FOLHA DA SEMANA

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Nome: FOLHA DA SEMANA
Nome Completo: FOLHA DA SEMANA

Tipo: TEMATICO


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FOLHA DA SEMANA

FOLHA DA SEMANA

 

Jornal carioca semanal fundado em 2 de setembro de 1965 e extinto em 13 de dezembro de 1966.

Com a vitória do movimento militar de março de 1964, toda a imprensa identificada com o governo João Goulart sofreu um grande revés. Passado o primeiro impacto causado pela nova situação política, um grupo de jornalistas conhecidos decidiu criar um órgão de oposição que funcionasse como veículo de divulgação da situação deposta. Nesse grupo, entre outros, destacavam-se os nomes de Mauro Lins e Silva, Alfredo Trajan, Artur José Poerner, Anderson Santana Campos, Sérgio Cabral, Maurício Azedo, José Carlos Avelar, Leandro Konder, Alex Viany, Ferreira Gullar e Antonieta Santos.

A orientação política da Folha da Semana, segundo Maurício Azedo, pautava-se em três princípios fundamentais: “o restabelecimento do sistema democrático e a denúncia do golpe militar; a defesa da economia nacional em face do processo de desnacionalização que sofria o país, e a defesa das condições de vida dos trabalhadores e do povo em geral.”

Partindo dessa perspectiva, o jornal desenvolveu inúmeras campanhas, defendendo a libertação de presos políticos, combatendo tenazmente a política de “arrocho salarial” do governo do marechal Humberto Castelo Branco, criticando a criação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), que punha fim à estabilidade do trabalhador, e denunciando amplamente as concessões feitas ao capital estrangeiro no período.

A Folha da Semana atuou também intensamente na campanha eleitoral para o governo do estado da Guanabara em 1965, apoiando a candidatura de Francisco Negrão de Lima, lançada pela coligação entre o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e o Partido Social Democrático (PSD).

O jornal foi ainda o primeiro órgão da imprensa brasileira a desvendar os bastidores da guerra do Vietnam, publicando sob a forma de encarte uma reportagem de dois jornalistas franceses, intitulada “Dois meses com os vietcongs.”

Durante sua curta existência, a Folha da Semana enfrentou grandes dificuldades, tanto de ordem financeira quanto de ordem política. Não possuindo publicidade, o jornal contava apenas com alguns anúncios de grupos de teatro e com a venda de exemplares, que atingiam no máximo a casa dos 15 mil.

Além disso, acusado de possuir ligações com o Partido Comunista Brasileiro (PCB), no decorrer do ano de 1966 o jornal teve sua sede invadida e seu arquivo e diversas matérias em elaboração apreendidos. Após esse episódio, foi instaurado um inquérito policial militar (IPM) a cargo da Marinha, sob a chefia do capitão Bento Augusto de Magalhães, para apurar as vinculações da Folha com o PCB. O advogado do semanário sustentou que as acusações não passavam de uma represália à orientação política do jornal, e que de toda forma os supostos delitos deveriam ser enquadrados na Lei de Imprensa e não na Lei de Segurança Nacional. Com isso, o IPM foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal e acabou sendo arquivado por prescrição.

Ainda assim, a Folha da Semana foi obrigada a fechar em 13 de dezembro de 1966 por ordem do ministro da Justiça, Carlos Medeiros Silva, que proibiu a circulação do jornal.

Marieta de Morais Ferreira

 

 

FONTES: ENTREV. AZEDO, M.; Folha da Semana (9/65 e 12/66).

 

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