ESTADO DE MINAS, O

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Nome: ESTADO DE MINAS, O
Nome Completo: ESTADO DE MINAS, O

Tipo: TEMATICO


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ESTADO DE MINAS, O

ESTADO DE MINAS, O

 

Jornal mineiro, diário e matutino, fundado em Belo Horizonte em 7 de março de 1928.

O Estado de Minas foi fundado por Juscelino Barbosa, então diretor do Banco Hipotecário e Agrícola de Minas Gerais, ao lado de Álvaro Mendes Pimentel e de Pedro Aleixo, ambos membros do Conselho Deliberativo de Belo Horizonte, atual Câmara Municipal. Os três formaram uma sociedade sob a razão social de Estado de Minas Sociedade Limitada. Pedro Aleixo assumiu a direção do jornal, formando uma equipe de jovens que mais tarde teriam um desempenho marcante na vida mineira e nacional. Entre eles figuravam Leal Costa, José Maria Alkmin, Carlos Drummond de Andrade, Mílton Campos, Francisco Negrão de Lima, Manuel Teixeira de Sales e Jair Silva.

O objetivo inicial dos fundadores da nova folha era muito mais dotar a imprensa mineira de um periódico que imprimisse novos padrões jornalísticos em Belo Horizonte do que criar um órgão engajado nas lutas políticas. Assim, durante seus primeiros meses de existência, O Estado de Minas limitou-se a noticiar as discussões iniciais em torno da sucessão de Washington Luís na presidência da República, sem optar por uma definição clara.

Ao se iniciar o ano de 1929, Juscelino Barbosa desfez-se de sua parte no jornal, ficando a empresa sob a responsabilidade de Pedro Aleixo e Álvaro Mendes Pimentel. A partir desse momento, o jornal começou a definir com maior nitidez sua linha política.

Ainda no primeiro semestre de 1929, O Estado de Minas deu total cobertura à campanha lançada pelo presidente estadual Antônio Carlos Ribeiro de Andrada em favor do voto secreto. Com a vacância de um lugar no Conselho Deliberativo de Belo Horizonte — cargo, aliás, não remunerado e sem grande significação política —, realizou-se a primeira experiência de voto secreto no país, com grande repercussão nacional. O Estado de Minas apoiou a candidatura do professor José de Magalhães Drummond, que concorria com o jovem advogado Jair Negrão de Lima, apoiado pelo então prefeito da capital, Cristiano Machado.

Em 15 de junho de 1929, já inclinado para as causas oposicionistas, O Estado de Minas transformou-se numa sociedade anônima, cujo controle acionário foi adquirido por Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Melo. Proprietário na época dos primeiros órgãos do que viria a ser a cadeia dos Diários Associados, Chateaubriand entregou a direção do jornal a Dario de Almeida Magalhães, que, na primeira reunião com os integrantes do seu novo jornal, nomeou Milton Campos para o cargo de redator-chefe; Tancredo Neves, como secretário de redação; Pedro Aleixo, como presidente da empresa; e José Alckmim, como gerente.

As causas dessa transferência de propriedade têm sido alvo de controvérsias. Segundo Teódulo Pereira, O Estado de Minas teria trocado de mãos para evitar a falência, e também para que fosse possível imprimir ao matutino mineiro uma orientação mais comprometida com a Aliança Liberal. Existe ainda a versão segundo a qual a compra do jornal teria sido fruto de um acordo secreto entre Chateaubriand e o presidente Antônio Carlos, pelo qual o dinheiro investido na transação seria utilizado na compra de armas para a campanha da Aliança Liberal, já que Minas não possuía condições financeiras para arcar com o ônus de uma possível revolução armada. Independentemente das diferentes versões, o fato é que O Estado de Minas em sua nova fase caracterizou-se por um absoluto engajamento na campanha da Aliança Liberal.

Em janeiro de 1930, foi inaugurada uma nova sede do jornal, na Avenida Afonso Pena, em Belo Horizonte.

Após a derrota de Getúlio Vargas nas eleições, o jornal encampou a solução revolucionária, dando total apoio ao movimento armado de outubro de 1930. Com o estabelecimento do Governo Provisório chefiado por Vargas, O Estado de Minas reiterou sua solidariedade aos revolucionários e confirmou seu apoio ao presidente estadual Olegário Maciel, mantendo-se neutro perante as disputas que dividiam o Partido Republicano Mineiro (PRM). Entretanto, à medida que o Governo Provisório estendia sua vigência, o jornal — seguindo orientação de Chateaubriand — iniciou uma campanha contra Vargas, apoiando mais explicitamente os setores do PRM ligados a Artur Bernardes e vendo com simpatia a Revolução Constitucionalista de 1932.

Com a derrota dos constitucionalistas, Chateaubriand foi obrigado a deixar o país. Nesse momento, Dario de Almeida Magalhães foi chamado ao Rio de Janeiro para assumir a direção de O Jornal (principal órgão dos Diários Associados), passando a direção de O Estado de Minas a Afonso Arinos de Melo Franco no início de 1933. Diante da convocação de eleições para a Assembléia Nacional Constituinte em maio de 1933 e da instauração de um governo constitucional no ano seguinte, O Estado de Minas voltou a se aproximar da situação, apoiando Vargas no combate às forças esquerdistas que em 1935 se organizariam na Aliança Nacional Libertadora (ANL).

Essa grande afinidade com o governo — emanada da direção dos Diários Associados — veio contudo a promover em meados de 1934 novas alterações da direção de O Estado de Minas. Com a morte de Olegário Maciel em setembro de 1933, dois nomes se apresentaram para assumir a interventoria mineira: de um lado, Gustavo Capanema, e, de outro Virgílio de Melo Franco, irmão de Afonso Arinos. Fugindo à expectativa, porém, Getúlio Vargas nomeou para o cargo Benedito Valadares. Decepcionado, Afonso Arinos passou a criticar o novo interventor em seus editoriais, o que o levou pouco depois a renunciar à direção do jornal.

Permanecendo no Rio de Janeiro, Dario de Almeida Magalhães reassumiu a direção de O Estado de Minas, sendo representado em Belo Horizonte por seu irmão Petrônio de Almeida Magalhães, que manteve uma linha favorável ao governo.

Embora fizesse algumas restrições a Vargas, o jornal encarou o golpe que instaurou o Estado Novo (10/11/1937) como um movimento patriótico, e considerou que a nova ordem política então estabelecida se adequava às necessidades do país. Essa posição de apoio à situação foi mantida durante quase todo o Estado Novo, tendo o jornal aplaudido as principais iniciativas governamentais e mantido relações cordiais com o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP).

Em fevereiro de 1938, o jornal passou por uma reforma gráfica e adquiriu maquinário novo e mais moderno, substituindo a Linotipo Marinoni pela rotativa Speed King. No mesmo mês, foi inaugurado o primeiro prédio construído para ser a sede do jornal.

Ao despontarem os primeiros sintomas de contestação ao governo de Vargas, o jornal começou a esboçar também posições oposicionistas. O Manifesto dos mineiros de 1943 recebeu total apoio do jornal, e, a partir daí, todas as iniciativas de luta pela redemocratização do regime — como campanhas pela saída de Vargas e pela convocação de uma constituinte — foram encampadas por O Estado de Minas.

Com o lançamento das candidaturas à presidência da República em 1945, o jornal apoiou o brigadeiro Eduardo Gomes, candidato da União Democrática Nacional (UDN), sem deixar contudo de reconhecer os méritos de seu adversário, o general Eurico Gaspar Dutra, indicado pelo Partido Social Democrático (PSD). Após a vitória deste último, O Estado de Minas viu com simpatia o novo governo, empenhado, a seu ver, em promover a conciliação nacional.

Nas eleições estaduais de 1947, o jornal apoiou Mílton Campos, da UDN, que concorria com José Francisco Bias Fortes, do PSD. Com a vitória de seu candidato, O Estado de Minas manteve o apoio a seu governo.

Ao se aproximarem as eleições de 1950, O Estado de Minas mais uma vez reafirmou seu antigetulismo, apoiando as candidaturas udenistas de Eduardo Gomes para a presidência da República e de Gabriel Passos para o governo mineiro. A derrota de ambos refletiu-se de maneira diversa no jornal. Em Minas, o periódico conviveu bem com o governo de Juscelino Kubitschek, elogiando várias medidas e criticando outras de forma moderada. Já na esfera nacional, o jornal manteve uma oposição firme a Getúlio, acompanhando a orientação geral dos Diários Associados.

Nesse sentido, O Estado de Minas combateu toda a política econômica de Vargas, encampando — segundo Thomas Skidmore — as teses do economista Eugênio Gudin, e afirmando que “as medidas fiscais e monetárias, bem como a política do comércio exterior, deveriam seguir os princípios estabelecidos pelos teóricos praticantes da política dos bancos centrais dos países industrializados. Os orçamentos governamentais deveriam ser equilibrados e as emissões, severamente controladas. O capital estrangeiro deveria ser bem recebido e estimulado, como ajuda indispensável para um país falto de capitais”.

Nessa perspectiva, a campanha pelo monopólio estatal do petróleo, popularizada através do lema “O petróleo é nosso”, foi criticada pelo jornal, como fruto de um xenofobismo que impedia a exploração rápida do petróleo nacional, possível somente com a participação do capital estrangeiro.

Essa postura de oposição ao governo Vargas foi aprofundada ao longo de 1954, quando O Estado de Minas se engajou plenamente na campanha de denúncias contra o jornal situacionista Última Hora e acatou as pressões para a deposição de Vargas. Comparado a outros periódicos oposicionistas, no entanto, o jornal manteve uma posição moderada, preservando a pessoa de Getúlio e de seus familiares mesmo em momentos cruciais.

Um exemplo disso foi o episódio do atentado da Toneleros, incidente ocorrido em 5 de agosto de 1954 no Rio, no qual foi morto o major-aviador Rubens Vaz e saiu ferido o jornalista Carlos Lacerda. Enquanto toda a imprensa de oposição denunciava a participação do governo e acusava a família do presidente de envolvimento no escândalo, O Estado de Minas, embora clamasse pela punição dos culpados, não atribuiu à família Vargas nenhuma responsabilidade.

Com o suicídio do chefe do governo e a subida de Café Filho, o jornal manteve-se numa posição equilibrada, não se definindo com clareza diante das novas forças políticas em ascensão.

Ainda em 1954, O Estado de Minas adquiriu uma rotativa Mann, em quatro cores, com capacidade para rodar mais de 60 mil jornais por hora. O jornal passou por mais uma reforma gráfica e passou a adotar o formato standard.

Alterando suas posições tradicionais, nas eleições de 1955 O Estado de Minas apoiou os candidatos do PSD José Francisco Bias Fortes, para o governo estadual, e Juscelino Kubitschek, para o governo federal. Essa nova linha determinou a atitude do jornal em relação ao movimento contra a posse de Kubitschek, cujo argumento básico era a inexistência de maioria absoluta nas eleições. O Estado de Minas postou-se ao lado das forças legalistas, dando seu apoio ao chamado “golpe branco” de 11 de novembro de 1955, que garantiu a posse dos candidatos eleitos.

A partir desse momento, o matutino mineiro manteve-se eqüidistante das lutas políticas pela renovação dos governos. Sua atuação limitou-se ao comentário moderado sobre esta ou aquela medida levada a efeito pelos diversos governos, sem qualquer envolvimento direto nas disputas sucessórias. Dessa forma caracterizou-se a linha do jornal nos anos que se sucederam.

A partir de 1962, entretanto, O Estado de Minas voltaria a assumir uma posição marcadamente oposicionista. Na opinião do jornal, o país encontrava-se ameaçado pelo comunismo e corria enormes riscos, urgindo a necessidade de se desencadear uma luta sistemática contra toda e qualquer medida ensaiada pelo governo de João Goulart.

Nesse contexto, o jornal passou a funcionar como um dos articuladores do movimento militar que deporia o governo, influindo decisivamente para que se criasse entre os mineiros um clima psicológico favorável ao levante.

Em abril de 1963, foi inaugurado o serviço de radiofoto d’ O Estado de Minas, e, em 1964, aconteceu a primeira grande reforma gráfica do jornal, conforme o projeto elaborado pelo artista plástico Amilcar de Castro.

A partir do estabelecimento do novo regime, em 31 de março de 1964, O Estado de Minas esteve plenamente identificado com os governos revolucionários. Sua maior afinidade, entretanto, manifestou-se em relação ao governo do marechal Humberto de Alencar Castelo Branco, ao qual o jornal deu apoio irrestrito e considerou como o mais rico em realizações. Em contrapartida, fez algumas restrições ao desempenho do general Emílio Garrastazu Médici, o qual, no seu entender, não deu um tratamento adequado a Minas Gerais. Essas pequenas considerações críticas em nada prejudicaram o relacionamento do jornal com os governantes militares, representantes das forças armadas, apoiadas e prestigiadas como responsáveis pela ordem e a integridade do país.

Em março de 1979, foi inaugurado o Parque Gráfico Geraldo Teixeira da Costa. A partir de então, o jornal passou a ser produzido todo em off-set, houve um aumento no número de tiragens e a empresa passou a operar no mercado também imprimindo jornais para empresas e órgãos do governo.

Na década de 1980, o jornal teve significativo crescimento em captação de publicidade, em vendas avulsas e em número de assinantes. Em 1988, o parque gráfico foi ampliado e, em 20 de março daquele ano, foi impressa na capa do jornal a primeira foto colorida, sobre o treino da seleção brasileira de vôlei.

Em março de 1991, o ex-governador do estado de Minas Gerais (de 1987 a 1991), Newton Cardoso, comprou as ações de O Estado de Minas, que se especializara em lhe fazer oposição durante quase todo seu governo, a ponto de não publicar sequer o seu nome, tratando-o como “o eventual ocupante do palácio da Liberdade.” As ações foram adquiridas de Gilberto Chateaubriand, filho de Assis Chateaubriand, que se encontrava em litígio com os demais herdeiros dos Diários e Emissoras Associados.

Em 1994, entrou em funcionamento o Tel Service, um catálogo de consultas de serviços acessado por telefonema gratuito, que ampliava o espaço para o leitor fazer sugestões e críticas ao jornal. Através deste serviço, os leitores podiam também ter acesso às notícias que não haviam entrado na edição do dia.

Em janeiro de 1995, O Estado de Minas iniciou outra reforma gráfica e editorial, implantando um sistema de editoração informatizada. Em janeiro de 1996, foi lançado o Net Service, de provimento de acesso a internet.

Em 1998, ainda estava em curso a batalha jurídica em torno dos direitos patrimoniais dos Diários Associados, e O Estado de Minas representava a única fonte razoável de dividendos dos Associados, por ser o maior diário de Belo Horizonte.

Em novembro de 2000, o jornal mudou de sede e passou a ocupar o Edifício Pedro Aleixo, em homenagem a um dos seus fundadores. Em 2004, foi realizada uma nova reforma no projeto gráfico e editorial do jornal, que passou a ter três edições diárias, além de começar a ser distribuído em outros estados.

Entre 2004 e 2008, O Estado de Minas reformulou cadernos e apresentou novos suplementos, tendo em vista atender a demanda de um público diversificado e com interesses específicos.

Em março de 2008, o jornal mineiro comemorou 80 anos e, como parte das comemorações, lançou um novo caderno voltado especificamente para o público jovem de 13 a 19 anos, o Ragga Drops, que começou a circular na edição do dia 28 de fevereiro.

Marieta de Morais Ferreira

FONTES: ENTREV. ANDRADE, M.; ENTREV. COSTA, C.; ENTREV. PEREIRA, T.; Estado de Minas (12/3/74, 2 e 16/4/77); Imprensa (43); PORTAL DA PROPAGANDA; O Estado de Minas completa 80 anos; disponível em: http://www.portaldapropaganda.com.br/portal/propaganda/2310-estado-de-minas-completa-80-anos.html ; acesso em: 17/12/2009; Veja (4/2/98).

 

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