FRENTE DE NOVEMBRO

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Nome: FRENTE DE NOVEMBRO
Nome Completo: FRENTE DE NOVEMBRO

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FRENTE DE NOVEMBRO

FRENTE DE NOVEMBRO

 

Movimento fundado em março de 1956 pelo coronel Nemo Canabarro Lucas, com o objetivo de “dar conteúdo político ao Movimento do 11 de Novembro de 1955”, liderado pelo general Henrique Lott para garantir a posse de Juscelino Kubitschek e João Goulart na presidência e na vice-presidência da República. Definindo-se como nacionalista e legalista, a frente foi acusada de subversiva e comunista pelos partidos e jornais da oposição, sendo fechada por Juscelino em 24 de novembro de 1956.

A Frente de Novembro originou-se da Frente Nacionalista, movimento fundado em junho de 1955. Após o Movimento do 11 de Novembro, os nacionalistas resolveram suspender temporariamente o funcionamento da Frente Nacionalista — sem, contudo, dissolvê-la —, criando, quatro meses depois, a Frente de Novembro. A nova organização contou com a participação de oficiais da ativa e da reserva — em sua maioria ligados à ala nacionalista do Exército —, líderes sindicais e cerca de 15 parlamentares governistas. Entre estes últimos, encontravam-se os deputados federais Dagoberto Sales Filho e Leônidas Cardoso, do Partido Social Democrático (PSD) de São Paulo, e Abguar Bastos, do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), também de São Paulo.

O órgão de cúpula da frente era a comissão nacional, composta de dez membros. A presidência do movimento foi confiada a Figueiredo Alves, presidente do Sindicato dos Gráficos do Distrito Federal, cabendo a presidência de honra ao vice-presidente da República, João Goulart. No entanto, o verdadeiro líder da Frente de Novembro foi o coronel Nemo Canabarro, que exercia o cargo de secretário-geral.

Na data de sua fundação, a frente lançou um manifesto no qual conclamava “a união dos trabalhadores e militares, empregados do comércio e pequenos proprietários” numa organização popular e nacionalista em defesa do Movimento do 11 de Novembro. O manifesto pregava também a “emancipação social do povo e a emancipação econômica da nação”.

Entre as reivindicações a curto prazo da Frente de Novembro, destacavam-se a reforma agrária, o combate à especulação, a democratização do crédito, a nacionalização das riquezas básicas do país e a reforma da Constituição. Essas medidas viabilizariam a “autêntica democratização social, econômica e política” da nação. No plano político, a frente tinha como objetivo imediato promover a candidatura do general Henrique Lott, ministro da Guerra de Juscelino, às eleições presidenciais de 1960. Para tanto, cogitava-se em transformar a Frente de Novembro num partido político — o Partido Nacionalista — por cuja legenda Lott concorreria. Na prática, a Frente de Novembro procurou fortalecer as posições do grupo militar e civil que promoveu o movimento vitorioso de 11 de novembro, buscando ampliar as bases deste no conjunto da sociedade.

Apesar de menos grave, a situação política brasileira em 1956 não diferia radicalmente da de 1955. Os focos de tensão ainda se mantinham. A divisão nas forças armadas persistia e a oposição civil promovia intensa campanha no Congresso e na imprensa contra o governo de Juscelino, concentrando seus ataques sobre Lott.

No dia 11 de novembro de 1956, primeiro aniversário do Movimento do 11 de Novembro, a Frente de Novembro e lideranças sindicais promoveram uma manifestação em frente ao Ministério da Guerra, com a presença do vice-presidente João Goulart, durante a qual foi entregue ao general Lott uma espada de ouro. Lott, ao agradecer a homenagem perante uma multidão de 15 mil pessoas, definiu a frente como uma “organização apartidária, que congrega cidadãos de todos os quadrantes sociais... visando fortalecer nossas instituições democráticas e procurar, por meios legais e ordeiros, melhorar as condições de vida dos trabalhadores brasileiros”, numa resposta clara às acusações de comunista e inimiga da democracia que a organização vinha recebendo por parte da oposição.

Pouco depois, no dia 17 de novembro, foi publicada no número 239 da revista Manchete uma entrevista do coronel Nemo Canabarro que obteve grande repercussão nos meios militares. Entre outras declarações, Canabarro afirmou que, ao invés de se falar em divisão das forças armadas, o correto seria reconhecer a existência de dois grandes grupos, envolvendo indistintamente civis e militares: uma força de propensão democrata e nacionalista, representada pelo dispositivo do 11 de Novembro, e uma força conservadora, reacionária, defensora da participação do capital estrangeiro no desenvolvimento do país. Canabarro encerrou a questão dizendo que o choque entre os dois grupos só terminaria quando uma das facções tivesse esmagado irremediavelmente a outra: “Da nossa parte, só aceitaremos do adversário a rendição incondicional, ou o seu total aniquilamento como força de atuação ou de influência.”

Outra afirmação de Canabarro que causou impacto foi a de que os trabalhadores brasileiros estariam dispostos a se armar, contrabalançando assim uma eventual divisão nas forças militares. “Poderemos contar com três milhões de trabalhadores em torno do general Lott e em defesa do regime.” Além disso, o coronel identificou “os principais núcleos golpistas em ação no país”: a União Democrática Nacional (UDN), mais os partidos do bloco udenista (Partido Libertador, Partido Democrata Cristão etc.), a Frente de Renovação Nacional do general Juarez Távora e o Clube da Lanterna, do jornalista e deputado federal da UDN carioca, Carlos Lacerda.

Mais adiante, o secretário-geral da frente condenou igualmente o comunismo e o capitalismo, defendendo a implantação de “uma democracia a serviço da humanidade sem classes, nem burguesa nem proletária, a democracia real e ainda por aparecer”.

As conseqüências da manifestação em homenagem a Lott e da entrevista do coronel Canabarro à Manchete foram imediatas. No dia 20 Canabarro foi preso por ordem do general Ciro do Espírito Santo Cardoso, diretor-geral do Serviço Militar, sob a alegação de ter infringido o código disciplinar das forças armadas. A punição foi pedida pelo general Floriano Keller, a quem Canabarro estava diretamente subordinado, em decorrência exatamente de suas declarações à revista carioca.

A presença de Lott em comício popular, ao lado do vice-presidente da República e de líderes operários, também serviu de motivo para a agitação no Congresso e entre os militares, incluindo oficiais reformados ou da reserva, que se manifestaram publicamente sobre o episódio. Lott, em aviso ministerial, proibiu que os militares da reserva ou reformados, a exemplo dos da ativa, fizessem declarações públicas abordando problemas políticos.

No dia 22, o general Juarez Távora, um dos mais destacados opositores do Movimento do 11 de Novembro e que havia passado para a reserva em setembro, leu um manifesto que continha pesadas críticas ao governo. No mesmo dia, à noite, compareceu a um programa de televisão onde voltou a fazer comentários de cunho político. No dia 23, Lott ordenou a prisão domiciliar de Távora por 48 horas, por transgressão ao regulamento do Exército.

A essa altura, agravara-se muito a situação política do país chegando mesmo a circular rumores de que seria decretado o estado de sítio. Procurando contornar a crise, Juscelino, depois de reunião do ministério, fechou através de decretos presidenciais datados de 24 de novembro, a Frente de Novembro e o Clube da Lanterna, identificados como os principais focos de agitação, respectivamente de esquerda e de direita. A sugestão para fechar a frente partiu da Marinha, através de um memorial assinado por 24 almirantes, entregue ao almirante Renato Guillobel, chefe do Estado-Maior da Armada, que tachava as atividades da organização de subversivas. A proibição das atividades do Clube da Lanterna seria, segundo alguns, uma satisfação ao general Lott, descontente com a punição aplicada à frente.

Com a suspensão da Frente de Novembro, a Frente Nacionalista voltou a ser articulada.

Sérgio Lamarão

 

 

FONTES: BENEVIDES, M. Governo; COSTA, J. Marechal; ENTREV. LUCAS, N.; Manchete (10 e 17/11 e 1/12/56).

 

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