulista para fazer face ao governo Vargas foi a tônica das edições do primeiro semestre desse ano, até que, com a derrota do movimento constitucionalista paulista pelas forças de Vargas, o Diário Nacional circulou pela última vez no dia 30 de setembro, com apenas uma folha, noticiando a proposta de imediata suspensão das hostilidades.

Amélia Cohn/Sedi Hirano

colaboração especial

 

 

FONTES: NOGUEIRA FILHO, P. Ideais; NOGUEIRA FILHO, P. Partido.

 

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