FATOS E FOTOS

Ajuda
Busca

Acervos
Tipo
Verbete

Detalhes

Nome: FATOS E FOTOS
Nome Completo: FATOS E FOTOS

Tipo: TEMATICO


Texto Completo:
FATOS E FOTOS

FATOS E FOTOS

 

Semanário de variedades impresso e editado por Bloch Editores S.A. a partir de 28 de janeiro de 1961, em Brasília.

No dia 29 de julho de 1960, foi inaugurada a sucursal de Brasília da Manchete. Naquela ocasião, Adolfo Bloch, presidente da Bloch Editores, prometeu ao presidente da República, Juscelino Kubitschek, editar um tablóide na nova capital do país. Seis meses depois, era lançada Fatos e Fotos.

Segundo Murilo Melo Filho, para a confecção de Fatos e Fotos era aproveitado o excesso de matérias produzidas para a revista Manchete. Também de acordo com Melo Filho, Fatos e Fotos era uma revista destinada a publicações especiais. Era uma revista leve e, porque continha pouca tinta, destinada a coberturas ágeis.

Quando foi lançada, integravam o corpo editorial da revista Justino Martins (diretor), Leonardo Bloch, Pedro Jack Kapeller e Arnaldo Niskier, entre outros.

A renúncia do presidente Jânio Quadros, em agosto de 1961, levou o Brasil a mais uma crise política. Os ministros militares vetaram a posse do substituto legal, o vice-presidente João Goulart (PTB). Fatos e Fotos apoiou a investidura de João Goulart. O governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, e o comandante do III Exército, general Machado Lopes, foram chamados, respectivamente, pela revista de “herói dos pampas” e de “general da lei”, por terem, com a Campanha da Legalidade, constituído um importante pólo de resistência aos ministros militares que tentaram impedir a posse de João Goulart. Fatos e Fotos avaliou positivamente o comportamento de João Goulart durante a crise. Escreveu a revista na edição do dia 16 de setembro de 1961: “Ao fim, o sr. João Goulart confirmava aquilo que muitos dos seus adversários teimavam esquecer: sua extraordinária vocação para as conversações políticas, a habilidade de contornar situações difíceis e, sobretudo, a sua capacidade de transigir sem recuar do que lhe parece essencial em prol do desarmamento dos espíritos e de pacificação em termos altos.”

Fatos e Fotos, contudo, apoiou com reservas o governo João Goulart. Em setembro de 1963, o marechal Tito, presidente da Iugoslávia, visitou o Brasil. A decisão de homenagear um chefe de Estado comunista com a mais alta condecoração do país causou mal-estar no seio das Forças Armadas. Fatos e Fotos amenizou o episódio com as seguintes palavras: “[...] o presidente Goulart [...] decide conceder-lhe [...] a Ordem do Cruzeiro do Sul. Cortesia diplomática não significa, de nenhum modo, aprovação política.”

Na edição de 19 de janeiro de 1963, Fatos e Fotos publicou, sob o título “E agora João?”, uma matéria sobre o resultado do plebiscito que restabeleceu o presidencialismo no Brasil. Assinado por Murilo Melo Filho, o texto defendia a imediata restituição dos poderes ao presidente da República, dada a esmagadora vitória do presidencialismo.

Murilo Melo Filho fazia ainda um balanço negativo da experiência parlamentarista no Brasil, na edição de 2 de fevereiro de 1963. Dizia ele: “A brincadeira do regime de gabinete durou assim um ano e meio de crises consecutivas que quase levaram o país à bancarrota.”

Contudo, em março de 1964, a revista sustentou uma posição oposta àquela tomada durante a crise da posse de João Goulart, em 1961. Dessa vez, Fatos e Fotos pronunciou-se favoravelmente à deposição do presidente da República. Na cobertura, Fatos e Fotos ressaltou o apoio popular ao movimento militar nas ruas do Rio e de São Paulo.

Segundo Fatos e Fotos, o Ato Institucional nº 1, de 9 de abril de 1964, que permitiu cassações e suspensões de direitos civis e políticos, foi uma medida necessária para restabelecer a ordem no país. Esta postura, contudo, parece ter mudado a partir de junho de 1964, quando o senador Juscelino Kubitschek foi atingido pelo Ato Institucional nº 1. Na edição do dia 27 de junho, Fatos e Fotos publicou a primeira reportagem contendo críticas aos atos do governo militar. Na matéria, o arcebispo de Olinda, dom Hélder Câmara, dizia que as cassações eram medidas violentíssimas e lamentava “[...] que as vítimas só a posteriori tenham direito de defesa”.

Além disso, a revista publicou uma matéria de dez páginas sobre as realizações do governo JK no qüinqüênio 1956-1960, com texto de Murilo Melo Filho e cujo título era “O que fez JK”. Com relação à construção de Brasília, Melo Filho diz que “foi uma injeção de otimismo e confiança num país antes acanhado e pessimista. Setores militares agora reconhecem que ela [Brasília] foi decisiva para a integração e a segurança nacionais”. Os retornos de Juscelino ao Brasil, após curtos períodos de exílio voluntário, sempre receberam cobertura de Fatos e Fotos, mantendo, assim, o nome do ex-presidente em evidência mesmo após este ter perdido seus direitos civis.

Fatos e Fotos também assumiu posições críticas com relação ao regime quando se tornou evidente que os militares não estavam dispostos a restabelecer a ordem democrática a curto prazo. Na edição de 22 de outubro de 1966, Oto Lara Resende escreveu nas páginas de Fatos e Fotos: “Dadas as circunstâncias atuais, dificilmente o marechal Costa e Silva poderá, em curto espaço, desmilitarizar a vida política nacional.”

Durante o período de articulação da Frente Ampla (1966-1968), a revista publicou artigos de Carlos Lacerda criticando os “rumos da revolução” e explicando a sua adesão àquele movimento de oposição ao governo militar, que tinha entre os seus líderes, além de Lacerda, João Goulart e Juscelino Kubitschek, ambos, no passado, adversários do ex-governador da Guanabara.

Na edição de 22 de abril de 1967, Fatos e Fotos anunciava na capa o encontro entre Juscelino e Carlos Lacerda no apartamento deste último no Rio. No texto de Lacerda publicado pela revista, este dizia que sua aliança com Juscelino era “estratégica e de longo prazo. Ela visa assegurar aos brasileiros a confiança na liderança civil, não oposta aos militares como cidadãos, mas decisivamente oposta à tutela do Brasil por qualquer casta ou grupo de pressão”.

Na edição de 7 de outubro de 1967, Fatos e Fotos noticiava na capa o encontro entre João Goulart e Carlos Lacerda. Segundo Murilo Melo Filho, as críticas feitas por Leonel Brizola ao encontro evidenciava a distância que separava este último do ex-presidente. Nesta mesma edição, Carlos Lacerda perguntava em seu texto: “É ou não verdade que a ‘revolução’ prometeu realizar eleições livres e honestas, mas suprimiu a eleição principal e as que realizou não foram livres nem honestas?”

 Contudo, se por um lado, Fatos e Fotos abria espaço para os adversários do regime, por outro, a revista também publicava matérias ressaltando as conquistas do “governo revolucionário”. Em 1º de janeiro de 1966, em uma matéria sobre o estado de Goiás, Fatos e Fotos ressaltou “grande surto de progresso e desenvolvimento num estado que se recuperou depois da revolução de março”. Em 4 de fevereiro de 1967, Fatos e Fotos publicou matéria sobre os estados do Maranhão e do Piauí com o título: “Maranhão e Piauí: uma explosão de progresso”.

Em outubro de 1966, Fatos e Fotos manifestou novamente tolerância com relação às cassações de direitos políticos e civis. A insurreição do presidente da Câmara dos Deputados, deputado federal Adauto Lúcio Cardoso, membro do partido governista, a Aliança Renovadora Nacional (Arena), contra a nova onda de cassações não foi respaldada pela revista, que chamou o deputado de “homem problema”.

Na década de 1970, a política restringiu-se às colunas assinadas por Adirson de Barros e, posteriormente, por Haroldo Holanda, e às entrevistas com personalidades políticas. Foi também nesta última década que a revista passou a chamar-se Fatos e Fotos Gente e tornou-se quase exclusivamente um semanário sobre personalidades.

Em 30 de março de 1977, porém, quando o MDB se opôs às reformas do Judiciário proposta pelo governo — o que acarretou a decretação do recesso parlamentar pelo presidente Ernesto Geisel — nas páginas de Fatos e Fotos, os jornalistas Ib Teixeira e Adirson de Barros criticaram a postura adotada pelo partido oposicionista. Teixeira atribuiu a alguns parlamentares intransigentes a decisão “intempestiva e inoportuna” do MDB. Barros, por sua vez, afirmou que o recesso do Congresso Nacional fora motivado pela ação de uma minoria (os “autênticos”) situada dentro do MDB. A ação desse grupo, segundo Barros, representou uma verdadeira ditadura da minoria e tornava o partido da oposição suspeito perante os olhos dos revolucionários.

A política voltou a ganhar destaque nas páginas de Fatos e Fotos no período que antecedeu a sucessão do presidente João Batista Figueiredo. A ampla cobertura que a revista deu à campanha das Diretas Já e à votação da emenda Dante de Oliveira demonstrava o apoio da revista ao restabelecimento das eleições diretas para presidente da República.

Nas edições de 23 e 30 de abril de 1984, Fatos e Fotos deu destaque, inclusive com fotos na capa, aos comícios realizados nas cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo em prol do restabelecimento imediato da eleição direta para presidente no Brasil.

Com a rejeição da emenda Dante de Oliveira, Fatos e Fotos, na edição de 7 de maio de 1984, afirmava que o nome do governador de Minas Gerais, Tancredo Neves, surgia como o mais indicado para suceder o presidente Figueiredo.

A partir da década de 1980, Fatos e Fotos se tornou uma publicação irregular e eventual.

Vladimir Lombardo Jorge

 

 

FONTES: ENTREV. Murilo Melo Filho; Fatos e Fotos (28/1, 2 e 9/9/61, 19/1, 2/2, 16/9/62, 28/9/63, 14/3, 4 e 18/4, 20 e 27/6/64, 22/10/65, 1/1, 1 e 15/10, 12 e 19/11, 3/12/66, 4/2, 22/4, 30/9 e 7/10/67, 4, 11 e 25/7, 1 e 29/8, 5 e 19/9/76, 18 e 25/4/77, 24/9/79, 18/5/81, 5, 12 e 19/12/83, 23 e 30/4 e 7/5/84).

 

Para enviar uma colaboração ou guardar este conteúdo em suas pesquisas clique aqui para fazer o login.

CPDOC | FGV • Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil
Praia de Botafogo, 190, Rio de Janeiro - RJ - 22253-900 • Tels. (21) 3799.5676 / 3799.5677
Horário da sala de consulta: de segunda a sexta, de 9h às 16h30
© Copyright Fundação Getulio Vargas 2009. Todos os direitos reservados